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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Qui | 31.10.19

Fortemente acagaçada pelas 6:30 da manhã

Gorda

Hállôiine.png

 

 

Confesso. Sou gaja que se acagaça com facilidade. Não fico embasbacada com pouco, mas quando as coisas se me aparecem do nada eu saldo da cadeira e grito “aí Jasus! FFFFFFFFF…asssssssee!” e depois sigo à minha vida procurando a acalmia cardiovascular.

 

(o comer de letras ao vernáculo é uma coisa que acontece muito quando: a) estamos muito familiarizados com os palavrões e já os tratamos por tu cá, tu lá; b) estamos tão há rasca que não há tempo para dizer tudo; c) temos filhos pequenos e habituamos o cérebro a transformar uma boa asneira numa espécie de assanhar de gato manso.)

 

Salto das peúgas quando o meu marido aparece do nada numa assoalhada em que eu estou quando penso estar sozinha e não ouço passos.

 

Apavoro-me com os Michael Knights da condução que mandam guinadas inesperadas com as viaturas, mas que é só aquela ameaça de quem diz “aiai, se eu quisesse ia para aí…”.

 

Suo frio quando acho que posso ter mandado o e-mail para o destinatário errado.

 

Cuspo a sandes de centeio quando vejo bichos a circular no ecrã do meu telemóvel e o meu cérebro ainda não acordou, estando incapaz de processar que os maganos que circulam são digitais.

 

Hoje de manhã vim ver a condição do meu estupendo blogue enquanto estava a papar o pequeno-almoço, dou uma dentada no papo-seco e, ato continuo, abro o Sapo Blogs, engasgo-me e dou um salto da cadeira gritando um abafado “Corólho!”.

O meu marido riu com uma vontade totalmente desnecessária, provavelmente porque eu tentei de facto eliminar a vida de um dos morcegos digitais com a falangeta do meu dedo indicador da mão direita. Pareceu-me ser uma formiga anormalmente desenvolvida e que se mexia com muita celeridade.

 

Obrigada sapo, a travessura já está, fico à espera do meu saco de gomas mais logo.

 

 

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Ter | 29.10.19

Maquilhagem para principiantes ou a aventura de “paiting the focinhe”

Gorda

 

 

 

Dotada das minhas resplandecentes 36 primaveras, com um corpo rijo e de fazer inveja à mais sensual das deusas, decidi que estava na hora de ganhar vergonha nesta tromba sempre mal enjorcada e passar a compor a dita com umas coisas que as senhoras usam.

Com esta decisão em mente envidei numa maratona por lojas de maquilhagem em busca de compreender qual o mínimo essencial para compor esta linda trombinha que acomoda a genética de meu pai e de minha mãe. Vou à primeira loja e uma moça muito atenciosa explica que tenho de pôr uma coisa para ajudar a fechar os poros antes de aplicar a base. “Mau. Então mas o mínimo não é a base?”, afinal não. O mínimo é dar uma trinchadela de primário antes de pôr a base que é o mínimo da cobertura. Depois da base esclarece-me que é importante espetar também com um pó, que é para agarrar a base que por essa altura já está agarrada ao primário. Como as olheiras são fundas é a vez de um corretor, tom mais claro, esfregado até meio da bochecha e ali até ao que me parece quase na retina, porque “as suas olheiras são um pouco fundas”. Não são um pouco fundas, parece que a vida faz violência domestica comigo e me espeta bananos nas ventas a torto e a direito. Quando a vendedora me acaba de preencher a cara com coisas de cor aproximado à minha pele até me arrepiei quando olhei para o espelho, se eu normalmente já dou ar de quem só vai à praia nas horas sem sol, com aquela cobertura parecia uma das bonecas de porcelana que a minha mãe tinha em cima da cómoda. Disse que ia pensar e pus-me a andar. A vendedora amavelmente esclareceu que aquilo era o mínimo dos mínimos. Tinha de começar por algum lado.

Uns dias depois fui a outra loja. Mais uma vez um primário, a base – desta vez no tom certo para a minha pele -, um corretor, um rímel e até um batom vermelho. Pela primeira vez na vida usei um batom que não fosse do cieiro. Quase achei que até estava a atirar para o bonita. O problema residia no preço. Para adquirir o mínimo para construir uma tromba decente tinha de trazer não só os materiais como os pincéis para aplicar os materiais.

Numa resolução de meia idade sem lá chegar ainda, estava capaz de gastar o tostão. Eis que a senhora esclarece que a base que dá com o meu tom de pele está esgotada. “Então logo agora que eu estava embicada para uma obra de construção focinhal, não há o mínimo que é preciso,?! Homessa!”.

 

É uma voz dos céus a dizer que eu não devo gastar este dinheirinho. Pensei com os meus botões.

 

Tento mais uma opção: supermercado. O que não faltam são marcas e a coisa é mais em conta.

Mas antes de comprar decido ir ver um tutorial “básico” de 20 minutos sobre maquilhagem. Afinal de contas é preciso perceber o que é que se está a comprar, não vá depois dar aquele ar de chimpanzé a olhar para o palácio e a rodar o objeto na mão até dar com a abertura daquilo.

Absorvi imensa informação e preparei um resumo do que preciso: um primário para fechar poros e agarrar a base; base; pó para se agarrar à base e “ligar tudo”. A expressão “ligar tudo” é muito usada. Receio que em maquilhagem e num estufado. Depois vem o corretor que também é iluminador. Se a base é aplicada à trincha, o corretor é esbatido com esponjinha. Em cima do pó ainda vai o “bronzer” que em estrangeiro deve ligar melhor. Por cima do bronzer vai o iluminador nas bochechas que pode ser blush ou outro pó mais escuro, havendo também variantes com glitter. A seguir é preciso dar cor às sobrancelhas. Uma pessoa vai sofrer para tirar pêlos e depois pinta por cima que é para parecer que afinal estão preenchidas. Muito confuso. Mas é como a tabela periódica, não compreendendo é preciso aceitar que é assim. Ficam a faltar as sombras dos olhos que têm uma cor para a curva, outra para o canto e mais uma para a pálpebra. Olhos terminados? Nada disso. Falta o rímel. Que pode ser modelador ou dar extra volume. O rímel tem um nome tão comprido que parece um daqueles pratos rococó pelos quais pagamos uma batelada de dinheiro para comer uma caganita no meio do que parece ser uma travessa redonda. Segue-se o batom. Primeiro em lápis para desenhar a  boca que entretanto está meio branca do resto das tralhas e por fim numa espécie de stick.

