Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Casa da Gorda

Casa da Gorda

Qui | 29.08.19

Diário da mãe positiva - o demónio do açúcar

Gorda

açúcar.png

 

 

Bom dia caros leitores, caras leitoras e quaisquer outras espécies alienígenas que possam estar a ler este meu diário num planeta distante, o tema que vos trago hoje é: o demónio do açúcar.

Muito se tem escrito sobre o impacto deste componente alimentar, que sorrateiramente entra pela nossa despensa adentro poluindo o bem-estar dos nossos pratos. São inúmeros os estudos levados a cabo por uma vastíssima gama de cientistas que têm comprimidos de curcuma e canela para nos vender. Esqueçam a canela pulverizada no pastel de Belém, essa é usada como um isco para granjear a atenção do cliente inocente que acaba infestado com moléculas agressoras que comerão a sua saúde, uma célula de cada vez.

O açúcar é o Belzebu perneta das nossas cozinhas.

Quando engravidei do meu Luís Alfredo informei-me em todos os sites e em vários grupos de mães sobre os métodos mais adequados para alimentar o meu filho, para que este crescesse para ser uma criança inteligente, desportiva, bonita e com um nível de saúde que nem uma alergia a picada de abelha pode perfurar.

A amamentação esteve no topo das recomendações e logo de seguida apresentaram-me os malefícios do açúcar. Há crianças que ficam com uma perna mais pequena do que a outra porque as mães lhes dão papas comerciais. Casos horríveis. Aliás, eu sou totalmente a favor de que, nas caixas destas papas nefastas passem a constar imagens de crianças borradas de papa, a saltarem em cima dos sofás e a partirem os bibelots da tetravó; porque as crianças ficam possuídas pelo diabo marreco e ninguém as consegue controlar.

É por isso mesmo que em minha casa não entra um único pacote de açúcar e não autorizo alimentos que levem esse ingrediente; fiz um workshop de 36 horas para aprender a ler rótulos e neste momento não há uma marca que me consiga enganar. Até vos posso dizer que a semana passada foi ao supermercado, vi no código de barras de uma courgette que ela tinha 10 gramas de açúcar e disse ao vegetal, em plena secção de frescos "não me enganas, porca!". Se ela ficou ofendida ou não, eu não sei, nem quero saber.

O meu João Carlos - um marido amoroso - às vezes aparece-me lá com os bolos sortidos que traz da pastelaria onde trabalha, eu digo-lhe "Ò João, que me trabalhes com o demónio eu entendo, mas que o tragas para casa não pode ser" e ele responde-me com amor "bardamerda mais essa conversa, Judite!", eu respondo "mas o meu nome não é Judite.", e ele, de tão carinhoso, ao virar as contas atira-me com um "tanto faz, pá". Uma casa com harmonia é outra coisa.

Os meus filhos comem bolos feitos por mim, com ingredientes alternativos e aceites no grupo de mães "Natureza ao Comando". Por vezes eles não acham muita graça, mas eu tenho de ser forte e ter pulso firme para que eles compreendam que a mãe quer o melhor para eles.

Certa tarde fui com a minha cunhada e uma prima dela passar umas horas à Fonte da Telha, estava um lindo dia de sol e eu levava a cesta de verga com a marmita. A determinada altura passa um daqueles dealers do Belzebu a gritar "olha a boooooolaaaaaaa!", e os miúdos todos eufóricos, afinal de contas é uma espécie de canto das sereias vociferado por um idoso anafado.

Eu disse logo ao meu Luís Alfredo e à minha Alexandra Vanessa "vocês comem as cenourinhas baby que a mamã trouxe para vocês, que no vosso corpinho não entra açúcar!". O meu Luís Alfredo, que começa já a ouvir muitas alarvidades lá na escola - ele anda numa escola publica, já se sabe que faz muito pela integração social, mas há de um tudo - e diz-me "ó mãe, deixa-te de merdas, o pai quando vem connosco compra sempre". Eu pensei que depois tinha de falar com o João Carlos, mas acima de tudo tinha de me focar em resolver aquela situação com positividade e amor. Disse-lhe então "vão à mala e tira de lá folhas e lápis de cor, só voltas para a toalha quando tiveres pintado sete unicórnios, um de cada cor para que sejas inclusivo". Ele estava quase a ir buscar as folhas quando a filha-de-um-pacote-de-bolachas-industriais da minha cunhada, aparece ao pé do miúdo empunhando uma bola gordurenta. Diz ela para a criança "deixa lá a tua mãe que ela só diz baboseiras, toma filho, vai-te sentar ao pé dos primos antes que a bola fiquei cheia de areia".

