Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Casa da Gorda

Casa da Gorda

Dom | 29.09.19

Fim de semana de luxo do pobre

Gorda

 

Acorda às 7 da manhã porque a criançada já não tem sono e quer ir montar Legos. Prepara o pequeno-almoço com um olho ainda cerrado e carregado de remelas, enquanto o corpo ainda está parcialmente entrevado porque o tempo está a arrefecer e a idade já não é a mesma.

Liga a internet, os amigos fit já correram não sei quantos quilómetros e as celebridades ainda não acordaram porque as pessoas com poder financeiro comem brunch ao domingo.

Espeta com a roupa na máquina e vai ao Instagram ver a Cristina Ferreira nas Bahamas e esfregar-se em águas cristalinas. Faz tempo para estender a roupa clara e fazer mais uma máquina de escura.

Enquanto a Rita Pereira faz skydiving e mostra o jantar de sushi da noite anterior, a pobre faz chãocleaning, que é como quem diz desencrosta plasticina, aspira e lava o pavimento com detergente supreme de marca branca.

As bloggers de sucesso vão apreciar roupas novas a outlets que estão "shupér-na-moda" ou tardes de lazer em estâncias balneares, a pobre acompanha tudo isso nos intervalos da serra de roupa que tem para passar a ferro. O que vale é que os vapores fazem bem para abrir os poros e atuam como uma especie de limpeza de pele.

A espaços espeta com berros para os menores que estão a escavacar a habitação que a pobre paga a custo todos os meses ao banco.

Goza da possibilidade de ir buscar um frango assado e de o comer com os dedos, algo completamente banido na vida das socielites.

De tarde vislumbra as casas com piscina das atrizes/modelos/apresentadoras/empresárias que estão a "recuperar energias" e recomendam vivamente que as crianças possam andar a brincar ao ar livre. Então a pobre, como mora num apartamento sem varanda, não dispondo de um hectare de terreno e piscina própria, leva os putos ao parque infantil, onde pode desfrutar de soberbos momentos de frenética nervosa e vontade assolapada de distribuir galheta de forma indiscriminada.

Acaba o domingo com votos de que nasçam sequoias adornadas com pingarelhos de natal nos retos de todas as pessoas que partilham frases inspiradoras sobre os recomeços de segunda-feira.

Há pouca coisa que espelhe melhor o conceito de magnifico descanso do que o dia de folga do pobre.

 

 

Se apreciou este pedaço de soberba escrita, não se esqueça de:

Fazer gosto na página de Facebook.

Acompanhar a conta de Instagram (onde pode ter acesso às palermices desta Gorda, sem códigos da Prozis).

Subscrever o blog por e-mail, é só ir aqui à coluna do lado direito e poderá ser bombardeado com notificações a avisar que há mais coisas para ler.

Sex | 27.09.19

Desafio de escrita dos pássaros #3 - "Clotilde diz que foste andar de paraquedas"

Gorda

número 3.png

 

Tema da semana - Uma aventura/momento que te tenha marcado

 

- É muito simpes, só tens que lhe adesplicar que és uma mulher dada à aventura, olha até lhe podes contar que o momento que mais te marcou foi quando saltaste de um avião! Ele vai ficar afinado com essa história!

Por mais que eu lhe explicasse a Custódia não aceitava que eu não queria ir a um jantar de casais em que o Jaquim insistia em levar um primo dele que estava em Lavacolhos a negócios.

- Pelo que o meu Jaquim diz ele é assim pó mesmo nível de feieza que tu e também é assim como que a atirar pó cromo, maneiras que vocês se vão entender que é uma beleza, eu tenho a certeza e sei que nunca me engano!

Tal como não se tinha enganado com o Vitó que acabou embrulhado com a Gertrudes da retrosaria, fui dar com ele a cheirar a aguarrás que tresandava. Monte de esterco. Eu agora não estava interessada em homens e por mais que gostasse da companhia da Custódia não andava com pachorra nenhuma para aquela conversa demente de me arranjar um marido para que depois fossemos todos de férias para Espinho juntos.  

- Ó Custódia tu tem dó, eu nunca andei de avião sequer, vou agora dizer que já saltei de paraquedas.

- Mas quem é que falou em paraquedas, parece que estás parva? É dizeres que saltaste de um avião, aquela coisa que às vezes fazem que têm aqueles óculos grandes, ficam assim como que a parecer peixes ou lá o que é.

- Então e a mochila é o quê?

- Atão a mechila é para levar os essenciales e uma bucha para se nos der a fraqueza. Marco o jantar ou não?

