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Casa da Gorda

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Ter | 31.12.19

As MINHAS 10 melhores fotos de 2019

Gorda

Percebi recentemente que uma boa influencer faz duas coisas antes do ano novo: volta a sítios onde foi feliz, que normalmente são praias paradisíacas em destinos caros de areia branca; escolhe as 10 melhores fotos do ano que está a passar, assim a modos que a relembrar a beleza da vida.

Maneiras que, como o sítio a que voltei foi apenas o supermercado, decidi fazer o meu TOP 10 de fotos mais maravilhosas MINHAS neste ano de 2019.

 

Vamos a isto?

 

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Eu, em 23 de fevereiro de 2019, quando estava a ir ao pão para comprar umas carcaças a lenha.

 

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Eu, em junho de 2019, a projetar os castelos de areia que haveria de construir com o meu querubim.

 

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Eu, a celebrar os meus 36 anos, com uma série de pessoas que nunca conheci.

 

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Eu, em julho, a ponderar sobre a vida, porque não há melhor forma de pensar do que a olhar para a piriquita.

 

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Eu, em 14 de agosto, a meditar na minha varanda de 2 metros quadrados. A meditação tem feito maravilhas pela minha forma de ver a vida.

 

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Eu, em 24 de setembro, num churrasco simples de família a grelhar algum seitan.

 

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Eu, no cacilheiro Cacilhas – Cais do Sodré a tentar estalar a perna, sabem quando ficamos com aquele tendão preso…

 

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Eu, em meados de setembro, a caminho da festa de fim de ano da escola do meu herdeiro.

 

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Eu com os meus irmãos antes de eles terem instalado gaitas e escolhido profissões mais mal remuneradas. A senhora de mais idade é a tia Custódia que tem Alzheimer e quis aparecer na foto mesmo sem a convidarmos.

 

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Eu hoje, a preparar-me para a ramboia de ano novo.

 

 

BOM ANO NOVO

 

 

 

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Qui | 26.12.19

Quem é que já escolheu a cor da cuequinha para o ano novo?

Gorda

cuecas de fim de ano.png

(a imagem das cuecas reles foi providenciada por uma pesquisa Google, contudo a definição das categorias de cor que as acompanha saiu desta linda cabecinha que vos escreve)

 

 

Estamos a duas bufas do ano novo e como tal a população já esqueceu o Natal, a harmonia e todo o amor com que trataram o próximo nas filas de supermercado para comprar o bacalhau e seus acompanhamentos. Foram registados mais sinistros com couves a embater contra as ventas de cidadãos de meia idade que tiveram o desplante de estar com pressa numa fila pejada de idosos devidamente reformados, que nas estradas portuguesas. Felizmente, porque parecendo que não, a couve apesar de deixar um certo odor sempre aleija menos que a chapa. Despedimo-nos do velhote de barbas com votos de que vá marrar com uma rena e venham de lá os comes e bebes, as passas e a valente cadela que irá ser curada no primeiro dia do ano, garantindo o adiamento de todos os planos previstos para um inicio radiante, porque a telha está a latejar e o brilho do dia encandeia a retina.

Não nutro uma elevada estima por festas de arromba e tenho uma falta de apreço particular pelo ano novo, derivado de circunstâncias de trauma, mas mais ainda porque é uma festa que impõe demasiadas regras. Mesmo e em particular para quem é pobre e está sempre a contar com aquele micro empurrão da sorte. Temos horas especificas para comer as passas, que por sua vez têm um numero pré-definido. Temos de fazer pensamentos complexos acompanhados de desejos enquanto mastigamos as passas e só Deus sabe como é difícil fazer duas coisas em simultâneo apresentando um estado avançado de alcoolemia. Como se não bastasse, temos ainda de escolher a cor adequada da indumentária interior, que neste dia em particular, para além de não poder possuir buracos e sinais de desgaste, deve ainda estar a estrear. Esta, chamemos-lhe tradição, visa garantir que o ano que se abeira está cheiinho daquilo que a gente mais quer. O que eu não entendo é porque raio uma pessoa não pode querer aquelas coisas todas ao mesmo tempo. É difícil ter de escolher entre a prosperidade e o dinheiro. O amor e a paixão. A saúde e a paz. Em princípio, pelo menos a mim e reconheço-me como um caso especial, dar-me-ia imenso jeito ter um bocado de tudo: saúde, amor, dinheiro, sorte, prosperidade e por aí em diante.

 

Mas enfim, houve alguém mais esperto que agarrou num punhado de cores e decidiu que tinham significado, depois, provavelmente embriagado, decidiu que faria todo o sentido que as cores, quando atribuídas às cuecas, fariam do ano de uma pessoa aquilo que a dita mais desejada e assim, em vinha de alhos, nasce uma tradição.

 

Como sou uma cidadã dada a estudar e aprofundar assuntos essenciais à humanidade, cidadã essa que não precisa de álcool para enjorcar ideias verdadeiramente idiotas, decidi reformular o significado das cores. Aqui fica para vosso pequeno gáudio.

 

Verde

Greta vegan.

Nos dias que correm é redundante, mas teve de ser. Adequado a quem procura um homem preocupado com o ambiente, aliciando-o em direção à chicha e camuflando a maluca com alface.

 

Branco

Pistas de merda.

Ao fim de duas lavagens está encardido e se for acometido por uma dor de barriga é garantida a evidência de rasto para todo o sempre. Destinado a quem quer fazer um maior acompanhamento ao seu dia a dia inferior.

 

Azul

Passarinha do céu.

Se acima dos sessenta, depois de tirar pode dar com as nuvens e alguma incontinência urinária. Destinado a quem procura malandrice no lar.

 

Cor de rosa

Cafuné de sofá sem pagode.

Destinada a quem procura aquela pessoa que vai ajudar com o jantar, que baixa o tampo da sanita e não se esquece de passar um chuveiro pela banheira para não parecer que o Tony Ramos se foi refrescar lá a casa.

 

Amarelo

Tesão das moedas.

Rico não veste cueca amarela porque rico não pede dinheiro a entidades que não vê. Rico tem saldo e dinheiro na conta. Só o pobre é que usa cuecas amarelas à espera de ficar rico sem trabalhar para isso. Destinado a quem não se quer esforçar no trabalho e conta ganhar a lotaria sem jogar.

 

Paixão

Queca das Arábias.

Cor destinada a quem anda com a pássara em aflição e precisa de tratamento emergente. Não está preocupada/o com o asseio dos lavabos nem a durabilidade da relação. Só importa que o incêndio seja apagado.

 

Roxo

Funeral da ramboia.

