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Casa da Gorda

Casa da Gorda

27
Nov18

Custódia de Neve

Gorda

Branca.jpg

 

Era uma vez uma miúda que ficou órfã de mãe. O pai casou com uma gaja boa, que gastava o guito todo do cota em cremes caros para as rugas. A vaca da madrasta passava o dia todo a perguntar a um espelho especial que tinha comprado em Nova York (uma coisa finória, de marca, custou para cima de uma porrada de dinheiro) se havia alguma gaja com mais seguidores que ela nas redes sociais. O espelho dizia que não, mas que ela tinha de ter cuidado com a enteada, porque a miúda estava a dar forte nas fotos sensuais e por isso estava a ganhar bué atenção.

Então a madrasta, passada dos cornos, mandou cortar os dados da enteada, mudou a password de acesso à net do palácio e sacou o I-Phone à gaiata.

A Custódia, que tinha lido um livro do Gustavo, sabia que a madrasta era uma puta de merda e que podia valer-se a si própria porque se amava a rodos. Era ofuscante o auto-amor que ela tinha dentro dela por ela mesma (porra, até me ficou a doer a cabeça depois desta frase).

Determinada, seguiu pela mata porque não era a hipótese de ser apanhada por um violador que a assustava, afinal de contas não ia ser um gajo marado da mona que a ia impedir de seguir a vida que ela queria.

Pelo caminho encontrou um tipo que era um regalo, andava aos coelhos e, quando viu a Custódia, ficou tão encantado que se ofereceu para ir gamar o I-Phone à madrasta para que a Custódia voltasse a ter net.

O nome original da Custódia era Branca de Neve, mas ela percebeu que isso não estava certo porque não era inclusivo. Era bué errado trata-la por uma cor, afinal de contas a cor não interessa. A menos que a pessoa seja daltónica. Nesse caso é uma merda porque a pessoa nunca sabe quando é que o semáforo fica verde.

A Custódia ficou rodos de ofendida com o caçador, porque não queria que um gajo fizesse nada por ela, se era para gamar, gamava ela.

Enquanto caminhavam lado a lado pela mata, a Custódia moeu a cabeça ao caçador de tal forma que o gajo já não conseguia levar com ela. Afinal de contas assim que ela percebeu que ele andava aos coelhos, tentou dar-lhe uma lavagem ao cérebro, porque ela era vegan e os coelhos tinham sentimentos e a pirâmide alimentar não passava de um embuste das grandes empresas que nos querem é meter produtos goela abaixo.

 

Sozinha pela mata a Custódia foi dar com uma casa pequena. Primeiro ficou fodida porque aquilo era zona protegida e para haver ali uma construção é porque alguém pagou luvas aos tipos da câmara.

"Os políticos são todos uns corruptos", pensou.

Entrou na casa - que tinha a porta aberta - e viu bué camas e tudo desarrumado.

Ocorreu-lhe que podiam estar ali escondidos refugiados e decidiu limpar. Afinal de contas dá sempre muitos likes ter uma causa.

Por momentos hesitou, pensou se valeria mesmo a pena, porque não tinha o telemóvel e dessa forma não podia registar o momento, e toda a gente sabe que, se não se mostrar na net, é porque não aconteceu. Mas ocorreu-lhe que um dos refugiados podia ter net e se lhe emprestasse o telemóvel ela podia publicar qualquer coisa na conta dela.

Limpou tudo e ficou tão cansada que acabou por se encostar numa das camas. Sentiu algum nojo, porque podia haver percevejos, mas estava tão fatigada que não aguentou.

Quando acordou viu que estavam sete anões à volta dela:

- Vocês são refugiados? - perguntou.

- Não, somos anões e trabalhamos na estiva.

- Então vocês são é uns porcos do caralho! Eu andei a limpar esta merda toda porque pensei que era por uma causa!

Um dos anões, que era um gajo com pensamento disruptivo, lembrou-se que podiam fazer de conta que eram refugiados. Como o Rezingão tinha dados no telemóvel emprestou-o à Custódia e ela tirou umas fotos e publicou. Teve para cima de dez mil likes e ganhou mais uns mil seguidores.

A Custódia gostou tanto de conhecer os anões que acabou por ficar lá por casa. O Rezingão tinha ideias bué bacanas e ajudava a Custódia a gerir as suas redes sociais, tendo-lhe dado imensas dicas para se tornar uma influencer das grandes.

 

Um dia foram a um mercado biológico e a Custódia aceitou provar um iogurte sem lactose, mas como aquilo já estava fora do frigorífico há muito tempo deu-lhe uma valente caganeira, de tal maneira que ela ficou mesmo mal e teve de ficar uns dias deitada. Nisto apareceu um gajo lindo que era o CEO da empresa que estava a vender os iogurtes. Assegurou à Custódia que as vacas que davam o leite já sem lactose eram felizes para caraças e lamentou o sucedido. Numa faisca de curto circuito que pode limpar o sarampo a qualquer um por via de fritura do miolo, o CEO acabou por se apaixonar loucamente pela Custódia. Ela também se sentia atraída por ele.

A determinada altura o CEO espetou com uma beijufa valente na Custódia e ela, que ainda não tinha recuperado da gastro, vomitou-se toda. Depois disse-lhe:

- Tu és bué lindo, mas és estúpido que nem uma porta, porque agora também te vais andar a borrar todo, esta merda da gastro é viral."

Passaram os dias que se seguiram juntos, em partilha de vírus e de latrina.

A Custódia explicou ao CEO que não dependia dele, que era uma gaja independente e que ele não se devia voltar a atrever a beija-la sem que ela dissesse expressamente: "espeta-me com um valente, meu garanhão".

Viveram em consentimento e respeito económico até que o CEO ficou com Alzheimer e a Custódia teve de o pôr num estabelecimento especializado. A vida continuou e a Custódia inscreveu-se na Universidade Sénior, onde voltou a encontrar o caçador e mais uma vez constatou que ele era um filho da puta de um carnívoro.

Fim.

