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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Qua | 30.01.19

Coisas sobre A Gorda, ou lá o que é

Gorda
A minha mãe era diabética e só tinha bebés gordos. Eu nasci fora de horas, vim ao mundo numa forma de estar que se arrasta até hoje: contra a vontade e a expectativa de todos. Decidi que havia de vir e vim. Não houve contracetivo que evitasse a minha chegada.
Sabem aquela coisa do 99% de fiabilidade? Eu sou o 1%.
Nasci gorda e feia como uma foca obesa, era o maior bebé da maternidade e os meus irmãos, perante tal texugo, decidiram envolver-me no seu clã fraterno sendo fundamental que eu carregasse uma alcunha menos bela.
Eu seria para sempre "A Gorda".
 
O amor fraterno é o amor mais arisco e brutalmente honesto que podemos encontrar, ninguém nos dá carolos como um irmão mais velho, ninguém nos chama de estúpidos como um irmão mais velho, ninguém sai em nossa defesa, contra tudo e contra todos, como um irmão mais velho.
 
Em miúda gostava de todo o mundo dos livros, do cinema, tudo o que envolvesse criatividade. Não brincava na praceta porque nunca me soube defender decentemente de uma porradona de um vizinho, a violência física deixava-me sem reação e por isso acabava em casa, com dissertações filosóficas sobre como as crianças do bairro se deviam comportar. A minha mãe só queria que eu aprendesse a dar um papo-seco a alguém.
A minha mãe era uma mulher com muita paciência.
Corria pouco e mal, era uma nódoa a jogar ao elástico, tinha medo de fazer o pino e se me punham à baliza a jogar à bola fugia da bicha quando ela vinha em minha direção. Era escolhida em último e com razão.
 
Passei pela adolescência num io-io de pesos que nunca me levou à obesidade, invejando todos os dias a cintura de vespa da Paula, que comia como uma lontra e parecia a Ariel sem barbatanas.
 
Quando entrei para a faculdade comecei também a trabalhar. O peso que tinha a mais foi desaparecendo, afinal de contas tinha pouco tempo para comer e muita coisa para fazer.
 
Posso dizer que não sou gorda, sou "A Gorda". É a minha alcunha, foi o nome de gang que os meus irmãos escolheram para mim. Quando alguém pergunta pela Gorda, eu olho. Afinal de contas sou eu.
Quando os meus irmãos dizem um para o outro "foi ali a Gorda que não-sei-quê...", eu volto ao apartamento minúsculo onde cresci, às tardes de sábado cheias de sol em que uma família de 6 arranjava maneira de se sentar num sofá de 4 para ver o Macgyver, volto às historias incríveis que o meu irmão mais novo me contava, sobre aquele personagem que "fazia uma bomba com uma pastilha e um palito" e eu ficava com medo de espetar um palito numa pastilha, afinal de contas podia arrebentar com a casa toda.
Volto a um período da minha vida em que só me lembro de dias quentes e felizes, em que eu não tinha preocupações, quando eu ainda acreditava que os que amo viveriam para sempre e que eu seria uns dias a Ariel e outros a Babe do Dirty Dancing.
 
Sou péssima a escolher nomes, por isso quando chegou o dia de criar um blog foi uma valente dor de cabeça arranjar alguma coisa para lhe chamar. Diz que nome é obrigatório. Pareceu-me que a Casa da Gorda seria uma boa opção, afinal de contas é a minha casa virtual e "A Gorda" sempre fui eu.
 
Desta feita resta-me dizer:
Sejam bem-vindas e bem-vindos a este espaço (olhem para mim a ser bué inclusiva). Não vou ensinar nada a ninguém, não vou contar um processo de perda de peso, não vou dar lições de vida nem vou contar o meu dia a dia como se ele fosse alguma coisa de especial, posso falar-vos da rijeza que é trabalhar para manter os meus quilitos num percentil piqueno (gozando com os meus dilemas por não poder encher o bandulho de bolos a torto e a direito), porventura irei desconstruir a banalidade dos meus dias para que eu própria me consiga rir deles, posso oferecer-vos a minha visão tola do mundo, aquela que me faz rir sozinha quando estou a enjorcar os textos que escrevo.
 