O roxo enquanto cor patenteada das tiras florais que acompanham as coroas fúnebres, assinala uma Valentina que se despede das andanças vivaças de outrora e procura o aconchego eminente da fralda pluriabservente. Destinado a quem procura workshops de culinária e tranquilidade de sofá depois de mamar uma boa janta e quatro rennies.

 

Cor de laranja

Senaita engripada.

A vitamina C das rendas garantirá que a Josefa se recupera e pára de espirrar descompassadamente. É como a vacina para o corpo, mas com reforço para a patareca. Destinado a quem quer uma Maria cheia de energia para enfrentar o dia.

 

Preto

Pintassilga elegante.

Não mancha, não enruga, não serve de cenário para nenhum crime ou infeção vaginal pelo qual a Judite possa passar. É uma cor que não compromete. Destinada a quem queira passar despercebida.

 

Na via das dúvidas, já mandei fazer as minhas cueconas especiais, todas pretas com a cara do Deadpool à frente e atrás.

 

 

BOM ANO NOVO

 

 

 

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Seg | 23.12.19

A evolução do meu estatuo de mãe em época de Natal

Gorda

Natal_lareira.jpg

 

 

 

O meu filho é doce como só ele consegue ser. É bruto como só os genes da mãe dele conseguiriam programar. Tem resposta para tudo como quem passou nove meses em formação intensiva com sua rica progenitora que tem uma boca mais rápida que o vento em plena tempestade.

 

No outro dia, depois de lhe dizer um bilião de vezes que acabasse de comer a sopa respondeu-me, enfastiado, querendo verdadeiramente transmitir o transtorno de ouvir a minha voz:

- Mãe, tu és a maior chata cá de casa.

 

Não refuto a verdade. Factos são factos, por isso rematei com um simples:

- Isso é certo, mas não é por isso que não tens de acabar a sopa. Por isso: ACABA A SOPA!

 

As boas, carinhosas, dengosas e pacientes mães de catálogo nunca gritariam. Mas a minha sorte é que eu sou um ser humano pejado de defeitos por isso berro e faço má cara quando considero que as circunstâncias a isso pedem. Amém.

 

 

No inicio da semana passada andava-me o safado de cuecas e calças pelo joelho quando comecei com a lenga-lenga do “vou contar até três para puxares as calças para cima e ires lavar as mãos”, vai daí e o maltrapilho, enquanto preguiçosamente puxava as suas vestes, diz-me:

- Ai mãe, eu até mando as mãos à cabeça com as coisas que tu me dizes.

 

É neste momento que eu paro o que tenho para fazer e me encosto à ombreira da porta da casa de banho. Esta é uma conversa que tem a minha atenção:

- Ai sim, então porquê?

- Tu até me fazes mandar as mãos à cabeça.

- Porque te estou a dizer para puxares as calças?

- Sabes mãe, vou sair desta casa. Vou sair desta casa e da tua vida para sempre.

- Ai é?! Então e vais para onde?

- Vou para a África do Sul.

- Para a África do Sul? O que é que tu vais fazer para a África do Sul?

- Vou ter com a Torre Eiffel.

 

A Torre Eiffel na África do Sul só se for o nome de uma stripper, porque de resto não estou bem a ver.

 

- Filho, a Torre Eiffel não é uma pessoa, é um edifício, um monumento, uma coisa inanimada.

- Não me interessa.

- E não fica na África do Sul.

- Fica onde?

- Fica em Paris.

- Então é para lá que eu vou.

- E depois dormes onde? Na rua?

- Nãããããooooo......Ora, durmo num hotel!

- Com que dinheiro?

- Com o meu.

- Tu não tens dinheiro.

- Tenho, tenho!

- Onde?

- Na minha coisa.

 

Nesta altura eu só já me conseguia rir, por isso não disse mais nada.

 

 

Ontem estava na cozinha a preparar as coisas para o jantar quando o mafioso me entra por ali adentro:

- Mãe, é hoje o Natal?

- Não.

- É quando?

- É terça-feira. Depois de amanhã.

 

Ficou a pensar, saiu e voltou uns cinco minutos depois.

 

- Ó mãe, então quer dizer que falta mais ou menos um dia para o Natal?

- Sim é isso.

 

Voltou a ir-se embora, claramente a fazer contas de cabeça.

 

Quando ao final do dia entro no quarto dele vem ter comigo, caloroso e diz-me:

- Mãe, obrigada por me amares.

 

E deu-me um abraço apertado.

 

 

Faltavam menos de 48 horas para o dia de Natal, altura de abrir prendas, por isso, não vá o velho ser tanga dos cotas, mais vale dar graxa à trambolha que tem poder sobre o cartão multibanco.

 

 

Feliz Natal para todos

 

 

 

 

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Sex | 20.12.19

Desafio de escrita dos pássaros #15 - "Custódia Rena entrevista..."

Gorda

(imagem retirada do Google)

 

Tema da semana: O Pai Natal decidiu reformar-se e as entrevistas começam esta semana. Descreve uma dessas entrevistas na perspectiva do recrutador de recursos humanos: A Rena Rudolfo.

 

 

 

- Boa tarde Shôr Amilcar Pila Forte, o que o levou a prescindir do seu cargue como Pai Natal?

- Eu pensava que o Rudolfo era uma rena com uma penca piscante.

- E a mim nunca se me passou pela mona que o gordo da chaminé se chamasse Amilcar Pila.

- Forte.

- Forte, não! Gordo. Você é gordo.

- Qual é a sua graça menina?

- Custóida.

- Menina Custódia, a vida como Pai Natal é muito parecida com o emprego numa multinacional que paga por objetivos: um gajo arranha e cumpre, mas depois toda a gente se comporta como se não existisse.

- Tou a ver. Eu por exempes sempe achei que você era uma tanga.

- Está a ver!? Ando eu montado numa avioneta com renas desenhadas a distribuir prendas e depois ninguém dá valor.

- É pá mazé difícil d’uma pessoa s’acreditar quande um gorde diz que esgueira a pança pela chaminé abaixe. Eu faço dieta todó ano e não passo na chaminé lá do meu prédio.

- Ah, a chaminé... Importa-se que eu fume e beba o meu bagacinho?

- De maneira nenhuma, shôr Amilcar. Até ficava agradecida se compartilhasse comigue um cheirinhe dessa pomada aqui no meu cafézinho.

- Claro que sim. Mas dizia eu. Uma pessoa é avaliada pela forma como se apresenta e pela sua constituição física. Ninguém percebe que um homem encorpado como eu possa encontrar formas de se esgueirar por sítios apertados.

- Eu tou aqui a mica-lo e não se me ocorre maneira nem jeito homem. Com’é’que você passa a noite de natal, é que a viagem do Polo Norte ainda é um esticão do catane?

- Reúno as renas, falamos e eu bebo. Acabo a minha garrafinha e depois ponho os presentes na avioneta. Acendo o meu material medicinal. Porque as pessoas não sabem, mas eu peno muito com a fibromialgia.

