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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Qua | 31.10.18

Um bom dia de chuva é aquele que tem greve

Gorda

Chuva.jpg

 

Pudesse eu e vivia como as cegonhas, sempre às voltas mundo afora, uma casa em cada país, porque isto com chuva uma pessoa não se aguenta.

É certo que sabe bem estar em casa, caneca de chocolate na mão, roupa polar da Primark (não conheço outra realidade), peúgas cheias de borboto, um filme que estreou na semana passada mas andei para trás para poder ver. Lá fora a água a cair sem piedade. Eu, como nunca sei estar descansada com o que quer que seja, arrelio-me com as pobres das almas que têm profissões que as obrigam a fazer a vida com aquele tempo. O camionista que conduz numa estrada mais perigosa, o médico que está a caminho do turno, o enfermeiro que trabalha nesse fim de semana.

Esqueço-me das minhas queixas laborais e volto a sentar-me no sofá.

Seria quase romântico se eu tivesse a casa arrumada e não acabasse a gritar um “foda-se” porque piso uma peça de Lego quando vou da janela – onde estive com pensamentos existenciais – para o sofá.

Isto é tudo verdade, quando a chuva decide cair em condições que considero minimamente óptimas, ou seja, à noite, em dia de fim de semana (já mais para o final do dia) ou naqueles dias em que, mesmo podendo fazer alguma coisa melhor com a vida só me apetece vegetar em frente à televisão. E pelo menos quando chove sinto menos aquela culpa do “ah e tal está um solinho tão bom e eu não me consigo sentir com vontade de ir a parte nenhuma”. Em cenário de chuva, faltando a vontade, a pessoa pespega com as culpas na meteorologia.

Em todos os outros cenários eu prefiro que o tempo esteja seco e minimamente ameno, isto é, sem água a cair do céu e sem muito frio nem muito calor. Porque o frio obriga a pessoa a andar encasacada e o excesso de calor agasta gente com tensão baixa como eu.

 

Mas, como a vida é uma daquelas madrastas da Disney, opta por mandar chuva em dias muito específicos para dar cabo do dia a uma pessoa.

Podia chover no fim de semana? Podia.

Mas em vez disso, chove numa quarta-feira, véspera de feriado, quando os gajos dos transportes fazem greve (que é uma coisa que ainda alguém me irá explicar, esta coincidência de as greves estarem sempre de mão dada com feriados e fins-de-semana. Deve ser por contas do agastamento das manifestações que não fazem) e todo o mundo tem de ir de carro para o trabalho.

Em resultado desta maravilha uma pessoa fica presa horas numa fila pirilau, porque há carros a mais, aumentando também a amostra de nabos que se mandam uns contra os outros porque os cabrões dos pneus parecem ser alérgicos à chuva. Irritados guinam para cima das outras viaturas, escavacando a chapa alheia e arrebentando com os horários dos que vêm atrás.

 

Está a ser um dia adorável, com o frio, a chuva, as meias húmidas e as bichas do trânsito. Tudo. Para completar o ramalhete só me ficou a faltar um enxame de ciclistas segunda circular afora e eu hoje já não tinha cabelos na mona.

 

Resto de bom dia e que acertem com um escadote na fronha do primeiro Frankenstein que se vos aparecer à frente.

 

Para mais chalaças e coisas sem designação podem seguir-me no Instagram (só não esperem boas fotos que esta que vos escreve tem pouca competência para a lente).

 

Ter | 30.10.18

Casados à primeira vista

Gorda

 

 

Já sei que esta semana o tema é o Bolsonaro e o Bolsonaro e o Brasil e a indignação sobre como é que o povo foi capaz de eleger uma criatura destas. Mas, como eu não sou brasileira, não vivo no Brasil e não me deparo com a difícil condição de ter de escolher entre os dois maus candidatos que há à disposição, vou agarrar e ficar sossegadita aqui no meu canto, porque se calham a perguntar-me se eu queria para presidente o Bruno de Carvalho ou o José Sócrates, a votar, sei que não tinha outra escolha que não fosse fazer merda.