Eu fiz má cara - porque tenho de manifestar a minha insatisfação - ao que a minha cunha disse "vai à água e vê se nadas para lá da rebentação, aqui não há vigilância, era um descanso!".

Já estava possuída pelo açúcar e teríamos de esperar que o ingrediente processado lhe libertasse o corpo.

Ao jantar, nesse dia, fiz batidos verdes com pepino, espinafres e curcuma, para que conseguisse limpar o organismo da minha família. Eu sou muito dedicada. Eles foram jantar fora e eu estive a ver um documentário sobre pessoas que comem demais num canal por cabo.

Enfim, meu caros e minhas caras, a mensagem a reter é que o açúcar nos matará, sem ele podemos viver muito para lá da esperança média de vida, cheios de saúde e com o mínimo de rugas possível.

Cuidem dos vossos bem mais preciosos que são os vossos órgãos, cuidem dos que amam (mais tarde ou mais cedo eles vão agradecer), e se tiverem questões que queiram ver explanadas por mim, não hesitem em contactar-me, estou cá para vos ajudar. Sempre positiva.

Beijos nos vossos corações orgânicos.

Até para a semana, com mais um tema fundamental

 

Ter | 27.08.19

Eu aperto o meu soutien com os dedos dos pés

Gorda

soutien v s.jpg

 

O Universo é maravilhoso, não acham? Eu cá tenho ficado com a nítida perceção desta realidade, sempre que os astros me atiram às ventas coisas mesmo giras quando eu não tenho nada a que me agarrar. Andava para aqui a ver se caía uma polemicazita comezinha para eu ter no que bater as castanholas e PUMBAS, eis que alguém escreveu um artigo verdadeiramente palerma para que eu possa fazer pouco. Obrigada Santo padroeiro da imbecilidade, sem ti este espaço seria um antro de moscas.

 

Maneiras que duas voltas dadas Internet afora e bato pestana com um estudo cientifico levado a cabo na sala de provas de uma modista de Queluz de Baixo, onde se constata que a forma como as mulheres vestem o soutien são reveladoras da sua personalidade.

Não importa se aprenderam assim, ou se mudaram o hábito de anos depois de fazerem uma sessão de coaching mamário numa loja da especialidade. O que interessa é que é preciso preencher conteúdos para que as senhoras estejam entretidas.

 

Vamos então esmifrar os pontos visados neste belo artigo:

1. Pessoas que apertam o soutien nas costas são as designadas “apoiantes”. É gente que segue as regras, que faz como lhe disseram e que não pensa fora da caixa, nem joga com as mamas para fora da copa. Esta sou eu, que já fui influenciadora, mas depois fui a uma loja de especialidade e deixei que me deturpassem a personalidade.

2. Pessoas que apertam à frente e rodam para trás são “inspiradoras”. Deve ser por contas daquela coisa de fazerem uma espécie de carrossel com o soutien, o gajo até fica abananado. A minha mãezinha fazia assim, descubri agora que não era porque usava daquelas armaduras com mais de quinze colchetes, era porque queria inspirar-nos a ter vontade de lavar a loiça e arrumar a tralha que púnhamos fora do lugar.

3. Pessoas que usam soutien com fecho frontal são uma “força motriz”, não são pessoas que compraram soutiens com bom desconto e que tem aquele fecho jeitoso à frente. Por acaso até nem são pessoas que vestem copa pequena, nada disso, são tempestades de força. É notório que a pessoa que redigiu este artigo nunca tentou vestir um soutien destes envergando uma copa superior a D.

