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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Seg | 31.12.18

Será que ainda vou a tempo para trocar um desejo para 2019?

Gorda

Vou pegar na passa 12 que correspondia a: "Vou descobrir que a Teoria da Relatividade é relativa e o Einstein vai voltar à vida para dizer que eu sou mais esperta que ele, elogiando sobejamente o meu penteado e salientando que nunca pensou possível que alguém com um cagueiro melhor que o da Rita Pereira pudesse ser mais inteligente que ele."

E troca-la por:

Que em 2019 venham a este espaço pessoas que procurem divertir-se, rir e passar 5 minutos entretidas. Que passem ao lado os que só querem saber quem está atrás do teclado ou julgam saber quem está atrás do teclado ou o diabo a quatro. Que venham a este espaço pessoas que sabem o que é divertir-se e que conheçam a noção de respeitar a privacidade alheia. Que os que querem saber mais do que devem tenham o bom senso de deixar de acompanhar e que arranjem o que fazer com o seu tempo.

 

Como diria a minha avózinha "tá a desopilar que eu quero a barraca limpa para entrar no Ano Novo!"

 

Agora sim, acho que entro em 2019 mais descansada.

Seg | 31.12.18

Se calhar é melhor fazer uma espécie de balanço não é?

Gorda

(tava mesmo para cá vir só em 2019, mas depois abateu-se-me que isto não é blog não é nada sem um balançozito, maneiras que vamos a isto sim?!)

 

Não gosto de balanços, parece que estou a tirar contas à vida numa de ver quanto me deu, quanto me esfalfei e quanto é que eu acho que merecia e não me calhou.

Acabo sempre a achar que “pronto, estamos aqui todos, o miúdo tem saúde e está rijo, eu tenho saúde apesar da mona feita em bosta, o marido caminha pa velho, mas por aqui anda e tirando as maleitas dos 40 lá se vai aguentando. Por isso olha, tá bom, venha outro!”

Uma espécie de: "eu tô bem, tu também tá bem, tudo mundo aqui tá bem!"

 

É o possível quando a pessoa tem 35 e filhos para criar. Queria mais? Queria. Mas estar vivo, ter saúde e estar junto dos que amo, por mais cliché que possa ser, é um prémio do caraças.

 

Ainda assim (porque sou chata como a porra) e sabendo que para balanços não tenho jeito, se calhar posso fazer duas ou três notas sobre este ano (tudo coisas de uma relevância...):

 

1. Não me mascarei e não mascarei o miúdo. Ele ainda nem sabe que o Carnaval existe.

 

2. Não me patinou ninguém este ano. Graças a Deus o call center do Senhor (esta frase é redundante ou sou só eu que acho?) está com pouca gente, de maneira que não contactou ninguém que eu goste com a última chamada. Que assim se mantenha por mais uma porrada de anos. Se há chamadas que uma pessoa não quer é do Senhor e das Finanças.

 

3. Tinha um blog (esta é nova para vocês) onde eu até dizia o meu nome. Fartei-me, porque a identidade rouba-me a liberdade criativa, por isso acabei com ele.

 

4. Fiz 35 anos. Porra 35 anos!

 

5. Todos os dias em que me olhei ao espelho e me dei a liberdade de pensar outra coisa que não fosse “despacha-te”, dei comigo incrédula “esta és tu!? Foda-se, como é que raio é que deste contigo com 35 anos na peida!?”. Duas quase rugas de expressão na testa e nem 1 único cabelo branco. Deve ser do açúcar, as células já estão em ponto de rebuçado, caramelizaram e nem respiram a cabronas.

 

6. O Bucha Marido entrou nos entas, agora já ninguém o tira de lá, coitado.

 

7. O puto fez 3 anos e eu nem me quis acreditar. Nem quero. Já me constrói frases e tudo, qualquer dia tem namorada.

 

8. Fui de férias para o Algarve.

 

9. Fui de férias para o Fundão.

 

10. Fui à Serra da Estrela ao fim de mais de 10 anos.

 

11. Tive um colapso nervoso com a lei da solvabilidade. Eu que quero tanto mudar de casa, agora tenho o processo dificultado. É preciso ganhar bem, ter paizinhos que patrocinem, receber uma herança ou endividar-nos ainda mais para comprar uma barraca. Cá me deixo pela que tenho.

 

12. Tive uma ideia para escrever um livro de humor. Voltei a escrever depois de estar parada meses. As ideias são como os gajos e quando veem que uma pessoa já está ocupada a matutar em alguma coisa começam a cirandar. Por isso tinha de arranjar o que fazer com as ideias parvas que me apareciam.

 

13. Criei o “Casa da Gorda”, cujo nome nasce da minha alcunha de infância.

 

14. Conheci gente muito engraçada e que me diverte a rodos. Nunca andei à volta do tema da maternidade por si só, é uma parte de mim não é o todo que me define, mas a verdade é que foi com umas mães cheias de pinta que acabei a rir à gargalhada. Sinto-me bem quando estou junto delas, mesmo que seja apenas virtual. Penso "OK, esta gente percebe...".