- A sério? Não trouxe medicação consigo não?

- De momento, lamento, mas não.

- E depois?

- Depois entro para a avioneta e arranco. As renas voam, o Rudolfo pisca, o rezingão pulula.

- O Rezingão é um dos anões da Branca de Neve.

- Às vezes também aparece, depende do traficante. Há uns melhores que outros.

- E o que é que o Shôr Amilcar faz quando não é Pai Natal?

- Sou designer de interiores e aposto muito no vermelho.

 

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

Tema 2

Tema 3

Tema 4

Tema 5

Tema 6

Tema 7

Tema 8

Tema 9

Tema 10

Tema 11

Tema 12

Tema 13

Tema 14

 

 

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Qua | 18.12.19

Gorda chamada ao nº 1 do pódio

Gorda

sapos do ano.png

 

 

 

Estávamos em 1995 e decorria o torneio de futebol na C+S do Feijó. O 6º A contra o 6º D num dérbi renhido pelo pódio tantas vezes treinado nos intervalos das aulas de duas horas.

Eu estava no banco de pau. Se jogasse a médio ou avançado tropeçava na bola, se jogasse a defesa agredia os adversários e também os colegas de equipa porque não os sabia destingir bem, se ficasse à baliza fugia da bola. Pelo que fui uma estupenda contratação como suplente, uma vez que as inscrições tinham numero mínimo de jogadores e sem a minha assinatura não entrávamos como equipa.

O jogo foi renhido. Empatámos. Fomos a prolongamento. Empatámos. 

Tudo se iria resolver nos penáltis. A mais ingrata das formas para vencer uma partida.

Quase todos jogadores de ambas as equipas tentaram a sua sorte e ainda assim mantínhamos o empate. Faltava uma jogadora do 6º A. Eu.

O Filipe, um puto loiro de olhos azuis, cujos dentes da frente não tinha crescido em igual proporção e que mantinha um tique tremendamente cómico de cerrar o olho direito enquanto falava, olhou para mim (com o olho disponível) e disse em profundo lamento: "Gorda, vais ter de ir marcar".

Ele entregou os pontos.

A turma sabia que íamos perder.

Eu tinha a certeza que ia fazer merda.

Ainda assim ganhei a maior distância que pude daquela bola, lancei-me com tudo o que tinha e investi com o pé direito.

Chutei.

E ninguém sabia da bola. A sacana tinha desaparecido. Ou eu lhe tinha arreado com força a mais ou tinha falhado por cima porque aquela porra não dava sinal de forma nenhuma. Com a embalagem que eu tinha dado só podia ter chegado força a mais e feito aquela porra desaparecer na estratosfera.

O 6º D largou-se em gritos de vitória, o guarda-redes estava eufórico e enquanto festejavam de pura alegria a bola que eu tinha chutado seguia lenta e rasteiramente eô-eô-eô pelo chão, acabando por entrar no canto direito da baliza.

Foi o Filipe zarolho que, com o seu olho aberto, micou o paradeiro da bola e deu o grito da vitória com um golo que ninguém estava à espera. Particularmente eu, que continuava à procura da bola.

Ganhámos. 

Eu nunca tinha sido aclamada para nada na puta da vida e soube-me a pato. 

 

Vinte e quatro anos depois sou a vencedora da edição dos Sapos do Ano para a categoria de humor aqui da "turma" da Sapo. Não tem nada que ver com o tema com que comecei, mas não queria escrever só quatro linhas.

Não fiquei com nenhum troféu, o que é bom porque é menos um pingarelho para limpar o pó e porque assim passo o Natal de bem com a Greta. Mas fico com a certeza de que trago alguma alegria ao dia a dia de quem lê, o que me dá uma valente satisfação (já que dinheiro nem gota...e agora que penso nisso, acho que vou começar a cobrar por clique).

 

Obrigada a todos os que votaram nesta palerma. Obrigada a todos os que leem. Obrigada aos dois chonés que enjorcaram estes prémios. 

Que o próximo ano nos traga muitos temas para fazer pouco, que saibamos todos relativizar o que nos rodeia, que tenhamos a capacidade de rir no nosso próprio umbigo e que nos deixemos de indignações e ofensas fáceis porque para séria já chega a vida.

 

Parabéns a todos os outros participantes e que mantenhamos a vontade de nos entreter uns aos outros.

 

 

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Dom | 15.12.19

À rasca com a vida - podcast - o início (sim agora também têm de me ouvir)

Gorda

À rasca com a vida_foto.png

(imagem totalmente criada pelas mãozinhas sapudas aqui da menina)

 

 

Não raras vezes dou comigo a pensar porque raio tenho tantas ideias de merda. Só me ocorrem em momentos pouco oportunos, como quando tenho coisas sérias para fazer ou quando decido ter um dia descansado sem ser incomodada com a hipótese de fazer mais alguma coisa que não me faz falta alguma.

Infelizmente foi o que aconteceu há sensivelmente três semanas. Estava descansa a tomar um banho tranquilo. Estava relaxada a gozar da satisfação de ter uma torneira quase arranjada, ou pelo menos que já não pingava e, com esse problema fora dos ombros o meu cérebro aproveitou a descompressão para me apresentar mais uma prenda: a soberba ideia de criar um podcast.

Há coisas que não interessam a ninguém, mas que eu quero obrigar pessoas a ouvir. Por isso vou usar os recursos gratuitos que a internet colocou ao meu dispor para, em acrescimo às fagulhas que mando para os olhos de que lê, também mandar perdigotos para as suas cavidades auditivas.

Apelativo, verdade?

Deixei que o momento eureca me atazanasse por mais duas semanas e meti mãos à obra. Percebi mais ou menos como se faz (tecnicamente, porque falar, graças ao Senhor, é coisa que não me custa mesmo nada) e voilá, cá está um magnifico podcast.

 

Este é o Episódio 0, uma espécie de apresentação / teaser / coisas para aquecer a multidão de gente que acabará a ouvir estas baboseiras.

 

Está disponível no Spotify e no Youtube ou clicando aqui em baixo.

 

Espero que gostem e que não fujam logo depois de ouvir esta voz choninhas. A musiquinha tonhô é mesmo para acompanhar com a minha voz que dá ares assim de que eu seja meio lerda.

 

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Sex | 13.12.19

Desafio de escrita dos pássaros #14 - "Custódia procura emprego"

Gorda

(imagem retirada do Google)

 

Tema da semana: Não nasci para isto

 

 

- Muito boa tarde Sra. Custódia Reis de Bartolomeu Fajinhas.

- Boa tarde só se for pa si que ist't'aqui tá um braseiro que mais parece que uma gaija se tá a candidatar a frango pa brasa.