4. Pessoas que apertam o soutien antes de vestir. São “corretoras cuidadosas”, que é uma designação que não se entende bem, mas a autora estava num dilema, porque ou inventava uma barbaridade qualquer e tinha quatro pontos, ou não cumpria com o número mínimo de caracteres e levava uma lambada do editor. Diz então que é gente que aperta o soutien e depois o enfia cabeça abaixo, porque são “mesmo muito práticas” e não devem ter oportunidade de perder aqueles dois segundos a encaixar dois colchetes. Ah espera, estas pessoas apertam-nos antes de vestir. Agora fiquei num misto de confusão que quase me causou alguma dor craneo-encefálica. Mais uma vez, aquela ideia palerma de uma pessoa que não está bem a ver a dificuldade que é passar uma tida de elásticos por cima de um par de maroufas que comportam copas E ou F. Enfim, foi muito exaustiva esta investigação, é o que é.

 

Esta que vos escreve, considerando que nenhuma das alíneas a satisfaz, decidiu que a partir de amanhã passará a apertar o soutien com os dedos dos pés, se não for “acrobata” serei certamente a “partida” enquanto caminho das urgências com uma anca deslocada.

 

Dom | 25.08.19

I see stupid people

Gorda

stupid people.png

 

 

Dou comigo mais vezes do que gostaria a matutar na forma de ser agraciada com uma grande ideia, uma propósito que me permita ajudar o planeta granjeando largas quantidades de carcanhol para a minha conta bancária. Dispenso a fama e o reconhecimento porque isso só serve para atrapalhar quando a pessoa quer ir passear o cão de pijama.

Depois de muito meditar chego sempre à mesma conclusão: a paz está já a cargo de todas as candidatas a Miss Universo, a cura para o cancro está com cientistas que estudaram para o efeito e a fome está a ser disseminada às mãos da Angelina Jolie, um Brad Pitt de cada vez; maneiras que me resta o combate à estupidez.

Com um objetivo em mente penso, pondero e reflito na melhor estratégia para acabar com esta doença crónica que consome a nossa sociedade com mais velocidade do que o Pacman a papar bolinhas no jogo dos anos 80. Dá-se um momento eureka e sei que podia escrever um livro com todos os detalhes, livro esse que, depois de lido iluminaria as mentes néscias. Ah, mas a maravilhosa ideia é atropelada por uma lambreta desenfreada quando percebo a redundância da coisa: um estúpido nunca compraria um livro porque é estúpido. Nem livro nem comprimido, porque o estúpido vive alheio da sua condição.

Resta-nos compreender ou mandá-los bardamerda de quando em vez.

O grande mal do estúpido é que, incapaz de compreender o espaço que ocupa, julga que incomoda o outro, mas na realidade o que faz é arranjar tema de conversa num dia que podia até ser entediante. Por exemplo, estava aqui eu sem assunto para amanhã, quando se me bateram à porta um conjunto de imbecis que, a bem da verdade, podem até ser apenas um grande imbecil que, não tendo nada melhor para fazer, se me abancou à porta.

O blog tem tido mais alguma atenção do que aquela a que está habituado, o caro Sapo destacou um dos textos da semana passada e, estando nas luzes da ribalta na plataforma da Sapo foram arrecadados para o espaço mais alguns leitores, o que é bom; por outro lado apareceram alguns podres, que, tal como acontece com uma caixa de fruta da da horta da sogra, a gente faz uma triagem e deita fora o que cheira mal.

Paz à sua alma.

Maneiras que, excitadíssimos com a palavra "gaja" desataram numa loucura de comentários palermas. Ora vamos ver:

 

Eu, também é mais gajas. Gosto mesmo de gajas. De preferência boazonas, abonadas, ca#e#u#as.

 

Este é dos melhores porque não só entretém como ainda quer jogar, é como aqueles maluquinhos, não dizem coisa com coisa mas querem sempre que a gente jogue ao galo com eles.

 

A filha do meu vizinho
comprou três frangos na brasa
perdeu os três no caminho
ainda levou frango pra casa...

 

É preciso respeitar os poetas e este é ainda melhor porque consegue fazer piadas em verso, qual Toy qual quê!