 

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Ao que parece há muitas mães a proibir as filhas pequenas de ver filmes de princesas, porque as subjuga aos homens e as faz parecer frágeis e dependentes. Eu não sei de onde vem esta ideia e acho que estão a dar pontapés na fantasia. Deixem as crianças sonhar, por favor. Elas vão aprender mais tarde que não vão ser princesas e que não há príncipes. Quando chegarem aos 40, vão conformar-se com o facto de validarem facturas para ganhar o ordenado.

De maneira que, com vista a ajudar a Disney decidi reescrever a história da "Branca de Neve" que no século XXI se chama "Custódia de Neve". É um conto adaptado aos dias de hoje que rasga com todos os conceitos, incluindo o de bom senso.

 

(nota: nada tenho contra carnívoros, vegans, vegetarianos, omnívoros, frutívoros, daltónicos, entre outros; apenas detesto pessoas que me moem a cabeça, de resto sou amiga de toda a gente)

 

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25
Nov18

"Trabalha cabra" - Hino da gaja que arranha que se farta e anda sempre à rasca de tostões

Gorda

Enquanto gaja trabalhadora forçada (que eu se fosse rica andava era sempre no laréu), tenho muita dificuldade em lidar com alguns dias da semana. As segunda, as terças, as quartas, as quintas e as sextas-feiras são sempre desgostosos; quer dizer, se calhar são todos os dias em que tenho de ir ganhar tostões (que é o que eu digo ao piqueno).

Per'isso mesme decidi criar um hino pa mim, que partilho com todo o gajedo que sinta que está farta de vergar a mola e mal ver frutos de tanta hérnia discal. Peguei na musica Work bitch da Britney e escrevi o "Trabalha cabra". O título tem tradução literal.

É o meu mote para ir lavrar relatórios e folhas de Excel todos os dias (cada um com a sua cruz).

Aqui fica a minha magnifica criação. Sei que é uma ideia a atirar para o estúpida, mas prontes é para o que me dá quando me lembro que o fim de semana está mesmo a acabar. Podia tomar medicação, mas depois não era a mesma coisa.

(Podem ver a música já a seguir para conhecerem o original...que não é tão bom...eu sei...).

 

 

Trabalha cabra

 

Tu queres, queres mesmo

 

Tu queres ter nalga estreita? Tu queres um Fiat Panda em segunda mão?

Tu queres uma frigideira que não agarre? Então trabalha cabra.

Tu queres a correia de distribuição arranjada? Beber uma jola ao fim da tarde?

Queres caber nas calças 38? Então trabalha cabra.

Queres vivem sem fome? Queres um T3 fora da Brandoa?

Ir aos Santos e comer meia dúzia de sardinhas?

Então trabalha cabra. Arranha aí porca.

Pica o ponto vaca. Verga a mola mula.

Agora vai trabalhar calona.

Vai trabalhar calona.

 

Anda lá com isso, já vais chegar atrasada.

Não pares de trabalhar agora, já estás quase a ser promovida.

Trabalha forte, como se fosses uma profissional numa empresa em condições

Cuidado agora, porque afinal não vais ter aumento

Vem aí o chefe, vem aí o patrão

Vai pedir mais um relatório, quer mais uma reunião

Mas não desistas, ainda vais ser promovida.

Faz o que os outros não acabaram

Não reclames com o que está mal feito

 

Tu queres ser estrelicadinha? Tu queres um Peugeot 206 de 99?

Tu queres que não chova para secar a roupa? Então trabalha cabra.

Tu queres que o tubo de escape não faça barulho? Beber uma coca-cola que não engorde?

Queres que não se note o pneu no vestido justo? Então trabalha cabra.

Queres um pãozinho com presunto? Queres um T3 na Arrentela?

Ir à feira festa ver o Tony Carreira?

Então trabalha cabra. Arranha aí porca.

Pica o ponto vaca. Verga a mola mula.

Agora vai trabalhar calona.

Vai trabalhar calona.

 

Vamos a isto, não sejas preguiçosa.

Passa a ferro a roupa para não te queixares mais tarde

Conta a toda a gente que tens a cesta cheia de roupa badalhoca outra vez

Não te esqueças de ninguém, conta mesmo a toda a gente

Chama uma empresa de limpezas, fica em arrelias com o preço

Agora limpa tu, porque ainda és pobre

Manda a Madonna para o caralho, estás a viver a 60 kms do trabalho

És uma cabra dura, de tanto te agachares para apanhar Legos

 

Mantém a cabeça levantada, não tenhas quebras de tensão

Eles vão dizer-te para não comeres açúcar, mas não lhes passes cartão

Come o Duchaise, não te arrependas

Come um palmier, nem penses mais nisso

Come descansada e faz o manguito a quem te chatear

Eles nem se acreditam, como é que só vestes o 40 com essa peida cheia de bolos

Mastiga com gosto m’lher

Tu come com calma

 

Trabalha, bule, trabalha, arranha

Trabalha, bule, trabalha, arranha

Trabalha, bule, trabalha, arranha

Trabalha, bule, trabalha

Força aí no ferro, da-lhe na esfregona, não te esqueças das esquinas

Força aí no ferro, da-lhe na esfregona, não te esqueças das esquinas

Força aí no ferro, da-lhe na esfregona, não te esqueças das esquinas

Trabalha, bule

É melhor trabalhares cabra

É melhor vergares a mola minha mula.

 

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20
Nov18

Gaja boa casa com frase cocó

Gorda

gaja boa em frase cocó.png

(tirei esta foto à minha amiga Sheila um dia que fomos jogar raquetes para a praia da mata....brincadeirinha, tirei da net e inventei a frase "respiradora")

 

 

Dizem que a curiosidade matou o gato, mas eu cada vez mais me convenço que a curiosidade matou de cansaço o racional. O gato pode ter levado uma pazada no lombo por ter tentado roubar as bolachas da tia Maria, mas é a razão e o bom senso que definham cada vez que uma gaja boa publica nas redes sociais uma fotografia seminua com uma frase inspiradora que ninguém, dotado da função plena (ou parcial, já estou por tudo!) de pensamento, pode achar coerente.