Aqui procura-se uma gargalhada por dia, é como a fruta mas em melhor. Porque a vida é séria que chegue para que andemos sempre aporrinhados com tudo e mais alguma coisa.
 
 

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Ter | 29.01.19

Telemóveis, amamentação, mamas e dois póneis dourados

Gorda

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Sempre detestei telemóveis, não sei explicar bem porquê, mas sinto uma aversão extrema àquela bugiganga sem fios que parece responder a modas e que sabe mais da nossa vida do que nós mesmos. Uma pessoa vai ao supermercado comprar uma beringela e quando sai aquilo pergunta "como foi a experiência?". Epá, no mínimo transcendente, não é?

Algures em 2015 cedi à compra de um smartphone, o meu marido já tinha tentado convencer-me a isso antes e eu insistia dizendo “não tenho utilidade para isso, quero um stupidphone”. Não conseguia identificar a necessidade de gastar um monte de dinheiro num telefone que eu ia deixar perdido na mala, para mandar uma mensagem de quando em vez e para fazer algumas chamadas por semana. Nunca ligava a internet (aliás nem sabia fazê-lo), estava alheada do conceito de app e não tinha redes sociais. Queria um telemóvel cheio de funcionalidades para quê?

Depois o meu filho nasceu e eu passei a saber o que é alimentar uma criatura com algo produzido pelo meu próprio corpo. Posso dizer que no meu caso foi fácil e praticamente indolor, mas ao fim da décima vez a coisa perde encantamento e uma pessoa começa a definhar de tédio à espera que a criança “acabe a sopa”. Por isso o maridão, homem mais dado às tecnologias, lá me ensinou como mexer na internet com o telemóvel que tinha na altura e eu comecei a entreter-me na net enquanto a criança mamava. Por essa altura também aderi às redes sociais, muito por insistência de um casal amigo que me dizia que era bom porque podíamos seguir páginas de coisas com informações úteis.

A verdade é que comecei a ficar como que “dependente” do telemóvel. O cérebro habituou-se ao entretém que um smartphone (com dados) proporciona nos tempos mortos, para não falar no sentimento de segurança que nos dá, sabendo que, se precisarmos de alguma coisa, seja lá onde estivermos, podemos sempre pedir ajuda. Se quando era só eu me estava borrifando e nem queria um tarifário livre porque “nem 10 euros eu gasto” (dizia eu), quando o miúdo nasceu passei a soar se o telemóvel não tivesse saldo ou bateria.

O telemóvel transformou-se num item indispensável. Hoje em dia, posso dizer com um nível elevado de certeza que me assusta mais a ideia de perder o telemóvel do que perder a carteira.

Na semana passada deixei o telemóvel em casa. Tinha posto o bicho a carregar e deixei-o em cima da secretária do escritório. Estava a meio da ponte Vasco da Gama quando deitei a mão à mala e percebi que o tinha deixado em casa, primeiro o coração foi aos pés, depois voltou, depois pensei em fazer o caminho todo de regresso e por fim decidi que ia passar o dia incontactável. Sem telemóvel e todo o mundo que está lá dentro.

Adorei.

Passei um dia sem sair do mundo real, estive mais atenta ao que se passava à minha volta, falei com mais pessoas, gozei com outras por fazerem aquilo que eu tantas vezes faço, o designado phubbing. Não fui ver as redes sociais e não publiquei nada. Foi um dia de descanso da vida virtual e posso dizer que foi um dia mais leve, em que não pensei mil vezes “será que não-sei-quem-disse-alguma-coisa? Deixa cá ver!”

Estava a regressar a casa ao final do dia e ocorreu-me que devia fazer isso: passar um dia da semana sem telefone, ou pelo menos um dia da semana sem internet, zero redes sociais, zero blogs, zero whatsapps; só o mundo lá fora.