- Lamentamos. Vamos ligar o ar. O que a fez candidatar-se ao posto de assistente comercial na Bananas & Trombinhas Lda?

- O meu marido.

- Como assim?

- O meu marido aicha qu’eu tenhe de fazer alguma coisa produtiva c’a ‘nha vida. Que me fazia bem arranjar uma ocupação.

- Uma ocupação é fazer tricot.

- As malhas dão-me cabe das costas. Prefiro uma coisa com cadeira de cabedal e um computador pa eu tar entretida.

- Ah, Sra. Custódia, aqui na Bananas & Trombinhas Lda terá muito trabalho, terá de processar relatórios, enviar encomendas, atender telefonemas de fornecedores e articular entregas com clientes.

- Isso parece muita coisa, não posso delegar? Eu não nasci para isto. Estou mais a ver-me a trazer algum style pró escritório. Dar alguma vida a este ambiente macambuzio que vocês p’aqui têm.

- Propõe trazer bom espírito de equipa. 

- Se é espírito e se entra pa equipa tanto se me dá. Desde q’eu possa começar às dez depois da bica e acabar às quatro a tempo de ainda ver a Fátima e a máquina da verdade.

- Lamentamos, mas o horário é das nove às dezoito com pausa para uma hora de almoço.

- Uma hora de almoço não vai dar, porque eu tenho digestão difícil e tenho de comer com tempo pa não enervar as tripas, estava assim a modos que a pensar duas horas e meia de pausa.

- Sra. Custódia, então quantas horas conta trabalhar?

- Não faço ideia. Olhe é entrar, espalhar charme que vale muito para a motivação das gentes que por aqui batem c'os costades, sentar-me, ligar o computador e abanar o rato de forma vigorosa. É atender uns telefonemas e despachar chatos. Se há atrasos têm de esperar. Pressa é coisa de gente pelintra. Depois pretendo sair com tempo para descansar. Estar muitas horas no escritório, com esta luz artificial dá-me cabo dos pores.

- Sra. Custódia, que outros empregos teve?

- Fui presidente de uma empresa, gerente de outra e diretora noutra.

- Quanto tempo esteve em casa um desses cargos?

- Menos d'um dia cada perque as peças de teatro só tiveram uma semana em cartaz.

 

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

Tema 2

Tema 3

Tema 4

Tema 5

Tema 6

Tema 7

Tema 8

Tema 9

Tema 10

Tema 11

Tema 12

Tema 13

 

 

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Qua | 11.12.19

Aporrinhamentos de Natal

Gorda

Aporrinhamentos de natal.png

 

 

 

Se a vida fossem só rosas as coisas não tinham graça e por isso há que arranjar questiúnculazinhas sem propósito para nos engalfinharmos em aborrecimentos desnecessários. 

Andei pela Internet e também pelo interior desta minha cabeça depravada e constatei os seguintes seis desesperos quanto ao Natal de 2019:

 

1. As azevias têm glúten e lactose e ainda não arranjaram uma coisa alternativa para fazer na actifry para que fiquem menos gordurosas. Há marchas contra os sonhos porque o açúcar é assassino e a canela atua refém desse cabecilha de cartel escumalha. 

Sugiro fortemente que os doces de Natal passem a ser substituídos por batidos de proteína e queques só de coco.

 

2. O bolo-rei ainda tem frutas cristalizadas quando já alguém devia ter enjorcado um bolo-fit com fruta desidratada que é muito mais saudável.

Sugiro abater o bolo-rei. Só isso.

 

3. Continuamos a comer bacalhau que é peixe enquanto já deviam ter arranjado um substituto vegetal sem espinhas que não obrigasse à aniquilação do animal para salga por seis meses.

Efetivamente festejar à conta de um bacalhau usando como desculpa um menino filho de uma mãe mal informada e potencialmente negligente que não fez o teste do pézinho nas primeiras 24 horas após o parto é algo completamente inapropriado.

Sugiro bebermos. Muito. Assim fazemos uma refeição vegan e ainda toleramos melhor a convivência familiar.

 

4. Há pessoas que papam peru como se o pobre tivesse culpa de o menino não ter tido um babygrow de marca quando nasceu. Não é responsabilidade deste coitado que a Maria não tenha ido às aulas de pré-parto para saber o que levar na mala da maternidade.

Apresento como resolução: vinho.

 

5. Ainda continuamos a dar prendas aos nossos filhos, o que é uma coisa super fora, particularmente agora que vivemos numa era minimalista, onde nem palhinhas de plástico uma pessoa consegue orientar quando saí à noite. O que está a dar é fazer como a Tininha, dar prendas ao longo do ano e nesta época, para ser diferente de toda a gente, a malta não oferece nada. Embrulha companhia e carinhos e tá bom. O rico anda sempre a inventar uma maneira de andar ao contrário do pobre. Quando o pobre não tem dinheiro para nada, o rico mostra a árvore carregada de prendas assim para esfregar um Natal de nababo na cara do teso. O teso lá consegue direitos e subsidio de natal, quase ali a esgalhar uma prenda boa na consoada, os ricos olham à volta e pensam “nah, isto de dar prendas num dia especifico está muito fora de moda, Luís Manuel, compramos o I-Phone topo de gama no dia 23, que isto dia 25 só vai dar companhia e amor”.

Sugiro que nos borrifemos para as modernices e novos repensamentos de como fazer as tradições e que compremos prendas para os nossos putos. Para eles e para algum que não tenha ninguém, não resolve tudo, mas ter uma caixinha para abrir na noite de Natal tem um encanto especial, não me venham com tretas.

 

6. A Carolina Patrocínio lá fez a árvore sem as miúdas por perto para espetar com as bolas no pinheiro de plástico. Uma maçada para deixar qualquer um com as entranhas aos pinotes! O meu filho não participar para árvore lá de casa é como o outro, agora a família Patrocínio pá, que é quase do meu sangue virtual, com isso a pessoa não consegue viver.

 

Sugestão aplicável a todos os pontos: cada casa é uma casa e a gente não tem nada que ver com o que raio os outros decidem fazer. Enfiemos nossos narizes em respetivas vidinhas.

 

Ah, as saudades daqueles tempos em que as pessoas só conheciam a malta da aldeia e as boas novas demoravam ano e meio a chegar.

 

 

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Ter | 10.12.19

Isto de ter um cão

Gorda

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(foto tirada em dezembro de 2009...e sim, fui eu que tricotei os fatos. shhhhh, nem um pio sobre esse assunto)

 

 

Aviso desde já que é preciso paciência e fôlego para este texto. Está muito grande, mas foi escrito com o coração na ponta dos dedos (mesmo que isso seja biológica e fisicamente impossível, se o meu coração estivesse nas falangetas, eu teria patinado por desagregação cardíaca)

 

 

Adoro animais e quem me conhece sabe que sou aquilo a que se costuma chamar de dog lover (assim mesmo, em inglês, porque soa logo a uma coisa mais cara). Sempre adorei cães e esperei oito anos da minha vida para ter o meu primeiro canídeo.