 

15. Como hipocondríaca que sou normalmente penso que tenho doenças, em 2017 acho que pensei ter 7272572725 doenças, este ano estive bem melhor porque só pensei ter 656366 doenças diferentes, embora tenha julgado ter algumas em simultâneo.

 

16. Fiz birras e aprendi a lidar com elas melhor que o ano anterior. Aposto que em 2019 estarei uma guru.

 

17. Li mais de 10 livros, o que eu acho que é uma vitória do caraças considerando a falta de tempo que tenho e os anos de sono que tenho em atraso.

 

18. Relaxei mais.

 

19. Dei mais dois passinhos de bebé para aceitar quem sou, estou a ficar velha e começa a chegar a hora de perceber que isto é o que há.

 

20. Fiz exercício, mas não tanto quanto devia.

 

21. Fui à nutricionista e pela primeira vez na vida segui o plano. Resultou e perdi o peso que queria.

 

22. Não reencontrei pessoas na vida real e dou Graças ao Senhor porque quando as encontro nas redes sociais penso “Foda-se!”.

 

Em resumo foram mais trezentos e tal dias, qualquer coisa como 8760 horas, vividas de forma muito parecida entre elas. Trabalho, casa, casa trabalho, filhos, roupa passada, roupa lavada, trânsito, passear cães, apanhar poias, etc. Umas resenhas de final de dia desconstruindo a vida e arranjando forma de me rir disto tudo.

A vida pode ser sempre igual, o que muda é a forma como escolhemos vê-la (Caralho! Leram esta frase? Até me ficou a doer a cabeça).

 

Porque rir pode não ser o melhor remédio, mas às vezes é o único analgésico.

 

Bom Ano minhas taças de serradura.

 

Venha de lá esse 2019

 

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Dom | 30.12.18

Votos de Bom Ano Novo, à moda da Gorda

Gorda

(o titulo deste post é como os pratos típicos dos restaurantes, "é à casa" que quer dizer que não se sabe bem que mistela vem lá dentro, mas olha, vamos experimentar para ver.)

 

 

ano novo.gif

 

 

 

Estamos mesmo na reta final do ano e na ânsia de que 2019 seja um pote de ouro que nunca vi em 35 anos de vida, decidi debruçar-me mais um pouco sobre esta coisa que são as resoluções de ano novo. Sei que já escrevi qualquer coisa, mas com o ano novo à espreita e as lojas de roupa a parecer a feira do relógio, afugentando pessoas que têm medo de gente que cega civicamente nos saldos, decidi voltar à carga com os objetivos de ano novo.

Não são resoluções, não são desejos, são objetivos. Vou fazer mindfullness e pensaness e merdaness e tudo, vou visualizar o objetivo e digo-vos, até os mortos voltam à vida.

 

Comecei por levar a cabo um inquérito a mim mesma quando me encontrei à porta da minha casa e compreendi que nos últimos 35 anos as coisas nunca foram ao encontro das minhas resoluções. Não me recordo que tipo de pensamentos poderia ter com 1 ou 2 anos, mas estou certa de que já envolviam uma maior vontade para locomoção e a capacidade de beber mais leite sem que a minha peida pesasse mais.

As resoluções são meramente coisas que uma pessoa faz sem pensar, com o propósito de entreter um pedaço de tempo em que está fortemente embriagado, fingindo que com a passagem de ano a nossa vida se vai transformar na de outra pessoa qualquer (se possível a da Jennifer Lopez, se não der essa a da Rita Pereira), o que, invariavelmente, participa para um mês de janeiro ainda mais deprimente. É por isso que este ano decidi fazer uma lista de resoluções nunca antes vistas.

 

É preciso que nos amemos e que estejamos focados no que queremos fazer. A força da nossa vontade e do nosso pensamento têm um poder extraordinário (quase vomitei depois de escrever esta frase).

 

Deixo-vos com a minha lista de objetivos para 2019, sei que alguns serão céticos e irão achar descabido e parvo até, mas isso é porque vocês são almas sem fé, destinadas a arder no calor do inferno.

 

Atentem e aprendam minhas alheiras de porco preto (ai que o PAN me fecha a casa….):

 

Passa 1. Vou escolher os números atentamente e vou garantir que ganho o Euromilhões porque estou farta de ser pobre.

 

Passa 2. Vou ser promovida a CEO da empresa em que trabalho (que é uma coisa que faz um sentido do ca..ca..catano (menos asneiras faxavore), porque uma vez multimilionária tenho mesmo interesse em continuar a moer a cabeça com problemas vários).

 

Passa 3. Vou crescer 15 centímetros.

 

Passa 4. Vou descobrir uma forma mágica de comer como uma porca e ficar magra como a Gisela.

 

Passa 5. Vou inventar um aparelho que permite que eu fique totalmente tonificada sem me levantar do sofá.

 

Passa 6. Vou fazer um retiro espiritual na Índia e vou voltar de lá tão zen que nem os cães me vão reconhecer. Eles vão pensar “porra o que é que fizeste à gaja que mora cá em casa, que é uma stressada do caraças e que está sempre a querer que a gente cague à pressa”.