Acenei que sim porque percebi que a maior aventura da minha vida era ser amiga da Custódia, a força nervosa que uma pessoa tem de ter para não lhe espetar uma bofetadona cremalheira adentro.

Cheguei ao jantar, lá estava o Silvino, também ele obrigado pelo primo.

- Q’áchas da nh’amiga Silvino? É feia mas boa moça. – Alvitrou a Custódia sem vergonha.

- Acho que é uma pessoa interessante, tem uma coisa que tu não tens: miolos. – eu ri-me para ele e decidimos sair dali. Dissemos que tínhamos uma aventura à nossa espera.

O Silvino tem um caso com o Zacarias, vivem juntos há mais de 15 anos. Ficámos amicíssimos desde então.

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

Tema 2

 

 

Se apreciou este pedaço de soberba escrita, não se esqueça de:

Fazer gosto na página de Facebook.

Acompanhar a conta de Instagram (onde pode ter acesso às palermices desta Gorda, sem códigos da Prozis).

Subscrever o blog por e-mail, é só ir aqui à coluna do lado direito e poderá ser bombardeado com notificações a avisar que há mais coisas para ler.

Ter | 24.09.19

Um dia escrevo uma novela e vai chamar-se “Corno de Bico”

Gorda

giphy (1).gif

 

 

Não vejo novelas, feliz ou infelizmente não tenho vida para isso. Feliz, porque se estivesse sentada a ver novelas tinha ainda mais titica na minha cabeça; infelizmente porque parecendo que não, aquilo visto depois de mamar uns quantos daiquiris pode até ser bem engraçado. Há sempre um mauzão que é mesmo mau como as cobras, há o incontornável otário e uma parola, porque ninguém no seu perfeito juízo é tão bom e tão inocente quanto os protagonistas das novelas.

É por isso mesmo que só sei que existe uma novela nova de nome Nazaré porque acompanho o grande representante da Margem Sul Rui Unas, e porque todos os dias tenho de bater com o focinho no placard com a Catarina Coisas vestida de uma espécie de mulher coragem que era fã da Lara Croft e que está a apanhar com uma tremenda ventania ventas adentro. Não sei em que estúdios é que este gente tira fotografias, mas talvez já fosse hora de fecharem a merda das janelas. Não sei, é só uma sugestão. 

Maneiras que no outro dia, estava cá eu a fazer festinhas ao ecrã do telemóvel para acompanhamento de redes sociales com vista a manter-me atualizada dos produtos que as influencers estão a usar e dou com o resumo que o Guilherme Duarte fez da novela. Temos uma peixeira boa como o milho, que não tem cheta para mandar cantar um cego, mas tem dinheiro para lingerie cara. É uma mulher com tanto pelo na cremalheira que se despe logo no escritório do patrão e tudo. Uma gaja que sabe que a querem comer, resguarda-se, e mete os trapos num saco e manda entregar ódespois; esta moça deixa os têxteis logo ali que é para o magano ver com os póprios olhinhos que a terra só comerá se ele não for cremado, o que é que as suas beiças vão papar lá para o episódio 323. Ganha o dia porque pelo menos agora já sabe que não é chicha apoiada pela roupa, nada disso, é chicha da fresca e rija.

Mais tesão, portantos. Consegue lá o homem agora manter a gaveta sossegada!

Em resumo: temos uma pobre boazinha que é muito frontal e profundamente palerma, temos um ricalhaço que a quer papar e temos um mauzão que anda sempre de preto com um blusão de cabedal super fashion.

 

É por tudo isto e pelo facto de eu ter demasiada porcaria dentro deste pequeno cérebro, que cheguei à conclusão que devia agarrar no meu tempo livre e escrever uma novela. A protagonista seria uma gorda pobre que trabalha num call center e sonha em fazer um curso em cake design, mas chumba sempre porque não resiste e come o bolo antes de chegar à avaliação. Tem um problema hormonal que faz com que tenha um pouco de barba. Transpira bastante e já não vê a sua patareca vai para cima de 10 anos e dessa vez foi um amigo que lhe tirou uma fotografia para ela emoldurar e colocar na mesa de cabeceira, para recordar aqueles amigos que estão tão perto mas que as circunstâncias da vida levam para longe.

O amor e a coragem interior da protagonista fazem com que seja desejada por todos os cromos, desde o Joel Perneta que foi atropelado por um porra velhos quando ia comprar gomas, ao Eliseu que trabalha no posto dos correios de Corno de Bico, em Paredes de Coura. A protagonista é ela própria ela mesma em qualquer situação e tem o mau habito de se despir em situações inusitadas para o desgosto de todos os presentes. Não usa lingerie porque anda sempre com roupa interior da praça e as cuecas costumam ter buracos porque compra sempre o número abaixo e os elásticos quando são forçados acabam por desistir.