Uma rafeira feia e negligenciada, a última de uma ninhada abandonada, que tinha sido deixada debaixo de andaimes de construção. Os bonitos tinham sido todos acolhidos, mas aquela, a feia, estava ali para ficar ao Deus dará.

Eu tinha oito anos e era capaz de trocar qualquer coisa por um cão. Pedi, implorei, esmifrei-me em argumentos, mas foi a minha avó já muito velhinha, mulher que nunca soube viver sem animais por perto, quem chegou ao coração dos meus pais e os convenceu a ficar com a bicharoca.

Foram duas horas "bem passadas" a perseguir a bicha e depois outras tantas a caçar as carraças e outras animalezas sanguessugas que ela trazia agarradas ao pêlo.

Foi a minha mais fiel amiga durante treze anos, deu-me a pata em todos os momentos mais difíceis e são poucas as minhas memórias de infância e adolescência que não têm uma pata desta desgraçada.

Um dia descobrimos que tinha cancro, eu decidi retribuir o que ela tinha feito por mim e gastei todas as economias que tinha para a faculdade para a tentar salvar. Não funcionou, mas se voltasse atrás faria tudo de novo.

Tive de tomar uma das decisões mais dolorosas da minha vida, acabar com o sofrimento dela. Passei três dias em casa a chorar, completamente desnorteada.

Os animais não são pessoas mas são família. Talvez seja por isso que para mim é completamente atroz pensar na ideia de que alguém considere razoável abandonar quem tanto o ama, ao frio, no escuro, com medo, depois de todo o amor investido.

Ela já não está por cá, mas ficam as memórias, especialmente aquela do dia em que eu fiquei a segurar-lhe na trela enquanto a minha mãe ia à retrosaria. Ela deu um puxão, atirou-me para dentro de uma vala e cavou para o café ao lado onde a encontrámos a comer tremoços com os tipos das obras.

Melhor do que isso, foi a minha mãe a sair da retrosaria sem encontrar a filha e a cadela, eu chamar pela minha mãe e a pobre a dar comigo enfiada numa vala. A minha mãe de saia travada e saltos agulha num jogo de pernas e braços a tentar tirar o meu então lombo gordo de dentro de um buraco mais fundo que a minha altura.

 

E toda esta conversa para quê? Para falarmos sobre esta coisa de ter um cão.

 

Estamos na altura mais quente do ano para arranjar um cãozinho. Os miúdos pedem, a namorada sempre sonhou, alguns estão em promoção no OLX e até há ninhadas tão fofinhas na Internet, com barretes de natal que uma pessoa mal pode resistir.

A noite de 24 é abençoada, a alegria das crianças filmada para pôr na Internet e tudo parece ter saído de um conto de fadas, até que a vida assenta e as pessoas percebem que não têm pachorra para esta merda de acordar de madrugada para levar o cão à rua. Porque o veterinário é caro e a vacina da raiva não chega. Porque nunca se pensou que o chão pudesse ter tantos pêlos. Porque o cabrão do cão decidiu roer as pernas das cadeiras da cozinha depois de ter sido deixado em casa sozinho por mais de doze horas, sem ser passeado e sem qualquer atenção. Se lhe deixámos água e comida qual é o problema do gajo?

Então, mas afinal ter um cão não é só dar-lhe de comer e fazer-lhe uma festa quando nos apetece? Deviam estar agradecidos, porque podiam estar num canil a pisar a própria merda e há quem lhes dá de comer e o que é que eles fazem, os ingratos? Roem as mesas e os móveis da cozinha que tanto dinheiro custaram. 

Como se um cão conseguisse compreender a importância das rendas que a avó fez à mão em 1953.

É verdade.

E isso acontece porque os cães de verdade, aqueles que não estão em caixas nas prateleiras do supermercado, não têm botão de off, não funcionam só quando a gente quer, os gajos têm vontades próprias e por vezes ocorrem-lhe coisas tão produtivas como achar que o que os donos iam mesmo amar era que eles deixassem um cagalhão do tamanho de um chihuahua obeso no meio da carpete da sala.

Ter um cão é uma coisa absolutamente maravilhosa. Se tivermos o estofo para aguentar com o que de menos bom há nisso. Ter um cão é ter trabalho, preocupações e chatices. É andar à "bulha" com outros condóminos, é condicionar as férias e é decidir que não vale a pena investir em mobiliário muito bom.

É ter quem nos recebe como se fossemos o Cristiano Ronaldo ou a Jennifer Lopez todos os dias e a qualquer momento, mesmo que tenhamos apenas ido despejar o lixo. É ser amado de uma forma que nós não conseguimos retribuir nem em 50%. Porque nós valemos para eles a vida. Um cão, quando nos ama a sério, defende-nos até ao seu ultimo fôlego. E isso meus amigos e minha amigas, se não é absolutamente extraordinário, então eu não sei o que é.

 

É porque amo cães, porque acho que nem sempre as pessoas estão preparadas para ter um e porque às vezes as coisas se tornam demasiado assoberbantes, que eu quis escrever este texto. Não me quero focar nos atrasos de vida que abandonam os animais - porque eu não escrevo para montes de merda - mas gostaria de me focar nas pessoas que estão a pensar arranjar um cão e não sabem no que se podem estar a meter.

 

Não me interpretem mal, não vou demover ninguém de arranjar um quatro patas, mas correndo o risco de fazer uma comparação idiota, acho que com esta coisa de ter animais se passa o mesmo que com os filhos. Toda a gente conta o que é bom e deixam de parte toda a secção má como se ela não existisse. E ela está lá, se está. Tão certa como aquela caminhada de dez minutos com um saco cheio de bosta na mão.

 

 

Sem mais delongas, vamos ao que é bom.

 

Amor incondicional

Os cães amam a sua família humana como nenhum outro animal consegue. Adoram e idolatram até à última gota do seu sangue. Amam tanto que voltam sempre de cabeça baixa para pedir amor até àqueles que os tratam mal. Há tempos ouvia a história dos cães de raça beagle que são usados nos EUA para testes de cosmética. Eles são a raça mais escolhida porque são conhecidos por ser dos cães que mais facilmente perdoam. Tão depressa está um filho da puta a esguichar-lhes merda para os olhos (que os pode cegar), como a seguir eles lhes saltam para o colo à procura de uma festa, certos de que têm ali um grande comparsa.

São os melhores amigos dos nossos filhos e é vê-los ficar aflitos quando os putos não estão em casa.