 

Passa 7. O meu cabelo vai começar a crescer loiro, liso e vai tornar-se denso e forte. Lá para Julho as pessoas vão começar a confundir-me com a Rapunzel e os gajos da construção vão pedir-me ajuda para usar os meus cabelos para levar baldes de cimento para o último andar.

 

Passa 8. Vou escrever um livro tão introspetivo que o António Lobo Antunes até se vai passar. Tão dentro e fora e dentro e fora das caixas e dos alguidares todos, que o Saramago até volta à vida só para dar uma conferência de imprensa a dizer que o “Ensaio sobre a cegueira é uma merda ao pé daquilo”. Vão dar-me logo o Nobel porque não precisam que eu fique velha para saber que eu sou um génio.

 

Passa 9. Vou dar o guito do Nobel a um arrumador que trabalha ali à porta da Loja do Cidadão de São Domingos de Benfica, para ver se o gajo, depois de rico rico, deixa de moer a cabeça a quem tem de renovar o cartão de cidadão. Parece-me ser muito melhor serviço público do que ajudar crianças com necessidades. Posso dar o guito porque, tal como referi na passa 1, vou ficar milionária.

 

Passa 10. Vou lançar um disco. Música e letra da Gorda. Vou arrebatar todas as feiras de norte a sul do país. Vou destronar o peru epilético com amigdalite crónica (também conhecido por Maria Leal) ter mais visualizações no Youtube que o "Gangnam Style".

 

Passa 11. Vou fazer uma tourné de sitting-down comedy, eu e o RAP. Vamos percorrer todas as tascas do país e visto que é uma tourné nacional, vamos acabar em grande enchendo o Olympia de Paris de tugas emigrantes.

 

Passa 12. Vou descobrir que a Teoria da Relatividade é relativa e o Einstein vai voltar à vida para dizer que eu sou mais esperta que ele, elogiando sobejamente o meu penteado e salientando que nunca pensou possível que alguém com um cagueiro melhor que o da Rita Pereira pudesse ser mais inteligente que ele.

 

Todos estes objetivos têm a mesma probabilidade de ser alcançados que as minhas resoluções de 2018, 2017, 2016, 2015…..pelo que se é para avacalhar que seja em grande.

 

Pessoas lindas, minhas chamuças picantes, minhas alheiras de Mirandela, meus pães de ló com doce de ovo, que tenham um ano novo repleto de bebida, que comam as passas pelo sítio certo, que não se esqueçam de pedir saudinha e que não borrem as cuecas novas, para que aquela magia das cores tenha efeito e vocês consigam tudo o que a cuequinha promete.

 

Se não nos falarmos até lá, bom ano novo, tudo a portar-se mal e favor de entrarem com os 2 pés ao mesmo tempo, que a ciência ainda não provou que o direito é melhor que o esquerdo (os coxos entram como podem e os pernetas com o que têm).

 

Até 2019

(parece que é longe, dito assim, mas lá para quarta feira já vos estou a moer outra vez)

 

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Sex | 28.12.18

Resoluções de ano novo que já levam teias de aranha

Gorda

Objetivos tradicionais.png

 

Pensei em fazer uma grande introdução, mas é sexta-feira, estamos todos cansados, queremos é as passas e o reveillon, pelo que não vou estar com muita palha e vou passar logo aos vamos a ver.

Estamos a menos de 5 dias de entrar em 2019 e por isso impõe-se que façamos uma reflexão sobre objetivos de ano novo que são como o mobiliário velho: estão lá sempre, rangem que se farta e prometemos que os vamos trocar mas os anos vão passando e eles lá se mantém. Assim decidi olhar de forma disruptivo-parva para aqueles que estão sempre na minha lista e dissecar um pouco as matérias.

Vamos a isto?

 

1.

Começar uma alimentação saudável. Não é dieta, que isso é uma coisa que toda a gente sabe que não leva a lado nenhum, tem de ser uma revolução alimentar com bagas de goji e sopas frias a que as pessoas chamam de sumos verdes e outras coisas produzidas na América do Sul. A única que emagrece é ilegal.

 

2.

Começar a fazer exercício com regularidade (mínimo 3 vezes por semana). No ano passado, no dia 1 à tarde fui correr, estava a dar a primeira volta de aquecimento ao jardim quando passa por mim um velho que tinha uma pança 2 vezes maior que a do pai Natal e grita-me “mais depressa com isso pá!”. Importa esclarecer que o velho estava montado numa bicicleta nova, apetrechado com todos os equipamentos e notava-se que estava em dor porque a peida era tão grande que quase lá cabia o selim dentro. Não o mandei para o caralho porque tinha como objetivo de ano novo ser mais zen e a dia 1 uma pessoa ainda consegue.

 

3.

Ler mais. A pessoa inscreve-se no site de leituras, projeta uns 4 livros por mês porque leu uma média qualquer. Quando chega a maio ainda não acabou o primeiro, porque quis começar com um clássico e aquilo dá-lhe sono, então o maior contacto que a pessoa tem com as páginas é ao nível da saliva.