 

 

Amamentei o meu filho em exclusivo (numa dicotomia mama-bebé) durante precisamente 4 meses. É verdade, não houve biberons sequer, só mama direto.

Nunca pensei em amamentar, só decidi que isso ia acontecer quando tive o puto ao meu lado, depois do parto e a coisa correu bem. Pois é! E é por isso mesmo que me espantam tanto todas as conversas em torno da amamentação, como se estivéssemos a falar de uma espécie de bicho de sete cabeças pelo qual uma pessoa deve soar postas de sangue para alcançar.

Eu tinha uma lista de coisas que queria garantir que levava para a maternidade e nesta lista estava incluída uma lata de leite em pó. Estava convencida de que não ia amamentar, não é que não me visse nesse papel, pura e simplesmente sempre pensei na coisa como certa, de maneira que ia dar leite em pó ao bebé, não queria stressar com a amamentação, por isso ia ser assim. Uma semana antes do bebé nascer um amigo nosso disse-me para não comprar, a mulher era enfermeira e sabia por experiência que às vezes as mulheres reagiam bastante bem ao processo de amamentação e não precisavam de comprar leite de lata, por isso – e considerando que não estávamos em 1899 e o pai não teria que galopar para a cidade vizinha em busca de leite – se eu não conseguisse, descíamos ao andar de baixo de qualquer hospital e podíamos comprar.

Assim fiz.

Depois de o bebé nascer, coloquei-o no peito e o processo foi fácil, com pouca dor e sem muita ansiedade. Acho que me doeu um pouco nos primeiros 5 ou 6 dias, mas depois da subida do leite passou tudo. Posso garantir que me mantive em segredo com medo que a Terra Nostra me viesse buscar, é que eu tinha leite para o meu filho e para mais 20 bezerros.

Quando regressei ao trabalho, ao fim de quatro meses, lá comecei a tirar leite com a bomba. Com a mesma facilidade com que veio desapareceu, o stress, as noites mal dormidas e o cansaço secaram a fonte em 15 dias.

 

 

A fixação dos homens pelas mamas das mulheres só pode resultar de duas coisas: a) imaginam que podem fazer brincadeiras que depois não se concretizam; b) não partilham conta bancária com uma gaja de mamas com copa maior que D, porque se assim fosse rezavam todas as noites para que as marias encolhessem, tal não é o preço da roupa interior adequada.

 

 

Vejo tanta gente a fazer coisas que não fazem sentido, a querer fazer os outros acreditar que conseguem coisas fora de serie, que achei que eu também podia fazer de tropelias do imaginário e dizer que ontem vi dois póneis dourados com cascos de diamante, disseram-me adeus e pediram-me para tomar a medicação.

 

 

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Qui | 24.01.19

Uma crónica sobre não escrever uma crónica

Gorda

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Pensei em escrever uma vez por semana, o processo de escrita é catártico, obriga-me a rir do que me deixa frustrada, exige-me o exercício de ver a minha própria vida fora do contexto, como se eu estivesse fora dela, como se eu fizesse parte  de um qualquer painel de controlo que está a ver os acontecimentos a decorrer dando pequenos ajustes aqui e ali, mas sempre sem o poder que desejava ter.

 

Pensei em escrever uma crónica por semana mas o tempo foge-me das mãos. O tempo e as ideias que são mais esguias que as enguias no mercado se Setúbal, umas vezes aparecem aos magotes, outras parecem fantasmas que passam lá ao fundo, aparecem para fazer BUUUUUU e depois somem-se sem eu ter tempo de apontar nada. Às vezes sento-me e escrevo vários textos, ficam em folhas soltas ou em posts no blog que não veem a luz do dia, uns parecem-me fracos, outros demasiado macambúzios, outros o aproveitamento de restos de ideias que me sabem sempre à salada de segunda-feira, quando aproveito as sobras do frango assado do fim de semana.

