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Casa da Gorda

Casa da Gorda

18
Fev19

Culpa

Gorda

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Este fim de semana pensei várias vezes nisto e esta manhã, depois de um acesso de culpa que ainda estou a deixar que se dissipe no meu organismo, decidi que, se um dia tiver uma gata, a vou chamar de Culpa.

Já me imagino a gritar por ela "bichaninha, bichaninha, Culpa anda cá comer o teu atum!".

Os gatos detestam-me. Eu gosto deles, mas ao que parece eu sou demasiado efusiva e excessivamente dengosa para os felinos, pelo que em menos de 5 minutos estou a comer com duas lambadas na cara, garras de fora e tudo.

Os gatos são "donos disto tudo", aparentam conjeturar a nossa morte de formas escabrosas e têm o poder de nos vazar uma vista. Escolhem quando querem ser mimados e apoderam-se dos espaços da forma que entendem, demonstrando uma total desconsideração pelo outro.

A culpa é mais ou menos assim, aparece sem razão justificada, cresce de forma nada fundamentada e deixa-se estar ali, a fazer corpo morto em cima do teclado quando temos coisas para fazer.

 

Sempre fui dada a sentir culpa. Acho que se houvesse condenação para crimes mundanos leves eu já estava em perpétua. Culpa por comer demais. Culpa por exercitar de menos. Culpa por não ter estudado o suficiente. Culpa por não ter arriscado naquela oportunidade. Culpa por ter arriscado noutra e não ter visto logo que não ia correr bem. Culpa por ter confiado naquela pessoa. Culpa por não fazer nada este fim de semana. Culpa por estar de rastos e não ter percebido que afinal devia ter ficado a descansar.

Eu já sei que no mundo de hoje a maioria das pessoa vive sobre duas máximas (ou diz viver): "só me arrependo do que não fiz" e "tomei a melhor decisão com a informação que tinha no momento". São frases maravilhosas mas que para mim não servem.

Eu arrependo-me de muita coisa que fiz, é raro o dia em que não me arrependo de qualquer coisa e nem sempre tomo as melhores decisões com a informação que tenho. Porventura não terei força suficiente ao nível do intelecto que me permita ser tão meticulosamente correta e de tão bom senso.

Faço merda. Faço más escolhas. Cometo erros. E mesmo quando assim não é a culpa cai em cima de mim como um martelo.

 

E quando falamos de culpa é inevitável entrar na maternidade. Hoje penso que ser mãe é saber que temos sempre um depósito de culpa atestado. Combustível suficiente para que nos sintamos farrapos em menos de nada e por razão nenhuma.

As dúvidas, as decisões, os arrependimentos pelos gritos, as festas de aniversário a que não os conseguimos levar, o colégio que poderia ser melhor e quadrilingue mas afinal é publico, as roupas, os desentendimentos, os livros, a paciência e a falta dela, os dedos acusadores, as atividades extra-curriculares-extra-sensoriais-ó-desenvolvedoras-de-super-génios (e o meu não vai ser porque não anda em nenhuma), as opiniões não solicitadas que fingimos desconsiderar mas que perduram no fundo da nossa mente com aquele toque de requinte "será? será que fizeste merda?", o não ser quanto-baste para aqueles que, afinal de contas, carregam o nosso coração de forma atabalhoada naquelas mãos pequenas e sapudas.

Porque é isso não é? Ser mãe e parir e minutos depois tirar o coração do peito, coloca-lo nas mãos daquele ser e dizer baixinho para ninguém ouvir "agora não deixes que te aconteça nada pequenito, porque se alguma coisa corre mal, o meu coração cai ao chão e vai quebrar-se em mil pedaços".

 

Se quando era só eu já sentia culpa por tudo e mais alguma coisa, depois de ser mãe a tipa ganhou uma dimensão 3 vezes maior que a minha sombra. E anda sempre atrás de mim, a danada. O miúdo fica doente? O que é que eu podia ter feito para evitar isso? Se calhar não mandei o casaco certo. Se calhar estava uma corrente de ar e eu não vi. Se calhar ele já não estava a 100% e eu não tive a sensibilidade para o perceber. Caiu em casa e bateu com a cabeça? Que raio de organização é que eu arranjei para os móveis? Porque motivo não comprei mobília sem arestas? Aliás porque raio temos mobília? Afinal de contas para além do sofá pouco mais faz falta. O miúdo está a fazer birra no shopping? O que é que eu lhe ensinei mal? Porque raio o trouxe? Devia ter ficado em casa. Vou às compras e não o levo? Que raio de mãe, tão pouco tempo para estar com o meu filho, sempre a queixar-me, sempre condoída com a falta de dedicação que consigo ter e depois o que é que eu faço? Vou às compras em vez de ir com o miúdo ao jardim. Ganhou peso a mais? Que raio de alimentação lhe tenho dado? Chega de douradinhos e chega de conversa de cansaço no fim do dia de trabalho, cansaço é para fracos. Sou fraca, não consigo arranjar forças para cozinhar biológico todos os dias para o meu filho. Perdeu peso? Não tenho insistido o suficiente para que coma melhor, podia emprestar o telemóvel, podia fazer aviões, podia ler 252452 livros de parentalidade positivo-coisas para que ele conseguisse gostar de brócolos. Se calhar não gosta de brócolos porque eu não gosto de brócolos. Janta com o telemóvel? Então e o tempo de família? E as conversas à mesa? E a harmonia familiar?

Como se não bastasse a culpa da mãe, vem a culpa da profissional, que afinal não entregou mais isto e mais aquilo. Vem a culpa da esposa que não é cobrada, mas que sente que na maior parte dos dias é uma sócia e não uma mulher. Tratamos das compras, tratamos do miúdo. Tratamos do trabalho. Tratamos da casa. Desmaiamos.

Depois recomeça.

Culpa por não conseguir levar a cabo outros projectos. Amanhã faço isto, logo faço aquilo, mais tarde, daqui a nada. Nunca.

A culpa de não ser motivo de orgulho para o meu filho.