 

4.

Ter mais calma, ser mais tolerante. Assim que as férias festivas acabam e há o primeiro acidente a caminho da ponte já está tudo na merda.

 

5.

Viajar mais. Como se isto não dependesse da condição financeira da pessoa. Acaba com umas férias em armação de pêra e já não vai daqui. Isto para não bater com os costados na Costa da Caparica.

 

6.

Mudar de emprego. Ter mais ambição e arriscar. Mas depois este já é certo, a pessoa já tem uma porrada de anos de casa, já conhece as arestas da mobília, tem seguro de saúde e até já vai tendo um ou outro dia a trabalhar a partir de casa. É melhor deixar estar porque gestão assim para o coise há em todo o lado.

 

7.

Cuidar mais de si. A pessoa marca limpezas de pele, compra um pack de aulas com PT, investe em trapos novos e até se arrisca em ir de saltos altos para o emprego mais do que uma vez. Mas depois torna-se cansativo e a única coisa para a qual há vontade é cuidar do interior. Normalmente lá para 20 de janeiro a pessoa já teve uma epifania e já compreendeu que afinal o que mais importa é amar o seu interior, que haja saúde e que se consiga ter uma tarde por outra a babar para o ecrã. A beleza vem de dentro, dizem. Não, não vem. Vem de umas boas nalgas, de uma cara maquilhada, de um lombo bem vestido, de um cabelo arranjado, de umas unhas que não estejam ratadas. Isso minha gente, não tem nada que ver com o interior.

 

(importa esclarecer que os objetivos e os desejos são coisas diferentes ou pelo menos devem ser, desejos a pessoa quer é saudinha da boa para si e para os seus, umas massas boas e umas férias a valer. Os objetivos são coisas que dependem 95% da pessoa e não estão largadas à sorte)

 

É porque estas resoluções de ano novo me saem sempre goradas que decidi criar resoluções inovadoras e, já que é para pedir coisas que nunca acontecem, então é pedir sem limites.

Estou a trabalhar na minha lista para acompanhar as 12 passas e para a semana partilho convosco.

 

Agora digam-me, mais alguém tem resoluções cheias de teias de aranha, que arrasta desde 1985 mas nunca cumpre?

 

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Qui | 27.12.18

A Gorda responde a perguntas

Gorda

Sou mãe há 3 anos e tal, o que significa que nem sequer sou uma técnica qualificada, sou uma mera estagiária de nível 1 e tenho ainda tudo para aprender, porque os desafios não se repetem, mudam, adaptam-se, crescem com os nossos filhos e nós vamos encontrando formas de nos ajustarmos ao que a vida é, aos que eles crescem para ser, ao que nós nos tornamos em resultado de tudo o que a vida nos traz.

(ficou sério)

 

Nesta coisa da maternidade aprendi 3 verdades:

  1. Não percebo nada disto. Vou aprendendo todos os dias da melhor forma que sei.
  2. A pior idade dos nossos filhos é a que eles têm. Porque os desafios passados já lá estão arrumados e os futuros ainda não são uma preocupação.
  3. Não há musas da maternidade. Cada mãe, que é mãe e que ama os filhos, faz o melhor que pode e sabe para ser uma boa mãe para as criaturas que trouxe ao mundo.

 

Dito isto (que se mantém sério, né!? Que horror até me estou a arrepiar comigo mesma), a Susana do Ser Super Mãe é uma treta convidou-me a responder a umas perguntas sobre esta coisa da maternidade. A Susana sabe que eu não jogo com a bolha toda, já nos conhecemos e ela teve a oportunidade de constatar isso em pele e osso. Eu sou um ser vivo sem vislumbre de salvação. Ainda assim, gaja de ovários de aço inoxidável que é, decidiu mandar as suas perguntas aqui para a tantã e publica-las na sua página, correndo o risco de deixar as suas leitoras com sequelas psicossomáticas.

 

À querida Susana posso apenas agradecer a gentileza do convite, ela sabe o quanto o seu “Foda-se!” me faz rir. Juro que esta frase dita pela Susana devia ser patenteada. Isto da maternidade não é fácil, mas pode tornar-se menos pesado se as mães derem os ombros umas às outras, assumirem que de facto isto de ter filhos é um mar de rosas, porque é a única flor que tem espinhos. É um amor que a razão não consegue explicar, mas pica e aleija muitas vezes. Pelo cansaço, pela frustração de não conseguir fazer melhor, porque não somos como o quadro rosa pastel que vimos em algum sitio, porque a vida não é o que se quer fazer crer, é apenas o que é. Com o bom e com o mau.

Convido-vos a ler esta espécie de entrevista aqui. Espero que gostem.

 

 

A Susana é autora do blog Ser Super mãe é uma treta que podem acompanhar aqui na Sapo, podem também acompanhar a conta de Instagram e a página de Facebook (onde está a entrevista).