 

O problema está na falta de tempo, nunca tenho tempo que chegue para nada. Consigo apontar umas parvoeiras, escrever umas coisas tontas nas redes sociais, interagir com as pessoas, fazê-las rir por 5 segundos e divertir-me no parco tempo em que estou a preparar aquela chalaça. Diverto-me com as respostas que me dão. Nem imaginam como me divirto. Não lhes consigo responder a todos como gostaria (não que sejam muitos, o meu tempo é que se resume a migalhas), mas leio e sabe-me tão bem ler as respostas.

Não apanho parvos, só gente divertida.

 

No outro dia lia um texto sobre gestão do tempo, como acontece com muitas das coisas que leio passei os olhos na diagonal e perdi o interesse antes mesmo de chegar ao fim. Dizia a pessoa que o dia se podia segmentar, iam 8 horas para o trabalho e por isso restavam 16 horas para muitas outras coisas. Começou a perder-me aqui, porque o meu trabalho não me ocupa só 8 horas do dia, nem o meu nem o de nenhuma das pessoas que conheço, a menos que haja alguém com acesso a teletransporte, porque eu gasto 1 hora para ir para o trabalho (com sorte, se ninguém se estatelar a caminho da ponte) e mais uma hora a regressar (mais uma vez rezando aos santos para que ninguém entre na traseira do condutor da frente). Tenho de gastar 1 hora em almoço: questões de lei laboral, regras de empresa e condição humana que me força ao alimento.

Aqui são 11 horas que eu lixo.

Depois dizia a pessoa que dormia 8 horas, foi quando comecei a sentir a minha vista a definhar, porque gente que tem teletransporte ainda aceito, agora pessoas que dormem mais de 6 horas irritam-me bastante, até as que o fazem sem ser de forma intermitente. Continuava com mais algumas dissertações mas nessa altura ao meus neurónios já estavam a assobiar para o ar, é que eu acho muita graça àquela coisa do multi-pluri-mega-tasking, mas acho que isso dá sempre em pluri-merding e eu prezo muito a minha self-sanity, maneiras que vou fazendo um bocadinho de cada coisa, mas sempre a medo e com a profunda vontade de terminar pelo menos uma tarefa por dia.

 

Chegou terça-feira e eu não escrevi uma crónica, tinha textos guardados mas nenhum me pareceu suficientemente bom, por isso não os publiquei, tenho de os olhar de novo.

Adiei.

Iniciei o processo de quem se convence a não escrever uma crónica. Que não fazia mal, que as pessoas tinham mais que fazer do que pensar nisso, que tinha de me focar no meu trabalho. Que, assim como assim só escrevo porcaria pelo que não teria interesse nenhum. Assim fiz.

Mas hoje pareceu-me que me devia obrigar a sentar para escrever.

 

Disciplinei-me para isso.

 

Não é uma crónica é uma coisa sobre coisas soltas que mostra muito de como está a minha cabeça: a fazer coisas à pressa, algumas sem sentido, pululando de tema em tema, frenética à procura de salvação para os múltiplos desafios que se me apresentam, passando por limpar a casa de banho que já está a ficar em estado degradado, à resolução de questões profissionais, culminando neste meu entretém de escrita ao qual nem sempre consigo chegar.

 

A vida vai assim, confusa, excessivamente preenchida, a fazer um pouco de tudo e sem aproveitar o tudo de nada (esta frase está introspetiva até à dor do lóbulo esquerdo do meu crânio) e este é o texto possível.

 

Vou dizer a mim mesma o que a minha mãe me dizia sempre que eu tirava um “Satisfaz” mas queria um “Muito bom” sem ter trabalhado para ele: deixa lá, para a próxima fazes melhor.

 

 

(Nota: este post foi escrito em exatamente 11 minutos e não teve qualquer revisão, pelo que, se não fizer qualquer sentido eu peço desculpa, foi o melhor que consegui deitar cá para fora.