Olha, que Deus e os Pais de Santo e as Mães de Santo e todas as mezinhas estejam com aquela gente, coitados. Porque ou aquilo foi muito bluff ou vêm lá nortadas muito difíceis para aquela gente.

 

 

Dito isto - e sabendo que escrevo sem ter a totalidade de material visionado - optei por um tema mais fofinho e que me tem agradado de sobremaneira, trata-se do novo programa da SIC: Casados à primeira vista.

Ora aqui está uma coisa que entretém, intriga e surpreende. Entretém porque a pessoa passa ali bem umas horas a ver aquilo que é um regalo, para quem está cansado então é um petisco para a massa cinzenta. Intriga porque uma pessoa passou anos para decidir casar com alguém com quem já vivia em pecado há anos e agora vê pessoas a contrair matrimonio com desconhecidos. Surpreende porque, por mais espantoso que seja, a maioria dos candidatos tem uma aparência normal e podiam até – na loucura – ser gente que nós conhecemos. Estão a anos luz do cliché habitual dos reality shows pejados de patos bravos e de dançarinas do varão falhadas.

 

Eis que peguei em mim e, durante a hora da refeição, decidi que havia de me entreter (e sujeitar a família ao mesmo entretenimento porque lá em casa quem manda no comando sou eu, pelo menos quando o puto está de costas para a televisão) a ver o Casados à primeira vista.

 

É preciso começar por dizer que sodona Diana Chaves se apresenta gira até aos ossos. Com cada vestido que uma pessoa até sente que leva uma lambada da realidade (jamais uma Gorda conseguirá apresentar-se assim seja lá em que fórum da vida for). Há momentos em que quase desejo profundamente que lhe nasça um pinheiro robusto num sitio obscuro, assim só a modos que para a castigar por ter aquela graça toda, mas depois a moça parece-me ser tão boa gente que desisto do desejo num ápice.

 

Importa então explicar aos mais distraídos o que é isto do Casados à primeira vista: ora bem, trata-se de um programa de televisão para o qual concorrem pessoas que se disponibilizam para casar com alguém que nunca viram antes. Os candidatos são sujeitos a várias avaliações psicológicas, neurologias e de coach's de vida (seja lá o que isso for); culminando na identificação de uma pessoa com a qual têm um match de 100%. De acordo com o descrito pela maioria dos participantes, como não conseguiam encontrar a pessoa perfeita da “forma convencional”, decidiram entrar para o programa porque assim iam encontrar-lhes a pessoa que fazia match com elas (ou seja a pessoa que combina com eles, a outra bota do mesmo numero, o pé de Cinderela onde cabe o sapato, essas coisas). Só ficou a desejar aquela coisa da componente fisica. Aparentemente tiveram pouco em conta a luxuria e o desejo carnal, mas já lá vamos, porque dois ficaram desagradados com o presente que lhes calhou.

 

Na semana que passou foi possível ver 3 casamentos e meio, para três vimos tudo: estudos, casório, família e o diabo a quatro, mas para uns ainda falta ver o que acontece quando se conhecem e o matrimónio se contrai. Este domingo já houve novidades, mas a Gorda que vos escreve só vê coisas com atraso de 7 dias, pelo que apenas na próxima semana – apetecendo-me escrever mais sobre isto – é que posso acrescentar mais alguma achega.

 

Das combinações feitas fiquei com a impressão de que concorreram meia dúzia de pessoas, mesmo à conta para os acasalar uns com os outros. Depois entrou o factor sorte, uns tiveram mais estrelinha do que os outros.

 

Assim - e sem mais delongas que já vamos com muitas notas iniciais e é preciso arrepiar caminho - temos:

 

Os cotas

Um casal na casa dos 50 anos. Ela é empresária e ele antiquário. O senhor tem uma pinta do caraças e uma mãe da qual me tornei fã. Nem imaginam o que me ri com as saídas da senhora. Ele tem um amigo pintas que é o padrinho, ela tem 3 ou 4 amigas doidonas que ficaram ensandecidas para saltar para a espinha do marido novo da amiga (a candidata). Ficou claro que a senhora não vai poder deixar o marido sozinho com ajamigas porque elas não se aguentam, vale que o senhor faz box e pode sempre arrear um marmelo mesmo em cheio numa das atrevidas. A candidata nem se quer acreditar no que a sorte lhe trouxe.