Uma paisagem paradisíaca, águas cristalinas, um corpo escultural, um biquíni de fazer inveja, cabelos sedosos ao vento, a pessoa claramente enfadada por estar naquele espaço, o olhar contemplativo para o horizonte de quem está a ver coisas que o comum dos mortais não consegue compreender; e ao lado somos presenteados com um “When life throws you curves, embrace them”, o que, em português literal, quer dizer qualquer coisa como “quando a vida te atira curvas, abraça-as”. A pessoa que observa, face ao choque imagem-ideia pode ser levada a pensar que a solução para o seu bem estar é abraçar curvas. Por exemplo, em caso de subida para a Serra da Estrela é parar uma média de 10 vezes para abraçar a curva, ou uma árvore, abraçar, vá!

É claro que o objectivo desta frase é inspirar, mostrar que tudo se ultrapassa, tendo as curvas da frase um papel meramente metafórico, ocupando o lugar dos problemas da vida. Tudo muito certo. Mas, pensando mais sobre isso, se a ideia é abraçar, eu prefiro que seja outra coisa e não os problemas, esses eu prefiro ver pelas costas. Coisas minhas, que sou mesmo assim um nojo de pessoa que não entende nada de inspirar, exceptuando aquilo que faço de forma inata desde que o Dr. Travassos me espetou com uma lambadona depois de nascer.

Olhando para a imagem a última coisa que ocorre à ideia de uma pessoa como eu - que é o tipo de ser vivo invejoso que prefere estar sempre de férias em vez de vergar a mola – é que aquela pessoa de pele bem cromada pelo sol, esteja a sofrer alguma espécie de problema para resolver, a menos que escolher entre uma bebida verde com chapéu azul e uma bebida rosa com chapéu verde, seja considerado como uma calamidade na vida de alguém. Já dizia a minha avozinha “demasiada oferta também é um problema”. Estou a brincar, a minha avó nunca disse isso, porque havia muita fominha e pouco por onde escolher.

À falta de melhor argumentação posso apenas dizer que fico assim mesmo “wow”, que é como quem diz que fico um tudónada banzada, num sentimento de perplexidade submersa em falta de cultura de atualidade.

“Celebridades”, ocorre-se-me.

Depois passo a fotografia à frente e aparece uma conhecida, beicinho, lábios vermelhos, cabelo de lado, num brotamento de sensualidade que pode ferir a vista de uma pessoa mais sensível, ao lado da imagem a frase que aleija mais que a imagem “a verdadeira beleza vem de dentro”. Posso apenas presumir que o que a pessoa quer dizer é que, calhando a orgalhada a estar mal não havia gostosura nem formosura para mostrar, mas como está tudo fino ao nível do baço, do fígado e seus comparsas de barraca, a beleza arrebenta pelos entrefolhos.

De outra forma, se a mensagem pretendida é diferente…lamento, mas não sou capaz de a alcançar. É quase tão complexo como as pessoas que partilham as fotos tipo passe dos falecidos, mas essas são todo um texto à parte.

 

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17
Nov18

Prémio blogger "Brilho do Sol"

Gorda

Sunshine.png

 

A minha mãezinha sempre me disse “aí filha gorda e burra não pode ser. Tu estuda!”; e eu estudei, mas isso não quer dizer que tenha deixado de ser palerma. Essa condição tem que ver com uma componente genética que consigo ultrapassar tanto quanto o facto de apenas ter um metro e sessenta.

Dito isto a minha rica Ninita achou que eu havia de responder a umas perguntas, e eu cá respondo, parvamente, mas respondo.

Cá vai rábano (p’a não ser sempre o alho):

 

1. Qual a situação mais stressante que tiveste?

Vivo a situação mais stressante sempre que vou ao multibanco e tiro o extrato. Por isso  a minha situação mais stressante é vivida em loop.

2. Que perfume usas?

O que me oferecerem, se for detergente de chão num frasco da Doce Cabana eu não dou conta. Desde que cheire a flores e a limpo...

3. Qual o doce que não és capaz de recusar?

Acho que é Serradura. "Acho" porque eu tenho por habito come-lo e não chamar por ele. Mas é aquela coisa que é por camadas de natas batidas e bolacha maria partida.

4. Qual foi a tua maior aventura até hoje?

Ter um filho. Se há aventura em que uma pessoa se mete é ter filhos. Quem acha que estar à beira de uma falésia desafia as leis do medo é porque nunca viu um filho com dois dedos espetados a correr em direcção a uma tomada, quando a pessoa está a 15 metros de distância.

5. Uma coisa que te envergonhas de contar?

Que dou peidos. (ah que porcaria, não és nada uma senhora e coise. Sou uma senhora sim, só tenho é o interior melhor que o de muitas porque deixo sair o mal que há em mim)

6. O filme que mais vezes viste desde sempre?

A pequena sereia (quando era miúda achava que se treinasse muito podia ser a Ariel (dá para ver que sempre vivi à margem da realidade não é?))

7. Uma cor que detestas e não usas?

Epá não gosto de verde alface, mas se me derem a roupa eu uso. Sou pobre e a cavalo dado não se olha a dente, mesmo que o gajo tenha placa.

8. Uma lembrança engraçada da tua infância?

Uma vez ia com os meus pais visitar o meu irmão mais velho à casa nova dele. A minha mãe tinha comprado umas plantas para ele pôr no terraço e eu insisti em levar um vaso em cada mão. Escapou-me o pé numas escadas e caí. Até bater com os costados no chão andei a patinar como um desenho animado e aterrei de cagueiro para garantir que não dava cabo dos vasos. Fiquei em posição de tartaruga aflita e a minha mãe não conseguia ajudar-me porque estava a ver-se à rasca para parar de rir.

9. Apresentador/a preferido/a?

Epá gosto do Palmeirim, gosto do Claúdio Ramos, gosto do Unas no Maluco Beleza, eu gosto de toda a gente que me faz rir.

10. Actor ou atriz favorita?

Tom Hanks e Meryl Streep.