Os meus cães já são velhos e só querem sopas e descanso. Não passam pevas de atenção ao meu filho porque já não têm pachorra para as brincadeiras dele. Contudo, se o puto vai dormir aos avós eles ficam perdidos. Sentam-se à porta do quarto dele e ficam à espera que ele chegue.

Comovente não é?!

Até eu que sou um bloco de gelo imune ao aquecimento global fico de lágrimas nos olhos.

 

Palhaçada à grande

O cão é aquele amigo que faz figura de otário e não se importa que a gente faça pouco dele. Se a gente se rir o cão acha que fez um feito do catano e volta à palermice. Se isto não é do caraças eu não sei o que é.

 

Defendem-nos até do seu reflexo no espelho

Até os meus mafiosos chihuahuas. É verdade. Há semanas andaram a pintar o meu prédio e aquilo estava pejado de andaimes por todo o lado. Só me ocorria que à noite ainda alguma gatuno aproveitava por gargar por ali acima. O que me descansava eram os meus cães. Se algum chico-esperto se lembrasse de meter um pé na minha casa eles iam fazer um chinfrim tal que a CIA aparecia.

 

São família

Os irmãos podem ligar pouco, os tios aparecem no natal, os primos têm a vida deles. Os nossos cães estão connosco sempre. Se temos fome eles têm fome. Se não temos fome eles comem o que houver para que não haja aquela culpa de deitar comida fora.

Sentem quando estamos mal e sabem vir dar-nos aquele abraço que só os amigos mais especiais conhecem.

Lembro-me sempre de uma cena no Marley e eu (filme onde inevitavelmente choro como uma Madalena arrependida. Também li o livro, o meu marido foi dar comigo na sala em modo carpideira de tal forma que achava que era melhor chamar o INEM porque me estava a dar uma coisa) em que a personagem da Jennifer Aniston perde o bebé, quando chega a casa e se senta no sofá, o cão, que era sempre um estroinas, percebeu que ela só precisava de um abraço. Vejam essa cena, porque é uma imagem que vale mil palavras.

 

Nunca falam de volta

Os cães são os melhores ouvintes que a gente pode encontrar. Nunca contestam a merda que a gente diz, por mais idiota que seja. Por exemplo quando vou à rua com os meus cães às vezes vou a conversar com eles. Talvez seja por isso que os vizinhos me evitam. Agora que penso nisso.

Mas o que importa é que são os únicos durante todo o dia que não têm um argumento para rebater o que acabei de sentenciar. É precioso. 

 

Pode parecer pouco, mas estas linhas ocupam muito. Podia acrescentar aqui mais itens, mas depois um ou dois leitores apagava-se de desespero porque o texto não tinha fim, e como estamos em época de natal não quero que dê o peido mestre a ninguém.

Desta feita prossigamos para o lado negro da coisa.

 

 

Todos prontos para o menos bom?

 

Despesa do veterinário

Ter um animal é ter de o levar ao veterinário, mesmo que nós tenhamos a vacina do tetano caducada há dez anos. É rezar para que a despesa seja pequena e descobrir sempre mais uma coisa que não está a correr tão bem. É contar com a idade e com o facto de que as maleitas da velhice não se aplicam apenas às pessoas. Os animais contam como uma despesa significativa, se bem cuidados.

Por exemplo, eu tenho dois cães, um deles dá as despesas habituais de vacinação e, para além da castração, nada a apontar. Em compensação tenho uma cadela que tem mais doenças que eu sei lá. Ela tem os dois ouvidos carregados de quistos. Está quase surda. Tem um problema grave de pele e a medicação mais recente é tomar atarax (para além de não sei quantos medicamentos com cortisona). Já ficou sem uma parte dos dentes e tchanã, para o ano já sabemos que vai ficar sem mais uns quantos.

Aliás, em 2020 é esperado que ambos fiquem com uma dentição igual à do meu pai. Dentes zero.

 

Trelas, trelinhas e outras merdinhas

Para passear é preciso ter uma trela adequada, uma coleira ou um peitilho. É preciso uma cama (ou mais). Tudo isto parece pouco, mas não chega comprar. Depois é preciso limpar. A cama por exemplo começa facilmente a cheirar a cão, fica com pêlos encravados e a pessoa pensa em desistir da vida todos os fins de semana quando aspira aquela porra.

 

Passear

Os cães tem de ser passeados. Não importa o tamanho, a raça, o pêlo, a estação do ano, se está frio ou a fazer calor, os cães têm de ser passeados e só Deus sabe o que isso pode custar.

Esta é uma daquelas coisas que as pessoas tendem a idealizar, a vender como se fosse a maravilha das arábias. Não é. Veem umas fotografias da Rita Pereira com as cadelas na praia e pensam que giro que seria fazer o mesmo. E é. Só que não é só uma vez.

Os cães têm de ser passeados no mínimo duas vezes por dia. Para quem trabalha isso significa dar com o lombo ao relento às seis da manhã para que a bicharada arreie o calhau. "Ah mas eu tenho quintal", melhor, assim podes deixar que o bicho faça o presente na relvinha do quintal, mas não te livras de ter de apanhar a poia. Acresce que os cães não precisam de passear só para arrear o pastel, isso é uma ideia totalmente errada. Os cães precisam de passear porque também precisam de socializar e ver coisas diferentes para não serem reclusos dentro da sua própria casa.

Lembrem-se disso.

O passeio pode ser um momento muito giro, onde um tipo até pode engatar uma garina e servir para que os vizinhos consigam algum convívio, ou pode servir para a pessoa apanhar um camadão de nervos, como acontece comigo. Eu adoro passear cães, mas os meus são como dois mafiosos mexicanos do mais perigoso dos cartéis. Os gajos não querem ninguém na rua onde moram, incluindo as próprias sombras. E isso traz alguma dificuldade à minha integração social agravando aquele sentimento de desconfiança que as pessoas já têm por ver alguém a falar com os cães.

 

Vão comer o que vos pertence

Os bichos não gostam de estar sozinhos e, até que percebam e ultrapassem a ansiedade de separação vão roer coisas. Dependendo do tamanho estamos a falar de: portas, mesas, móveis de cozinha, sofás, roupas, sapatos e pequenos domésticos (estejam ou não ligados à corrente).

É verdade.

O labrador do meu irmão comeu-lhe um banco de jardim. O labrador antes desse comeu-lhe todos os pinheiros que ele tentou plantar.

A pit-bull da minha prima comeu-lhe o centro de uma porta de casa porque gostava de estar a olhar para ela. Também lhe comeu o chão do carro comercial. Isso mesmo, deixou a roda exposta dentro do carro.

Os meus comeram uma prateleira dos móveis da cozinha. E tinham um total de 2 quilos (os dois cães) quando vieram cá para casa. Agora pensem nisto.