 

A patrocionio com aquelas fuças… nem por amor à pátria.

 

Quando percebo que o Brad Pitt vem ler o meu blog.

 

As gaijas são boas é pra nós as comermos. De preferencia com muita chicha onde se agarrar!

 

Este comentário saiu diretamente da braguilha de um virgem.

 

Eu gosto de gajas boas.

 

Mais um virgem rebarbado.

 

Asdrubal Izaías Dacosta Porque não casa de banho mistas no parlamento???? Ver a Mortágua a mijar ao lado do costa seria uma coisa absolutamente natural Gosto · Responder · 12 · 8 h

 

(comentário entretanto eliminado)

Este faz-me lembrar a minha tia Aurélia que tem Alzheimer, uma pessoa fala de uma coisa e ela responde outra. É preciso ter paciência. Coitado, é da doença.

 

As gajas só tem utilidade na cozinha e na cama, por vezes também decoram bem uma sala.

 

(comentário entretanto eliminado)

Este veio comentar às escondidas depois de ter lavado a loiça, senão ainda leva com a dos bolos na cremalheira.

 

Em resumo, identifico dois traço comuns entre todos estes comentários: têm excesso de tempo inútil e sentem uma necessidade premente de estar sempre a dizer que gostam de "gajas, gaja, gajas, gajas". Ora um gajo que gosta de gajas e tem gaja está ocupado com coisas divertidas em vez de estar a fazer comentários idiotas, pelo que me resta concluir que estamos perante estúpidos que encontram o clímax absoluto na posse de um teclado. Falamos de simpáticos senhores que aparentam ter tido contacto com genitais femininos apenas uma vez na sua pobre existência: na hora do parto (o seu - acreditando que não nasceram de cesariana). Suspeito que se um dia se apanharem frente a frente com uma vagina vão apanhar um valente desgosto, porque a sacana não tem asas, afinal de contas sempre lhes disseram que "não há nada melhor que uma passarinha".

 

À parte de tudo, o que é pena é que os estúpidos ainda não perceberam que os comentários se apagam e que a única coisa para que servem é para que se possa fazer poucos deles.

 

Sex | 23.08.19

Entrevista com uma pessoa com opinião

Gorda

idiots.gif

 

 

Estamos na praia de Armação de Pera para entrevistar um português que esteja a aproveitar a onda de calor que se avizinha. Aqui, neste noticiário, gostamos de chegar mesmo antes da notícia para apanhar as pessoas de tanga na mão e saber o que têm para dizer.

Já abordámos cerca de dez pessoas, mas tratavam-se de franceses com características muito minhotas, os loiros de olhos claros que abancam as crianças debaixo das arribas com sinal de derrocada eminente, nós já sabemos que são camones que não entendem os desenhos tugas.

 

Assim demos aqui com a Dona Eulália que está na praia de Armação de Pera desde as 6 da manhã, não é assim?

É sim senhor, eu venho com as crianças para a praia e gosto de conseguir alugar toldo para o dia, de maneiras que temos de vir cedo.

 

Muito bem, e que tal está a achar desta onda de calor?

Olhe terrível, terrível, está mesmo um braseiro, eu trouxe ali um tacho com feijoada que a minha mãezinha fez, mas acho que aquilo já nem deve estar em condições para ser comido.

 

Portanto a onde de calor começa amanhã, mas a Dona Eulália já sente o calor extremo?

É verdade, sempre fui desta maneira. Eu assim que as coisas estão para vir eu já…olhe é como se as pressentisse. Já quando a princesa diana morreu em 99 foi igual, eu disse para a minha irmã “Ó Josefa eu sinto que a Laide Daiana ainda se me vai p’aí morrer” e assim foi, tal como eu senti. É uma coisa terrível que me acompanha.

 

Mas a princesa Diana morreu em 97.

Foi o que a minha irmã disse mas a gente nunca deu muita atenção ao que ela diz.

 

Entendo. E tudo isto dos incêndios da Amazónia, tem opinião sobre o tema?