E eu devo dizer que, caso ande à procura de companhia com cinquenta e tal anos, também ficarei toda alegre se alguém me aparecer com um espécime daqueles.

 

Os mai novos

Uma pessoa fica sempre um pedaço suspeita porque isto é malta nova que ainda tem tempo para conhecer muita gente e manda-se para ali desta maneira, logo a casar com uma pessoa que nunca viu. Então não era de ficar de pé atrás, a pessoa olhando para outra consegue ser enganada, não fazendo ideia de quem se trata, pior. Ou não?

Ele tem trinta e tal anos, é professor de surf, deve estar cansado de comer alunas e tem a cara com a pele queimada do sol. Sem camisa causa muito boa impressão porque o moço está mesmo nos trinques. Ela é novinha e estrelicadinha, fuma e estava com medo de contar ao novo marido. Pelos vistos tem um filho com nove anos, mas estava era com medo que o Marlboro deixasse o rapaz assim a modos de receoso.

O surfista parece ser um tipo às direitas, é amoroso e um dos meus candidatos favoritos. Eu gostava que a moça gostasse dele só mesmo porque ele parece gostar dela. Por seu lado a rapariguita parece ser alguém que já passou por um mau bocado e, se for meio-esperta, agarra-se ao rapaz com unhas e dentes a ver se se orienta com uma criatura decente e que cuide dela e do miúdo. O surfista gostou de tudo na noiva, já ela diz que ele não faz o seu género de homem, o padrinho dela diz que ela ia gostar era do cunhado e fez cara de quem não se ensaiava nada para dar umas nalgadas no noivo. Pelo que, tudo a correr bem.

 

Os Ãh, quem é que fez este match?

Não sei quem é que achou que estes dois podiam ser um casal, mas fiquei com a impressão que alguém lançou as fotografias ao ar e apanhou a destes dois. Ele é arquitecto, caladinho e parece que deve ter visto cerca de 2 mulheres nuas na vida e uma delas era a mãe pouco depois do parto. Ela é divorciada de um gajo bueda à frente, pessoa com a qual ainda mantém uma grande relação de “amizade”. Quando foi escolher o vestido de casamento ligou ao buéda cool para saber se ele gostava da farpela, ele respondeu como quem se estava bueda a cagar para ela.

Deu-me muitos nerves quando a tipa começou a apertar com a mãe, coitada da velhota. Pelos vistos até à data já: casou com um ser estranho, abriu uma empresa, vendeu a empresa que tinha, bazou para a Índia dois anos e varreu o guito todo porque tinha de viver a vida. Agora é formadora.

“Atão, mãe, até parece que é grave!” Não é, amor, mas com a leque de disparates uma pessoa teme pelos filhos, sabes?! Faz-me lembrar uma pessoa com quem trabalhei que era incompetente à quinta casa e metida a esperta, sempre cheia de razão e direitos. Obrigações é que era do caraças.

Quando chegou ao altar disse logo que ele não era o tipo de homem que ele gostava, estava à espera que fosse mais velho e mais alto. Pelos vistos com tanto teste que fizeram ninguém percebeu que faltavam centímetros ao moço.

Não é o tipo de esposa que imagino para o meu filho, sendo que se ele me arranjar uma catatua daquelas é provável que eu ainda vá presa por lhe arrear umas porradas com vontade.

Aqui a volátil diz ser muito frontal e esteve numa espécie de flirt com o padrinho do noivo, no casamento. Já a madrinha da noiva estava vestida como quem ia ao pão num domingo ventoso. O (agora) marido mal abre a boca. Cá para mim ele havia era de fazer uma pós graduação com assistência do professor Taveira, que ela ia ver como é que era amansar o bicho.