Ufa, acabámos certo?

Não.

Ainda falta borrifar as ventas com um spray que serve para fixar tudo, porque afinal não chega um creme que se agarra à base e o pó que compacta tudo.

Depois disto temos uma maquilhagem assim “bem básica”.

Fiquei cansada e ainda não comprei nada.

 

 

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Dom | 27.10.19

Casados à primeira traulitada - terceira parte

Gorda

(imagem retirada do Google)

 

 

Ora cá estamos nós para mais um escrutinar de coisas manifestamente interessantes e indiscutivelmente importantes à condição humana: a terceira parte dos "Casados à primeira traulitada".

Eu não sei até quando é que as pessoas vão aguentar esta estopada - para dizer a verdade nem sei como é que eu própria aguento - mas é como a castanha, mesmo tendo bicho, enquanto for vendendo cá andaremos.

Pois que ponderei muito se este fim de semana teria os ovários de aço necessários para roubar um punhado de horas ao sono para fazer esta resenha enquanto o programa de domingo está a passar e achei que já que não fui à guerra, alguma contribuição eu havia de fazer pelo país. Por isso não me deito mais tarde, mas posso deixar aqui uma espécie de resumo Europa-América do que mais interessa saber sobre esta saga. Desta maneira o leitor que tem interesse no conteúdo palerma pode regalar-se e o leitor que gosta de estar a par das circunstâncias antes de começar a ver mais uma maratona de duas horas em véspera de bater com os costados no tronco na segunda-feira, pode também estar mais instruído.

 

Casamentos, a haver, logo serão escarafunchados na próxima semana. Restando-nos acompanhar o comportamento humano para confirmar, antes mesmo de o estudo estar concluído, que esta malta só se inscreve por duas razões: a) para ganhar notoriedade e a partir daí orientar umas massas com presenças e a cagar postas de pescada em programas de bosta; b) são chonés e a gente quando olha fundo naqueles olhos compreende que aquilo não está completo lá dentro.

 

Antes de avançarmos nunca é demais esclarecer que o detalhe dos factos não tem lugar nestas resenhas, porque o rigor jornalístico aqui não penetra. Se é para dizer coisas com sentido e que de facto sejam mesmo como a realidade comprova, não contem comigo que eu tenho coisas para fazer, como apanhar Legos, tirar nódoas de aguarelas e passar roupa a ferro.

 

Dito isto, comecemos então a escabichar os acontecimentos desta semana:

 

O gabiru de Corroios e a outra moça

Afinal não se conheciam nem se tinham papado como eu tinha pensado. Depois de passar um cagagésimo de segundo a pensar no meu erro constatei que isso aconteceu porque o meu cérebro achou que com um linguadão daqueles ao fim de minutos no mesmo sítio, aquela gente só se podia conhecer.

Ela aparentemente não teve boas experiências amorosas, mas sabe imenso de espaço e da vida e coise. 

Tenho alguma dificuldade em escolher a minha parte favorita deste casal, porque sempre que aparecem no ecrã eu sinto aquela vontade animal de regurgitar a refeição.

Já falam em ter filhos, têm arrufos por causa de adornos feios e ela só consegue alcançar o equilíbrio no mar agarrada a umas fios de pechisbeque que ela esfrega enquanto se abana. 

Já falam de casas e onde vão morar enquanto se deviam concentrar em saber em que escola é que ele fica colocado este ano.

Suspeito - e corro o risco de estar aqui a ser muita precipitada - que quando o pugrama acabar ela vai publicar um livro com a sua história, ao estilo da fénix que em vez de renascer nas cinzas se inscreve num pugrama de merda; já ele vai abrir uma Box de Crossfit ou um site de treinos em casa.

Pelo supra exposto o nome desta categoria passará doravante a designar-se "o gabiru de Corrioios e a Ariel de Carcavelos".

 

O multimerdas alentejano e a arquiteta que afinal vende casas ou lá o que é

Ao que consta o multimerdas alentejano afinal não é agricultor, mora numa quinta e tem umas galinhas, é advogado e dá umas berlaitadas no espanhol. Berlaitadas, aquela coisa que não dá na noiva que acha que eles têm imense em comum, mas é para serem amigos, porque apesar de a aparência não importar nada, ele não é bem o que ela queria para sobremesa.

Ela está alegre e contente, foi passear ao Quénia e passa o dia a ver bicharada e a dar mergulhos na piscina. De quando em vez fala com a irmã, o que garante que não fuja do espectro animal uma vez que a mana se comporta como uma valente cabra.

 

O comercial e a Vitoria Béquér dos Ovos moles

O homem bem que se esforça - até porque deve estar habituado a vender usados carregadinhos de problemas no motor, e os calos profissionais às vezes embicam uma pessoa para caminho tortuosos - mas a Vitoria Béquér não está para coisas. Acha que lhe calhou um cota porque ela é mais reggaeton e rapazinhos novos de chicha rija, ali todos gaiteitos para elas lhes afinfar umas nalgadas bem assentes. Nota-se que é daquelas pessoas de quem se diz que tem mesmo mau feitio, quando na verdade é uma mal educada do quarailho.

O comercial, que já devia era estar-se bem a cagar para matrafona - que de fresca e bela tem pouco - para ali anda, a ver se amansa a fera para depois ir fazer queixinhas para a câmara. 

Não é percetível a razão para a inscrição do comercial, porventura tem aspirações para abrir um stander de marca pópria. Quanto à cãozinha da pradaria, sempre com aquele nariz franzido como quem acabou de cheirar uma bufa, estou quase certa que a inscrição se deu num momento de travagem cerebral porque o pugrama já deu provas de que não arranja um gaijo bom para nenhuma candidata e a Vitória de bola só se for para levar com uma nas ventas.

 

A special one e o canguru boy

Estes dois ou eu vou à casa de banho sempre que aparecem ou a verdade é que mal aparecem no ecrã. Para ali andam, ele não dá pena nem paixão, ela gosta de fazer Yoga, mas depois vê-se à rasca para fazer a ponte. Valha-me Deus mulher! Tava a ver se te partias toda!