11. A tua peça de roupa do teu roupeiro favorita?

Nada. Gosto é de andar pelada. Louca a correr pela casa, banha para um lado, nalga outro. Wow. Pena é este frio, estraga tudo.

 

E é isto. Vale a pena vir aqui não é? Eu sei, eu sei.

(não vou nomear ninguém porque, tal como eu já referi, eu não conheço muita gente, the world can be a lonely place...)

 

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15
Nov18

As musicas são aquilo que a gente quiser

Gorda

(música original no fim)

 

Espero que quando vires o cesto cheiro

Tenhas detergente que chegue

Espero que quando separares a roupa

Não encontres peúgas pretas no meio das camisas brancas

Espero que se o puto tiver a fralda cagada

O teu marido não saia de fininho

 

Espero que não te faltem ingredientes para o jantar

Senão tens de ir ao hipermercado (fooooda-se)

A única solução que tens

É fazer douradinhos

Espero que os miúdos não se queixem dos verdes

E que os engulam caladinhos

Espero que quando o momento chegar

Tu digas

 

Aaaaaaiiiiiiiiii para a mesa o jantar tá pronto

Aaaaaaiiiiiiiiii Tá a despachar

Lavar as mãos cagadas e sentar para comer

Eu hoje quero ir-me deitar cedo

Nem que vos arreie com uma cadeira na mona

Vou deitar-me cedo

 

Espero que a fila de trânsito não seja muito longa

E que não tenhas de mandar ninguém para o caralho

Que quando chegares a casa tenhas lugar à porta

Se tens garagem que o vizinho não tenha estacionado torto

Desejo que tenhas uma garrafa de Mula Velha

E que a bebas toda

Se não ter

Que ao menos não tenhas de fazer Legos

 

Aaaaaaiiiiiiiiii Para a banho jááááá

Aaaaaaiiiiiiiiii Que vocês cheiram mal

Esfreguem atrás das orelhas

Que cá em casa não há suínos

Tudo despachado e a andar

Vou deitar-me cedo

 

AAAAAAHHHHHHHHHHH QUE VOCÊS AINDA NÃ TÃO DESPACHADOS

AAAAAAHHHHHHHHHHH QUE VOS VOU ARREAR UMA PORRADONA

AAAAAAHHHHHHHHHHH MÃEZINHA DO CÉU

AAAAAAHHHHHHHHHUUUUUU PISEI UM CABRÃO DE UM LEGO

 

Com o pé todo entrevado

Juro que me safei

Cheia de dores nas costas

Juro que os consegui que adormecessem como uns anjos

 

 

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14
Nov18

50 perguntas

Gorda

tomates.png

 

A Mia convidou-me para responder a 50 perguntas e eu, olha, fiz o melhor que pude.

 

1. O que mais odeias em ti?

Ser pobre.

2. Nome pelo qual te chamam.

Gorda.

3. Se pudesses visitar qualquer lugar no mundo onde é que irias e porquê?

Havaí. Porque gosto de estar de papo para o ar a beber coisas com chapéus coloridos.

4. O que te faz chorar?

Filmes de desenhos animados. Como o Ferdinando.

5. Escolherias voltar atrás no tempo ou ganhar mais tempo no presente?

Isto é demasiado filosófico para mim, se fosse para falar de bolos, ainda vá!

6. Eu não vou morrer sem…

Não faço ideia, ainda ninguém me mandou um telegrama a informar a data.

7. Alguma vez inventaste uma desculpa para não saíres de casa quando tinhas alguma coisa combinada?

Ontem.

8. Último lugar em que estiveste?

Antes deste questionário? Na casa de banho.

9. Comida favorita

Choco frito.

10. Comida que não comes de forma alguma

Couve flor.

11. Música do momento

Shallow.

12. Vivo perdendo…

Vontade de fazer dieta.

13. Uma frase…

Vou ali e já venho.

14. Último concerto a que foste

Foi no século passado, já não conta.

15. Última mensagem no whatsapp

Era de um bêbado a cair.

16. O que mais te stressa?

Trânsito e gente estúpida. Ou seja, 90% do Universo (nota-se que sou pessimista?).

17. Tira uma selfie e mostra

Não tenho o selfie stick à mão. Parti-o a arrear uma porrada num chinês que se meteu à minha frente quando eu estava a tirar uma selfie sensual na Avenida da Liberdade.

18. Uma música com a palavra AMOR

Desculpa mas só me ocorre a mafiosa.

19. O que é feio, mas tu achas bonito?

Os meus pés.

20. Mostra a última foto do teu instagram

Estou sem dados, fica para a próxima.

21. Uma frase que a tua mãe diz sempre

Filha, gorda e burra não tens futuro. Estuda!

22. Eu estou…

A achar parva esta pergunta.

23. Eu sou…

Gorda.

24. Eu quero…

Chegar a velha e foder a cabeça da nora que me calhar fingindo episódios de Alzheimer.

25. Ser amigo é…

Não cobrar momentos e quando nos encontramos o que interessa é a conversa que estamos a ter agora, como se tivesse sido ontem a ultima vez que nos vimos.

26. Quando morreres…

Vou falar com o Senhor e tentar perceber porque raio isto não durou mais 200 anos.

27. Um livro

Mataram a Cotovia.

28. Um filme

Forrest Gump (digo a mim mesma a celebre frase quando vou correr à beira da estrada e ponho os pulmões à prova "run Gorda d'um cabrão, run").

29. Uma pessoa que queres/gostarias de conhecer pessoalmente

Ryan Reynolds (de preferência sem a esposa perto para eu lhe apalpar os glúteos, com objectivos puramente científicos, claro!).

30. Queria ser uma formiga para…

Eu não quero ser uma formiga que eu detesto essa bicheza.

31. Calças ou vestidos?

Tudo desde que barato ou oferecido.

32. Que situações conseguem mostrar o teu lado mais aborrecido?

Todas as que contrariem a minha vontade ou sempre que eu tenha fome. Lido mal com o estado de fraqueza.