É pegar no enredo de merda a que já nos acostumámos e fazer um twist para que sejam pessoas que a gente não está nada à espera, como uma gaja feia e mal amanhada e um gajo com poucos dentes agarrados às gengivas.

Tenho de pensar muito bem na minha vida porque isto é coisa para ter pernas para andar, especialmente pelo facto de ser uma protagonista inclusiva, é tremendamente disruptivo e estou certa de que os canais se vão engalfinhar para produzir esta estupenda novela.

 

 

Se apreciou este pedaço de soberba escrita, não se esqueça de:

Fazer gosto na página de Facebook.

Acompanhar a conta de Instagram (onde pode ter acesso às palermices desta Gorda, sem códigos da Prozis).

Subscrever o blog por e-mail, é só ir aqui à coluna do lado direito e poderá ser bombardeado com notificações a avisar que há mais coisas para ler.

Dom | 22.09.19

Cê Rê 7 de meu corazon de colesterol entrevado

Gorda

CR7-UNDERWEAR-SS17-5.jpg

(se não gostarem do texto pelo menos têm com que se regalar)

 

Passei a semana a levar com pop-ups da entrevista do nosso Cê Rê 7 na internet, mas só ontem tive a possibilidade de ver o nosso menino mais que tudo, melhor exportação da Madéra e pluri-bolas-de-oiro a ser entrevistado por um senhor coiso inglês.

Gostei muito da entrevista, gostei da franqueza e da sensibilidade passada, gostei da honestidade em mostrar que se sentia envergonhado pela quebra emocional, resultado de uma mente que está habituada a controlar o palpitar do coração e a condição nervosa para ver mais além num mundo que quase o devora a qualquer segundo.

Não imagino o que seja estar na pele do Cê Rê 7, mas tenho para mim que dinheiro à parte, não será de todo fácil. Ver a nossa vida escrutinada por toda a gente, todos com uma opinião sobre o que somos, o que fazemos, as decisões que tomamos e até o que vestimos. É pá obrigada, mas não, obrigada.

O nosso "namba one" - como ele diz - num inglês que, apesar de não ser perfeito, é bem melhor do de muitos que fizeram formação superior e não conseguem conjugar duas frases de seguida.

Não obstante esta defesa acérrima do "numba one", não dispenso uma gargalhada com as suas tiradas e fotografias de potencial meia na cueca, afinal de contas é pa isso que cá ando. Ele pode ser o "namba one" da bola, mas eu sou a "namba one" da risota. Amigos, amigos, cuecas à parte.

 

Quando eu olho para o nosso pluri-bolas-de-oiro vejo, antes mesmo de um magnifico jogador de futebol, um exemplo para os miúdos de hoje em dia. Não pelo cabelo, as casas maravilhosas e os carros caros; não pela facilidade que se advoga em ter boa vida quando se tem pés para a bola, mas porque ele é antes de mais e acima de tudo: um trabalhador dedicado e esforçado. Por mais que as pessoas possam gostar ou não do Cê Rê 7, ninguém pode negar o essencial: ele é o mais trabalhador, o mais dedicado, o mais esforçado e o que mais se sacrifica. Um homem que não precisa de mais, mas que, para se manter no que mais ama trabalha em dobro.

Eu tenho um profundo respeito por quem trabalha e luta pelo que quer.

É aqui que o mega-pluri-bolas-de-oiro entra como exemplo, no meu humilde entender, a primeira mensagem passada é que tudo o que ele alcançou é um resultado de muito trabalho, muito sacrifício e muita dedicação. Talento não chega, como o próprio está sempre a dizer. Ora isto é a realidade para qualquer escolha, seja para um médico, para um arquiteto ou para um jogador de futebol. Sem sacrifício e sem trabalho nada se alcança.

É isto que se vê em falta na nossa juventude hoje, o achar que tudo é fácil, o imediatismo das coisas, a falta de perceção que para ter é preciso trabalhar. E trabalhar muito.

Gosto que nunca tenha escondido as suas origens e que tenha orgulho nos seus, que conte de peito aberto de onde veio e até onde chegou. Não há nada de errado em ser pobre, mau é ser rico à conta dos outros.