Tenho sim, porque eu tenho sempre opinião sobre os assuntos. Isso de ir pensar e dizer que não se sabe é coisa de parvo, gente fraca da bolha. Olhe é terrível, aquelas girafas, os leões, os elefantes, sempre gostei de ver essa bicharada na vida selvagem e agora tudo a arder, é terrível. Eu até já pus aqui no meu Instagraine uma fotografia do mapa com tudo a arder, porque estou mesmo triste com tudo isto. Quer ver?

 

Sim, pode ser.

Veja lá.

 

Mas isto é a Dona Eulália com a família a comer a feijoada.

Esqueça, é antes esta foto. Isso foi depois, foi à hora de almoço, depois de eu e o meu Armando termos ido ali às dunas dar umas abafadelas um ao outro.

 

Este mapa não é da Amazónia.

Mas tem amarelo, é porque está a arder. E terreno a arder é terreno a arder.

 

Muito bem. Se calhar passamos a outro tema, uma vez que é evidente que a Dona Eulália está mesmo de rastos com isto.

Sim é mesmo, tirando as cobras e os aranhiços tenho mesmo muita pena. Não gosto nada de mosquitagem.

 

Sendo mãe de quatro filhos o que é que pensa das medidas que se pretendem implementar para as crianças em transição de género.

Olhe os meus filhos são machos e as minhas filhas princesas, o meu Adalberto uma vez apanhei-o com a Barbie da irmã a caminho do quarto e espetei-lhe logo com uma lambada no focinho, depois ele lá se explicou porque ia levar à irmã que lha tinha pedido. Não fez mal, sempre aprendeu alguma coisa.

 

Mas acha então mal?

Não, eu acho que temos de aceitar as pessoas como elas são, desde que sejam filhos dos outros.

 

Considera que uma criança que esteja em transição de género deve poder usar a casa de banho coincidente com o género com que se identifica?

É pá olhe eu acho que as crianças devem ir à casa de banho que quiserem, porque temos de saber aceitar – ainda agora publiquei aqui no meu Facebook uma frase sobre isso – desde que não vá nenhum pilas para a casa de banho das minhas miúdas. Que a gente já sabe que eles dizem que são coiso, mas querem é ir lá micar.

 

Compreendo. E este calor?

Olhe está que nem se pode, até estou com quebras de tensão, mas a vida é linda e a gente tem de amar a família, porque o que falta é compreensão neste mundo, isso e gente verdadeira no coração.

 

Qui | 22.08.19

O diário da mãe positiva – o princípio

Gorda

MOM.png

 

 

O meu nome é Maria Alberta, tenho 38 anos, sou formada em línguas e sou, acima de tudo, mãe de duas joias raras, as minhas razões de viver e a essência do meu ser. Acredito que a vida pode ser perfeita e positiva desde que nos esforcemos para que sejamos capazes de ver o copo meio cheio, porque a beleza da vida está nas pequenas coisas.

Sou uma profissional competente e motivada na área da venda imobiliária, sendo usada como exemplo para toda a equipa em resultado da minha forma de estar feliz para com a vida. Se nós conseguirmos ver a alegria num lar, o cliente verá o mesmo que nós, mesmo que a casa esteja infestada de baratas.

O mar de negativismo é uma pequena poça na praia de harmonia em que eu prefiro nadar.

O principal foco da minha vida são os meus filhos, crianças felizes, positivas, dotadas de um sentido de evolução e de aprendizagem que me surpreende todos os dias. Acredito que os nossos atos voltam para nos dar em dobro aquilo que lançamos para o universo, pelo menos foi isso que aconteceu com o boomerang que o meu marido trouxe da Austrália, da primeira vez que o lancei veio-me direto às faces e deslocou-me o septo nasal. Mas eu sou positiva e acho que o nariz mais para a direita até me dá algumas vantagens, é só colocar-me meio de esguelha nas fotografias para os outdoors publicitários.