 

As férias acabaram com o puto cheio de febre na quinta-feira. Ele carregado de tosse. Eu carregada de culpa por o ter levado à neve. Se calhar não lhe devia ter atirado bolas de neve. Se calhar haviamos de ter ficado por casa.

Não dormimos 2 horas seguidas há mais de 5 noites. Nos últimos dias andava a sentir-me mais derreada e pensei que fosse só cansaço, mas não, era uma gripe das boas que se avizinhava.

Desde ontem que estou de rastos e hoje o miúdo foi para os avós, estou incapaz de tomar conta de uma criança de 4 anos. Mal me aguento em pé e tenho dores no corpo todo. Nunca pensei ser possível, mas até as pálpebras estão doridas.

Preparei o miúdo para o avó o vir buscar e estava capaz de me desfazer em choro, a mãe que se deixa ficar doente e não consegue tomar conta do filho. Culpada. Uma mãe insuficiente.

Mandei uma mensagem ao meu chefe, não podia ir trabalhar hoje, estou de rastos. Há trabalho para entregar e coisas que me comprometi fazer hoje. Vão ficar em atraso. Culpada. Uma profissional pouco dotada.

A casa está por arrumar e eu a vaguear pelas assoalhadas sem forças para a limpar. Culpada. Uma dona de casa que fica aquém.

 

Debato-me com estes sentimentos com demasiada frequência e penso o que sentiria a minha mãe que criou 4 filhos, 2 sobrinhas e ajudou com o filho da vizinha. Ela que tinha a casa sempre a brilhar e trabalhava mais de 10 horas em casa. Será que ela sentia culpa? Provavelmente. Será que relativizava? Não sei. Acho que nessa altura as pessoas aceitavam melhor as coisas pelo que elas eram, pensavam menos, ou expressavam menos.

 

Há uns dias davam uma noticia no telejornal que dizia que o sucesso escolar das crianças resulta em grande medida da condição sócio-económica da família e do nível de escolaridade da mãe. Especificamente da mãe. Ou seja o pai até pode ser o Einstein, mas se a mãe tiver a quarta classe a criança muito provavelmente a criança está entregue à ignorância.

A culpa é sempre da mãe não é?

 

Neste momento gostava de enrolar a culpa numa bola bem grande, de a pousar no chão, de dar 3 passos atrás e com toda a força que tenho correr para ela e dar-lhe um chuto como o que o CR7 dá quando marca livres. Mandar a puta para o raio que a parta.

 

(apenas para esclarecimento para o caso de leitura deste texto por pessoas do PAN, o ultimo paragrafo visa a possibilidadade de dar um chuto à culpa enquanto sentimento e não à Culpa enquanto gato, que aqui ninguém faz mal aos bichos)

 

 

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09
Fev19

Escrever com humor

Gorda

Escrever é um exercício. Escrever com humor é um exercício feito ao contrário, é mais ou menos a mesma coisa que imaginar que estamos a pedalar mas a bicicleta em vez de estar no chão, está aparafusada ao tecto e nós estamos ali, a ver o mundo ao contrário.

Acredito seriamente que existe humor em tudo, pode é não haver vontade de o ver. Aprecio particularmente este exercício de olhar para uma coisa que deve ser compreendida de uma única forma e roda-la na minha mente para lhe ver todos os ângulos. Há sempre um sério, um banal, um trivial, um cómico. É uma ginástica que entretém mas que desgasta, porque nem sempre estamos para aí virados, porque por vezes não apetece, porque queremos barafustar, porque a cabeça está frustrada e só lhe apetece fazer uma birra e mandar que os pés desatem aos biqueiros a toda e qualquer coisa. Mas virar uma situação do avesso pode moldar o resto do dia, obriga-nos a pegar naquele estado de espírito, que estava carrancudo e agora até está mais leve, porque nos lembramos de uma parvoíce qualquer. Faz-nos compreender que a maioria das coisas que nos aporrinha, na verdade não passam de meros sentimentozinhos inúteis cujo unico proposito é desgastar a pouca paciência que temos para isto tudo. Agora, que paro para ver o mundo em câmera lenta, à procura de encontrar o que seria mais engraçado de pernas para o ar, reparo que o penteado do Sr. Silva parece um espanador e naquele momento em que ele está a barafustar eu penso nele a varrer as prateleiras de casa com o coco.

Torna a chatice mais leve.

Rir não é o melhor remédio, mas às vezes é a único que temos à mão para lidar com as agruras da vida.

 

Digam lá, até aparecer o espanador estava sério não estava?

 

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05
Fev19

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com Diário de um pai solteiro

Gorda

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Na entrevista deste mês temos um bicharoco que as más línguas dizem estar em vias de extinção. Os chineses bem que tentam fazer as crias vingar, mas é em Portugal, neste retângulo à beira mar plantado, que vivem dois dos exemplares mais cool que alguma vez se viu.

Se os asiáticos dão nota disto levam-nos daqui. Não lhes chega a EDP…

 

Ora pois que o nosso convidado de hoje é nada mais nada menos que o Pai Panda, autor da página da Facebook “Diário de um pai solteiro”. Como o próprio nome indica é um moço livre que conta as experiências desta coisa da parentalidade pelos olhos de um pai cheio de humor que vem provar que aquela coisa do “mãe é sempre mãe” só vale quando o “pai nem sempre é pai”.

 

Conheci este espaço através da minha primeira convidada, a ilustre “Mãe Imperfeita” e achei que o que estava a fazer falta a este ursito preto e branco não era uma namorada, mas uma entrevista que colocaria à prova a sua capacidade de segurar o sistema nervoso e não me mandar para o raio que me parta.

 

Sem mais delongas deixo-vos com mais uma entrevista parva:

(já sabem, faz de conta que aconteceu aquela coisa do "Bom dia, como está?" e tudo o que a educação manda)

 

CG - É o Pai Panda, tem uma filha panda, a sua ex. é a Pata Hidrofóbica. Seria justo dizer que o seu animal preferido é o canguru? Por favor explique o seu sentimento depois da profundidade desta pergunta.