 

Hoje, infelizmente cliquei num espaço de opinião onde alguém diz que o Cê Rê 7 deveria ter guardado para si a história dos hambúrgueres porque isso causa má imagem às escolas do Sporting e porque passa para a juventude uma ideia de que é à base de fast-food que se fazem os campeões. Que estas histórias deviam ser guardadas e não ser feitas publicas, como se a história de fome de um miúdo de 12 anos, sozinho e sem apoio devesse ser escondida. Que perceção deplorável e limitada. 

Esta não é a história de uma marca de fast-food, é o reflexo de uma sociedade que ainda tem muita pobreza, é a história de um menino que um dia pediu para comer e teve quem lhe estendesse a mão. 

Só acha que esta é uma história de mau exemplo de nutrição alguém que ainda não compreendeu que o pior plano alimentar é a fome.

A simples ideia de achar que os miúdos vão pensar que se comerem hamburgueres vão ficar melhores no futebol faz com que a vista direita de uma pessoa comece a pulsar de nervos.

Mas estou certa de que a pessoa em causa estará farta de ouvir, em filas para comprar um Big Mac, putos de 7 anos a dizer aos pais "papá quero muito um Cheeseburguer porque em 1998 o Cê Érre 7 solicitada tal alimento a umas senhoras nas traseiras de umas instalações desta mesma marca que inclusivamente já estão encerradas", e os papás "sim senhor, estávamos na fila só para ver a montra, mas agora que o José Maria diz isso, compramos uma bucha pa comer!".

Um esclarecimento de quem viu a entrevista para quem estava a bater uma sorna e teceu opinião em resultado de letras grandes: nunca foi dito que passava fome nas escolas do Sporting, foi dito que  de noite, já muito tarde, por vezes sentiam fome e iam lá ver se lhes davam um hambúrguer. Ah e a história foi encontrada e introduzida pelo entrevistador, não foi um lamento do entrevistado.

Só há uma coisa que não posso contestar da posição deste senhor: há de facto coisas que deviam morrer com as pessoas, a opinião desta brilhante alma é uma delas.

 

Cê Rê 7 és o maior do mundo, para mim serás sempre o melhor de todos porque nunca vi jogar nenhum melhor que tu e porque és o gajo mais trabalhador que já vi. Se deixares indicações de que o teu epitáfio deve ser "namba one" por favor trata com alguém que perceba de inglês para que fique "number one".

Caso um dia queiras dar um salto à Margem Sul, podes passar cá em casa, eu dou-te o número do contrato e podes passar no BPI para liquidar o meu credito habitação.

 

Sab | 21.09.19

FAQs sobre a placenta da Jessica Athayde

Gorda

(Esta fotografia não foi retirada do Google, fui eu que tirei com a minha máquina da ultima vez que eu e a Jessica fomos às Bahamas, somos bué B.F.F.s)

 

Quero começar por dizer que eu não quero saber da placenta da Jessica Athayde. Aliás eu não quero saber da placenta de nenhuma mulher, estou-me borrifando para as placentas no geral. Até a minha placenta foi para o balde do lixo do hospital porque eu não quis ficar com aquela nhanha. A única altura em que eu faço votos por uma boa placenta é quando uma amiga está grávida e eu quero que ela tenha uma placenta competente. 

Dito isto e depois de algum alvoroço em torno da placenta da supra mencionada celebridade, ocorreu-se-me que deveria ser criado um espaço de FAQs para esclarecer os menos iluminados sobre a matéria.

Ora comecemos:

1. A placenta da Jessica Athayde (doravante apenas referida como "Jessica") pertence à Jessica e só a ela e ela pode fazer o que quiser com ela.

Sim.

 

2. A Jessica pode tomar a placenta como entender inclusivamente com esparguete de bolonhesa.

Pode. É provável que apanhe uma disenteria, mas os intestinos são dela tanto quanto a placenta.

 

3. A Jessica andou a pedir às pessoas para comerem a placenta dela?

Que a autora deste espaço saiba: não.

 

4. As pessoas têm o direito de comentar, concordar ou discordar?

De acordo com a liberdade de expressão: sim. Podem até achar palerma e dizer que acham mentecapto tal ato.

 

5. A Jessica é uma celebridade que recai sobre o conceito de "influencer".

Confere. Por esse mesmo motivo é cara de diversas marcas e acontece dessa forma porque as marcas sabem que as influenciadas vão comprar tudo igual ao que a Jessica diz usar. É claro que se ela disser que é publicidade e que não gosta as pessoas não compram. Logo a Jessica adora tudo o que usa. Tal como todas as influencers gostam de tudo o que usam.

 

6. As pessoas podem fazer piadas com o facto de a Jessica papar placenta?

Correto. É válido dentro do previsto no código penal e da estrada fazer pouco da ideia de a Jessica papar a placenta.