 

Pêlos e mais pêlos

Às vezes chego ao trabalho e quando retiro o meu tupperware de almoço da mala dou com um pêlo da minha cadela dentro da lancheira. Isso é para vocês terem uma ideia do que esperar. Os cães deitam pêlo e nunca mais teremos uma peça de roupa que não esteja contaminada.

Isto cá em casa é tão grave que o meu cão tem pêlos da minha cadela agarrados aos dele.

É preciso decidir se sobem para o sofá e para a cama e perceber que quando permitimos que se apropriem de um móvel de descanso esse espaço nunca mais será nosso, a menos que estejamos disponíveis para ficar com um cu igual do do Chewbacca quando nos levantamos.

É preciso aspirar e saber que, quando terminamos, a casa está apta a ser aspirada novamente.

 

Nunca cagam onde dá mais jeito

Ter um cão é viver momentos de incomodo. É ter o vizinho da papelaria a arrumar os jornais lá fora e o nosso cão parar para arrear o calhau no lancil, mesmo ao lado do sinal que diz "venha jogar connosco". O senhor a arrumar as coisas e nós com um saco enfiado na mão a rezar que o animal acabe a poia depressa para nós podermos apanhar e cavar dali o mais rápido possível. O vizinho a perguntar "então como vai isso?" e nós a balouçar os joelhos num "cá andamos", o cão como imagem de fundo, naquela posição cómica de bicho em fuga enquanto luta contra a prisão de ventre.

Ter um cão é querer que o gajo se despache de manhã e ele estar ali a engonhar, a olhar para nós de lado como quem diz "calma, eu cago quando quiser, quero lá saber se chegas atrasado". É levar o sacripanda a passear à noite e, de todas as árvores do jardim, o gajo decidir arrear o calhau debaixo daquela que está ao lado de um candeeiro com a lâmpada fundida, obrigando a pessoa a fazer de mineiro, quando puxa da lanterna do telemóvel e anda à caça da bosta. Ou então respira fundo e faz como diz o livro "que se foda".

 

Apanhar mijas e cagadelas em casa

Todos os cães fazem disparates em casa. Uns mais do que outros, mas não me venham com tretas. Toda a gente passa por isto, nem que seja quando são bebés. A menos que nunca tenham estado dentro de casa. Há bichos que, caso tenham a possibilidade de ir à rua duas ou três vezes por dia não fazem uma pinga em casa e depois há aqueles que vão à rua para ir à bica, mas as necessidades são feitas no seio do lar. Agora é tudo como no kinder, a gente só sabe depois de já ter a prenda em casa.

 

Aumentam a probabilidade de irmos contra uma árvore

Ou de batermos com as trombas no chão. Os meus cães vão à rua com uma flexi-leash, que são aquelas trelas que esticam. Todos os dias eu dou comigo embrulhada nas cordas daquilo e capaz de ir de dentes ao chão.

A minha cunhada foi duas vezes contra uma árvore. O cão tinha uma fixação com coelhos e arrancou antes de ela ter tempo de largar a trela, quando deu conta já estava a abraçar a natureza.

Em bom rigor até pode ser bonito.

 

Vão pinar as pernas dos nossos amigos

Depende muito dos animais, mas não raras vezes está um amigo nosso sentado no sofá e o nosso cão, do nada, só porque sim, lá aparece, salta para cima da perna do pobre e da-lhe uma lição de sodomia como ele nunca tinha experimentado.

 

Vão patinar

E até nessa altura dão despesa.

Feita a piada parva vem a parte mais triste. Os animais têm um tempo de vida menor que o nosso e o expectável é que nós acabemos por vê-los partir. Dói, dói mesmo muito e sentimos a perda como se de um familiar se tratasse. Custa pôr a chave à porta sem sentir alguém a esgravatar do outro lado. Custa ouvir barulhos e pensar "olha já vai começar a ladrar" e depois ocorre-nos que isso já não vai acontecer. Chamamos por eles quando há trovoada, porque nos habituámos a ter de os acalmar para que não acordassem a vizinhança de madrugada.

Continuamos a por a torrada afastada da berma da mesa para que não a roubem e ainda lhes ouvimos os passos.

Dizemos que nunca mais vamos ter outro. E se o fizermos não podemos estar mais errados.

Os nossos cães não querem ser os únicos, querem ser amados enquanto estão connosco e se isso acontecer no dia que partem vão em paz. De barriga cheia daquilo que sempre desejaram: uma casa, um lar, uma família, muito amor e os ocasionais bifes roubados da bancada.

Os animais são mais simples que nós.

 

 

Ter um cão é aprender a mais pura forma de amor, mas como qualquer relação de amizade é preciso aceitar o mau com o bom e trabalhar para isso. Se não estivermos dispostos, não faz mal, pode ser que mais tarde a vida mude e a coisa se proporcione. Mas não vale a pena forçar.

É custoso ver um animal que não está feliz. Ver famílias que depois da fase do brinquedo espetam como o cão numa varanda de dois metros quadrados 23 horas por dia. Que não o incluem no dia a dia. Para não falar nos que ficam acorrentados em casotas, ou naqueles que vivem em grandes casas com jardim, mas depois estão numa gaiola que tem um nome chique para dizer que é a zona dos cães. É um canil. É uma gaiola, e os cães estão lá como os brinquedos nas prateleiras, para brincar só quando apetece.

 

Ter um animal é saber que ele é família e que, mesmo que casa passe de 300 metros quadrados para 60, a família fica junta e tudo se vai arranjar.

 

Se pensar em adotar um cão este natal faça-o na consciência de que ele vai estar nos próximos vinte natais, mesmo que ele mije nas pernas do velho de barbas, mesmo que ele coma os cabos da playstation nova do João Miguel, mesmo que ele coma a cabeça da Barbie da Clarinha, mesmo que ele tenha o hábito de mamar as rabanadas que a avó faz com tanto carinho, mesmo que a cunhada seja alérgica, mesmo que a sogra se arrelie com os pêlos. Adotar um cão é aumentar a família e como diria a menina do filme Stitch "Ohana é família, e na família ninguém fica para trás".

 

 

Em jeito de conclusão deixo aqui em baixo as mensagens (publicadas) de algumas pessoas que acompanham o blog nas redes sociais. Eu pedi que me dissessem as coisas boas e más de ter um cão. E estas foram as palavras que deixaram:

 

Mensagem a quem quer ter um cão: Não basta querer! Tem de haver o bom senso de saber que é um "filho que nasce" e, por isso, é para sempre! É para cuidar, mimar, compreender, satisfazer as necessidades mais básicas como a vacinação e, sobretudo, amar! Se não podemos ter filhos mas queremos muito, muito, adotamos. Com o cão, deverá ser igual! Não compramos, adotamos e amamos incondicionalmente! Depois, é só receber o maior amor, como aquele que a nossa mãe tem por nós, mas sem críticas e julgamentos! É habituarmo-nos a ser olhados como se fossemos deuses!