 

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Qua | 26.12.18

26 de Dezembro - o melhor dia da época natalícia

Gorda

26 de dezembro.png

 

O meu dia preferido da época de Natal é o dia 26. Primeiro porque acabou a maratona festiva do azevinho e das broas de milho, depois porque já estão pelas costas os almoços e jantares de amor e ternura e tricas familiares tão condizentes com esta natureza humana de gente que só sabe aceitar o modo de vida dos seus iguais (nem semelhantes são aceites). Amén.

Já não há pessoas a espetar-nos pelos olhos adentro o espírito de Natal e as renas e a vaca e o menino nas palhas deitado. “Ai que horror não tens presépio?! Valha-me Deus como é que passas o 24?”

Em aflição, claro está.

Já paparam com os fritos demolhados em 2 litros de óleo fula (detesto doces de Natal), as rabanadas e as azevias, o tronco de Natal e o filho da mãe do bolo rei, que só pode ter sido inventado por um cabrão bêbado que pensou “de hoje a 2000 anos ainda vão haver criaturas a comer isto.”

E há!

Perdoem-me a franqueza, mas gente que come bolo rei com gosto devia ser avaliada por um psicanalista, bem como gente que come aquelas coisas decorativas, as broas, a menos que a pessoa esteja num estado ébrio lastimável – o que constitui uma boa desculpa porque a pessoa não sabe o que está a meter à boca -, esta gente deve ser medicada.

 

No dia 26 o Natal e tudo o que este representa já faz parte do passado. Já lá está mais uma ceia em que a posta de bacalhau da sogra era muito alta (RIP ceia de Natal). Assim será enquanto a senhora for viva. Já passou mais um almoço de família, daqueles em que se recordam episódios mais velhos que o cagar, para regozijo de uns e amuo de outros (sempre os mesmos).

No dia 26 já há um vislumbre do ano novo e as lojas apresentam saldos a sério. Agora é só aguentar mais uma semana de desejos, passas, promessas e objetivos previamente gorados. Aguardar por um dia 2 de dietas e de “vou começar a correr 3 vezes por semana” enquanto se cospe alternadamente um pedaço de pulmão e um doce de Natal.

Pelo dia de reis já a vida voltou ao normal e a frase mais dita do ano será “cá estamos para mais um ano, não é?!”

 

E quem veio trabalhar hoje (com’à menina) depois de 4 dias de arrastanço doméstico? Alegria não é? Ao menos mal havia trânsito.

 

Nota: digam lá que não adoram o meu positivismo de algibeira? Um dia ainda vou dar palestras motivacionais e o caraças, vocês vão a ver?

 

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Sab | 22.12.18

Paixonetas - da saga que nunca comecei "memórias esporádicas"

Gorda
Ontem, a propósito dos coletes amarelos acabei por vos falar de uma paixoneta que tive na minha adolescência. Essa foi apenas uma das várias paixonetas parvas que tive e que, graças a Deus, nunca deram em nada.
 
A primeira vez que me enamorei foi na primeira classe, ele chamava-se Tiago e eu nunca lhe disse que gostava dele. Um dia a minha melhor amiga (que hoje seria uma BFF), na sequência de uma zanga comigo, foi contar-lhe que eu gostava dele. O rapaz, muito certo das suas convicções, veio direito a mim para me dizer "sei que gostas de mim, mas eu não gosto de ti por amor", eu, que sempre fui uma gaja pragmática e resolvida, em plena sala de aula disse-lhe "então se não gostas vai à merda!". Não só ficou resolvida a questão, como a minha mãe foi chamada à escola porque eu disse uma asneira alto e bom som.
 
Mais tarde apaixonei-me por um miúdo chamado Sérgio, tinha o cabelo cortado à tigela, parecia mesmo que alguém lhe tinha enfiado um capacete da primeira guerra mundial e tinha aparado por ali. Nunca falei para ele nem ele para mim. Provavelmente a melhor relação que já tive até hoje. Nunca nos chateámos, essa é que é essa.
 
Mais tarde perdi-me então de amores pelo Nuno que falei ontem. Eu era muito miúda e ele já era galifão. Uns anos mais tarde quis oferecer-se para me ajudar com a matemática porque até era bom nisso. Muito provavelmente porque nessa altura eu já era copa D e ele achou que a equação seria interessante. De forma muito correta expliquei-lhe que ele bem podia pregar com os números peida acima. Eu sou muito doce e meiga, não consigo evitar este meu lado delicado.
 
Tive uma paixoneta por um David, até quis aprender a fazer desenhos a carvão para o impressionar. Desenhei-o mais do que uma vez. Ficou uma bela merda. Ele nunca viu as minhas obras e na minha cabeça o filme acabava sempre com um beijo arrebatador depois de ele ver a minha dedicação à relação. Claro que na minha cabeça de adolescente isso acontecia num atelier com vista para o mar, na casa à beira da praia onde eu não vivia. (eu morava num T2 com vista para a praceta) Depois conheci-o e percebi que tinha voz de apito. Pensei "tantas horas à volta de desenhos em papel cavalinho, porra!" Perdi todo o interesse.
 
Gostei de um moço vegetariano e decidi deixar de comer carne por causa disso. Andei neste trabalho 5 anos, 4 anos e meio só para marcar uma posição porque até já me tinha esquecido do nome dele.
 