 

Os Oliveira da Serra

Ele já está na casa dos quarenta, ela já lá está a bater à porta. Ele é motorista de semirreboques, que é como quem diz camionista e foi passar um ano a um retiro budista…em Sintra. Ela é professora de fitness, não-sei-o-quê-de-circo-que-cospe-fogo-em-festas, tem um filho de 3 anos e uma amiga com um par de mamas que até a mim serviam de aconchego (valha-me Deus!).

Os pais de ambos ficaram em choque com a noticia, mas o rapaz disse que ia correr tudo bem e que era um super-homem que queria areia demais para a camineta dele. Não se sabe bem o desfecho porque a moça ia a subir ao altar no ultimo episodio que eu vi.

 

Resumindo, as minhas apostas de desistência vão para:

 

1º Os Ãh, quem é que fez este match?

2º Os Oliveira da Serra.

 

Já sei que este domingo apareceu uma chalupa, mal posso esperar para ver a criatura. Não há nada como um choné para trazer alegria à vida de uma pessoa, especialmente se estiver longe de nós e dentro da televisão, assim, quando está demais, a gente desliga.

 

 

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Sex | 19.10.18

Maria Leal ou Bézinha para os amigos com guito

Gorda

Maria leal.jpg

 

Depois de ler algumas coisas aqui e ali sobre a reportagem do rapazito que foi engrupido pela Maria Leal, também conhecida como Bézinha, vi-me na circunstância de ter mesmo de garantir o visionamento da peça jornalística. No final fiquei, acima de tudo, com imensas questões para as quais duvido que alguém tenha resposta. Mesmo assim, não posso deixar de as colocar:

 

  1. A primeira coisa que não entendo é a forma como o Universo funciona. Porque carga de água é que uma gaja como a Maria Leal não tem um encontro imediato com um namorado que é possuidor de uma moca com pregos? Porque razão do firmamento é que uma suína destas não foi atingida por um raio ao sair de uma das boutiques em que gastava as massas do rapaz? Ali, logo estendida. Provavelmente porque ela é mais forte ao nível do osso e a chicha é um melhor condutor elétrico.
  2. Como é que uma gaja com quarenta e tal anos começa a trocar mensagens com um miúdo de 18, que ainda por cima é esquizofrénico?
  3. Ela terá dito que tinha trinta e tal anos. Mas será que ninguém se lembrou de lhe pedir o BI? É que, ainda por cima com aquela cremalheira toda danificada a gaja parecia que tinha 96, caramba.
  4. Será que nunca acharam estranho, um dia, ao entrar na cozinha, que a trafulha de costas parece um agarrado a arrumar carros? Nunca ninguém se deparou com ela virada para o frigorífico e pensou “Foda-se tenho um destroce a gamar jolas! Vou chamar a bofia!”?
  5. Sou só eu que acho que devia nascer uma sequoia na peida da advogada Rute? Que se engasgou toda quando lhe ligaram. Não deve ter metido um tostão ao bolso….
  6. Que raio de medicação andaram a dar ao rapaz? O acompanhamento médico que teve deve ser escrutinado porque para o miúdo se ter enamorado com aquele trambolho só pode ter havido efeitos secundários dos comprimidos. Porra, até um cego de nascença vê que aquela megera é feia que dói. Tou a imaginar o cego a gritar quando lhe põem a Maria Leal à frente “Deus, que horror, porque me fizeste ver? Eu estava descansado!”.

 

Ou seja, quando ela diz na musica “Maria Leal aqui só pra ti, ohhohohho”, naquela dança maluca de pega que já está quase a sair do serviço, o que ela está a explicar é que quando pagas ela está ali, a prestar serviço.

 

No fim há uma coisa que temos de admitir, seja lá o que for, mesmo sem cu, com uma zona abdominal de quem pariu uma ninhada de dinossauros e uma fronha de arrepiar um morto, a tipa orienta-se como uma leoa com os putos. Primeiro mamou este que era rico (e ainda lhe ficou com o apelido). Depois engrupiu lá o outro tontinho da Casa dos Segredos. A minha alma fica em estado de choque completo.