 

7. O facto de a Jessica papar a placenta traz algum mal ao mundo?

Depende do nível intelectual das suas influenciadas e da quantidade de informação detalhada que seja providenciada. Isto porque as influenciadas tendem a fazer tudo o que as "influencers" dizem que escolhem fazer e não havendo conhecimento nem condição financeira (pasmem-se, mas a maioria das pessoas não têm a condição financeira, nem acesso às mesmas coisas que a Jessica) pode dar-se o caso de acharem que podem congelar aquilo como se fosse polvo e depois vão papando à Lagareiro, arriscando-se à ingestão de bactérias e outras porcarias que um bom médico poderá explicar que podem causar mal estar físico.

 

8. Cada um faz o que quer com o seu corpo e as decisões cabem à Jessica.

Confere. Incontestável. No entanto importa clarificar que a Jessica goza de uma condição social de destaque e sabe que as pessoas seguem o que diz, que acompanham as suas ideias e que a têm como um role-model. É por isso que quando a Jessica escreve um livro sobre aceitação as mulheres correm a comprar e interiorizam as ideias que lá são passadas. Boas ideias diga-se de passagem.

 

9. Esta situação merece o mediatismo que está a ter?

Não. De maneira nenhuma. A única coisa que interessa é uma pessoa tomar as decisões que quer e saber que há quem goste e quem não goste e depois ter a capacidade de se estar a borrifar para as posições contrárias, sendo também capaz de crescer com informação útil que lhe seja passada.

 

10. É giro dar uma gargalhada à conta disto?

É pá, claro que sim!

 

Nota: Gosto bastante de Jessica, acho que é uma miúda bastante equilibrada e de bem com a vida. Acho que passa uns ideais bons para as garotas e é um bom modelo. A ideia de comer a placenta é palerma, na minha opinião, mas ela fará o que entender com o seu bem-estar e o seu corpo. Não obstante, é fundamental que esclareça as moçoilas airosas e mulheres menos iluminadas que a seguem de como as coisas se processam e quais os riscos de não o fazer adequadamente. Dito isto, é apenas muitíssimo engraçado.

Sex | 20.09.19

Desafio de escrita dos pássaros #2 - Custódia vai ao Baile de Lavacolhos

Gorda

numero 2.png

 

Quando a Graciete me disse que ia ao baile e que eu devia ir com ela nem me quis acreditar “então mas o que é que eu visto num baile de tamanha envergadura m’lher? Eu que só tenho trapos piquenos!”. A Graciete jurava-me “Custódia, tu tens roupa a dar cum pau rapariga, ficas bem de qualquer maneira e de qualquer forma só preciso que venhas fazer de pau de cabeleira porque eu vou andar nos afunfes com o Vitó, ele já é cabo na Marinha e descasca batatas como ninguém. Sabes que se não é ele a descascar aquelas batatas todas a marinhagem fica com fome e a gente perde a guerra.”. Coitada da Graciete, achava ca’gente ainda ia à guerra em 89, pobre nunca percebeu que o Vietmane era lá uma porra dos Americanes.

Maneiras que me arranjei com os trapos que pude, um vestido encarnado de saia rodada e uns sapatos de salto alto doirados; ir ao Baile de Lavacolhos não era coisa pouca para uma moça que vivia nos arredores do Fundão. Lavacolhos era a vila das vilas e todos os bons partidos andavam por lá.

Chegadas ao baile a Graciete pôs-se a andar, encontrou o marinheiro descasca-batatas e foram os dois andar de carrinhos de choque para a feira que havia ao lado. Eu servi-me de um cálice de vinho a martelo e sentei-me como uma senhora à espera do seu comandante.

Foi nessa altura que se me assentou na mesa uma moçoila numa choradeira que só ela, dizia-se de nome Clotilde e que tinha levado uma tampa do Tony dos pneus, que afinal agora já andava embrulhado com a porca da Valquíria. Disse-lhe “cheira-me ca’gente ainda vai ser amigas, porque tu és feia que dói e eu não me dou com gajas mai boas que eu. Dito isto, manda o gajo às couves ca’gente arranja-te um grunho pa casar, ainda m’agradeces. Agora alimpa-te que ranhosa ficas pior”.

É nesse momento que sinto uma mão no ombro, um qualquer Jaquim a pedir-me pa dançar, espetei-lhe com um estalo no focinho, é que isto antes do amor vem o rigor de quem manda, e antes de meter a mão na minha cueca tinha de saber que os tomates eram dele, mas quem os aperta sou eu.