Pai Panda (PP) - Não seria justo dizer isso. Só conheci dois cangurus na vida e mal. Um foi de passagem, em Tóquio, num bar onde só iam estrangeiros. Falámos pouco. O outro trabalha na Uber Eats e já me veio trazer alguns pedidos. É má ideia pedir comida que não possa ser chocalhada, já agora. Por acaso o meu animal preferido é o cão.

 

CG - Tem por hábito colocar roupa escura e branca a lavar em simultâneo? Se sim, compreende que isso pode ser a razão para ainda estar sem uma Gansa fabulosa? Aliás, se calhar devíamos ter começado por uma questão menos difícil: sabe colocar a máquina de roupa a trabalhar? (esta questão é aquela a que eu gosto de chamar: pergunta kinder).

PP - Não preciso, porque evito ao máximo roupa branca. A excepção são as camisas das reuniões. Tendo a lavá-las todas ao mesmo tempo. E sabe uma coisa? São frequentemente azuis e têm pequenos apontamentos brancos ou riscas, quadrados… E isso leva-me a acreditar que se fabricam uma peça de roupa masculina que tem branco e azul, e que portanto tem de ser lavada na mesma lavagem, é porque essa história é um mito das mulheres. No caso da Panda não há problema porque ela cresce tão rápido e dão-nos tanta roupa que se chego a lavar a mesma peça duas vezes é uma sorte. Quanto à máquina, vivo sozinho desde os 18 anos e a minha mãe é nórdica… Não sei o que é isso da mulher portuguesa. A única que coloco num pedestal é a minha ‘senhora lá de casa’ que lá vai uma vez por semana e a deixa num estado de hotel de 5* em apenas 4 horas. Acho que um homem com empregada não precisa de mulher por lá a tempo inteiro.

 

CG - A maioria das mulheres, quando vê um homem divorciado que é um pai carinhoso, pensa: “Ohhhh, que fofinho!”; eu normalmente penso “deve ter posto as peúgas pretas a lavar com as camisas brancas mais de 20 vezes ou então queixou-se outra vez das almofadas decorativas da cama, são coisas que lixam a cabeça às gajas!”. Depois desta introdução indique quantas vezes fez douradinhos para o jantar da piquena no último mês?

PP - Tecnicamente não sou divorciado, sou só separado. E se uma mulher entrar no meu quarto, quero acreditar que as almofadas decorativas não estão no topo das preocupações naquele momento. Talvez seja mais importante ela não tropeçar no cabo da extensão do aquecedor e dar um tralho monumental em cima da mesa de cabeceira. Douradinhos, ora bem.. uma vez.

 

CG - Por falar em douradinhos, vamos a uma pergunta mais séria: se uma mãe fizer douradinhos para os filhos 1 vez por semana é má mãe, mas se for um pai solteiro a fazer nuggets todos os dias é fofo, porque se está a esforçar rodos. O que acha desta diferenciação?

PP - Estou com o feeling que isto dos douradinhos é um tema que lhe é pessoal… Em qualquer caso acho as mães são sempre más mães não importa o que façam. E elas sabem disso. Por isso é que sentem culpa. É uma boa forma da natureza as capacitar para criar filhos e de se esforçarem. É nosso dever perpetuar essa culpa. Não sei que espécie de mau pai faria nuggets todos os dias quando pode encomendá-los no McDonald’s já feitos. A Panda gosta.

 

CG - Ficou sério, por isso, vamos avacalhar outra vez tá bem? (Nunca antes na história das entrevistas alguém disse a um entrevistado que ia avacalhar…sou uma jornalista brutal!). Vamos imaginar que apanhou um avião com destino a Nova York, mas a coisa corre mal e o avião despenha numa ilha quase deserta. O piloto e a tripulação de bordo patinam, mas o Panda sobrevive (é o único passageiro porque não me apetece matar mais gente nesta entrevista). Depois de dar uma volta à ilha e de perceber que vai ter de viver de cocos e pregados até que o encontrem (uma alimentação PALEO, fique contente!), dá de caras com duas moças. Uma é linda de morrer, qual Jennifer Lopez, qual Gisele Bunchen (por favor diga-me que sabe quem são estas pessoas…), mas burra como uma pedra; a outra é igualzinha à Maria Leal mas têm a massa intelectual de uma cientista conceituada. Qual escolheria? E porquê? Já agora estamos todos curiosos.

PP - Se estão as duas sozinhas na ilha deserta acho que poderíamos chegar a um entendimento qualquer e dar-nos todos bem. Não sou possessivo. Se não fosse possível, escolhia a inteligente porque precisaria mais da companhia dela. Na condição dela dar explicações à mais burrinha e de lhe fazer coaching ou mentoring ou algo assim. Quando a Gisele Bunchen fosse minimamente esperta, ficava antes com ela. Já agora, fui googlar porque de facto não sabia como era a Maria Leal. Devo dizer-lhe que é impossível uma mulher com um intelecto elevado ter aquele aspecto. Todas as mulheres muito inteligentes que conheci eram no mínimo bonitas. Além disso na ilha deserta não deve haver creme cor de laranja para a cara aqueles químicos para o cabelo.

 

CG - Como já vem a ser apanágio desta entrevista, não podemos ir embora sem que complete esta frase: quando a Panda não está em casa eu…

PP - … contemplo o vazio da existência humana numa solidão tão intensa que é quase palpável no ar cristalizado da noite fria. E jogo playstation à vontade sem ter de usar os headphones.

 

CG - O que diz o seu frigorífico?

(normalmente pergunto pela carteira, mas no caso de um homem divorciado confesso que estou deserta de curiosidade para saber quantas prateleiras tem vazias).

PP - Que gosto de cerveja? Que uso pouco a manteiga que comprei em 2011. Que tenho boas intenções quando compro aqueles pacotes de saladas no supermercado, mas não passam disso. Que não devia mesmo comprar mostarda dijon e coisas assim porque nunca termino um frasco. Não percebo mesmo que tipo de pessoa consegue gastar a mostarda toda antes dela se estragar.