Acho que em vez de passarem imagens deles nas Maldivas, com a special one a correr pela praia com o seu fio dental verde alface, podiam era passar images da mother dele because a cota é muito funny e a gente gosta always de ouvir um fellow emigrante a forget de como é que as words são no Portugal.

 

A cota desempregada e o reformado choninhas

A cota é fixe, já disse que não há cá cambalhotas de câmara ligada e que primeiro têm de ser amigos para depois de afinfarem à chichia. Tou nessa, cá agora libertinagem logo depois de casar! Nada disso. Libertinagem nunca, nem antes do casamento, nem depois do casamento. Só depois de muito esperar. Casar com um tipo que não se conhece e cujos dados pessoais são uma incógnita até assinar os papeis, sim sinhora! Agora trucas-fucas nem pensar, que o material é renovável mas não é para gastar de qualquer maneira.

Já o reformado choninhas eu gostaria imenso que aparecesse um egípcio que lhe arreasse com uma bilha de gás (daquelas antigas) ainda cheia trombas adentro. Se aquele velho não está todos os dias à porta da CGD para atualizar a caderneta eu não sei. A gente quando olha para a pessoa nos olhos percebe que a centralina está toda marada, os fusíveis estão descarnados e a fazer ligações incorretas, cheias de curto-circuitos e o camandro. 

A cota desempregada é para a frentex (mas sem sexo) e queria um tipo para a acompanhar, então arranjaram um velho jarreta que até para orientar 20 paus para comprar um chapéu nas férias fez fita. Olhem ela ficava bem era com o amigo dele, lá o careca de bigodinho que dançava como uma avestruz depois de tomar Prozac.

 

O gaijo do Barreiro e a moça que quer arranjar outro emprego

Ao que parece o gaijo do Barreiro afinal não é do Barreiro, é do Seixal. Aquilo dizia lá barbeiro e eu com as náuseas li a coisa mal. De qualquer forma Seixal ou Barreiro é mais ou menos o mesmo que isto é gente da Margem que tem no sangue um certo sentimento de fraternidade geográfica. Depois de ver os amigos do moço pareceu-me que gaijo do Barreiro fazia sentido porque é toda uma personagem em si.

A mocita é simpática e podíamos dizer mais coisas da mãe que da jovem. A mãe quer um príncipe para a filha e está deserta de preocupações, só se deve é ter esquecido de dizer à filha que era uma ideia de merda ir-se enfiar num pugrama para casar com um gajo que nunca viu escolhido por uns tipos que se intitulam coachs de merdas que ninguém sabe o que são.

Profissionais exímios com 100% de provas dadas em matéria de escolhas falhadas.

Este domingo o suspense assenta na confissão da moça ao dizer que é divorciada, algo que pode impactar com a religião do gaijo do Barreiro. É uma coisa que se percebe, casar com uma bacana que nunca viu é como o outro, agora ela já não ser pura isso é que não pode ser.

 

E é isto, os profissionais continuam a fazer constatações acutilantes, assertivas e disruptivas quanto ao behavior dos participantes porque eles têm de baixar a guarda e os padrões estabelecidos para darem hipótese a uma nova pessoa que é fora da caixa, o que na verdade quer dizer que é melhor aceitarem alguém mais feio porque gente gostosa em princípio vai para outro pugrama.

 

Para a semana julgo que haverá mais, se os concorrentes orientarem conteúdo e a minha cabeça aguentar.

 

 

Para ler as restantes resenhas basta clicar nos links abaixo:

Casados à primeira traulitada - primeira parte

Casados à primeira traulitada - segunda parte

 

 

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Sex | 25.10.19

Desafio de escrita dos pássaros #7 - "O império de Clotilde"

Gorda

Tema da semana: Escreve uma história romântica baseada no clássico "A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abobora com amêndoa. Convence-a  a escolher a compota para usar "

 

Boa noite a todos. Estamos aqui esta noite para comemorar os 25 anos das Compotas Glow. O meu nome é Clotilde Marrazes e não teria construido este império sem o vosso apoio constante.

Este ano iniciámos exportação para mais cinco países da América e os nosso produto local estará em exposição numa mercearia do Bronx onde uma prima minha emigrada está a trabalhar porque não tem visto.

- Para de engonhar Clotilde, conta a parte que interessa!

A minha amiga Custódia sempre à espera do seu momento de glória. Não há meio de um peru lhe largar uma poia valente no curso de um voo razante.

Eu trabalhava nesta mesma mercearia há 25 anos atrás, era funcionária do Tó Zé Zarolho. A minha avó sempre foi umas intruja, pelo que depois de ter deitado mãos a umas abóboras que uma vizinha nos arranjou lá dos terrenos agricultas da Junta de Freguesia, decidiu fazer uma empreitada de compotas para vender para fora.

Tentou dar a provar, mas aquilo estava de tal maneira intragável que não havia quem comprasse um pote. Foi quando decidiu ir beber uma bica à mercearia. Conversa puxa conversa a velha conseguiu convencer o Zarolho que aquilo era uma receita de uma madame francesa e que a coisa se vendia como ginja. O tipo comprou tudo por dez contos. A velha foi contente e eu fiquei lixada.

Depois de dois dias de reclamações dos clientes o Tó Zé veio ter comigo:

- Ó Clotilde, eu não vou pedir o dinheiro à tua velha porque a cota me mete medo, mas tu tens de arranjar maneira de me vender esta porcaria, senão vou descontar-te do ordenado.

É nessa altura que me entram pela loja a Custódia e a Constança. A Constança queria uma máscara capilar e eu à rasca para vender compotas.

A Custódia chamam-me à parte:

- Quéquesepassa contigo? A gaja quer u’máscara e tu não te calas com a compota.

Contei-lhe e ela apareceu com a solução. Dizer à outra que barrar a guedelha com aquilo fazia o cabelo mais forte e brilhante.

A vantagem de conhecer gente burra e inculta é esta, conseguimos convence-los de qualquer baboseira.

A Constança leva a compota e volta uma semana depois para ficar com os frascos todos. O cabelo estava fantástico e a avó tinha ficado deliciada porque aquilo era uma maravilha para ajudar a colar a placa à gengiva.