Depois desta tive a minha primeira paixão a sério. Mas dessa não interessa falar aqui, porque fica romântico e depois fica sério e perde a graça.
 
Bom fim de semana e se não nos falarmos até lá Bom Natal para todos.
 
 

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Sex | 21.12.18

Bom, lá vou ter de falar dos coletes amarelos não é?

Gorda

Quando eu andava na preparatória apaixonei-me perdidamente por um mocinho chamado Nuno. Era bem mais velho que eu e deixou-me completamente perdida de amores. Nunca vivemos o meu amor (era uma coisa muito unilateral), mas ele acabou por saber da minha paixoneta, coisa que me deixou muito encabulada. Enfim, coisas da juventude que não interessam para nada agora. O que interessa é que um dia um rapaz de um bairro manhoso ameaçou um dos colegas de turma do Nuno, disse-lhe que ia chamar a malta do bairro dele e que lhe iam dar uma sova ao final do dia. O Nuno, muito solícito e grande campeão, disponibilizou logo todas as suas amizades para andar à batatada. Por isso, ao final do dia havia um monte de gente à porta da escola, miúdos de um bairro manhoso e um bando de gente amiga do Nuno. E o Nuno? Bom, o Nuno tinha uma consulta às 16, pelo que não pôde estar presente para se arriscar a levar umas lambadas.

 

É mais ou menos assim que eu vejo as manifestações em Portugal. Alguém vai para as redes sociais juntar os amigos. O garanhões, mauzões do teclado, autênticos cinturões negros do touch screen, ficam logo em fogo. Vão bater, vão protestar, vão gritar, vão levar os amigos do bairro, vão arrebentar com tudo.

 

Depois no dia em que é para aparecer têm uma consulta por isso vão andando.

 

Tanto alarido para nada. Os únicos coletes amarelos que vi foram os de 2 gajos que bateram a caminho da ponte.

 

Ao que parece entre as pessoas que ainda têm prendas para comprar, as que têm uma consulta às 16 e as que, quando chegaram à loja do chinês, já estavam esgotados os coletes, sobraram uns 7 que se foram manifestar para a ponte do Pragal. Mas pacificamente, atenção! O senhor que vi na TV até estava sem jeito para dizer que sempre que levantava uma pedra encontrava uma minhoca porque não queria arranjar chatices com o PAN. Se calhar devia ter dito que “cada cavadela cada urtiga”.

 

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Ter | 18.12.18

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com o Rodolfo (extra de Natal)

Gorda

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Como sabem a semana passada fui até ao Polo Norte para entrevistar o Pai Natal, foi uma tarefa que me deu algum trabalho, porque logisticamente é complicado uma vez que não há transportes convencionais para lá chegar. Tive de apanhar 2 unicórnios e 4 dragões e ainda por cima, como a sorte que tenho, os unicórnios azuis estavam a fazer manifestações dos coletes pirilim, pelo que demorei uma eternidade para dar comigo no destino pretendido.

Apanhei um barbeiro fora de serie e fiquei toda atacada dos pulmões, razão pela qual estou atracada a uns comprimidos de propólis. Podia tomar medicação a sério, mas isso impedia-me de beber e esse é um luxo que não posso suportar nesta altura.

Maneiras que estava a fazer o meu caminho de regresso e passei por uma taberna para beber qualquer coisa, encostada ao balcão, com olhar deprimido, estava uma rena cujo nariz acendia com uma luz vermelha intermitente. Quase parecia o letreiro luminoso da casa de alterne que havia na praceta ao lado daquela em que cresci. O proprietário teve dinheiro para investir no início, mas depois borrifou-se naquilo e nunca mais trocou lâmpadas. Não demorei muito tempo para perceber que era o Rodolfo. Abordei-o e estivemos um pouco à conversa. Para rena a vida não vai mal, mas no fundo está a passar por um mau bocado, afinal de contas o nosso querido Pai Natal não é o velhote evoluído que todos pensamos.

 

CG – Então Rodolfo, não estava à espera de encontra-lo aqui. Como está a sua vida nesta época de azáfama?

R – Importa-se que fume? Estou cansado e agora não podemos fumar nas instalações porque houve um idiota que adormeceu com o cigarro acesso e ateou fogo aquela porra toda.

 

CG – Ora essa, eu é que vim incomoda-lo no seu tempo de descanso. Por favor esteja à vontade.

R – Obrigada. Olhe a minha vida é o que se vê. Não tenho condições de trabalho. No início havia dinheiro, o velho dava-nos prémios por cumprirmos objetivos, tínhamos seguro de saúde e agora nada. Aquele cabrão de barbas é um fuinha da pior espécie. Já estive para ligar para o PAN a ver se o lixava, mas o problema é sempre o mesmo, ninguém acredita na rena que fala, acham que eu sou meio palhaço por causa da merda do nariz e o velho construiu muita credibilidade ao longo dos anos. Agora é difícil fazer as pessoas acreditar que o gajo quer é fazer crescer o negócio das medicinas alternativas. Tenho o nariz por arranjar vai para 3 meses e não tenho previsão para que fique resolvido. Tenho estado a trocar algumas cartas com a esposa do triatleta, porque ela tem umas dicas porreiras e vai dar-me o contacto de 2 angolanos que são excelentes profissionais.