Considero-me uma mãe positiva porque me esforço por dar aos meus filhos um mundo de sonho. Na minha casa não entra açúcar para que não entrem doenças, elas batem à porta e eu digo “o que é que quer dona gripe? Nesta casa não entra porque nós comemos panquecas barradas com pólen”. É assim que explico aos miúdos. Não há gritos, mesmo quando o meu marido – o João Carlos – está a ver o Benfica. Acompanho de perto o percurso escolar dos meus filhos e tenho reuniões semanais com a educadora para garantir que o meu Luís Alfredo e a minha Alexandra Vanessa têm um percurso escolar estimulante. Ainda a semana passada desafiei a educadora para começar a introduzir o alemão na sala dos 3 anos; sim, porque o inglês a minha Alexandra já fala desde os 7 meses e dois dias.

Adoro estar presente para o percurso dos meus filhos.

Fazem uma revisão com o pediatra de 3 em 3 meses, porque passar um semestre inteiro sem ser examinado me parece excessivo. O pediatra discorda, mas eu já lhe disse que a perfeição não tem tempo nem dinheiro que pague. Disse-lhe isso no mesmo dia em que trocámos ideias acesas – eu nunca discuto, a própria palavra discutir é abrasiva para mim - sobre a necessidade de os miúdos levarem algumas vacinas do plano nacional.

Sou defensora acérrima da amamentação e acho que está nas nossas mãos – bem, na verdade nas nossas tetas – a solução. Temos de insistir e passar de nível como se fosse um videojogo. Rapidamente compreenderemos que os miúdos crescem melhores e mais inteligentes que a maioria dos outros desgraçados que começam a vida neste mundo a toque de coisas de fábrica. Um horror.

O meu Luís Alfredo fez uma boa transição, deixou a mama quando já fazia refeições completas, estava com 7 anos e 12 dias; já a minha Alexandra ainda mama, mas não temos pressa porque a velocidade só se impõe para a aprendizagem, a mama está cá para dar à menina todos os anticorpos que ela precisar.

Adoro férias em família e dou um bracinho para ir com os miúdos ao parque, a socialização é super importante.

O meu objetivo com este diário é presentear-vos todas as semanas com um tema que me parece importante, como: “como gerir uma consulta no pediatra?, “como colocar a educadora no lugar dela?”, “como evitar não comprar um chupa sem recorrer à lambada nas ventas?”. Enfim são temas fraturantes e que merecem tempo de antena.

Vou dedicar-me a preparar o nosso primeiro assunto para a próxima semana e estou ansiosa por saber as vossas questões, para que juntas possamos ser mães positivas e perfeitas que vão criar um mundo de harmonia, em que todas faremos festas de aniversário em cores pastel com muitos cupcakes maravilhosamente decorados.

 

Beijos doces como algodão nas vossas bochechas felizes.

 

Até para a semana.

Ter | 20.08.19

Caligrafia* verbal

Gorda

Alfabeto.png

 

 

No passado dia 19 de agosto, vulgo ontem, foi chamada a minha atenção para a pertinente constatação de que as povoações a norte deste belo terreno à beira mar plantado, não dizem A+V, mas sim A+B.

Ora esta observação é verdadeira, contudo algum estudo por mim realizado no dia a dia contrapõe esta argumento.

É por isto mesmo e como forma de resposta devidamente fundamentada à minha querida leitora, que trago este tema fraturante da nossa pitoresca sociedade, para cima desta mesa tão bem ornamentada.

Desta feita, hoje, aos vinte dias do mês de agosto de dois mil e dezanove, decido debruçar-me sobre um assunto que tende a encanitar o leitor que mora a norte deste magnifico pequeno retângulo, empestado de turistas: a caligrafia verbal, que é como quem diz, o sotaque. Também conhecido como pronuncia do norte, como tão bem cantavam os Gê-Nê-Érre.
Em resultado de mais de uma década em contacto direto e diário com as gentes do Puorto e Bila Noba de Gaiía, chego à  conclusonwe de que há dois tipos de soutaque no nuorte:

a) temos malta que troca os bês pelos vês e vice-versa ou bice-bersa, tanto faz;

b) e temos a malta que alonga o fonema espetando-lhe com um wuuuuuwe pelo meio.