 

Mas o que me intrigou mesmo foi uma questão fundamental: o que será que a tipa fez aos trapos caros que comprou nas boutiques? É que uma pessoa olha para ela e nem de Primark da cabeça aos pés uma pessoa faz aquela figura de agarrada em estado máximo.

Qui | 18.10.18

ATENÇÃO: Temos Gorda no Instagram!

Gorda

E prontes, serve este comunicado para dizer apenas que aqui a Gordalhufa decidiu dar o chambão às balas das redes sociais e abrir uma conta no Instagram (ou Instagrã, como diz a minha rica sogra que está sempre em cima das mais recentes tecnologias).

Quererdes fazer o obséquio de lá ir lá clicar em seguir, que eu neste momento ainda estou a zeros e estão-me lá a fazer falta uns stalkers* para me deixar mais feliz.

 

Até já lá tenho umas alarvidades publicadas que não estão aqui, não, não.

 

Querem ver a minha pia da minha cozinha cheia de loiça? Querem? Também lá está.

 

Vocês até ficam com os olhos todos marados e a precisar de ser esfregados com soro fisiológico de tanto glamour que lá vão encontrar.

 

Ah e onde é que está o teu Instagrã?

 

Está aqui: https://www.instagram.com/casadagorda_101/?hl=pt

 

Tive de ficar com o 101, porque já havia outra gorda. Isto já se sabe, com os níveis de obesidade a rebentar c'a escala.

 

(*é um bocado stalker dizer que andamos a seguir uma pessoa, não é? e é uma beca estranho dizer que pessoas nos seguem, né? haviam de ter arranjado uma palavra mais fofinha, sei lá!)

 

Qui | 18.10.18

Humor de cansaço

Gorda

Ontem tentei escrever o texto de hoje. Não consegui. Só me ocorriam larachas menores, sem piada final. Enfim, uma tristeza.

Hoje, sentada a olhar para uma folha branca pergunto-me: porque raio uma pessoa não consegue fazer com que isto brote ao toque de uma sineta. Em principio sabemos o que nos faz rir, sabemos escrever, gostamos de juntar as palavras, então porque é que não sai? Podia falar de puns, de pipis, da Maria Leal, da demissão do Azeredo, tanta coisa, mas não me dá para aí.

Não sai porque a cabeça está mais gasta que uma borracha em final de ano letivo. Por mais que eu a esfregue contra a folha só esborrato tudo com a ponta dos dedos.

Ocorre-me que me podia demitir e usar as histórias dos meus mais de 10 anos de casa para escrever textos. Tinha matéria de humor até 2099, altura em que estarei ou num lar ou no Pentilhão* Nacional.

 

Os últimos dias têm sido de stress total. No trabalho querem mais e mais, porque quando se pede um favor é importante ter bem presente que acabaremos a pagar por três. Mais ou menos como o crédito habitação. Compra um T2 na Amadora, paga um T6 no Restelo. Só que no caso dos favores laborais não há lugar a ajustes das taxas de juro e dos spreads. É sempre cotação máxima.

A empresa pede, pede, exige. O colaborador dá, dá e dá. Quando precisa de um favor o passado é passado, "então mas quem é que está a olhar para o passado?", é importante pôr os olhos no futuro e perceber como é que a empresa pode ser compensada por ser tãããão amiga do colaborador.

O passado não interessa para o que o colaborador deu, mas para a empresa perdura por 10 anos.

"Lembras-te quando precisaste daquela tarde em 1994? Lembras-te que a empresa compreendeu que tinhas o puto com 40º de febre? Pois, é preciso ter isto em mente. Amor à camisola, sabes?"

 

No fim a dedicação é paga com palmadas nas costas. Já tentei ir pagar a renda de casa com palmadas nas costas, fui ao banco, dirigi-me ao gestor de conta, preguei-lhe duas valentes arrochadas no lombo (uma coisa feita com vontade) e disse-lhe "então João, estamos este mês, não é?". Ao contrário do que eu pensaria o João disse que não, que por muito que ele quisesse aceitar o Banco só transaciona Euros, pelo que são três dígitos ou entregar a casa.