Dançámos toda a noite e casámos dois meses depois. Meu rico Jaquim.

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

 

 

Se apreciou este pedaço de soberba escrita, não se esqueça de:

Fazer gosto na página de Facebook.

Acompanhar a conta de Instagram (onde pode ter acesso às palermices desta Gorda, sem códigos da Prozis).

Subscrever o blog por e-mail, é só ir aqui à coluna do lado direito e poderá ser bombardeado com notificações a avisar que há mais coisas para ler.

 

Qui | 19.09.19

Sapos do Ano – Ide nomear a Gorda antes que seja tarde

Gorda

sapo.png

 

 

Chegou ontem ao meu conhecimento que anda para aí a rodar um acontecimento de elevada envergadura levado a cabo por umas almas – que não são boas do tejadilho* - para que se escolham os blogs mais coise aqui da plataforma do anfíbio mai lindo desta terra que uns acham que é redonda mas outros insistem por ser plana.

 

Maneiras que, quer então dizer que estamos em pleno período de nomeações para os Sapos do Ano, ou seja, para os blogs que vocês, caros leitores, consideram que devem ganhar este magnifico dístico com um bicharoco coaxante.

 

Dito isto, esta palerma redatora desta humilde casa das malucas incita-vos a ir a este link e garantir a nomeação deste espaço fabuloso na categoria de lifestyle. Estou a brincar, eu não tenho uma life quanto mais uma style, vá pegai em vossas bufunfas de casca de laranja engelhadas e usai e abusai de vossas falangetas para nomear numa doideira sem precedentes esta Gorda que tanto vos anima a vida para a categoria de HUMOR.

 

Não vos arrependereis.

 

Nota importante: estão ainda só em fase de nomeações, depois ainda vêm os votos, para já é nomear à doidivanas para fazer desta estronça uma finalista.

 

*Importa salientar que pessoas que têm mais que fazer, mas que se metem em empreitadas destas não podem estar boas da mona, mas que são boas pessoas, lá isso só podem ser.

Qui | 19.09.19

Diário da mãe positiva - brigas entre irmãos

Gorda

(imagem retirada do Google)

 

Caras positivas do meu coração, hoje trago-vos um tema de elevadíssima importância para a minha felicidade: o amor fraterno. Tenho dois irmãos maravilhosos, a Valquíria e o Jaime Guilherme. São um dos maiores amores da minha vida, foram os meus primeiros filhos, porque, apesar de eu ser a irmã do meio sempre senti que tomei conta dos dois como se tivessem saído do meu ventre. Tal como faziam aos meus pais na adolescência, também não queriam ser vistos comigo e eu sempre percebi que isso aconteciam porque me viam com a função de progenitora, de cuidadora, de braço amigo.

Infelizmente falamo-nos apenas ocasionalmente e por mensagem ou e-mail. No Natal conseguimos sempre encontrar-nos todos, rodamos a festa nas casas de casa um, porque os meus irmãos apesar de estarem ambos a trabalhar no estrangeiro, compreendem a importância da família unida e encontram sempre uma forma de nos juntarmos nesta época tão querida para todos. A minha irmã Valquíria está a trabalhar na Arábia Saudita, o que é revelador do seu espírito corajoso. Tem uma vizinha tão parecida com ela que por vezes juro que a vejo passar num carro exatamente igual perto da área de residência da Valquíria. Se não tivesse estado lá quando ela nasceu, podia jurar que tinha mais uma irmã - gémea da Valquíria. O Jaime Guilherme emigrou para os EUA, é diretor de uma multinacional. Passo muitas vezes pela apertamento dele em Paço de Arcos, um primeiro andar com kitchenette, muito soalheiro, e às vezes há um homem na varanda. Ele jura-me que é um amigo que lá vai dar um jeito à casa para não acumular pó. É muito cuidadoso, este meu irmão, saiu a mim.

Foi com os meus irmãos que aprendi que a união fraterna é crucial para a vida de uma família, é triste e enfadonho ser filho único e por isso, quando acabou a festa do meu casamento disse para o meu João Carlos "temos de ter pelo menos dois filhos, porque o amor de irmãos é inigualável". Ele disse-me que lhe tinha começado a doer muito a cabeça e que o pintainho tinha perdido o fôlego, levaríamos a cabo as núpcias no dia seguinte, quando se sentisse recuperado.

Acho que foi um dia muito desgastante para ele, é um homem sensível e tantas emoções deitaram-no abaixo.