 

E é muito isto, os entrevistados ficam sempre num estado de júbilo tal, que estão capazes de hibernar meses a fio.

 

 

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02
Fev19

A vida já é séria que chegue

Gorda

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Alguma vez pensaram que a vida é séria que chegue? Há guerras, há fome, há doenças, há crianças abandonadas, há acidentes, há bombas atómicas, há pedófilos, há violadores, há crueldade animal, há livros do Pedro Chagas Freitas.

Não vos apetece ficar deitados em posição fetal em vez de ir para o emprego? Afinal de contas são 8 horas sentados a uma secretária a fazer coisas pelas quais não temos interesse, ou de pé numa loja a atender clientes que não sabem o que querem, quem sabe na cozinha de um restaurante a cozinhar os pratos que são demasiado isto para uns e insuficientemente aquilo para outros. Porque a verdade é que a maior parte das pessoas tem um emprego para ganhar a vida, não o faz por um imenso amor ao serviço.

Os putos choram e fazem birras, debatemos-nos por saber se lhes havemos de comprar o brinquedo ou não. Fazer com que se calem e aprendam a ser manhosos, ou levar com a gritaria e pôr mais um pedacinho de cimento na esperança de que podem vir a crescer para ser gente decente.

A vida é séria demais para mim. As preocupações são sérias demais, o stress, as exigências, o trabalho, o filho, enfim tudo.

É por isso que me tento rir de tudo. Tudo mesmo. Pode ser uma forma de ultrapassar as minhas fragilidades, mas eu preciso de conseguir dar uma gargalhada para seguir com a minha vida. Nem que seja uma de sarcasmo, ou uma que resulta da desconstrução das desgraças do meu dia.

 

Eu era miúda quando a minha mãe morreu, foi sem duvida o momento mais dramático da minha vida. O meu pai quis que eu ficasse em casa aquela semana, para conseguir pôr a minha cabeça no sítio e ter tempo para lamentar a perda da minha mãe. O meu pai é hoje um velhote com 70 anos, as coisas eram assim no tempo dele, eu estava pronta para ir para a escola no dia seguinte. Eu não ia conseguir arrumar nada numa semana, nem o quarto, quanto mais a cabeça. Quando voltei aos meus dias encontrei uma forma de ter alguma leveza. Contava piadas, ria-me de mim e dos outros. Ria. Uma vez uma amiga disse-me que achava extraordinário que eu estivesse tão bem ao fim de pouco tempo.

É claro que essa amiga não sabia que eu adormecia todas as noites a chorar, nem que o havia de fazer durante anos. Não tinha de saber.

A vida é séria demais, magoa, aperta connosco. A realidade é áspera e não tem contemplações, restando-nos esta capacidade de ver as coisas de pernas para baixo e rirmos-nos de tudo.

Quando eu entrei para o secundário a minha turma mudou quase toda e a maioria das pessoas não sabia que a minha mãe tinha morrido. Não tinham de saber. Por isso no dia da mãe às vezes perguntavam o que é que eu ia dar à minha mãe. As primeiras vezes que aconteceu eu respondi que já tinha morrido e gerou-se um momento um pouco perturbador, os meus colegas ficavam sem saber o que dizer, sentiam a necessidade de se desculpar e eu tinha a necessidade de brincar com a situação para tentar que o ar ficasse menos tenso. Então encontrei uma forma de resolver o problema: sempre que me perguntavam o que ia dar à minha mãe como prenda de dia da mãe eu respondia "flores". E os meus colegas "ah é o que ela mais gosta?", e eu que sim senhora, que naquele momento era o que ela recebia de melhor grado. Os outros não ficavam tensos, eu não sentia a necessidade de "aliviar" o ar, a minha mãe não voltava a estar viva nem morria por causa da minha baboseira, e eu ainda me ria porque tinha ludibriado a questão (era miúda, lembremo-nos).

Rir não é o melhor remédio, mas é uma espécie de paracetamol: alivia os sintomas ainda que de forma leve.

 

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30
Jan19

Coisas sobre A Gorda, ou lá o que é

Gorda
A minha mãe era diabética e só tinha bebés gordos. Eu nasci fora de horas, vim ao mundo numa forma de estar que se arrasta até hoje: contra a vontade e a expectativa de todos. Decidi que havia de vir e vim. Não houve contracetivo que evitasse a minha chegada.
Sabem aquela coisa do 99% de fiabilidade? Eu sou o 1%.
Nasci gorda e feia como uma foca obesa, era o maior bebé da maternidade e os meus irmãos, perante tal texugo, decidiram envolver-me no seu clã fraterno sendo fundamental que eu carregasse uma alcunha menos bela.
Eu seria para sempre "A Gorda".
 
O amor fraterno é o amor mais arisco e brutalmente honesto que podemos encontrar, ninguém nos dá carolos como um irmão mais velho, ninguém nos chama de estúpidos como um irmão mais velho, ninguém sai em nossa defesa, contra tudo e contra todos, como um irmão mais velho.
 
Em miúda gostava de todo o mundo dos livros, do cinema, tudo o que envolvesse criatividade. Não brincava na praceta porque nunca me soube defender decentemente de uma porradona de um vizinho, a violência física deixava-me sem reação e por isso acabava em casa, com dissertações filosóficas sobre como as crianças do bairro se deviam comportar. A minha mãe só queria que eu aprendesse a dar um papo-seco a alguém.
A minha mãe era uma mulher com muita paciência.
Corria pouco e mal, era uma nódoa a jogar ao elástico, tinha medo de fazer o pino e se me punham à baliza a jogar à bola fugia da bicha quando ela vinha em minha direção. Era escolhida em último e com razão.
 
Passei pela adolescência num io-io de pesos que nunca me levou à obesidade, invejando todos os dias a cintura de vespa da Paula, que comia como uma lontra e parecia a Ariel sem barbatanas.
 