Mas no trabalho só me aumentam em palmadas nas costas. Depois de me esmifrar até ao tutano.

 

O stress faz com que todas as células do meu corpo entrem numa espécie de combustão frenética, como se todas fossem o Medo do Divertidamente e estivessem a gritar umas para as outras "então o que é que fazemos agora, diz-me, diz-me, diz-me?" tudo enquanto roem as unhas e puxam os pelos das sobrancelhas.

Tento então mandar umas tropas militares, componentes que exigem rigor e não estão para lamechices. Há uma certa guerra civil interior, entre o medo frenético e os militares sem dó.

Os militares têm estado a ganhar, mas estão tão fartos das condições miseráveis que estão quase a entregar os pontos. Parece que alguém roubou as munições que tinham lá para os paióis e escondeu na casa de uma avozinha. Suspeita-se que tenha sido o lobo mau.

 

Por isso vou ali acabar com a minha inconsistência interior e ver se daqui a uns dias já se me ocorre alguma coisa mais escorreita e menos escabrosa que este texto. Lido com atenção, parece o cubo de Rubik montado por um daltónico.

 

*Uma vez, estava eu a ir de comboio para casa e uma jovem diz para outra "olha, ali é o Pentilhão Nacional". Nunca mais me esqueci disso. Por um lado fiquei contente, porque para o Panteão não tenho hipótese, mas para o pentilhão ainda pode ser que me considerem as ossadas.

 

 

Ter | 16.10.18

TPM – natureza ou conspiração corporal contra o bem estar mental da mulher

Gorda

Qualquer mulher entre os 11 e os 50 anos compreenderá este texto. As com menos de 11 não deveriam estar a ler isto porque pode conspurcar a sua mente (pais onde estão?), as que tenham mais já se vangloriam de não ter uma visita mensal, tudo enquanto se abanam por conta dos afrontamentos.

Ou assim me dizem porque ainda não lá cheguei.

 

A mulher não tem os seus humores ajustados pelas vitorias e perdas do seu clube de futebol. Os homens fazem isso. As mulheres não precisam de 11 mamarrachos a falhar uma baliza para estar com neura e com uma profunda vontade de partir a cara a alguém apenas porque essa pessoa existe.

A mulher vive permanentemente em ciclo. E quando o ciclo a abandona a mulher passa a abanar-se sem parar. Mesmo no inverno, mesmo no ponto mais alto da Serra da Estrela e enquanto neva. Há um calor interior que não se acalma e a pessoa abana, abana.

Ou assim me dizem porque ainda não lá cheguei.

 

Espantam-me as velhotas que se sentam à janela a falar mal do mundo. Já não têm ciclos e por isso o humor já só depende de si. Uma mulher que fala mal do mundo 4 dias antes do período é uma mulher em estado normal. Uma velhota devia já ver o mundo cor de rosa porque nada anda às voltas dentro de si.

Só se comeu demasiado grão e aí a tripalhada tende a dar mais algum trabalho.

 

A mulher está bem, está sossegada, ainda ontem gostava do marido, enternecia-se com as palermices do cão, tinha visto um vestido cheio de rendas que lhe iria ficar a matar. Tudo para, 24 horas depois, o mundo estar do avesso. Mais valia que a pessoa conseguisse dar uma daquelas voltas de 360 graus. Mas o ciclo é mais esperto que a mente e sabe que, para ficar de lua, tem de ser de 180.