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

Tema 2

Tema 3

Tema 4

Tema 5

Tema 6

 

 

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Qua | 23.10.19

A intrincada importância intelectual da sensibilidade cutânea e meteorológica

Gorda

frio.png

 

 

- Olá, bom dia!

- Bom dia.

- Já viram este frio?

(na verdade não porque o frio não se vê, mas adiante)

- Realmente hoje está mais frio, ontem estava mais sol, mas estava frio e de qualquer modo hoje está assim como que a entranhar-se nos ossos.

(confuso, mas a pessoa aguenta…)

- Acho que é isso.

- Mas a temperatura diz que está mais alta que ontem.

- A sério? Onde é que viste isso? Deve estar mal.

(provavelmente viu no site de receitas da Vaqueiro ou assim)

- Vi no site oficial de meteorologia. Hoje está mais alta a temperatura. Tenho estado atenta porque daqui a um mês vou para o frio e quero saber se vai estar mesmo frio para levar agasalhos.

(ah afinal há um site oficial, que descanso. É fundamental saber a temperatura de hoje para acautelar o próximo mês)

- Ai sim? Ai que bom. Mas olha se está mais quente eu não sinto. Por amor de Deus! Até se me arrepio toda.

- Pois mas está.

- Não contesto. Mas a minha pele ainda ontem não se estava a arrepiar desta maneira e olha que eu sou muito tolerante ao frio e aguento até temperaturas negativas e com gelo e estalactites penduradas em sítios. Mas isto hoje está assim a arreliar.

- Deve ser de algum efeito adverso.

(é isso, a pólvora está aí, não tem que ver com ser uma estação fria…)

- Se calhar é do vento.

(ora lá está a variável que ninguém ponderaria)

- Pois, às vezes vêm aquelas correntes de África.

- Acho que as correntes de África são mais para o calor.

(porquê? Homessa!)

- Em calhando arrefecem pelo caminho e depois quando aqui chegam já são um gelo.

(passam por um túnel frigorífico, de certezinha)

- Pois não sei, mas que é assim é.

- O que vale é que vou de férias para o calor.

(Pronto, já passou)

- Aí que inveja.

- Pois.

- Pois.

- Então até logo.

- Até logo.

 

 

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Dom | 20.10.19

Casados à primeira traulitada - segunda parte

Gorda

(imagem retirada do Google)

 

Ora cá estamos para mais uma fornada de gente que procura uma boa noite de nalgada, quer dizer desculpem, uma vida de amor e felicidade e filhos e até que a morte leve um desta para melhor. Ou isso ou malta que anda a ver se orienta uma vidinha descansada com patrocínios e presenças e livros de bosta que são dispostos nas trombas das pessoas quando só querem ir ao pão.

Não consigo compreender como é que uma pessoa pode comprar um livro sobre equilíbrio emocional e harmonia escrito por alguém que participou num programa para onde só vai quem não tem os parafusos certos na mona. Mas enfim. É certamente um daqueles momentos em que se diz que a pessoa toma decisões disruptivas porque está bem resolvida consigo mesma.

 

Mas antes de dar início à nossa resenha, escrita durante o próprio programa, é fundamental esclarecer um erro transmitido no texto anterior. Ora pois que, ao contrário do que foi mencionado, o casal que já se conhecia não era "o gabiru de Corroios e a outra moça", mas sim "a special one o o canguru boy". Analisada toda a fantochada durante os extras da semana, é fácil compreender que a determinada altura ambos fizeram swipe left num conhecido programa de dates online que começa por T e acaba em inder, mas quando chegaram à noite de copos um deles não enchia as medidas do outro e então, segundo asseguram a pés juntos, não houve cueca nem amasso, seguiu cada um para a sua caminha e nunca mais se voltaram a ver. Até que se inscreveram num programa de cocó e fingiram ficar com cara de merda, porque toda a gente percebeu que aquilo foi encenado. Quem ainda não tinha percebido que ali havia gato, ficou a entender quando fizeram de conta que estavam a contar à irmã da noiva que mente com a mesma capacidade com que eu pinto um quadro a óleo.

Isto faz-nos compreender que o trabalho dos especialistas é mesmo muito bom, porque a química era tanta que estes dois já tinham estado à conversa e nunca mais se quiseram misturar. Ou isso ou às vezes dá jeito arranjar um tacho a uma amiga da televisão que até se dispõe a dar canal.

Salva-nos a mother do rapaz que, a bem da truth, é o melhorzinho neste pugrama.

Ainda assim o gabiru e a outra moça também têm sido interessantes de ver, porque aquilo é um amor assanhado como nem na escola secundária atrás do pavilhão uma pessoa vê. Houve rega bofe logo na primeira noite, porque a ligação era extra forte e ele diz que tem a sensação que já dormia com ela há 10 anos.

Amigo sabes lá tu o que é acordar com a mesma pessoa durante 10 anos, já não se lava a cara com a mesma preocupação e durante a noite as pessoas estão mais à vontade mesmo que a janta tenha sido feijoada valentemente condimentada.

Mas adiante.

 

Os casais novos que é para isso que cá estou

 

A cota desempregada e o reformado choninhas

Ela quer é laurear a pevide e festa, o velhote gosta de regras e de ter a vida arranjada. Por isso mesmo é que os especialistas os juntaram. "Ela vai espévitá a vida deli", que é como quem diz "vai fazer em merda a cabeça do cota porque não tem pedalada para a senhora", mais ou menos o mesmo.

A madrinha dela é uma pessoa que sabe o que interessa e diz que o que é preciso é que o motor arranque e as coisas se apresentem de pé, a partir daí é orientar a festa que o resto é caminho.

A irmã dele está preocupada porque quer tomar conta do mano agora que a mãe já não está. O velhote tem sessenta e tal anos. Senhora, deslargue o homem, sim!?

Eu diria que a coisa até se pode dar porque ela está desempregada e ainda lhe faltam mais de 10 anos para a reforma e ele já conta com essa mensalidade fixa, parecendo que não é um emprego e se ele for desta pra melhor a doidivanas está orientada.