 

 

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Qua | 16.01.19

Ser estúpido de forma assumida, é um descanso

Gorda

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Dei comigo a pensar que os estúpidos têm uma vida muito mais descansada que a minha. Notem que com esta primeira frase estou desde já a manifestar-me: preocupada e esperta (por contraponto à minha assunção imediata de que a estupidez a mim não calhou). Esta minha conclusão resulta de um daqueles momentos em que carregamos na máquina de café do trabalho e nos vemos obrigados a ficar ali, parados, à espera que aquela barra chegue ao fim e que possamos finalmente chegar ao pedaço de água escura que nos acordará como nenhuma outra coisa consegue fazer. Esse tempo de espera, que parece nunca acabar, pode ser usado de quatro formas: olhando impacientemente para a barra, estando certos de que se a dominarmos visualmente ela vai acabar mais depressa; conversando sobre o tempo de espera a que a máquina nos obriga, queixando-nos não só do mesmo, como também da qualidade do café que consumimos gratuitamente; vagueando pela sala de café, acabando sempre por espreitar a máquina de coisas não-saudáveis que nos deixa uma vontade atroz de consumir o bolo mais calórico à disposição; perdidos em pensamentos que não trazem valor acrescentado à vida.

Como podem ver dei comigo na última hipótese.

De repente ocorreu-me que a vida é mais fácil para as pessoas que se assumem, à partida, como estúpidas. Esta premissa – vou chamar-lhe assim porque me apetece – resulta do facto de que, quem é esperto sentir a necessidade constante de evitar que os outros o julguem estúpido. O esperto pensa e repensa os seus comportamentos para tentar chegar sempre à conclusão de que teve comportamentos espertos em vez de comportamentos estúpidos. Quando, ocasionalmente, chega à conclusão de que pode ter havido ali um resvalar para o asinino, tenta convencer-se a si próprio de que esteve muito bem e de que os ineptos são os outros, naturalmente.

O esperto preocupa-se sempre que façam pouco de si, porque, regra geral, é dos estúpidos que se faz pouco, pelo que não pode ser alvo de chacota. O esperto é como o circulo preto num alvo, está sempre ao lado da bola vermelha, mas sempre acima da piada. Está lá para se rir…do outro…porque de si próprio não faz sentido.

Se todos nos assumíssemos como estultos à partida, tudo seria mais fácil.

Vou assim fazer por apurar o meu raciocínio néscio, sendo este texto uma demonstração do meu treino.

 

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Sab | 12.01.19

Favor votar!....e de preferência no humor

Gorda

Para quem ainda não se deu conta, para aquelas pessoas mais distraídas, para quem está sempre assim meio perdido na maionese; importa chamar a atenção para uma pergunta colocada pela Sapo no lado direito do nosso espaço de gestão do blog. 

Pelo que compreendo a Sapo pretende criar mais uma ou outra categoria no banner principal da Sapo blogs e, com vista a ir ao encontro do que mais gostamos, está a dar-nos a oportunidade de votarmos no que queremos (ou preferimos).

As opções são as que estão abaixo na imagem e acho que todos ficamos a ganhar em escolher. Eu já votei na categoria de humor e puxo a brasa à gargalhada, pelo que toca lá a escolher uma categoria e votar, para os nossos amigos da Sapo criarem ali um bannerzito destinado ao humor e depois, quem sabe, até lá escarrapacharem as parvalheiras desta tonta aqui.

 

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Ter | 08.01.19

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com Ser Super Mãe é uma Treta

Gorda

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Eu sei que anseiam por esta rubrica todo o mês, sei que mal respiram a pensar no que será que vem para aí, sei que ficam com transtornos de ansiedade gravíssimos. Sei de tudo isso e é por essa mesma razão que procuro e escarafuncho como uma doida para encontrar os melhores entrevistados.

Começamos 2019 da melhor forma com uma convidada que dispensa apresentações no mundo da maternidade, hoje falamos com Susana, a autora do blogFacebookInstagram "Ser Super Mãe é uma treta". Tem um humor fora de serie e, tal como já lhe disse mais do que uma vez, o "Foda-se!" dela devia ser patenteado, porque aquilo é qualquer coisa de particularmente engraçado.

Não me vou arrastar com mais apresentações, porque de mim já está toda a gente farta. Por isso deixo-vos com a entrevista palerma de que foi vitima está mãe do car...car...carvalho.