33. Sê feliz ou…

Vai à casa de banho, pode ser prisão de ventre. Aliviada sentes-te logo melhor.

34. Queria ser …

A Jennifer Lawrence, boa e maluca dos carretos (espera, marada da mona já sou, só me falta ser boa com'ó milho e podre de rica).

35. Queria ter…

Tempo, dinheiro e as nalgas da Rita Pereira.

36. Se eu fosse homem…

Passava o dia a coçar os tomates.

37. Já pensaste num desejo que queiras concretizar em 2019 ou ainda só consegues pensar em 2018?

Se este ano não ganhar a taluda ganho no ano que vem.

38. Um motivo que te faz gostar ou não gostar de álcool.

Gostar, porque vejo a vida turva e assim fico mais alegre. Isto nítido às vezes é complicado...

39. Na noite passada…

Acordei às 4 e meia porque o puto chamou.

40. Poderia ficar horas…

A vegetar em frente à televisão enquanto vejo episódios seguidos do "Casados à Primeira Vista".

41. Descreve o emoji que mais gostas de usar

É o cocó (descreve em pleno o que sinto em relação a muitas situações).

42. O teu lema

Manter-me viva, dê por onde der.

43. Morres de medo de…

Tudo. The world is a scary place…

44. Darias tudo para…

Que o meu puto tenha uma vida excelente.

45. O teu maior defeito que é uma qualidade

Isso não existe.

46. A tua maior qualidade que é um defeito

Lá está, não existe.

47. Três blogs e um post de cada um desses blogs

Ó Valha-me Deus…isso agora obrigava-me a andar a ir buscar links. Ide ver as minhas entrevistas…que se resumem a 1 até agora…

48. Que horas são?

Horas de comer pão.

49. 5 palavras com a letra S

Saraivada. Sumo. Semente. Samuel. Sarampo.

50. Indique 5 pessoas para esta TAG

Eu não conheço 5 pessoas. The world can be a lonely place….

 

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13
Nov18

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com A Mãe Imperfeita

Gorda

A Mãe Imperfeita.png

 

Às vezes tenho a impressão que vivemos num mundo idílico, em que, apesar das queixas para a condição financeira do português remediado e da falta de poder de compra para adquirir um balde de lixo perto do Marquês, todos vão de férias para praias paradisíacas, super felizes, espraiados à beira mar em poses que desafiam as leis da coluna, sempre acompanhados por frases que mais parecem ter saído de uma bufa mental do que de um pensamento.

Às vezes, enquanto mãe, sinto-me frustrada com o mar de compostura que me rodeia. Todas as outras mães parecem ir à manicura, ter os cabelos alinhados, mudas de roupa de lojas de marca, os miúdos sempre com camisas XPTO e um semblante descontraído de quem dorme 8 horas todos os dias. E eu, bem eu estive este fim de semana numa festa de aniversário num parque de diversões, a fazer força para me manter com um ar satisfeito por ver os putos aos berros e a correr descontrolados; tudo isto envergando Primark da cabeça aos pés, com o verniz das unhas ratado de lavar a loiça e o cabelo desgrenhado porque estava um temporal desgraçado e a componente capilar não resistiu.

 

É por tudo isto que adoro a minha primeira entrevistada. Para estrear esta sublime rubrica entrevistei A Mãe Imperfeita.  Sem merdas, com os filtros mínimos da boa educação, apresenta as coisas como elas são de verdade. Há alguns meses que acompanho o blog e a conta de Facebook e confesso-me uma completa viciada nesta mãe de dois que encontrou um escape para os dias lixados desta coisa de ser mãe.

Tenho quase a certeza que todas as mulheres que são mães já a conhecem, mas nesta entrevista vão ler coisas que até vos vão deixar com o olho esquerdo aos saltos.

 

A Mãe Imperfeita está em alta com um blog muito visitado, uma conta de Facebook com mais de 23 mil seguidores, uma conta de Instragram muito recente que já arrebanhou mais de 3500 seguidores e, como pièce de résistance, lançou em Novembro o seu primeiro livro “Os 10 Mandamentos de uma mãe imperfeita”. Eu já comprei, já li, adorei e recomendo. Sei que a mãe da Mãe Imperfeita a achou muito mal criada, mas eu, considerando as coisas que se me saem da boca, diria que até é bastante comedida.

 

Podem (e devem) comprar o livro nas livrarias do costume (eu ajudo: Wook, Fnac…) ou directamente no site da editora. Prometo que é gargalhada garantida.

 

À Mãe Imperfeita agradeço a paciência e a disponibilidade para, com todos estes desafios, ter respondido a 7 questões profundamente néscias. Espero que gostes do resultado final.

 

Deixo-vos então com a entrevista completa.

 

CG - Tenho por hábito chamar o meu filho de trafulha e mafioso (de forma que eu pessoalmente considero carinhosa), achas que ele pode vir a ter alguns traumas por causa disso? Às vezes penso que o deveria tratar sempre por você, dizendo-lhe “venha cá à mãe, querido”.

MI - E eu por acaso tenho cara de psicóloga? Além disso acho que trafulha e mafioso não são nomes ofensivos, são carreiras com futuro. O mais que te pode acontecer por tratares assim os putos é vê-los um dia sentados na Assembleia da República a decidir os destinos do país. Já eu, que trato o mais velho por macaco líder, estou a condená-lo a uma vida de líder de claque. E isso até pode nem ser mau financeiramente mas é capaz de ser socialmente menos bem visto.

 

CG - O meu filho não tem nenhuma peça de roupa da Laranjinha, achas que alguém me devia denunciar à CPCJ? Os teus filhos têm roupa queque de marca afamada? O quê? Eu quero comprar igual rebentando com o saldo do meu visa.