Quando entrei para a faculdade comecei também a trabalhar. O peso que tinha a mais foi desaparecendo, afinal de contas tinha pouco tempo para comer e muita coisa para fazer.
 
Posso dizer que não sou gorda, sou "A Gorda". É a minha alcunha, foi o nome de gang que os meus irmãos escolheram para mim. Quando alguém pergunta pela Gorda, eu olho. Afinal de contas sou eu.
Quando os meus irmãos dizem um para o outro "foi ali a Gorda que não-sei-quê...", eu volto ao apartamento minúsculo onde cresci, às tardes de sábado cheias de sol em que uma família de 6 arranjava maneira de se sentar num sofá de 4 para ver o Macgyver, volto às historias incríveis que o meu irmão mais novo me contava, sobre aquele personagem que "fazia uma bomba com uma pastilha e um palito" e eu ficava com medo de espetar um palito numa pastilha, afinal de contas podia arrebentar com a casa toda.
Volto a um período da minha vida em que só me lembro de dias quentes e felizes, em que eu não tinha preocupações, quando eu ainda acreditava que os que amo viveriam para sempre e que eu seria uns dias a Ariel e outros a Babe do Dirty Dancing.
 
Sou péssima a escolher nomes, por isso quando chegou o dia de criar um blog foi uma valente dor de cabeça arranjar alguma coisa para lhe chamar. Diz que nome é obrigatório. Pareceu-me que a Casa da Gorda seria uma boa opção, afinal de contas é a minha casa virtual e "A Gorda" sempre fui eu.
 
Desta feita resta-me dizer:
Sejam bem-vindas e bem-vindos a este espaço (olhem para mim a ser bué inclusiva). Não vou ensinar nada a ninguém, não vou contar um processo de perda de peso, não vou dar lições de vida nem vou contar o meu dia a dia como se ele fosse alguma coisa de especial, posso falar-vos da rijeza que é trabalhar para manter os meus quilitos num percentil piqueno (gozando com os meus dilemas por não poder encher o bandulho de bolos a torto e a direito), porventura irei desconstruir a banalidade dos meus dias para que eu própria me consiga rir deles, posso oferecer-vos a minha visão tola do mundo, aquela que me faz rir sozinha quando estou a enjorcar os textos que escrevo.
 
Aqui procura-se uma gargalhada por dia, é como a fruta mas em melhor. Porque a vida é séria que chegue para que andemos sempre aporrinhados com tudo e mais alguma coisa.
 
 

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29
Jan19

Telemóveis, amamentação, mamas e dois póneis dourados

Gorda

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Sempre detestei telemóveis, não sei explicar bem porquê, mas sinto uma aversão extrema àquela bugiganga sem fios que parece responder a modas e que sabe mais da nossa vida do que nós mesmos. Uma pessoa vai ao supermercado comprar uma beringela e quando sai aquilo pergunta "como foi a experiência?". Epá, no mínimo transcendente, não é?

Algures em 2015 cedi à compra de um smartphone, o meu marido já tinha tentado convencer-me a isso antes e eu insistia dizendo “não tenho utilidade para isso, quero um stupidphone”. Não conseguia identificar a necessidade de gastar um monte de dinheiro num telefone que eu ia deixar perdido na mala, para mandar uma mensagem de quando em vez e para fazer algumas chamadas por semana. Nunca ligava a internet (aliás nem sabia fazê-lo), estava alheada do conceito de app e não tinha redes sociais. Queria um telemóvel cheio de funcionalidades para quê?

Depois o meu filho nasceu e eu passei a saber o que é alimentar uma criatura com algo produzido pelo meu próprio corpo. Posso dizer que no meu caso foi fácil e praticamente indolor, mas ao fim da décima vez a coisa perde encantamento e uma pessoa começa a definhar de tédio à espera que a criança “acabe a sopa”. Por isso o maridão, homem mais dado às tecnologias, lá me ensinou como mexer na internet com o telemóvel que tinha na altura e eu comecei a entreter-me na net enquanto a criança mamava. Por essa altura também aderi às redes sociais, muito por insistência de um casal amigo que me dizia que era bom porque podíamos seguir páginas de coisas com informações úteis.

A verdade é que comecei a ficar como que “dependente” do telemóvel. O cérebro habituou-se ao entretém que um smartphone (com dados) proporciona nos tempos mortos, para não falar no sentimento de segurança que nos dá, sabendo que, se precisarmos de alguma coisa, seja lá onde estivermos, podemos sempre pedir ajuda. Se quando era só eu me estava borrifando e nem queria um tarifário livre porque “nem 10 euros eu gasto” (dizia eu), quando o miúdo nasceu passei a soar se o telemóvel não tivesse saldo ou bateria.

O telemóvel transformou-se num item indispensável. Hoje em dia, posso dizer com um nível elevado de certeza que me assusta mais a ideia de perder o telemóvel do que perder a carteira.

Na semana passada deixei o telemóvel em casa. Tinha posto o bicho a carregar e deixei-o em cima da secretária do escritório. Estava a meio da ponte Vasco da Gama quando deitei a mão à mala e percebi que o tinha deixado em casa, primeiro o coração foi aos pés, depois voltou, depois pensei em fazer o caminho todo de regresso e por fim decidi que ia passar o dia incontactável. Sem telemóvel e todo o mundo que está lá dentro.

Adorei.

Passei um dia sem sair do mundo real, estive mais atenta ao que se passava à minha volta, falei com mais pessoas, gozei com outras por fazerem aquilo que eu tantas vezes faço, o designado phubbing. Não fui ver as redes sociais e não publiquei nada. Foi um dia de descanso da vida virtual e posso dizer que foi um dia mais leve, em que não pensei mil vezes “será que não-sei-quem-disse-alguma-coisa? Deixa cá ver!”

Estava a regressar a casa ao final do dia e ocorreu-me que devia fazer isso: passar um dia da semana sem telefone, ou pelo menos um dia da semana sem internet, zero redes sociais, zero blogs, zero whatsapps; só o mundo lá fora.