Vai daí e a pessoa fica agitada, os cheiros incomodam, o açúcar torna-se ainda mais sedutor, uma carência. O marido é um estupor que lhe entrava a vida, tem vontade de lhe bater por deixar as chaves em cima da mesa do hall. Há dez anos que ele deixa lá as chaves. Discute, a principio achando-se com razão, depois presa por um fio para não a perder. O cão não passa de um cagão que tem de estar sempre a ir à rua e lambe demasiado a pessoa. Mais valia ter arranjado um a pilhas. Afinal de contas esses sempre dão cambalhotas e este só sabe lamber os tomates. Experimenta o vestido mas parece que fica muito apertado na barriga, as rendas espetam e sente-se uma chouriça enfeitada para a feira festa do Continente. Pousa o vestido a contragosto e fica com vontade de dar um banano ao manequim, afinal de contas foi a porra do boneco que passou a ideia errada.

Arrastam-se alguns dias de horror à flor da pele. Gritos no trânsito, ameaças de abalroamento de outras viaturas, o pão da padaria agora tem demasiada farinha.

Depois, uma manhã, a pessoa percebe que não dá jeito ir à natação ao final do dia. Mas está uma manhã esplendorosa e a vida voltou a sorrir. Está tudo bem.

As hormonas comentam baixinho: voltamos a falar no mês que vem.

Seg | 15.10.18

Leo, vai-tchi fudê. Podje sê ô tá djificiú?

Gorda

É segunda feira, uma pessoa vê-se a braços com o Apocalipse molhado para chegar ao trabalho. Entra encharcada e raivosa porque não nos foi permitida uma preparação psicológica nem adaptação adequada ao tempo merdoso que é o de Outono/Inverno ou lá o que é isto.

 

A pessoa compreende que tudo se mantém na terra da imperícia. Benzosdeus! Da próxima vez que me pedirem uma ideia para uma boa iniciativa vou propor os “Boscars” que são os Oscars da bosta para quem produz mais esterco e de maior qualidade.

 

A pessoa senta-se a trabalhar e liga os phones, procurando dessa forma a alienação total da envolvência, esquecendo o tempo de fim de semana gasto em trabalho. Porque se calha a recordar-se muito, perde tempo precioso a pensar no momento em que arreia com um teclado numa abécula indeterminada. Krav Maga style.

 

Nos ouvidos a lista do youtube a tocar. Músicas criteriosamente escolhidas para melhorar o bem estar emocional da pessoa e é então que aparece o cabrão do Leo. Sempre a mesma puta da mesma conversa: “Oi gentchi!”. Oi é o cárálho Leo. Tô aqui tentando me acaumá e você está pesando nos meus nervos seu côrno. Vai cágá. Você e seu sistema de ábertura dje sitchi!

 

Fui résolvé minha vida Leo, vai si mêté na sua.

 

(isso hoje só tá dando em estilo camionista desinformado, né!? Porra mais o tempo, porra mais o trabalho, porra mais a vida. E vai daí e pensá no qui vai cê a janta! Vida dje pobre é uma bosta de bói.)

 

Esse é o Leo:

 

 

 

Dom | 14.10.18

Coisas que uma mãe ouve e depois até bate com as pestanas na zona das omoplatas

Gorda

- Filho, tens de tomar o xarope para passar a tosse.

- Não quero. Isso sabe a garrafas de coca-cola.

- Nunca bebeste coca-cola. Abre lá a boca para tomares o xarope.

- Vai-te embora daqui e leva o xarope contigo.

 

e

 

- Filho, como estás melhorzinho queres ia ao supermercado comprar duas coizitas? Assim sempre sais de casa.

(está em casa há quase 5 dias)

- Quero comprar uma caixa com carrinhos.

- Vou pensar nisso.

- Não, eu é que penso nisso!

 

Quem disse que os piores são os terrible 2 é porque ainda não tinha chegado aos terrible 3.

 

Dom | 14.10.18

Born to be pobre

Gorda

Na semana passada andei a dar uma primeira volta ao meu guarda vestidos (adorava dizer que é um closet, mas....) para ver o que é que ainda tenho que sirva para esta nova estação de frio e o que é que tenho de comprar novo. Roupa esgaçada, borboto, botas a descolar e outras maleitas de roupa não-requintada.

Decido que havia de começar por comprar um bom par de botas. Não queria saber do preço.

Na segunda-feira entrei na loja de eleição, virei as botas, vi o preço na sola e podia jurar que até me deu uma tontura.