 

CG – Mas não têm sistema de saúde?

R – Epá ter até temos, mas esperamos anos para uma cirurgia que não seja de vida ou morte. Veja que um dos meus colegas tinha um dos cornos rachados, estava à espera para ser operado há 3 anos, depois um dia caiu-lhe um trenó em cima e quando o operaram trataram de tudo. Eu não posso estar eternamente a aguardar que uma porra de uma charrete me caia no lombo, entende?!

 

CG – Compreendo, lá em Portugal temos um problema parecido. Mas diga-me, a sua tristeza é mesmo só por causa disso: questões de saúde e problemas profissionais?

(perde-se em lágrimas)

R – Desculpe mas vejo que conseguiu perscrutar-me a alma, a Gorda é mesmo muito boa entrevistadora, digo-lhe que põe a um canto aquele moço, como é que ele se chama? O Daniel qualquer-coisa. A verdade é que estou apaixonado. Estou a viver um amor proibido. Tenho de fazer escolhas e não estou a aguentar. A caminho de cá deve ter apanhado um unicórnio cor-de-rosa com um triângulo multicolor desenhado na peida, não foi? É o Asdrúbal. Amamo-nos muito. Queremos constituir uma família e assumir a nossa relação, mas o barbudo diz que se assim for tem de me despedir, que as pessoas não estão preparadas para aceitar que um unicórnio anda a papar uma rena, muito menos o Rodolfo. Afinal de contas tenho um papel de destaque nesta história, compreende?

 

CG – Mas eu pensava que os unicórnios eram fruto da nossa imaginação, tudo fantasia…

R – Ai sim, então como é que chegou cá? Não veio montada num? É esse o mal, as pessoas não aceitam o que têm à frente dos olhos, não compreendem a diferença, resistem a tudo. E eu aqui ando, a beber, a ver o meu amor passar fingindo que não me conhece, balouçando a crina colorida de um lado para o outro, porque se eu não assumir a nossa relação ele não quer continuar comigo. E eu tenho de entender.

 

CG – Percebo que está a passar por um momento difícil, mas eu tenho de apanhar o Asdrúbal para não chegar atrasada. Assim, arrepiando caminho, a única coisa que posso fazer é dar-lhe um cupão de desconto no AKI para ver se vai arranjar a lâmpada e deixar-lhe a dica que há um autor de renome em Portugal ,que tem livros que ensinam a pessoa a amar-se, em principio deve funcionar também para as renas. Dito isto, complete-me esta frase “Quando o velho não está eu…”

R - …corro para as patas do meu amor.

 

CG – O que diz a sua penca?

R – Diz que a vida já foi melhor. Que eu gostava que nascesse um pinheiro na peida do velho. Diz que me falta dinheiro para mandar arranjar a minha luz. Diz que pista mais forte quando o meu Asdrúbal está por perto a dar bufas de alecrim com purpurinas douradas.

 

Obrigada por este momento Rodolfo. Obrigada também pelas bebidas que deixei na sua conta, para pomada imaginaria não está nada mal.

 

Boa noite e votos que um Natal santinho e descansadinho para todos.

 

 

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Ter | 11.12.18

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com o Pai Natal

Gorda

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(imagem retirada do Google)

 

 

Meti todos os meus conhecimentos em ação, falei com uma pessoa que conhece uma pessoa que é amiga de outra pessoa, meti impressos, esperei em filas, liguei para uma linha dedicada e fui passada por 4 serviços diferentes; tentaram vender-me 2 seguros de saúde e 1 seguro de vida, tentaram marcar uma visita a minha casa para fazerem uma demonstração de aspiradores caros. Penei. Sofri, mas consegui chegar à fala com o Pai Natal.

É uma pessoa que está revoltada com a vida, não consegue ver o copo meio cheio e deixa uma pessoa com a cabeça feita em água com aquela mania de começar as frases sempre por HOHOHO.

 

Maneiras que vamos diretos ao assunto:

 

CG: Boa noite Pai Natal.

PN: HOHOHO. Boa noite.

 

CG: Conte-nos, como é a vida de Pai Natal?

PN: HOHOHO. Antes de mais deixe-me dizer às pessoas que estão a ler que, se nas próximas duas semanas usarem o código PANÇADOVELHO10, na compra de 10 manteigas de amendoim da Prozis, têm um desconto de 23% do IVA. É só irem ao site e fazerem a encomenda até dia 24 de Dezembro.