 

 

Amamentei o meu filho em exclusivo (numa dicotomia mama-bebé) durante precisamente 4 meses. É verdade, não houve biberons sequer, só mama direto.

Nunca pensei em amamentar, só decidi que isso ia acontecer quando tive o puto ao meu lado, depois do parto e a coisa correu bem. Pois é! E é por isso mesmo que me espantam tanto todas as conversas em torno da amamentação, como se estivéssemos a falar de uma espécie de bicho de sete cabeças pelo qual uma pessoa deve soar postas de sangue para alcançar.

Eu tinha uma lista de coisas que queria garantir que levava para a maternidade e nesta lista estava incluída uma lata de leite em pó. Estava convencida de que não ia amamentar, não é que não me visse nesse papel, pura e simplesmente sempre pensei na coisa como certa, de maneira que ia dar leite em pó ao bebé, não queria stressar com a amamentação, por isso ia ser assim. Uma semana antes do bebé nascer um amigo nosso disse-me para não comprar, a mulher era enfermeira e sabia por experiência que às vezes as mulheres reagiam bastante bem ao processo de amamentação e não precisavam de comprar leite de lata, por isso – e considerando que não estávamos em 1899 e o pai não teria que galopar para a cidade vizinha em busca de leite – se eu não conseguisse, descíamos ao andar de baixo de qualquer hospital e podíamos comprar.

Assim fiz.

Depois de o bebé nascer, coloquei-o no peito e o processo foi fácil, com pouca dor e sem muita ansiedade. Acho que me doeu um pouco nos primeiros 5 ou 6 dias, mas depois da subida do leite passou tudo. Posso garantir que me mantive em segredo com medo que a Terra Nostra me viesse buscar, é que eu tinha leite para o meu filho e para mais 20 bezerros.

Quando regressei ao trabalho, ao fim de quatro meses, lá comecei a tirar leite com a bomba. Com a mesma facilidade com que veio desapareceu, o stress, as noites mal dormidas e o cansaço secaram a fonte em 15 dias.

 

 

A fixação dos homens pelas mamas das mulheres só pode resultar de duas coisas: a) imaginam que podem fazer brincadeiras que depois não se concretizam; b) não partilham conta bancária com uma gaja de mamas com copa maior que D, porque se assim fosse rezavam todas as noites para que as marias encolhessem, tal não é o preço da roupa interior adequada.

 

 

Vejo tanta gente a fazer coisas que não fazem sentido, a querer fazer os outros acreditar que conseguem coisas fora de serie, que achei que eu também podia fazer de tropelias do imaginário e dizer que ontem vi dois póneis dourados com cascos de diamante, disseram-me adeus e pediram-me para tomar a medicação.

 

 

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24
Jan19

Uma crónica sobre não escrever uma crónica

Gorda

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Pensei em escrever uma vez por semana, o processo de escrita é catártico, obriga-me a rir do que me deixa frustrada, exige-me o exercício de ver a minha própria vida fora do contexto, como se eu estivesse fora dela, como se eu fizesse parte  de um qualquer painel de controlo que está a ver os acontecimentos a decorrer dando pequenos ajustes aqui e ali, mas sempre sem o poder que desejava ter.

 

Pensei em escrever uma crónica por semana mas o tempo foge-me das mãos. O tempo e as ideias que são mais esguias que as enguias no mercado se Setúbal, umas vezes aparecem aos magotes, outras parecem fantasmas que passam lá ao fundo, aparecem para fazer BUUUUUU e depois somem-se sem eu ter tempo de apontar nada. Às vezes sento-me e escrevo vários textos, ficam em folhas soltas ou em posts no blog que não veem a luz do dia, uns parecem-me fracos, outros demasiado macambúzios, outros o aproveitamento de restos de ideias que me sabem sempre à salada de segunda-feira, quando aproveito as sobras do frango assado do fim de semana.

 

O problema está na falta de tempo, nunca tenho tempo que chegue para nada. Consigo apontar umas parvoeiras, escrever umas coisas tontas nas redes sociais, interagir com as pessoas, fazê-las rir por 5 segundos e divertir-me no parco tempo em que estou a preparar aquela chalaça. Diverto-me com as respostas que me dão. Nem imaginam como me divirto. Não lhes consigo responder a todos como gostaria (não que sejam muitos, o meu tempo é que se resume a migalhas), mas leio e sabe-me tão bem ler as respostas.

Não apanho parvos, só gente divertida.

 

No outro dia lia um texto sobre gestão do tempo, como acontece com muitas das coisas que leio passei os olhos na diagonal e perdi o interesse antes mesmo de chegar ao fim. Dizia a pessoa que o dia se podia segmentar, iam 8 horas para o trabalho e por isso restavam 16 horas para muitas outras coisas. Começou a perder-me aqui, porque o meu trabalho não me ocupa só 8 horas do dia, nem o meu nem o de nenhuma das pessoas que conheço, a menos que haja alguém com acesso a teletransporte, porque eu gasto 1 hora para ir para o trabalho (com sorte, se ninguém se estatelar a caminho da ponte) e mais uma hora a regressar (mais uma vez rezando aos santos para que ninguém entre na traseira do condutor da frente). Tenho de gastar 1 hora em almoço: questões de lei laboral, regras de empresa e condição humana que me força ao alimento.

Aqui são 11 horas que eu lixo.

Depois dizia a pessoa que dormia 8 horas, foi quando comecei a sentir a minha vista a definhar, porque gente que tem teletransporte ainda aceito, agora pessoas que dormem mais de 6 horas irritam-me bastante, até as que o fazem sem ser de forma intermitente. Continuava com mais algumas dissertações mas nessa altura ao meus neurónios já estavam a assobiar para o ar, é que eu acho muita graça àquela coisa do multi-pluri-mega-tasking, mas acho que isso dá sempre em pluri-merding e eu prezo muito a minha self-sanity, maneiras que vou fazendo um bocadinho de cada coisa, mas sempre a medo e com a profunda vontade de terminar pelo menos uma tarefa por dia.