Em caminho passei na Primark e comprei 2 sacos de roupa para o pequeno: calças de fato de treino, coletes, blusas, meias, cuecas, pijamas, um quispo e mais umas tralhas. Tudo por um terço do preço das botas.

Passei o resto da semana a pensar se havia de comprar as malvadas ou não.

Fui à C&A e comprei calças para o pequeno. Baratissimas, confortáveis e quentinhas para o inverno.

Voltei à Primark. Comprei mais 3 sacos de roupa, desta vez para mim e para o pequeno. Mais roupa "para bater" na escola. Dois vestidos para mim, umas pantufas para casa, um par de botas (por 10€) e uns sapatos rasos bem giros.

A soma das cerca de 6 sacadas de roupa que trouxe para casa custaram menos do que apenas um par de botas. Desisti das botas. Até porque na loja baratinha vi umas quase iguais por menos de 20 €. Se acabarem descoladas que se lixe.

Fiquei contentinha com as minhas compras, até porque a maioria das coisas que comprei é para levar para o escritório, e são uma espécie de fato de macaco do mecânico de secretária. Aquela merda que ninguém entende: estar um dia inteiro atrás de uma secretária sem ver vivalma, mas ter de estar com uma indumentaria formal. Deve ser para as folhas de Excel ficarem com mais respeito, é que se calham a ver a pessoa de calças de ganga até se recusam a fazer as fórmulas.

Ontem, ao desensacar mais uma leva de roupa, dei comigo num momento de reconhecimento interior: nasci para ser pobre. Tirando a minha aversão aos transportes públicos que me causam abespinhamento global das células corporais, eu sou pobre até à espinha. Não sou totalmente forreta mas gosto de uma pechincha.

Sou assim para mim e para as coisas que compro para o miúdo. Custa-me dar uma porrada de dinheiro por roupa que serve para rasgar no jardim e na escola (abro exceção para os ténis e é porque ele precisa que sejam mesmo bons).

Não encontro mais valia nas roupas caras porque: a) na maioria, hoje em dia, não têm assim tanta qualidade; b) o design também deixa a desejar (inventam demais); c) são todas produzidas na China (tal como os amigos da Primark); d) fico com uma neura da caraças quando se estraga uma coisa que me custou os olhos da cara e quase tive de penhorar o do....

Enfim, I was born to be pobre. Vai na volta é por isso que a sorte nunca me dá o Euromilhões, deve achar que não vale a pena.

 

Sab | 13.10.18

Boas noticias, más noticias e preocupações meteorológicas que só me interessam a mim

Gorda

Há coisas que só acontecem porque tenho acesso a um computador.

Há outras que só acontecem porque tenho acesso a um computador, é fim de semana e me apetece dizer múltiplas coisas.

 

Não interessam a ninguém. Mas vai ser uma piada do caraças ler isto daqui a uns anos e perceber que eu de facto levo um jeito do catano para esta coisa de ser blogger (ou lá o que é!).

 

(com isto já disse coisa para cima de 4 vezes)

 

Boas noticias

Consegui adiantar mais trabalho em 4 horas do meu fim de semana do que uma das pessoas da minha equipa em 10 horas de escritório. Isto é mau porque a pessoa tem limitações e pouco serve de apoio, mas é bom porque tenho de trabalhar menos horas amanhã.

 

Más noticias

Porque não consegui acabar tudo, amanhã ainda vergo mola. Estou numa felicidade que só me apetece sair para a rua depois das 21h, ir passear à beira mar e ver se uma rajada de 200 km/h me leva para o raio que me parta.

 

Preocupações meteorológicas

O marido insiste em ir dar uma volta com os cães, eu acho que eles hoje podem arrear o calhau no quintal. O esposo não concorda. De maneiras que estou na duvida se o mando com uns calhaus nos bolsos ou não. Tenho ali umas pedras que apanhei na praia, é capaz de o manter por terra. Não me dava jeito nenhum ter de chamar os bombeiros para o tirar de cima de uma árvore.

 

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