Considero fulcral que os casais tenham um mínimo de dois filhos, para que proporcionem às suas crianças a alegria do amor fraterno. Por vezes contam-me histórias de que as mães podem ter problemas com os órgãos reprodutores e que há homens com espermatozoides lentos, mas a mim parecem-me sempre considerações derrotistas de quem não pensa de forma otimista, pessoas muitas vezes egoístas e que não compreendem a falta que faz um irmão na vida de uma pessoa.

 

Quando apareci com o teste positivo, meia dúzia de meses a seguir ao nosso casamento, o João Carlos ficou radiante, tão contente que disse "agora é definitivo, vou dar um nó na gaita!", expressões lá da terra dele.

Cerca de um ano e meio depois de o meu Luís Alfredo ter nascido descobri que estava outra vez à espera de bebé. O meu João Carlos ficou tão radiante que ficou de cama quinze dias, mal se conseguia mexer. O médico de família disse que ele estava com uma depressão, mas eu sabia que era apenas alegria em excesso.

Os meus dois filhos partilham de um amor fraterno intenso, tão forte e tão repleto que andam à galheta uma média de quatro vezes ao dia. Apenas uma confiança tremenda permite que andem à bulha e voltem à convivência com tamanha rapidez. Juntam-se num conluio tremendo para estar contra a mãe, testando os meus limites. O que pode parecer que não mas é saudável, mas está em todos os livros de parentalidade positiva, é demonstrativo de carácter e personalidade.

O meu filho gosta tanto da irmã que no outro dia de manhã, disse para o pai com candura "que merda te passou pela cabeça para deixares que a mãe engravidasse outra vez?", o pai explicou-lhe que ainda não tinha ido a tempo de dar um nó à gaita e riram-se os três. Até a pequena achou graça. Eu recostei-me na bancada a ver a júbilo dos que mais amo.

As brigas entre irmãos são salutares e fazem parte do desenvolvimento. Os meus irmãos trancavam-me dentro do guarda-fatos e colocavam uma cadeira para garantir que eu não sair. Às vezes a minha mãe andava à minha procura e perguntava-lhes "onde é que a meteram?", eles faziam sinal para o armário e ela perguntava "ainda está positiva?", eles riam e eu lá ficava até à hora de jantar.

Tinha muita resistência e eles não me quebravam. É o que hoje faz de mim uma agente imobiliária de topo, nunca desisto, mesmo que o cliente já me tenha dito mil vezes que não quer vender a casa e até já tenha chamado a policia para me retirar da sua propriedade privada.

 

Com os meus filhos opto que conversar bastante, explico-lhes a importância da família e tento que o meu Luís Alfredo nunca dê sovas à irmã. 

No outro dia dei com ele a leva-la para o balde de lixo ao fim da rua, tentando convence-la de que a casa dela era ali, com aquelas tralhas todas; fiquei a observar para perceber o comportamento dela que lhe respondeu "é aqui é o calalo, cheila a méda!". Fui ao pé deles e conversei um pouco, expliquei ao Luís Alfredo que ele não podia fazer aquilo à irmã, que compreendia que ele agora não tinha tanto da minha atenção mas que um dia ia perceber como era o amor entre irmãos e ia dar muito valor a isso. Ele disse-me "como o do tio Jaime Guilherme, que trabalha no Lidl de Carcavelos e se esconde atrás dos rolos de papel higiénico quando tu passas?", o meu filho via o tio poucas vezes porque a distância tem destas coisas. Arranjei uma fotografia do meu irmão e pedi-lhe que a observasse cinco minutos por dia, para que nunca mais esquecesse o rosto do tio. Ao fim de uma semana contou-me "se eu já achava que era o tio, agora tenho a certeza, mas não o condeno, porra, pudesse eu fazer o mesmo". Conseguisse ele amar a irmã com a mesma intensidade. Percebi que estava a fazer um bom trabalho.

A paciência e o diálogo são a essência para a resolução de qualquer questão com os nossos filhos. Eles são esponjas e absorvem tudo o que lhes queiramos ensinar.

Agora tenho de ir, porque a minha Alexandra Vanessa acertou com um taco de basebol na pilinha do irmão e ele está a gritar com dor.

 

Já sabem, se tiverem temas que queiram que esta vossa mãe positiva responda, temas que vos estejam a apoquentar, não hesitem, estou aqui para ser o vosso ombro amigo.

 

 

Para mais dicas da mãe positiva podem ler:

O princípio

O demónio do açúcar

O regresso às aulas

 

 

Se apreciou este pedaço de soberba escrita, não se esqueça de:

Fazer gosto na página de Facebook.