(esta é uma pergunta kinder, é só uma no titulo, são 3 coisas na realidade)

MI - Quando engravidei do primeiro era rica e não sabia e, por isso, fartei-me de derreter dinheiro em roupinhas caríssimas sendo que, metade delas, nunca chegou a usar. Lembro-me de uns bodies da natura pura a 28€ que usou três ou quatro vezes. E só de escrever isto fiquei com vontade de me açoitar. Há uns anos também comprei um vestido para a minha afilhada recém-nascida que me custou quase 100€ na Jacadi. E já estou com vontade de me açoitar outra vez. Agora a sério, os meus filhos têm a roupa do dia a dia (Primark, Zippy e assim) e depois têm meia-dúzia de peças melhorzinhas que usam quando saímos (o que acontece muito raramente). Mas nesta fase recuso-me a gastar fortunas em coisas que deixam de servir num instante. Até porque, infelizmente, o meu dinheiro é contado quase ao cêntimo e, mesmo assim, há alturas em que tenho mais mês do que ordenado.

 

CG - Para ti o que é melhor: público ou privado? É que tenho o miúdo no público e dizem-me que o miúdo pode vir a ter transtornos psicossomáticos porque há lá muitos miúdos pobres.

MI - E o teu não é pobre também? Se for rico tem cuidado porque o convívio com putos pobres pode ter efeitos secundários terríveis, tipo torná-lo mais humilde e empático ou fazê-lo perceber que há coisas muito mais importantes que o dinheiro. Também pode fazê-lo apanhar piolhos. Ai esquece, tenho visto agora nos blogues que os filhos dos ricos também apanham, a diferença é que as marcas oferecem o quitoso às mães deles. Quer dizer, acho que já não se chama quitoso mas dá para perceberes a ideia. Qual era mesmo a pergunta inicial disto antes de meter a pediculose ao barulho? Ah, sim, público ou privado, não era? Olha, onde eles forem felizes. No final do dia é só isso que importa.

 

CG - Segundo tive oportunidade de ler no teu blog, o teu filho mais velho é surdo, achas que essa condição resultou do facto de a Mãe Imperfeita consumir doçaria conventual todas as terças-feiras durante a gravidez?

MI - Só para dizer que não fizeste os trabalhos de casa. Eu sou celíaca e tive diabetes gestacional com necessidade de doses industriais de insulina. Passei as gravidezes a beber copos de água e a sonhar com Nutella. O puto saiu surdo porque foi vítima de incompetência no parto. Depois de muitas horas de sofrimento a médica que estava de serviço decidiu tentar três ventosas e uns fórceps e deixar o puto em sofrimento fetal agudo até o colega gritar que tínhamos de ir para cesariana emergente. E por favor não me digas que atendendo ao panorama tivemos sorte no facto da surdez ser a única sequela. Eu fico sempre com vontade de matar as pessoas que me dizem essa merda.

 

CG - Pelo que me foi possível investigar na conta de Instagram da Mãe Imperfeita, ao fim de semana fazes alguma pastelaria carregada de açúcar para toda a família. Considerando todo o mal que o açúcar faz e o vício que causa, não temes que os teus filhos se metam na droga por conta das tuas escolhas? Elabora.

MI - Espero que a minha pastelaria carregada de açúcar (e que é só ao fim-de-semana) os faça felizes e que a droga em que se metam seja o desporto. A sério, a paranóia com o açúcar dá cabo de mim. Os meus filhos ainda são pequenos. O mais novo só bebe leite e o mais velho, na loucura, come uma fatia fininha de bolo de iogurte ou uma bolacha Maria uma vez por festa. Mas sim, mais uns aninhos e passam a comer também os doces que eu faço, tal como eu e o pai comemos. Porque a comida também é felicidade e tudo é permitido se existir moderação.

 

CG - Não podemos ir embora sem que termines esta frase: Quando os miúdos ficam com os avós eu…

MI - Durmo! Mentira, os meus filhos nunca ficam os dois com os avós porque dão demasiado trabalho juntos. Portanto quando um fica com os avós eu fico a tomar conta do outro. E é isto.

 

CG - O que diz a tua carteira? 

MI - A minha carteira não consegue falar tal não é o estado de desnutrição em que se encontra. E se falasse o que dizia era “vê lá se arranjas cinco minutos para tirares daqui estes talões todos que estou praticamente a rebentar pelas costuras.”

Credo Gorda, fiquei cansada.

 

(também eu Mãe Imperfeita, também eu, que lido com isto tudo vai para cima de 35 anos, tu imagina o nível de desgaste do homem que me atura lá em casa...e eu nem bebo...fará se bebesse)

 

Muito obrigada por este momento de entretenimento e aprendizagem. Desejo profundamente que o teu livro tenha muito sucesso e que venda, no mínimo, mais duas paletes de livros que a Bobone.

 

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12
Nov18

Apresentação da rubrica "Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com..."

Gorda

 (imagem retirada da Google)

 

 

A maioria das ideias que tenho ocorre-me quando estou na casa de banho, será provavelmente por isso que tenho tantas ideias de merda.

(pareceu-me uma boa frase para captar a vossa atenção)

 

Foi num dia solarengo de Outono, quando fui buscar o meu filho ao jardim de infância, que vivenciei o momento idiota que fez despontar esta iluminação. O meu miúdo tem 3 anos e chucha no dedo. Dizem as más línguas que é muito difícil que deixe de o fazer e que é uma calamidade face aos querubins que usam chucha. Ao que parece os pais conseguem convencer os putos a ir pendurar a maldita numa árvore ali para os lados da Amareleja, mas com o dedo não se pode fazer nada. Eu, que acho que cada um é como cada qual (essa máxima brilhante) e que os tempos e ritmos de cada criança (que afinal de contas é uma pessoa) devem ser respeitados, vou fazer o mesmo que tenho feito para tudo o resto: aguardar que seja altura para ele, por vontade própria, largar este habito. Defecando-me, como seria de esperar, para o que os outros pensam.