 

O gaijo do Barreiro e a moça que quer arranjar outro emprego

É um gaije que até ó mumente ainda só q'ria era gaijas (pausa para surver saliva no cante da boca), o amiga pintas é que lhe fez a inscrição no pugrama e anda mesme é a pócrura de assentar e arranjar uma m'lher para ele. O pai tava numa viagem mas apareceu assim a modes que do nada num bar pa beber um cope e d'zer que tava mesme emocionade com o casamente do filhe e prontes.

O mache ofereceu à moça uma merda de madeira que comprou numa viagem a moçambique e aparentemente era uma parte dele porque foi ele que comprou.

Ela tem um padrinho e uma madrinha que aparentam ter trocado a voz dentro de uma maquina de experiências. A mãe está mais empolgada que a noiva pelo casamento e a princesa gosta de ler aqueles livros muito profundos que vêm sempre dentro de saquinhos com brilhantes e purpurinas.

Não consegui perceber mais porque entretanto chegou a Diana Chaves cheia de cores, com as suas margaridas rijas e eu já não me consegui concentrar  na melancolia da noiva.

A madrinha do noivo estava com medo que arranjassem uma gorda alentejana ao amigo, já a madrinha da noiva estava preocupada porque o rapaz não era suficientemente alto, mas lá está, havia a esperança de ter uma gaita valente.

Termina provando que a veia camionista não lhe está apenas na voz quando diz "quando ele vir as mamas dela fica já maluco", ah que maravilha!

 

Entretanto percebi que só iam dar estes dois casórios, mas a minha cabeça começou a latejar com tanta parolice e decidi ir deitar-me antes que os meus neurónios se despedissem para ir trabalhar para outra empresa. 

 

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Sex | 18.10.19

Desafio de escrita dos pássaros #6 - "Custódianic"

Gorda

 

Tema da semana: Escreve uma história romântica baseada no clássico "O Amor, uma cabana… e um frigorífico"

 

 

O amor tinha-se-me acertado como a rolha descontrolada de uma garrafa de espumante fatela na noite de ano novo.

Tinha dezoito anos, estava fresca como uma alface e arrebitada como um nabo.

A ‘nha tia Graciete convidou-nos para almeçar em casa dela no Bairre do Passarote Amarelo e nós quisemos aproveitar a tarde para laurear a pevide pela Baixa, por isso apanhámes o cacilheire. Maravilhoso, o Tejo todo cagado com lixo e duas ratazanas a nadar bruces em família. Imaginei-nos aos dois, na piscina Municipal de Lavacolhos, a nadar com os nosses patinhes.

Foi então que óvimes um estronde, eu sobressaltei-me e disse pro Adalberto:

- Isto vai ao fundo, de certeza que bateu no ceberg.

- Tás parva?!

Não estava, o cacilheire ia ao fundo e eu não podia deixar que nos afogássemes com todo o amor que tinhames para viver. Empurrei o Adalberto para um barco salva vidas e lancei-nos ao rio. Suspirei de alivio.

- Já viste a merda que fizeste, Custódia!? Tu não vês que o barco só tinha um problema de motor? O que é que a gente faz agora?

Remámes e remámes ainda mais. Fomos dar uma ilha com vista para Lisboa. Olhei à volta e percebi que o meu sonho se realizava.

- Olha Adalberto, estames sós. Amor, uma cabana e...um frigorific.

- Aquele monte de paus que arranjaste não é uma cabana e não sei onde raio estás a ver um frigorífico.

Apontei ao fundo, era azul e até tinha uma alça.

- Aquilo é uma geleira com a merenda de algum pescador que para aí anda.

- Não Adalberto, é um frigorífic. Atira-me contra ele e vais ver como o meu hímen lá fica pespegado. Até pareço uma lembrança do Pragal.

O Adalberto papou-me com força e vontade. Papou-me forte.

Depois começou a anoitecer e percebemos que não íamos sair dali.

- A guarda costeira nunca mais aparece pá!

Exasperava-se o Adalberto. Eu, sempre rata a maquinar construi uma embarcação com uns pedaços de madeira. Convenci o Adalberto a pôr-se lá em cima e fomos Tejo afora. Mas o Adalberto era pesado e eu acabei por lhe dizer que tirasse o cu gordo de cima da jangada. Homem que é cavalheiro afoga-se pela sua gaja.

Quando a guarda costeira apareceu o Adalberto tinha um tampão usado no ouvido esquerdo e uma tainha a mamar-lhe da boca.

Não nos voltámes a ver.

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

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Qua | 16.10.19

Casados à primeira traulitada - primeira parte

Gorda

CASADOS À PRIMEIRA.jpg

(imagem retirada do Google)

 

 

Será difícil superar a resenha que o Por falar noutra coisa fez, mas uma pessoa tem aquela cena da visão feminina e acaba a ter coisas para dizer.

 

Importa começar com uma nota introdutória que é a seguinte: nunca convidem a Diana Chaves para o vosso casamento, a menos que tenham a certeza que são mesmo muito boas. E aqui a confiança interior não conta.

É gira, boa como o milho, tem as margaridas rijas e consegue orientar roupa de designers e maquilhagem profissional. Mas profissional mesmo, não é lá a senhora do salão que fez um curso em 1984 e deixa as noivas a parecer uma parede pintada por um cego.

 

Maneiras que as cerimónias começam com um gajo no altar a ser escrutinado pelas amigas da noiva, que, por regra, fazem comentários muito parecidos com os dos gajos em bares de strip depois de já terem mamado uma data de wiskeys. Para não falar nas mães delas, preocupadas com a genética que aquela aventesma pode dar a um potencial e inexistente neto. Depois aparece a Diana Chaves, vestida como uma princesa de encantar, lindíssima e vai ter com o noivo. O tipo já está baralhado e certamente cagado de medo do trambolho que lhe possam ter arranjado e é confrontado com uma gaja mesmo boa a valer que ele não vai papar. É mais ou menos o mesmo que estarmos a almoçar com aquela amiga que pede um bitoque mas nós estamos de dieta e por isso papamos um robalo grelhado com feijão verde. A pessoa fica aguada mas não toca na chicha.

 

Todos os concorrentes ficam em completo estado de êxtase e surpresa quando os "especialistas" lhes dizem que encontraram um match, quase parece que não se inscreveram no programa, alguém foi lá a casa dizer que lhes arranjou um namorado.