Ambas me encantam, as primeiras porque desafiam a construção dos fonemas, alterando a utilização das letras e levando a uma grande confusão que deve escangalhar a cabeça de um disléxico, não só o desgraçado se vê à rasca com a ordem das letras como agora, perante o desafio, tem de saber como escrever com bê o que deve levar vê. As segundas porque introduzem uma musicalidade fantástica a palavras completamente banais.

A expressão "Tás a beire!?", é uma relíquia que é engraçada e cativa, tudo ao mesmo tempo.

Assim, no caso do meu exemplo de ontem, temos pessoas que dizem de "A a Vê" e pessoas que dizem de "A a Biê". É interessante.

A caligrafia verbal nortenha é das coisas mais lindas que se podem ouvir, em mais lado nenhum do planeta uma pessoa escuta, ali bem dito: "onde ides?", "tendes dinheiro pa isso?", "ora deixa cá biere!".

É uma marabilha, é o que bos digon.

A minha avózinha que Deus tem, era de Viseu e tinha aquele assobio característico dos padres beatos, para ela não havia água, aquela matéria cristalina sempre foi Iáuga.

Enfim, coisas, só a modos que para o leitor e a leitora atentos possam compreender o nível de profundidade intelectual desta menina. Fundo como uma poça de água.

 

*reconheço que o uso da definição de caligrafia neste cenário é bastante imbecil, contudo soou-me bem ao ouvido, de maneiras que...

 

Seg | 19.08.19

Gaijas will be gaijas

Gorda

girls.png

 

 

O planeta pode passar a rodar ao contrário ou ficar quadrado que há uma coisa que não muda: as gajas vão ser sempre gajas e enquanto gajas gostam de depenicar nas outras quando essas não estão. Venha de lá o diabo marreco dizer que não, que eu mostro-lhe por A mais V (que é como se diz no norte) que a coisa é mesmo assim.

 

Falo então da troca de ideias disruptivas entre duas influencers / apresentadoras / fitgirls do pedaço. Temos do lado direito a Carolina Patrocínio, que leva vantagem porque vai ao kickboxing com o campeão Ibérico e do lado esquerdo a Vanessa Martins que tem uma excelente figura, mas ela é mais tortas de laranja.

Ora pois que a segunda terá feito uma publicação no seu Estagrã a dizer que devemos amar o que somos (em resumo é isso), até porque chegou o verão, a malta quer é gelados e é preciso agarrar aquela seguidora que engordou dois quilos e foi para a praia sem a depilação feita. Vai daí e a Patrocínio abanca-se no magnifico programa de cariz cultural “Passadeira vermelha” e arreia com hipocrisia na Nessa, porque uma pessoa que vende cremes às bandeiras despregadas é esquisito depois dizer que é tudo bom mesmo quando não é lindo.

Recordo que ambas vendem Prozis a rodos e a Patrocínio ainda há semana e meia nos queria vender a todos uma bugiganga para definir abdominais com eletrochoques (ou lá o que é), como se ela não tivesse aquela bela barriga há anos.

 

Em resumo: estamos na middle da silly season e a malta já não sabe do que falar, nessa embalagem agarra-se a qualquer coisa porque a pessoa tem de ganhar a vida a botar discurso em qualquer lado, as vendas dos códigos de desconto estão em baixo porque os influenciados são pobres e gastaram o bago todo nas férias para Armação de Pera, num apartamento arrendado e a comer atum com feijão à refeição (nada contra o atum, algumas objeções ao feijão que dá cabo da tripa).

No fim, temos apenas um grupo de gajas à volta da fogueira das redes sociais, a largar larachas daquelas que não gostam de ouvir (ou ler) quando publicam coisas nas suas redes e dizem que os comentários estão carregadinhos de haters.

É isto, gaijas will be gaijas, e people that don’t want a real job will do anything to prevent it.

 

 

Se apreciou este pedaço de soberba escrita, não se esqueça de:

Fazer gosto na página de Facebook.

Acompanhar a conta de Instagram (onde pode ter acesso às palermices desta Gorda, sem códigos da Prozis).

Subscrever o blog por e-mail, é só ir aqui à coluna do lado direito e poderá ser bombardeado com notificações a avisar que há mais coisas para ler.

 

Seg | 19.08.19

Que dia é hoje?