 

Ter Amor Incondicional todas as vezes que entramos em casa nem que tenhamos saído à 2 minutos para levar o lixo 🚮
Mau: Acaba por ser uma "prisão" se não tivermos € para o hotel quando vamos de férias ou de fim de semana (há que saber "cravar" a família para fazer de hotel 😂)

 

Ter um cão é ter um poço de mimos junto à nós até quando vamos à sanita. Nunca estamos sós.
A minha cadela confortou-me na gravidez do meu filho sempre eu ia deitar fora as entranhas. 

 

👍 Amor INCONDICIONAL mesmo quando não tomamos banho e parecemos o Grinch.
👎Quando partem e levam um pedaço de nós...

 

Bom: entre muitas coisas, deitam-se ao nosso lado quando ninguém percebe que estamos tristes. Mau? A conta de veterinário e o seguro que fiz. Cómico? Bom, quem é que nos recebe à porta de casa a sorrir e dar ao rabo de alegria, com a nossa bota preferida estraçalhada na boca? Mau, depois de pagar uma fortuna em vacinas e desparasitação de manhã, teres que voltar ao veterinário ao fim da tarde, porque a cadela fez alergia e tem o focinho a inchar e o corpo cheio de borbulhas... e tens de pagar outra vez!

 

O bom é sem dúvida o amor incondicional! O mau é viverem tão pouco ❤️

 

A minha cadela era super protetora, ninguém se aproximava num raio de 20 metros na praia que ela "ralhava".

 

Ninguém vos vai receber com o mesmo entusiasmo quando se ausentarem, mesmo que por pouco tempo, mas se essa ausência for prolongada, por exemplo em férias, arranjar uma solução para ele (ir ou onde ficar) nem sempre é fácil. Só adotem (não comprem) um animal se realmente estiverem dispostos a aceitar todas as partes más, porque as boas é fácil e são muitas.

 

Xixi em cima da almofada. Vomitam na cama quando estão mal dispostos porque acham que se vomitarem ao pé de nós ficam melhores mais depressa.

 

Roem portas e paredes. Roubam comida de cima da mesa. Roubam coisas do lixo...

 

Mas são fofinhos e dormem encostados ao nosso pescoço e olham para nós como se fossemos a primeira maravilha deste mundo. Para eles só existimos nós... e o saco da ração e o biscoito da praxe. Aqueles olhinhos confiantes em nós quando algo se passa de errado com eles. Isto vale todas as asneiras que estão sempre a inventar.

 

São adoráveis! Adoro os meus 3 patudos, adoro quando ficam todos mimalhos quando lhes dou mimos! Não gosto assim tanto quando me mijam na salamandra, no caixote do gato, no móvel de madeira como se não soubessem onde devem fazer xixi... Consequências do tempo quando chove, vão a rua arejar e quando voltam sacodem-se (como se não houvesse amanhã) onde? Na cozinha, que depois eu tenho que limpar.... pesadelo... mas eu continuo a gostar imenso deles!

 

Há muitos anos que conheço e vivo o doglovers😍 e não o troco por nada.. se alguém me conhece e sabe se estou bem ou mal.. são eles 🐶 , o que menos gosto é quando tenho de sair e lhes digo, ficas aqui eu já volto... 💔 A expressão dos olhos tristes... O olhar na janela quando chego a rua 😭🙌 ❤️

 

Coisa boa - carinho / Coisa menos boa - morte

 

A coisa boa é sem dúvida a alegria com que te recebem, mesmo se estiveres fora de casa 2 minutos (que às vezes até irrita e tenho que dar um berro para ele estar quieto 😁). A má é mesmo quando estão doentes e tu não sabes o que se passa porque os bichinhos não falam onde dói 😔 boa sorte com o canito. ❤️😉

 

 

 

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Sex | 06.12.19

Desafio de escrita dos pássaros #13 - "A pequena Custódia"

Gorda

 

 

 

- Ai Clotilde tu pede-me um café com cheirinho que eu hoje sem bagaço não me oriento.

- Porra, hoje isso tá fino!

- Tu não t’imaginas o q’eu passei esta noite, m’lher. Deito-me sossegada e quando dou por mim estou a nadar em águas profundas.

- Ai, sentiste-te a afogar?

- Qual quê, eu era uma sereia. Quando olhei pa baixe e vi que nã tinha as 'nhas pernas fiquei em pânique. Se uma ‘ssoa tem cauda não tem nalgas e tu sabes que o meu cu vale oiro. Um cheire a peixe que não se podia e eu sempre a d’zer as coisas em cantoria, parecia que estava parva, ou o catano. Tu também tavas lá, eras um linguade azul e amarelo. Tavas mesme fofinha Clotilde, mas eu sentia uma galga que só te imaginava na grelha.

- C’horror! Até me estás a deixar desconfortável.

- O meu pai era o Severino da drogaria, aquele que perdeu um olho na guerra e já só tem um dente à frente. Andava sempre com uma espécie duma vassoura ao contrário.

- Então e davam-se bem?

- Mas que merda é que isso interessa, Clotilde? Só fazes perguntas idiotas. Tu nã vês que eu queria era ter pernas pa vir pa terra e ficar c’o meu Asdrubal.

- E achas que ele não te ia querer assim?

- Tu sabes c’o Asdrubal não come peixe. Aquele homem tem alergia a espinhas pá! Foi aí que eu decidi vender a ‘nha voz à Amélia do Camafeu, sabes aquela gorda com ar de alucinada?!

- Sei.

- A gaija era uma polva muita mal encarada.

- Como aliás ela é.

- Mesme, mas em polva é pior. Eu a pensar lagareiro e a gaja a querer a voz. Vai daí e vim pa terra e a gaija queria gamar-me o Asdrubal para ficar com a vassoura do Severino. No meio daquilo tude a Natacha das nails era uma gaivota marada, foi-se à gaija e partiu pa lá uma concha. Eu fiquei ca’voz e a gaija ficou passada dos cornos. Ganiiiiia...! O Asdrubal danado arreou na balofa c’um remo dum barco de pesca q’ele pa lá tinha e a desgramada foi água abaixe.

- Acabou?

- O Asdrubal pousou a vassoura e eu voltei a ter pernas. Foi uma canseira, já me levantei há duas horas e ainda me cheira a peixe.

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

Tema 2

Tema 3

Tema 4

Tema 5

Tema 6

Tema 7

Tema 8

Tema 9

Tema 10

Tema 11

Tema 12

 

 

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