 

Chegou terça-feira e eu não escrevi uma crónica, tinha textos guardados mas nenhum me pareceu suficientemente bom, por isso não os publiquei, tenho de os olhar de novo.

Adiei.

Iniciei o processo de quem se convence a não escrever uma crónica. Que não fazia mal, que as pessoas tinham mais que fazer do que pensar nisso, que tinha de me focar no meu trabalho. Que, assim como assim só escrevo porcaria pelo que não teria interesse nenhum. Assim fiz.

Mas hoje pareceu-me que me devia obrigar a sentar para escrever.

 

Disciplinei-me para isso.

 

Não é uma crónica é uma coisa sobre coisas soltas que mostra muito de como está a minha cabeça: a fazer coisas à pressa, algumas sem sentido, pululando de tema em tema, frenética à procura de salvação para os múltiplos desafios que se me apresentam, passando por limpar a casa de banho que já está a ficar em estado degradado, à resolução de questões profissionais, culminando neste meu entretém de escrita ao qual nem sempre consigo chegar.

 

A vida vai assim, confusa, excessivamente preenchida, a fazer um pouco de tudo e sem aproveitar o tudo de nada (esta frase está introspetiva até à dor do lóbulo esquerdo do meu crânio) e este é o texto possível.

 

Vou dizer a mim mesma o que a minha mãe me dizia sempre que eu tirava um “Satisfaz” mas queria um “Muito bom” sem ter trabalhado para ele: deixa lá, para a próxima fazes melhor.

 

 

(Nota: este post foi escrito em exatamente 11 minutos e não teve qualquer revisão, pelo que, se não fizer qualquer sentido eu peço desculpa, foi o melhor que consegui deitar cá para fora.

 

 

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16
Jan19

Ser estúpido de forma assumida, é um descanso

Gorda

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Dei comigo a pensar que os estúpidos têm uma vida muito mais descansada que a minha. Notem que com esta primeira frase estou desde já a manifestar-me: preocupada e esperta (por contraponto à minha assunção imediata de que a estupidez a mim não calhou). Esta minha conclusão resulta de um daqueles momentos em que carregamos na máquina de café do trabalho e nos vemos obrigados a ficar ali, parados, à espera que aquela barra chegue ao fim e que possamos finalmente chegar ao pedaço de água escura que nos acordará como nenhuma outra coisa consegue fazer. Esse tempo de espera, que parece nunca acabar, pode ser usado de quatro formas: olhando impacientemente para a barra, estando certos de que se a dominarmos visualmente ela vai acabar mais depressa; conversando sobre o tempo de espera a que a máquina nos obriga, queixando-nos não só do mesmo, como também da qualidade do café que consumimos gratuitamente; vagueando pela sala de café, acabando sempre por espreitar a máquina de coisas não-saudáveis que nos deixa uma vontade atroz de consumir o bolo mais calórico à disposição; perdidos em pensamentos que não trazem valor acrescentado à vida.

Como podem ver dei comigo na última hipótese.

De repente ocorreu-me que a vida é mais fácil para as pessoas que se assumem, à partida, como estúpidas. Esta premissa – vou chamar-lhe assim porque me apetece – resulta do facto de que, quem é esperto sentir a necessidade constante de evitar que os outros o julguem estúpido. O esperto pensa e repensa os seus comportamentos para tentar chegar sempre à conclusão de que teve comportamentos espertos em vez de comportamentos estúpidos. Quando, ocasionalmente, chega à conclusão de que pode ter havido ali um resvalar para o asinino, tenta convencer-se a si próprio de que esteve muito bem e de que os ineptos são os outros, naturalmente.

O esperto preocupa-se sempre que façam pouco de si, porque, regra geral, é dos estúpidos que se faz pouco, pelo que não pode ser alvo de chacota. O esperto é como o circulo preto num alvo, está sempre ao lado da bola vermelha, mas sempre acima da piada. Está lá para se rir…do outro…porque de si próprio não faz sentido.

Se todos nos assumíssemos como estultos à partida, tudo seria mais fácil.

Vou assim fazer por apurar o meu raciocínio néscio, sendo este texto uma demonstração do meu treino.

 

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12
Jan19

Favor votar!....e de preferência no humor

Gorda

Para quem ainda não se deu conta, para aquelas pessoas mais distraídas, para quem está sempre assim meio perdido na maionese; importa chamar a atenção para uma pergunta colocada pela Sapo no lado direito do nosso espaço de gestão do blog. 

Pelo que compreendo a Sapo pretende criar mais uma ou outra categoria no banner principal da Sapo blogs e, com vista a ir ao encontro do que mais gostamos, está a dar-nos a oportunidade de votarmos no que queremos (ou preferimos).

As opções são as que estão abaixo na imagem e acho que todos ficamos a ganhar em escolher. Eu já votei na categoria de humor e puxo a brasa à gargalhada, pelo que toca lá a escolher uma categoria e votar, para os nossos amigos da Sapo criarem ali um bannerzito destinado ao humor e depois, quem sabe, até lá escarrapacharem as parvalheiras desta tonta aqui.

 

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08
Jan19

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com Ser Super Mãe é uma Treta

Gorda

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Eu sei que anseiam por esta rubrica todo o mês, sei que mal respiram a pensar no que será que vem para aí, sei que ficam com transtornos de ansiedade gravíssimos. Sei de tudo isso e é por essa mesma razão que procuro e escarafuncho como uma doida para encontrar os melhores entrevistados.

Começamos 2019 da melhor forma com uma convidada que dispensa apresentações no mundo da maternidade, hoje falamos com Susana, a autora do blogFacebookInstagram "Ser Super Mãe é uma treta". Tem um humor fora de serie e, tal como já lhe disse mais do que uma vez, o "Foda-se!" dela devia ser patenteado, porque aquilo é qualquer coisa de particularmente engraçado.

Não me vou arrastar com mais apresentações, porque de mim já está toda a gente farta. Por isso deixo-vos com a entrevista palerma de que foi vitima está mãe do car...car...carvalho.