A outra coisa interessante é que ninguém conta às famílias e depois acham estranho que os pais e os irmãos não se queiram meter naquela embrulhada. Viesse um dos meus irmãos com uma conversa destas para o meu lado, se eu para ir ao casamento "normal" já foi o que foi e gostava das minhas cunhadas, imagine-se isto...

Acresce a este poutpourri de belos acontecimentos que toda a gente quer fidelidade e amor, o que resulta na mesmíssima merda de sempre. Mais valia que dissessem logo que queriam um canhão para pinar em vez de estarem a mentir. Afinal de contas elas ficam sempre com cara de poia quando olham para o altar e não veem lá um Gustavo Santos wannabe.

 

Os especialistas só fazem perguntas sem cabimento como "quando é que se sente mais sozinha?" e os concorrentes dão respostas ainda mais parvas quando respondem "quando estou a tomar banho."

Hã?! Como é que é mesmo? No banho? Ó mulher se só te sentes só no banho tu não precisas de casar, precisas é de uma pinadela valente e depois logo pensas nos papeis.

 

Mas a pièce de résistence são mesmo os casais e as suas peculiaridades, é tão fácil compreender porque foram para ali e garanto-vos que não há um que vá à procura de companhia.

 

Vamos conhecer os casais de domingo.

 

O gabiru de Corroios e a outra moça

Ele é professor de ginástica e é um gaijo seguro de si mesmo, daqueles que veste com casaco branco com listas pretas no dia em que casa. Dá aquele riso de quem se ainda não papou vai papar e tem um certo tique de pernas que dá a ideia que precisava mesmo de coçar um testículo, mas com a câmara ligada não dá jeito. Ela, de acordo com as amigas ia gostar e a prova disso é que afinal eles já se conheciam e até já se tinham embrulhado.

Na temporada anterior ainda não tinham arranjado uns que já tinham experimentado o pinanço, desta vez lá conseguiram. Com 11 milhões de habitantes, conseguiram arranjar um gajo de Corroios com alguma queda capilar que papou uma gaja de não sei onde e olhem que o gajo teve uma temporada na Guiné. Impressionante. Quase que dá aquele feeling de que ambos sabiam que se iam inscrever e vão pa lá dar canal ou o que é.

 

O multimerdas alentejano e a arquiteta que afinal vende casas ou lá o que é

Ela alega ser mega inteligente e querer um gajo que puxa para o intelectual, sendo exatamente por isso que se inscreveu num programa de merda. É natural que um Einstein das terras lusas esteja mesmo à espera de encontrar uma princesa num programa com 100% de taxa de insucesso na primeira temporada. Salva de palmas. É de admirar que esta moça ainda não tenha desenhado um empreendimento para pôr ao lado da gaita do Parque Eduardo VII.

Ele é agricultor, formador de direito e de espanhol. Esqueçam o pluritasking, este gajo faz multimerdas. Isto é pessoa para estar a ordenhar uma vaca enquanto cita a constituição a um futuro juiz. E em espanhol.

Porra, a gente neste triângulo à beira mar plantado temos tanta capacidade que eu até nem sei se não há mais génios que mar.

Cum caralho, até fico banzada da mona com isto!

Ele não é bem o que ela estava à espera. Pelo menos fisicamente, até porque ele diz que tem 42 mas cá para mim já se foi registar a andar de bicicleta.

 

O comercial e a a Vitoria Béquér dos Ovos moles

Ele é comercial e divorciado, mas o vídeo de apresentação deixa uma pessoa na dúvida porque só vê um senhor de meia idade a correr sem t-shirt quando devia fazer o favor de tapar aquilo. Ainda por cima quando metem a musica do Baywatch e a pessoa olha para o ecrã e percebe que quem está a correr é o gajo que se vai afogar.

Ela é administrativa e é uma daquelas pessoas que alega ter "mau feitio" para não dizer que é mal educada. Ficou a olhar com cara de cabra para a irmã quando apareceram as duas vestidas de noiva e estava tão empolgada por conhecer o noivo da irmã que ficou mesmo aquela ideia de que anda sempre a ver se come o que a mana arrasta pro prato porque acha, claramente, que é melhor que a outra. Aliás é tão boa que nem a maquilhagem estava ao seu nível.

Ficou claro que o comercial automóvel não lhe enchia as medidas, nem que o tipo lhe arranjasse um Tesla novo com um desconto valente.

 

A special one e o canguru boy

Ela é relações não sei o quê e até já teve um programa na RTP de que não fala muito. Diz que escolhe sempre o mesmo tipo de homem e que todos a traíram até hoje. Miga, quando a gente diz que escolhe sempre o mesmo tipo de perfil físico é fácil de perceber que nos achamos bué acima e que só damos o código da patareca se eles forem giros que chegue, para nós e para fazer inveja ajamigas. Quer muito começar uma família e encontrar o homem ideal, por isso o melhor foi mesmo inscrever-se num programa que não acertou uma para a caixa da temporada anterior e que leva uma valente probabilidade de lhe arranjar um moço mais para o feiote.

Na temporada um não havia um unico concorrente que se dissesse "olha, assim à primeira vista e sem estar embriagada, papava!".

Ele veio das australias, está sempre a rir e tem assim um toquezinho. Nada contra, normalmente são excelentes amigas, mas dá assim como que a ideia que ele e ela podiam ir às compras. De todo o modo, ultrapassada esta questão, a verdade é que este me parece o tipo mais porreiro do programa todo e lamento imenso que se tenha metido nisto. O que vale é que tem casa na terra dos cangurus e pode sempre voltar para lá. A mãe fala bué mixes porque não consegue remember das coisas.

 

Até agora é isto, estou ansiosa por saber de mais concorrentes, sempre com atraso porque eu tenho de me deitar cedo para descansar a minha beleza.

 

 

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Ter | 15.10.19

E a violência doméstica senhores políticos, quem fica com esta pasta?

Gorda

violência doméstica.png

 

 

Porque parece evidente que alguma coisa tem de ser feita

 

Neste texto não vos trago bom humor, nem alegria de nenhuma forma. Neste momento não me apetece rir e parece-me que o tema em questão não precisa de gargalhadas, precisa sim de ações daqueles que “tomam conta” do nosso país e que deveriam estar atentos aos gritos de ajuda que se fazem ouvir de forma abafada à força de socos e pauladas camuflados por maquilhagem, óculos escuros e dias passados em casa de janelas fechadas. Nódoas negras que ninguém vê porque os olhos ficam cegos para o mal alheio, porque a desgraça do outro é desconfortável e não há tempo para dar a mão, o barco tem que se apanhar, o trabalho tem que se fazer e graças a Nossa Senhora não é em nossa casa.