Acompanhar a conta de Instagram (onde pode ter acesso às palermices desta Gorda, sem códigos da Prozis).

Subscrever o blog por e-mail, é só ir aqui à coluna do lado direito e poderá ser bombardeado com notificações a avisar que há mais coisas para ler.

Ter | 17.09.19

"Está lá, quem fala?"

Gorda

20190917_123351.jpg

 

Não tínhamos telemóveis nem telefones sem fios. Agitávamos os pés em frente ao móvel do corredor enquanto enrolávamos o dedo indicador no fio encaracolado do cangalho verde. Aquele que nos obrigava a demorar uma eternidade para marcar o número das amigas, uma volta por cada dígito. Não havia marcação rápida nem números identificados, o telefone tocava, nós atendíamos e do outro lado alguém haveria de esclarecer quem se tratava e porque ligava. Íamos ter com os amigos à praceta com hora para voltar e sítio delimitado para estar, a mãe não mandava uma mensagem a dizer que estava na hora de voltar, sabíamos a hora e sabíamos que íamos cumprir, senão no dia a seguir ficávamos em casa a ajudar com a limpeza do pó. De quando em vez a chamada da gracinha “posso falar com o Jesus?” e toda a gente a pensar quem seria o Jesus, se calhar algum vizinho ou o namorado novo da inquilina dos rés do chão. “Não sabemos quem é, mas qual é o assunto?”, do outro lado, de gargalhada contida, alguém esclarecia “olhe deixo recado, diga-lhe que é o Diabo!” e desligavam. A mãe ralada com “a juventude de hoje, onde é que isto vai parar, os pais a trabalhar e eles a gastar impulsos”.

Lá aparecia a vizinha do lado ou a prima que morava ao fundo da rua “tia tens aqui 20 escudos, posso usar o telefone”, os vinte escudos que não pagavam metade dos impulsos daquela hora de conversa sobre namorados e desavenças de amigas.

O irmão mais velho que queria as chamadas rápidas e o telefone desimpedido, a namorada ainda havia de ligar antes da hora de jantar. O “ninguém toca no telefone esta manhã” quando se esperava uma chamada do médico. Os recados para os vizinhos do lado que não meteram telefone em casa para que a filha não lhes gastasse uma fortuna com chamadas para o namorado, já não bastava que lá fosse jantar tanta vez ainda dar despesa com o telefone.

Outros tempos em que havia um telefone por cada casa, partilhado por uma família de seis, para deixar os vizinhos usarem e para as primas lá fazerem as pazes com os namorados e combinarem as idas ao cinema. Quando os prédios ainda tinham vida e todos nos conhecíamos, quando pedir uma xícara de açúcar era normal e “já agora, se não se importa, deixa-me fazer uma chamadita”.

Seg | 16.09.19

Coisas que me fornicam a mente

Gorda

giphy - shady.gif

 

 

Ainda estive para ver se a conjugação gramatical, semântica e ortográfica estaria correta na frase que compõe o titulo, mas como estava um tanto ou quanto enjoada não me apeteceu.

Há coisas que me deixam cá fecundada da mente, como os dias de chuva quando eu precisava de sol, as tardes a passar a ferro, os dias de trabalho que ultrapassam 10 horas, os pelos dos cães na roupa, as filas de trânsito, as pessoas que não sabem dizer obrigada, os reformados que estão sempre com pressa, as reclamações sem sentido, as pessoas que se metem na vida do outros, as papas de aveia e os canais de vendas que só servem para arranjar invenções ao dinheiro e surripiar as reformas aos velhos que, à falta de ter o que fazer, encomendam frigideiras que não precisam.

Depois há aquele tipo de coisas que me deixam mesmo fodida, que são circunstâncias uma notazinha acima de ter a mente fecundada; aqui enquandram-se momentos em que alguém usa o que outro enjorcou para ter graça. Ter ideias dá trabalho, fazer piadas também, por mais que possa parecer que brotam do chão, ou do ar, quem sabe de uma qualquer condição natural jorrando como o petróleo em solo saudita. Ter uma ideia é como parir, umas vezes é um instante, outras parece que só saem a ferros.

Maneiras que cá fico um tanto ou quanto encanitada com esta coisa de ver quem tem graça à conta alheia. Que se faça então bom proveito, que haja lugar àquele arroto de satisfação e que apareçam mais para alimentar o que os outros usam para ter piadinha, já que por conta própria a coisa parece não se dar.

Agora que já vomitei este fel que estava para aqui a entupir a canalização, posso seguir à minha vida com a graciosidade costumeira.

 

Pág. 1/2