É que isto da distribuição de presentes está pela hora da morte e um gajo tem de fazer pela vida. Há a Popota, a pássara grande - que eu nem sei bem o nome dela - há os descontos astronómicos dos hipermercados e a porra dos saldos antes de dia 25 só me vieram entalar ainda mais. É fodido. É mesmo assim, a Gorda desculpe a linguagem, mas eu estou velho e ando cansado. A reforma é baixa porque um gajo passou anos que não descontou para o Estado. Sabe como é? E agora a situação é complicada. Tentei aqui há uns anos comprar uma carrinha, uma Vito, para me ajudar com a distribuição dos presentes, é que pensando que não o trenó lixa os rins a um gajo e eu já não estou novo. Não consegui crédito porque não tinha rendimentos suficientes. E é complicado, porque as renas estão a ficar velhas e dão despesas que se farta no veterinário. Para não falar que cagam que se farta e eu estou há 5 anos para ser chamado para uma operação a uma hérnia e vejo-me à rasca para andar de cócoras a limpar aquilo tudo. Os bichos já têm muita idade e por isso quando galopam em direção a não-sei-bem-o-quê pelo ar vão-se largando e, parecendo que não, dão cabo da camada do ozono, e eu chego zonzo ao destino. Afinal de contas sou eu que vou lá atrás. Veja que em 2014 fui mandado parar por um bófia ali na Avenida da Liberdade, diz que o trenó já não podia circular ali derivado da idade. Depois ainda paguei mais 60€ à EMEL para me desbloquear uma rena porque aquela cabra em vez de se mandar às ervas comeu a merda do ticket.

Foi um ano para esquecer, 2014.

 

CG: O Natal são as crianças. Acredito que seja uma satisfação fazer tantas crianças felizes. Tem netos?

PN: HOHOHO. Se não se importa, deixe-me só dizer aos leitores que, se forem fazer um tratamento de spa ou body treatment no salão CUTCHI-CUTCHI do Saldanha têm 10 % de desconto se indicarem que foram por recomendação do Pai Natal. É válido até dia 25 de Dezembro.

Crianças, perguntou? Detesto. Não me podia estar mais a cagar para os putos. Choram, fazem birras, pedem coisas caras, não se contentam com nada, duvidam que eu existo e, nos últimos anos, nem sequer me deixam nada para eu comer; sempre com aquela puta daquela ideia fixa de que eu desço sempre pela chaminé, mais o saco e os presentes. São crianças e tal, mas tenham dó de mim, há casas que não têm chaminés!

Tenho 4 filhos e 2 netos. Nos meus temos áureos casei 4 vezes e tive um filho de cada uma dessas mulheres. Amei muito todas elas, mas nunca tive pachorra para ser pai de família. Os meus filhos estão todos emigrados, formaram-se, mas não havia oportunidades no Polo Norte, pelo que tiveram de ir para países de primeiro mundo. Os meus netos estão com eles. Nem pelo Natal os vejo, porque é o dia de maior atividade da empresa.

 

CG: Noto que atrás de si está uma planta "diferente" enfeitada de árvore de Natal. Não gosta do tradicional pinheiro de Natal?

PN: HOHOHO. Eu gostar até gosto, mas aquilo não serve para nada o ano todo e eu tenho de ganhar a vida. Aqui há uns anos vieram cá uns rapazes colombianos que me derem isto de presente, investiguei e fiquei a saber que esta planta é medicinal, há muita gente que fuma...hunhunhurhuhn (limpa a garganta), perdão, administra, este composto para melhorar sintomatologias diversas. Maneiras que durante a maioria do ano a minha empresa está no negócio das medicinas alternativas. Exportamos maioritariamente para a Holanda, mas já começamos a crescer noutros países. O mal é que já muito pouca gente acredita no Pai Natal e por isso acham que o produto é ficção. Mas não é.

 

CG: O que faz para não ter piolhos na barba? Até porque convive maioritariamente com animais.

PN: HOHOHO. Ao contrário do que possa pensar convivo com muito mais gente do que julga. Gosto de dar um salto ao casino, de jogar umas slots e de tentar a minha sorte a ver se me sai a taluda porque estou desesperado para deixar esta profissão de merda de uma vez por todas. Viver de biscates é muito cansativo. De quando em vez lá engato uma velha, mas já devia ter aprendido que as velhas que andam pelos casinos estão todas lisas, são umas viciadas do catano e já rebentaram com o dinheiro que os maridos lhes deixaram.

 

CG: O que pensa desta nova moda dos barbudos, tanta gente a emita-lo (a si e ao Eça)?

PN: HOHOHO. É normal. Eu sou um influencer, tenho para cima de 300M seguidores no Polostagram. Primeiro copiaram a barriga, agora é a barba, sabe que a moda é uma coisa cíclica.

 

CG: Vamos à pergunta da praxe. Quando as renas estão a dormir eu...

PN: HOHOHO. Estou a beber, a limpar caganitas das renas, a regar as plantas medicinais, a beber...são rotinas.

 

CG: O que diz a sua carteira?

PN: HOHOHO. Diz que tenho uma reforma de miséria, que não me pagam para isto e que me dava jeito que comprassem manteigas de amendoim a ver faço umas massas para comprar um fato novo que este já está todo remendado.

 

Obrigada Pai Natal pela sua disponibilidade, espero que não se esqueça de pôr uma prenda em condições no meu sapatinho (ou meia, ou lá o que é que se usa agora).

 

 

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