 

Então saíamos do jardim de infância, o miúdo carregado de sono - porque ainda anda a ajustar-se aos horários novos e sente falta da sesta depois da hora de almoço (dorme nos avós quando acaba a “escolinha”) – pôs o dedo na boca. Nessa altura passamos por uma senhora que olha para o puto com um pesar tremendo e faz um “Ohhhhhhh” que lhe saiu das entranhas. Sorri e segui em frente, no entanto a senhora não se deu por satisfeita e continuou “conheci um miúdo que também chuchava no dedo” (que é como quem diz que conheceu outra criança com um corno no meio da testa que galopava em direcção ao firmamento de cor violeta, enquanto dava peidos que libertavam purpurinas para o Universo) “morreu com 22 anos num acidente de viação”. Como podem calcular esta informação é de tremenda utilidade e tem mais ou menos a mesma importância que a história de que não devemos comer laranjas à noite*.

 

À conta desta experiência ocorreu-me uma ideia parva. Para a maior parte das pessoas isto é algo que dá algum trabalho, mas para mim é o dia-a-dia, o meu cérebro produz muito lixo e eu tenho de ter um neurónio Almeida que faz a separação da tralha por categorias para que se possa aproveitar alguma coisa.

 

Nunca me imaginei jornalista, tenho pouco jeito para fazer questões às pessoas, mas se pensar em mim como uma pessoa que faz perguntas parvas a outra, então acho que encontro uma versão falhada do Daniel Oliveira e isso, parecendo que não, até pode ser alguma coisa.

 

É que toda a gente tenta fazer entrevistas disruptivas e inovadoras, cheias de sentimento; eu acho que fazem falta entrevistas em que alguém ponha o dedo na ferida e pergunte aquilo que mais ninguém quer perguntar, porque é estúpido demais.

 

Desta feita pus-me a magicar sobre o que poderia fazer juntando esta minha capacidade de produzir coisas parvas, a vontade de me desafiar para ultrapassar os meus receios (como fazer perguntas às pessoas) e criar uma espécie de uma rubrica que permitisse entreter-me e moer a cabeça a outra pessoa que eu nunca vi na vida.

 

Assim nasceu o “Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com…”. Uma vez por mês vou convidar alguém a responder a um conjunto de 7 perguntas: 5 em função da “investigação” que levo a cabo e 2 sempre iguais (ou quase iguais).

 

As perguntas, quando me ocorrem, são parvas e eu esforço-me para as aparvalhar ainda mais até sentir que atingiram um ponto de rebuçado, que é aquele momento em que a pessoa fica ali mesmo a achar que me havia de mandar à fava, mas não o faz porque percebe que pode ser uma questão de isto não dar para mais. Os entrevistados são informados sobre aquilo ao que vão e a ideia é convidar pessoas com sentido de humor que gostem – como eu – de se rir de tudo e mais alguma coisa (até porque de outra forma teria mais probabilidades de que me mandassem bugiar do que respondessem ao que quer que fosse).

 

A entrevista deste mês já cá canta e sai já amanhã de manhã. Posso apenas dizer-vos que é completamente imperfeita.

 

Espero que gostem e se assim for que comentem e que partilhem. Acima de tudo que vos proporcione 10 minutinhos de gáudio.

 

Aviso: pessoas sensíveis e politicamente corretas devem evitar esta rubrica, não necessariamente porque eu esteja preocupada com sentimentos alheios, mas porque as pessoas sensíveis tendem a indignar-se e eu não tenho pachorra.

 

*Dizia a minha avozinha que a laranja “de manhã é ouro, à tarde é prata e à noite mata”.

 

 

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10
Nov18

A Gorda nomeada para os "Sapos do Ano" - Categoria de humor

Gorda

sapos do ano.png

 

Não sei como é que tal se deu, mas suspeito que foi da mesma forma que a maior parte das coisas da minha vida: sem eu dar conta.

O blog (ou blogue para quem prefira) tem pouco mais de 3 meses e aparentemente 3,5 leitores: eu, que leio o que escrevo para que o espaço não se sinta só; o marido que, por compromissos matrimoniais, se vê obrigado a tal; uma terceira pessoa que teve a amabilidade de me nomear (epá parecendo que não é uma responsabilidade. Aí corolho, até se me esbugalham bueda os olhes e bato com as pálpebras nas omoplatas...); e a metade diz respeito ao meu tio Alfredo, que está sempre bêbado e por isso não pode contar como uma pessoa por inteiro.

 

Fiquei rodos de contente, não estava nada a contar e vou comprar uma coisa para mim sob o pretexto de que mereço uma medalha de participação (todos sabemos que eu não saco isto, certo?).

 

Ainda assim, se puderem e quiserem votar em mim, contente da vida pá. É só ir aqui.

Se não vos der jeito compreendo, porque há aqui material de qualidade a concorrer e uma pessoa tem de ser humilde (e dar uma carolada na realidade).

Maneiras que agradeço e prometo que me manterei gorda e parva como até aqui, até porque não dá de outra maneira (é uma limitação forte).

 

Tiro o chapéu às pessoas que organizaram este "evento", afinal de contas proporcionam aqui uma coisa engraçada e ninguém vos dá nem uma sandes de coirato como recompensa. Ides para o céu viver num T3 com vista para a Lapa, coisa que hoje nem cheirais porque os camones arrebanham aquilo tudo.

 

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06
Nov18

Respira e inspira

Gorda

Respira e inspira.png

 

Se tivesse de me descrever diria que sou uma pessoa ansiosa, excessivamente preocupada com tudo e mais alguma coisa, demasiado stressada com os temas grandes de ainda mais com os pequenos. Sou o tipo de pessoa que usa o humor em quase qualquer situação da vida, não porque tenho uma perspectiva doce e positiva, mas porque acho que de facto, às vezes, não há mais nada a fazer para além de rir disto tudo.

 

Há uns anos inscrevi-me no Yoga. Ia uma vez por semana porque quando me inscrevi não havia vaga para mais, depois surgiu disponibilidade e eu achei que uma vez já era alinhamento de energias em excesso. Às quintas-feiras à noite lá ia eu, fazíamos respirações, fazíamos exercícios de relaxamento, fazíamos uma espécie de contorcionismo que desafiava as articulações de uma pessoa que começa a sentir que não está a caminhar para nova, no fim, para relaxar, fazíamos um pouco de meditação. Assim como quem acaba uma refeição farta com uma boa sobremesa.