Gorda

mom.jpg

 

 

- Mãe?

- Sim?

- Que dia é hoje?

- Segunda-feira.

- E amanhã?

- Terça.

- E depois?

- Quarta.

- E depois?

- Quinta.

- E depois?

- Sexta.

- E depois?

- Sábado.

- Sábado?

- Sim.

- E depois?

- Domingo.

- E depois?

- Depois é segunda-feira outra vez.

- E depois?

- Depois é terça, volta a repetir-se tudo. Tu sabes.

- Sim.

- Mãe?

- Sim?

- Que dia é hoje?

- Segunda-feira.

- E amanhã?

- Terça.

Até ao infinito e mais além.

Bom dia e boa semana

Sex | 16.08.19

Como sobreviver à selva do matrimónio (101)

Gorda

marriage.jpg

 

 

Ficam aqui com três exemplos práticos. Não têm nada que agradecer, temos de ser uns para os outros.

 

Eu: Devias experimentar beber o café sem açúcar.

Ele: Já bebo o galão com muito menos.

Eu: Uma colher de sopa e meia.

Ele: Não. Só ponho uma colher se sobremesa.

Eu: Hum.

Ele: Foda-se, não há nada que um gajo faça bem.

Eu: Quando é que vais ao dentista?

Ele: Olha, merda. Doí-me a cabeça.

Eu: Já tomaste um comprimido?

Ele: Não.

Eu: Pronto, esse é o caminho certo.

 

(rest my case 1)

 

Ele: Olha há um filme novo com o Buttler.

Eu (depois de olhar para o cartaz): Tem Photoshop.

Ele: Deixa lá, não vimos o 2.

Eu: Mas está lá gravado na box.

Ele: Não, não está.

Eu: Está, está.

Ele: Não, não está.

Eu: Está, está.

Ele: Não, não está.

Eu: Está, está.

Ele: Não está porque fui eu que apaguei, tu nunca querias ver.

Eu: Nunca quis ver porque nunca insististe.

 

(rest my case 2)

 

Ele: Não insisto porque tu és esquisitinha.

Eu: Comássim!?

Ele: “Queres pizza? Não. Queres salada? Não.”

Eu: Não sou eu que sou esquisita, tu é que não apresentas as propostas certas.

 

(rest my case 3)

Qua | 14.08.19

Tiazoca atira-se às goelas de um motorista de matérias pesadas

Gorda

yatch.png

 

‘Tarde, atão quando é que esta porra acaba?

Quando as nossas exigências forem aceites. Temos direitos.

 

Certo, eu também. Mas ao que parece o Costa já garantiu aumento para o próximo ano, portanto andamos nisto para quê ainda?

Porque queremos também aumentos para 2021.

 

2021?! Oh homem esteja sossegado, sabe lá você se chega a 2021 criatura, falta ano e tal para isso não me doa a mim a cabeça.

Temos de lutar pelos direitos.

 

Pois têm, a gente sabe disso, mas agora já chega que eu encomendei uns ténis pó miúdo na sport zone e ainda não foram entregues porque os camiões estão com atraso.

Os hospitais também estão no limite mas nós não cedemos.

 

Repare, que não haja gaze para os estropiados é para o lado que eu durmo melhor, é lá um problema deles entende, a questão aqui é que eu paguei uma pechincha por aquilo e nunca mais recebo o calçado. Anda-me o Manuel Maria a desgastar os sapatos de vela, que usa no barco, lá com os pobres do parque infantil. Tá a entender q’rido?

Estamos irredutíveis, queremos compromissos do Estado.

 

Mas quais compromissos criatura, já não há combustível na marina e este fim de semana vou ficar em terra por sua causa bicho. Meta-se mazé pa dentro da máquina e leve isso lá pa baixo.

O nosso sindicato é que está a negociar.

 

Bom, você não entende ou não quer entender? Daqui a nada lava com um bidão vazio tromba adentro quer ver?!

 

E arreou com um bidão de vinte litros vazio nas ventas do motorista que está no hospital à espera que se receba linha e gaze para lhe arranjarem aquilo.

 

Pág. 1/2