Cá vai disto:

 

CG - Gostaria de começar com uma pergunta que já foi feita, mas que eu sei que surpreende sempre e que gera alegria. Não te esqueças de que estás num espaço seguro e que aqui não há lugar a julgamentos. Então diz-me, se ser mãe é cansativo e descobriste isso com a primeira, porque raio foste ao segundo?

SSMT - Foda-se, tu não me andas a ler pois não? Já escrevi sobre isso. O meu filho era uma virose, andei quinze dias a morrer devagarinho, fui ao hospital para saber o que é que me estava a matar e depois de umas análises disseram-me alegremente "Parabéns está grávida!" Eu pensei que a médica tinha estado a beber enquanto eu estive à espera, mas perante a minha negação e vontade de fugir dali fizeram-me uma ecografia para confirmar. Lá estava ele um saquinho bem redondinho a gozar comigo. Chorei muito, a vida trocou-me as voltas e berrou-me aos ouvidos que quem mandava era ela, eu acatei e acabei por ficar feliz. Depois fodi-me, porque durmo mal há mais de três anos e só não dou o meu filho para adopção porque já me habituei a ele. 

 

CG - Depois da primeira pergunta calculo que um copo de vinho venha mesmo a calhar, pelo que te quero apresentar uma ideia disruptiva que se abateu sobre mim. Estou a pensar apresentar uma proposta à Quinta da Bacalhoa para que criem um cartão de fidelização designado “mãe”. Assim, as pessoas com esta subscrição pagariam uma mensalidade fixa e teriam acesso ilimitado a caixas e caixas de garrafas de vinho. É alegria e apoio social. Gostarias de aderir? Se sim contribui com 3 argumentos para apresentar ao Conselho de Administração da Bacalhoa.

SSMT - Isso é lá pergunta de jeito que se faça a uma mãe que não passa sem um copo de vinho depois de os miúdos estarem finalmente a dormir? Até fico sem ar. É para assinar uma petição? Onde? Conta-me tudo. Três argumentos? És muito exigente e eu só tenho um neurónio a funcionar. As mães estão todas fodidas e à beira de um ataque de nervos, verdade? Vamos concordar que esta merda não é boa para o aumento da taxa de natalidade e vamos concordar também que precisamos de aumentar a taxa de natalidade ou não vai haver dinheiro para pagar as nossas reformas. As mães estão cansadas, às vezes têm vontade de atirar os filhos pela janela e só de pensarem em mudar fraldas outra vez começam a bater com a cabeça na parede. Então, mãe que bebe um copo de vinho é uma mãe que por momentos se esquece que os filhos lhe rebentam os nervos, que os vai espreitar enquanto estão a dormir e só vê uns anjinhos que não espalham legos pelo chão e que não fazem birras porque não querem tomar banho e pumba decide procriar. Acho que este argumento vale por três.

 

CG - Vamos olhar para o futuro. O teu filho cresce e aparece-te em casa com uma namorada que diz ser para casar. Descobres que a tipa é da cena positiva (pensamento positivo, reforço positivo, biló positivo, tudo positivo). Acabas de rastos no casamento e ao fim de um ano és presenteada com o primeiro neto. Os pombinhos, recentemente pais, decidem ir de férias pela primeira vez sozinhos e deixam o puto a teu cargo. Com ele um livro de instruções escrito pela mãe para que saibas como gerir o príncipe. Certo dia o desgraçado faz uma birra descomunal no elevador e tens de decidir se segues as instruções da parentalidade positiva ou a tua linha de gestão. O que decides fazer e porquê?

SSMT - Só me fodes. Isso não vai acontecer e agora vou beber um copo de vinho para tirar essa imagem da minha cabeça e já acabo de responder a este questionário que já me está a enervar.

 

CG - Vejo nas redes sociais que levas os putos àquele antro do demónio que vende “refeições felizes” (esse mesmo, o dos arcos dourados). Não receias um dia vir a ser castigada pelos deuses, tendo o mesmo fim que Prometeu, mas com um periquito a comer alpista do teu baço?

SSMT - Não! O Mac Donald's é do bem, vende comida saudável com imensa alface e coisas verdes tipo espinafres. Não acompanhas as mommy bloggers, influencers e o caralhinho? Devias. Porque desde que elas levam lá os filhos eu deixei de ter esses medos. Agora se me perguntas se tenho medo que os deuses descubram que deixo os meus filhos comer açúcar a resposta também é não. 

 

CG - Imagina o seguinte cenário: o teu marido está fora em trabalho e tu ficas sozinha com os miúdos, há uma greve na escola e decides leva-los contigo para o teu emprego. Dá o badagaio ao barco e naufraga, só para quando chega a uma ilha perto de África. Quando sais do barco (sozinha porque naquele dia ias só mesmo tu e os miúdos) encontras uma tribo indígena que está passada dos cornos, porque duas semanas antes tinha naufragado um cacilheiro com destino ao Cais do Sodré e foi lá parar uma defensora da parentalidade positiva que lhes está a rebentar com o juízo. Dizem-te que, para que não te sacrifiquem lá para os deuses deles, tens de fazer uma de duas coisas: a) apanhar cocos para toda a gente todos os dias; b) ficas encarregue de tomar conta da defensora positiva durante um dia (inteiro) da semana à tua escolha. O que escolhes? Porque optas por apanhar cocos?

SSMT - Tens uma imaginação muito fértil não tens? Não é que eu seja uma pessoa violenta, mas para não arriscar, eu apanhava uns quatro ou cinco cocos para atirar à cabeça dessa defensora da parentalidade positiva. É que eu tenho uma pontaria fraquinha. 

 

CG - Não podemos ir embora sem que completes esta frase: “Quando os miúdos estão nos avós eu…”

SSMT - Durmo!

 

CG - O que diz a tua carteira?

SSMT - Diz que sou desorganizada, que tenho papéis a mais, que as fotografias dos miúdos estão desactualizadas e que preciso de levantar dinheiro porque ando sempre a contar as moedas. 

 

Era isto? Se não era que se foda, que eu não aceito reclamações. 

 

 

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