 

Enquanto isso todos os dias mulheres são espancadas, filhos assistem impotentes aos gritos de dor das mães que são pontapeadas ao canto da sala. Mães que se põem à frente dos filhos e apanham o golpe extra para que pelo menos estes sejam poupados à ira dos progenitores.

Sim progenitores, um pai é amor, não um punho cerrado desferido contra o rosto da mulher, mãe dos seus filhos.

 

Dizem que a violência hoje começa mais cedo, que os abusadores sabem escolher as vítimas, fazem relatórios e estudos que servem apenas para constatar a mesma tristeza ano após ano. O abuso do poder, tantas vezes em duplicado. A indiferença da família, dos vizinhos, o “tema que fica para mais tarde” dos políticos e no número que cresce a cada mês. Todos lamentam, mas ninguém faz nada.

 

Se sei o que deve ser feito? Não tenho a certeza, mas de uma coisa estou segura: o nada não parece uma boa solução.

 

Não sei se passa por uma maior educação cívica nas escolas. Acompanhamento dos miúdos para o respeito ao próximo, sobre como se comportar e respeitar o outro numa relação. Pode parecer descabido, mas da mesma forma que há educação sexual é fundamental o saber-fazer e o saber-estar do comportamento humano.

Não sei se passa por garantir conhecimento e treino mínimo de defesa às miúdas nas escolas. Parece palerma, mas sempre é mais útil que dar cambalhotas e fazer o pino. Da última vez que vi se alguém me tentar agarrar à força fazer o pino não me serve de grande apoio, agora saber como me libertar talvez tenha o seu valor.

Não sei se passará pela criação de uma secção independente de reporte e queixa crime. Porque não? Elementos especializados, desvinculados das demais forças de segurança, capazes de exercer o apoio necessário e a mitigação dos riscos de vida em que estas mulheres se encontram. Convínhamos que fazer queixa na esquadra da GNR (ou PSP, tanto faz) onde o marido tem os camaradas é bem capaz de granjear um “vá antes para casa e entenda-se com o seu marido, isso são coisas de casais!” Ter a Josefa Maria afeta às queixas de “violência das senhoras” não conta como entidade independente com poderes para agir de forma imediata e proteger a vitima.

O que raio acontece nos hospitais quando mulheres esmurradas entram nas urgências? Ainda se acredita que foram contra o armário e são distraídas? Um bom médico não vê que foi um punho e não uma tábua de madeira atarraxada à porta? Que entidades dão acompanhamento? Por favor não me digam que as mesmas que registam a ocorrência num papelinho, questionam se quer apresentar queixa e depois deixam a vítima voltar a viver debaixo do mesmo teto que o agressor quando tem alta.

A vítima tem medo porque volta para casa, porque estará sentada à mesa de jantar com quem a desfigurou, maltratou, ofendeu e ameaçou. Porque teme por si e pelos filhos. Porque sabe que está por sua conta.

Não sei se passará por garantir a segurança destas mulheres deslocando-as para localidades afastadas do individuo que as magoa. Mas não basta agarrar nelas e envia-las num envelope de correio para os confins do nada, é preciso garantir que têm estabilidade, que conseguem um emprego decente, que são acompanhadas para não serem enfiadas numa segunda circunstância de abuso com empregadores que cheiram a necessidade e abusam dessa fraqueza para sugar mais, que têm apoio financeiro para sustentar a sua família.

Não sei se passará pela avaliação económica da mulher vítima. Quantas mulheres não permanecem numa circunstancia de completa dependência porque não são financeiramente independentes e precisam do agressor para conseguir criar os filhos e dar-lhes um teto onde dormir?

Estou certa que passa por aumentar as penas do agressor, devendo ser feito o devido acompanhamento do individuo para compreender que este está apto para regressar à sociedade e que não constitui uma ameaça para a mulher.

E já agora porque motivo é sempre a mulher a ter de perder a família e o suporte afastando-se de tudo o que conhece, conferindo-lhe o eterno lugar de presa que foge do malvado predador? Porque motivo não é o agressor afastado, obrigado a viver a muitos quilómetros de distância, acompanhado e vigiado?

Como é que em 2019, bem dentro do século XXI, ainda se aceitam juízes que desconsideram a gravidade da agressão física dentro do lar? Que condição psicológica podem ter estas pessoas quando não compreendem que família destruídas, que geram dor e ódio só criam dor e ódio? Que equilíbrio social pode ter uma criança que vê a mãe ser sovada dia sim, dia sim?

 

Há muitas coisas que eu não sei, mas estou certa de que não pode haver mais tolerância. Que têm de ser exigidas medidas objetivas para apoiar estas mulheres. A elas e a quem as rodeia e se disponibiliza para as apoiar.

 

A semana passada o número de mulheres mortas à porta da violência doméstica ascendeu a 30, uma estupenda média de 3 por mês. Mas não foram só estas mulheres que morreram. Registado o número de mortos e feito o devido lamento não se fala do resto. Dos pais que perderam uma filha. Dos filhos que ficaram sem a mãe. Dos filhos que terão de continuar a conviver com um pai homicida depois de este cumprir a sua levezinha pena. Dos filhos que vão sentar-se na escola com os dedos erguidos dos amigos e os comentários das mães dos outros “aquele coitadinho a mãe morreu, diz que foi o pai que a matou, o bandido”. Dos filhos que vão para instituições. Dos filhos que vão para famílias de acolhimento.

Quando a mãe morre às mãos do pai, falam pouco dos que ficam e do sofrimento que os perseguirá por toda a vida.

 

Hoje as noticias anunciam uma mulher que viveu 12 anos de violência proporcionada pelo estupendo marido, GNR de profissão. Apresentou a primeira queixa em 2007, a última tem menos de um mês. Este individuo agrediu a mulher e os filhos. O que é que as autoridades precisavam mais nos últimos 12 anos para ter feito alguma coisa?