Tenho uma amiga que uma vez experimentou ir a uma aula de Yoga, dez minutos depois de estar a fazer hummmmmm levantou-se e disse para a instrutora “isto é tudo muito giro, mas eu não tenho pachorra para esta merda”, foi inscrever-se no Zumba.

A meditação, dizia-nos a instrutora, servia como exercício da mente, devia ensinar-nos a estar quietos, a concentrar a nossa tola em nada. Dispúnhamos de um menu de três metodologia de concentração, na primeira olhávamos fixamente para uma vela, até os olhos começarem a arder e a querer chorar, depois fechávamos as pálpebras e devíamos ainda estar a vez a chama, o objectivo residia na nossa capacidade de continuar a ver a chama e não a perder de vista. Na altura era-me difícil, fosse agora, depois de me ter habituado a estar horas de olhar fixo, como um falcão, a ver o puto no jardim ao pé de casa e a vela ia ser para meninos. O segundo método requeria algum estrabismo, isto porque tínhamos de fechar os olhos e tentar olhar para o ponto imaginário que tínhamos entre os olhos. Ora isto cansa fisicamente os glóbulos oculares, que não estão habituados a estar tortos (Graças a Deus Nosso Senhor!). A terceira metodologia - por sinal a que mais usávamos - era a que mais me agoniava. Começava a instrutora por dizer que éramos pessoas muito pequeninas, coisa que me deixava logo desconfortável, afinal de contas se há coisa que tenho complexo é do facto de ter pouco mais de metro e meio, ir para ali aliviar a mente e acabar anã era coisa que não me apetecia nada. Mas alinhava, já que ali estava deitada. Depois devíamos imaginar-nos deitados confortavelmente numa folha fofinha (que é coisa que nunca vi) e visualizar que estávamos a descer um riacho, embalados pela corrente. Este momento começou rapidamente a ser a minha maior agonia, ninguém pensava nisso, mas a mim ocorria-me que podiam abrir uma barragem qualquer e dar-se para ali uma enchente e a pessoa, distraída em cima da folha, dava consigo a debater-se para se agarrar a um ramo na berma. Tentava fugir dessa ideia. Mas então e se batesse com as costas num valente pedregulho? É que pensando que não os riachos têm sempre zonas menos fundas e essas têm sempre uns pedregulhos aqui e ali. Com o azar que eu às vezes tenho o mais certo era que fosse arrear uma porradona numa daquelas cabronas.

Por isso lá ia eu, agarrada às bordas da folha, olhos fechados e dentes cerrados, sempre a rezar para chegar ao fim daquilo intacta.

Quando chegava ao carro depois da aula estava mais stressada do que quando aguardava que a aula começasse.

Deixei o Yoga ao fim de um ano. Contorcia-me melhor mas continuava uma desgraçada ansiosa por tudo e por nada.

 

Há dois anos marquei uma consulta com uma terapeuta. Pediu-me que preenchesse um questionário antes de ir e eu, certa das certinhas mandei tudo preenchido. Até a parte dela.

Fui à primeira consulta, depois de falar a mulher desatou a dizer que tínhamos muita coisa em comum e falou-me dela. Não sei se isso era necessariamente bom. Mas deixei “rolar”. Mandou-me uns trabalhos para casa e pediu-me para voltar quinze dias depois.

Assim foi.

Quando lá chego espeta-me com uma imitação de Nenuco ao colo, mete-me à frente uma espécie de tripé com um pau branco atravessado que piscava luzinhas de várias cores de um lado para o outro. Eu falava e tinha de seguir as luzes com os olhos. Eu não sou uma pessoa boa a fazer muita coisa em simultâneo, pelo que estranhava aquela ideia de andar com os olhos de um lado para o outro enquanto falava. A determinada altura, quando parava de falar, assaltava-me a possibilidade de que talvez devesse fazer como os gatos e lançar-me às luzes. Aguentei-me.

Quando acabou o tempo a terapeuta desligou aquilo e eu tinha os olhos cansados. Sentia-me confusa e com os glóbulos oculares doridos de tanto exercício. Calhando em ver o Estoril Open tinha ficado com menos mazelas.

Não fiz mais nenhuma sessão. Aquele pau com luzes agoniou-me. Isso e a ideia que eu era um Nenuco de marca branca, mal vestido e careca. Porra, já me chega ser pobre na realidade, que na imaginação possa ser boa, rica e bem vestida.

Mantive-me ansiosa.

 

Há uns dias íamos no carro e o meu marido buzinou ao tipo que se atravessou à nossa frente, por pouco não batemos. Como qualquer bom idiota, o maltrapilho, em vez de fazer sinal de “desculpe” pela má manobra, optou por começar a fazer marcha atrás ameaçando que nos daria uma pancada no carro. Eu puxei do telemóvel, calhando o energúmeno repetir a brincadeira poderia filmar, porque se batesse eu não ia pagar. Insatisfeito saiu do carro e exigiu explicações por eu estar com o telemóvel na mão. Era um miúdo, nem barba tinha, mas estava cheio de si. Tão cheio, mas tão cheio que não cabia nele bom senso nem educação. Perguntei-lhe se ele queria que chamasse a policia. Não acreditou. Abri a porta para sair do carro e o meu marido segurou-me. “Não faças isso”, disse-me. Ia responder-lhe o que precisava de ouvir, afinal de contas o vidro estava fechado. Quando me viu disposta a sair do carro pirou-se para o carro dele. Não sei se foi o meu olhar ensandecido que lhe causou algum medo, se a possibilidade de eu ser uma daquelas surpresas que apesar de pequena e gaja tem um cinturão arco íris numa qualquer modalidade de Artes Marciais.

Fiquei mais chateada comigo do que com o traste de leite.

 

Agora ando a pensar que me havia de mudar para o campo, comprar uma casa num monte, sair de lá a cada quinze dias. Dedicar-me a estar por casa e a viver das alfaces e das cenouras que planto. O problema é que não tenho aquelas massas para dar de entrada.

 

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