Cá vai disto:

 

CG - Gostaria de começar com uma pergunta que já foi feita, mas que eu sei que surpreende sempre e que gera alegria. Não te esqueças de que estás num espaço seguro e que aqui não há lugar a julgamentos. Então diz-me, se ser mãe é cansativo e descobriste isso com a primeira, porque raio foste ao segundo?

SSMT - Foda-se, tu não me andas a ler pois não? Já escrevi sobre isso. O meu filho era uma virose, andei quinze dias a morrer devagarinho, fui ao hospital para saber o que é que me estava a matar e depois de umas análises disseram-me alegremente "Parabéns está grávida!" Eu pensei que a médica tinha estado a beber enquanto eu estive à espera, mas perante a minha negação e vontade de fugir dali fizeram-me uma ecografia para confirmar. Lá estava ele um saquinho bem redondinho a gozar comigo. Chorei muito, a vida trocou-me as voltas e berrou-me aos ouvidos que quem mandava era ela, eu acatei e acabei por ficar feliz. Depois fodi-me, porque durmo mal há mais de três anos e só não dou o meu filho para adopção porque já me habituei a ele. 

 

CG - Depois da primeira pergunta calculo que um copo de vinho venha mesmo a calhar, pelo que te quero apresentar uma ideia disruptiva que se abateu sobre mim. Estou a pensar apresentar uma proposta à Quinta da Bacalhoa para que criem um cartão de fidelização designado “mãe”. Assim, as pessoas com esta subscrição pagariam uma mensalidade fixa e teriam acesso ilimitado a caixas e caixas de garrafas de vinho. É alegria e apoio social. Gostarias de aderir? Se sim contribui com 3 argumentos para apresentar ao Conselho de Administração da Bacalhoa.

SSMT - Isso é lá pergunta de jeito que se faça a uma mãe que não passa sem um copo de vinho depois de os miúdos estarem finalmente a dormir? Até fico sem ar. É para assinar uma petição? Onde? Conta-me tudo. Três argumentos? És muito exigente e eu só tenho um neurónio a funcionar. As mães estão todas fodidas e à beira de um ataque de nervos, verdade? Vamos concordar que esta merda não é boa para o aumento da taxa de natalidade e vamos concordar também que precisamos de aumentar a taxa de natalidade ou não vai haver dinheiro para pagar as nossas reformas. As mães estão cansadas, às vezes têm vontade de atirar os filhos pela janela e só de pensarem em mudar fraldas outra vez começam a bater com a cabeça na parede. Então, mãe que bebe um copo de vinho é uma mãe que por momentos se esquece que os filhos lhe rebentam os nervos, que os vai espreitar enquanto estão a dormir e só vê uns anjinhos que não espalham legos pelo chão e que não fazem birras porque não querem tomar banho e pumba decide procriar. Acho que este argumento vale por três.

 

CG - Vamos olhar para o futuro. O teu filho cresce e aparece-te em casa com uma namorada que diz ser para casar. Descobres que a tipa é da cena positiva (pensamento positivo, reforço positivo, biló positivo, tudo positivo). Acabas de rastos no casamento e ao fim de um ano és presenteada com o primeiro neto. Os pombinhos, recentemente pais, decidem ir de férias pela primeira vez sozinhos e deixam o puto a teu cargo. Com ele um livro de instruções escrito pela mãe para que saibas como gerir o príncipe. Certo dia o desgraçado faz uma birra descomunal no elevador e tens de decidir se segues as instruções da parentalidade positiva ou a tua linha de gestão. O que decides fazer e porquê?

SSMT - Só me fodes. Isso não vai acontecer e agora vou beber um copo de vinho para tirar essa imagem da minha cabeça e já acabo de responder a este questionário que já me está a enervar.

 

CG - Vejo nas redes sociais que levas os putos àquele antro do demónio que vende “refeições felizes” (esse mesmo, o dos arcos dourados). Não receias um dia vir a ser castigada pelos deuses, tendo o mesmo fim que Prometeu, mas com um periquito a comer alpista do teu baço?