Precisavam de se ter importando e de esquecer a puta da ideia que “entre marido e mulher não se mete a colher”.

 

 

Ter | 15.10.19

Diário da mãe positiva – como lidar com a febre dos nossos anjinhos

Gorda

 

 

Minhas queridas, prezadas e fofas leitoras, devo antes de mais lamentar estas últimas semanas em que estive ausente deste nosso imaculado fórum de aprendizagem e partilha, mas o mercado imobiliário está a arrebentar pelas costuras e uma pessoa tem de aproveitar enquanto a chinesada quer gastar cá o carcanhol nas nossas magnificas terras lusas. Ando há semana e meia entre japoneses e coreanos (não dos que têm penteados todos iguais; daqueles que têm condição económica para serem atendidos por uma agente premium como eu), querem comprar tudo o que são apartamentos no centro da cidade e regateiam que mais parecem marroquinos a marcar preço pelos tapetes, valha-me Deus! Já não negociava tanto desde a última vez que eu e o meu João Carlos fomos de férias a Marrocos. O João Carlos desapareceu-me e fui dar com dois indivíduos de camisa de noite a querer arrastar-me lá para uma casinhola qualquer. Eu mantive-me positiva e dei-lhes uma esfrega de informação, só sei que a determinada altura um deles puxou da mão atrás e o outro fez-lhe que não, saiu e voltou com algumas pedras. Depois de duas pedradas bem assentes que me deixaram no mais completo e pleno estado de mindfullness, com a cabeça vazia de ideias e carregada de dor, ofereci-lhes os meus prétismos enquanto consultora imobiliária; nessa tarde vendi-lhes os dois pardieiros onde viviam por uma boa maquia. Expliquei-lhes que temos de ver sempre o lado bom das coisas, mesmo que a nossa cabeça esteja meio aberta e a sangrar descontroladamente. Aqueles cavalheiros simpáticos deixaram-me ir.

O João Carlos ficou tão estarrecido quando me viu aparecer que o Tourette veio logo todo ao de cima “Caralhos ma fodam! Nem à padrada me vejo livre de ti!”

É um romântico este meu marido. Queria fazer-me uma surpresa com rosas e acabou a ser enganado por aqueles dois cavalheiros de camisa de noite e saca de pão enfiada na marmita.

Mas adiante. Perco-me sempre com estas lembranças boas. Quero contar-vos tudo.

Maneiras que ontem disse pó japonês “Ó senhor Songoku, isto aqui ainda é caro porque os brasileiros e os franceses querem ficar com tudo, pelo que ou paga ou vai xing ling pá Margem Sul que lá é mais barato!”.

É preciso acreditar, as pessoas é que às vezes não percebem isso. Sou uma grande fã da minha Cristina Ferreira, partilhamos muitos ideais e até já mandei bordar a cara dos meus anjos nas costas do meu fato de treino da Ardidas.

 

Bom, vamos ao tema não é? Aquilo que as minhas lindas mais querem saber. Não é para falar da minha carreira que as minhas amorosas aqui aparecem, verdade? O que os meus amores querem saber é da minha visão sobre a maternidade e como a perspetiva positiva pode melhorar a vida. É preciso acreditar nas coisas boas e na força que temos cá dentro para ultrapassar tudo.

 

Nós somos um poço que não vê luz porque a profundeza não tem fim.

 

Vou mandar imprimir esta frase na minha roupa de fim de semana.

 

Um dos maiores terrores das minhas amigas que têm filhos é a febre. Ficam transidas, carregadas de medo que as crianças tenham convulsões e perdem o norte com o receio das sequelas que essas malditas podem causar. Eu digo-lhes sempre “nada temam, a força para reduzir a febre dos nossos filhos está na nossa fé e no bem que já injetámos no corpinho deles.” Tudo na forma das mais potente das vacinas: o leite materno.

Esta vantagem não pode ser usada por aquelas mães que optaram pelo leite em pó. As fórmulas do demónio têm um preço.

Quando os meus filhos começam a ficar moles, de testa a ferver, chamam pelo pai. O calor ataca-lhes o raciocínio e gritam “chama o meu pai, otária! E diz-lhe para trazer o xarope”. Pobres almas, a febre a falar por elas. Ponho-lhes o termómetro debaixo do braço e miro-o com atenção. Foco para que a febre perceba que não estou para brincadeiras. Nos meus olhos a pujança de uma mãe leoa que diz à maleita “vou esmagar-te com a minha positividade, porque eu acredito”. O termómetro indica 39º e eu percebo que a maleita insiste em não dar de frosques, é então que digo “tens de ter força meu amor, os anti corpos que a mamã colocou em ti vão vencer tudo, tu vais ver!”

O meu Luís Alfredo é muito afetado pelas febres altas, alucina, diz coisas como "vai pro raio que te parta mãe! Traz o Ben-u-Ron e deixa-te de merdas!" Porque precisaria ele de antipiréticos se tem os anti corpos da mãe a fazer a sua saúde vingar.

Deito fora o açúcar e peço à minha vizinha benzedeira que me arranje uma galinha de macumba para eu fazer uma canja. As galinhas dela são criadas ao ar livre e roubadas a uma quinta biológica, por isso consigo compra-las a bom preço. Faço uma canja e sei que com o organismo limpo de transgénicos as células irão combater qualquer maleita.

O meu João Carlos concorda com a minha abordagem e apoia-me em tudo, costuma dizer-me "se não fosse eu não sei o que seria destas crianças, porque tu tens isso aí em cima incompleto, só pode! Agora vai lá ver se vender uma casa a um asiático e desampara daqui!" É um pai extremoso que sabe a importância de dividir as tarefas pelo casal.

Quando chego a casa vejo que a panela da canja está vazia e que a febre já deu lugar a uma criança descansada.

 

Por hoje é isto, tenho de ir ali responder ao e-mail do Sr. Miyagi a ver se ele compra ou não compra a casa, porque se ele não quer já tenho aqui um francês chiquérrimo em espera.

 

E lembrem-se, conto com as vossas questões e dúvidas, porque se ando por cá é para vos ajudar a encontrar o caminho para a felicidade suprema.

 

 

Para mais dicas da mãe positiva podem ler:

O princípio

O demónio do açúcar

O regresso às aulas

Brigas entre irmãos

 

 

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