SSMT - Não! O Mac Donald's é do bem, vende comida saudável com imensa alface e coisas verdes tipo espinafres. Não acompanhas as mommy bloggers, influencers e o caralhinho? Devias. Porque desde que elas levam lá os filhos eu deixei de ter esses medos. Agora se me perguntas se tenho medo que os deuses descubram que deixo os meus filhos comer açúcar a resposta também é não. 

 

CG - Imagina o seguinte cenário: o teu marido está fora em trabalho e tu ficas sozinha com os miúdos, há uma greve na escola e decides leva-los contigo para o teu emprego. Dá o badagaio ao barco e naufraga, só para quando chega a uma ilha perto de África. Quando sais do barco (sozinha porque naquele dia ias só mesmo tu e os miúdos) encontras uma tribo indígena que está passada dos cornos, porque duas semanas antes tinha naufragado um cacilheiro com destino ao Cais do Sodré e foi lá parar uma defensora da parentalidade positiva que lhes está a rebentar com o juízo. Dizem-te que, para que não te sacrifiquem lá para os deuses deles, tens de fazer uma de duas coisas: a) apanhar cocos para toda a gente todos os dias; b) ficas encarregue de tomar conta da defensora positiva durante um dia (inteiro) da semana à tua escolha. O que escolhes? Porque optas por apanhar cocos?

SSMT - Tens uma imaginação muito fértil não tens? Não é que eu seja uma pessoa violenta, mas para não arriscar, eu apanhava uns quatro ou cinco cocos para atirar à cabeça dessa defensora da parentalidade positiva. É que eu tenho uma pontaria fraquinha. 

 

CG - Não podemos ir embora sem que completes esta frase: “Quando os miúdos estão nos avós eu…”

SSMT - Durmo!

 

CG - O que diz a tua carteira?

SSMT - Diz que sou desorganizada, que tenho papéis a mais, que as fotografias dos miúdos estão desactualizadas e que preciso de levantar dinheiro porque ando sempre a contar as moedas. 

 

Era isto? Se não era que se foda, que eu não aceito reclamações. 

 

 

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Sab | 05.01.19

Dores de tomates vs Dores de ovários

Gorda

 

Todos sabemos que ambos vêm aos pares. Dois tomates para os senhores e dois ovários para as senhoras. Os tomates dão assistência à gaita, os ovários dão assistência ao útero. Sabemos que os primeiros têm uma maior propensão para o prurido, ou assim indicam os seus proprietários que aproveitam todas as oportunidades para lhes deitar a mão. Não sei se para garantir que não os perderam, se por alguma fratura de afeto. O que é certo é - caso ainda não tenham reparado reparem - quando um jogador da bola leva uma bolada na zona pudenda, a massa de homens a assistir lança as mãos aos seus mais que tudo inadvertidamente, como que num gesto condoído que ao mesmo tempo diz “antes tu que eu, dasse”.

As senhoras não coçam os ovários, nem tão pouco dão pela sua existência na maior parte do tempo. São órgãos silenciosos e que não dão pena nem paixão semanas a fio.

Mas, como qualquer boa sonsa que nunca parte um prato mas depois rebenta com a loiça toda, os ovários agendam 1 a 2 dias por mês para moer a sua proprietária. A pessoa dobra-se, põe-se em posição fetal, queixa-se, chora, falta a aulas de zumba e tudo mais.

Já os tomates só doem em situações inesperadas e sempre em resultado de mau trato deliberado ou acidental. Um pontapé bem arreado no meio das pernas ou um dos gémeos que fica entalado em qualquer lado.

Ou seja, se houver cuidado do proprietário, são órgãos que podem passar uma vida sem dar incomodo. Já os ovários é o que é, incomodam sem ninguém lhes fazer nada.

 

Há dias em que gostava muito de ter um par de tomates, mesmo que o tivesse de coçar o dia todo.

 

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Qui | 03.01.19

Just doing the best I can

Gorda

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O que é esperado de mim?
 
Que seja uma mãe ideal, bem vestida e aprumada mesmo quando o miúdo acabou de se vomitar todo, a que leva biscoitos caseiros para os aniversários da escola, que não ralha e sabe sempre as palavras certas para resolver qualquer frustração. Aquela que nunca se queixa e vê unicórnios que dão bufas de alecrim quando pensa na alegria da maternidade.
 
Que seja uma mulher bonita, arranjada, composta, uma senhora que fala de forma eloquente e não usa vernáculo. Um cabelo sedoso que acompanha as unhas arranjadas. Quais lascas de lavar a loiça e fazer o jantar. Pejada de desejo permanente pelo Ken que a desposou, também ele carregado de sorrisos confiantes e sem dúvidas existenciais.
 
Que seja a profissional arrebatadoramente competente, que sabe tudo da sua profissão de trás para a frente, que acabou o curso com 20, que não erra, que está presente em reuniões complexas e só abre a boca para dizer coisas acertadas, demonstrativas da sua inteligência superior.
 
Que seja a dona de casa, paranóica das limpezas e das arrumações. Que tenha a capacidade de treinar Legos para saber o caminho para a caixa, que não deixa a comida queimar, que não faz douradinhos e não têm 3 pêlos no chão. Qual conversa de ter cães em casa, os cabrões que aspirem quando passam.
 
Que seja uma atleta de alta competição na esfera do fitness, desportos de grupo, acrobática e artes marciais. Que arranje maneira para ir ao ginásio múltiplas vezes por semana, que não “arranje” desculpas, que enfie treinos intensos de 15 minutos, que salte muros, que corra meias maratonas, que me esfalfe por tempos, que me inscreva no Kickboxing, que tenha os abdominais trabalhados, que partilhe nas redes sociais o percurso da minha corrida. Que o faça mesmo sem tempo, mesmo roubando ao sono, mesmo sem forças. Porque nós “nunca conhecemos os nossos limites”.
 
Que seja a filha, a irmã, a tia, a sobrinha, a cunhada e a nora delicodoce, que sabe receber em casa e se lembra dos gostos de todos para agradar a gregos e a troianos. Que seja o suspiro dos familiares e o rubi da família.
 
Que seja uma porra de uma Barbie que nem a Mattel conseguiu inventar.
 
 
O que sou?
 
Um ser humano que tenta ser a melhor pessoa que consegue nos papeis que lhe competem.
 
 
Poucochinho, bem sei.
 
 

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Qua | 02.01.19

Oficialmente em 2019

Gorda

E pronto, estamos oficialmente em 2019, porque dia 1 não é bem carne, nem peixe, a pessoa está ali numa espécie de limbo de quem não sabe o que é que lhe aconteceu no dia anterior e porque raio andou a comer passas, ao mesmo tempo que nem acredita que já chegou o dia de começar todas aquelas coisas que anda a adiar vai para cima de 30 anos.

 

Dito isto, o ano começa a levantar cedo como a porra, com um dia de trabalho pela frente onde vou garantir uma organização e detalhe ao nível do pintelho desfrisado. Uma coisa nunca antes vista.

 

Resta-me agora saber o que faço com os 2 dilemas com que me deparo:

 

Dilema 1:

Ponho ou não unhas de gel? Deixo-me estar com estas miseráveis unhas de quem aparenta ter uma vida a cavar batatas, sem nunca ter tido a oportunidade de comprar um ancinho, ou ponho umas unhacas falsas de gel, daquelas que fazem parecer que a águia Vitória foi contratada e está ali a bater com as garras nas teclas?

 

Dilema 2:

Corto o cabelo ou sigo o estilo hippie? Mando um traço valente na juba de leoa e oriento um penteadito mais janota, mais crescido, ali pela orelha a deixar dependurados os brincos de cortinado, ou corto as pontas e ando sempre a soprar porque há mais cabelo que paciência?

 

São dilemas que aporrinham, que incomodam, que deixam a pessoa assim com uma sensação de dúvida geral e com necessidade de procura interior.

 

Bom dia

 

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