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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Sex | 31.01.20

Entrevista com um cidadão indignado com a polícia

Gorda

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Muito boa tarde Sr. Asdrúbal, então diga-nos o que lhe causa tanta insatisfação?

Olhe eu ando muito cansado. Ando muito cansado e muito desnorteado com o estado em que vai este país. O país e as pessoas. Digo-lhe que só não me mudo para Inglaterra porque tenho um problema de retenção, de outra maneira já lá estava. Sabe que gosto muito daquele senhor despenteado com nome de shampoo.

 

Mas sabe que aquilo com o Brexit fica complicado para si?

É pá mas eu concordo com o Brésite. Acho bem, um gajo tem de olhar pela nação.

 

Quando diz que só não vai por um problema de retenção refere-se ao facto de estar engaiolado ou algum problema de retenção de líquidos? Está muito na moda hoje em dia.

Retenção de líquidos também tenho, ando agora a beber dois litros de tisanas por dia, mas ainda não vi grandes efeitos. A infuencer que sigo diz que o produto é bom e eu vou insistir enquanto tiver códigos de desconto. Sabe que a minha linha de trabalho é complicada para um gajo urinar sempre que quer, tá a ver?

 

Então é seguro depreender que não vai para o estrangeiro porque está preso?

Pois. Efetivamente.

 

Dizia há pouco que está insatisfeito com o país e com as pessoas. O que se passa?

Olhe as pessoas já não dizem bom dia, já não sabem dar uma mão, não há sentido de comunidade. Uma pessoa pede ajuda quando está à rasca e quando vai a ver está dentro para cumprir três a cinco anos de prisão efetiva. É complicado pá. Já ninguém é amigo o seu amigo, já ninguém sai do seu caminho para ajudar o próximo e orientar um gajo numa ilegalidade menor. Isto as leis e as regras são como os limites, servem para ser testados.

 

Leu isso num livro de filosofia?

Não, foi num moral de motivação do Facebook. Tem-me ajudado bastante nos momentos difíceis.

 

Mas, quer contar-nos o que aconteceu?

Olhe acordei de manhã com uma dor na parte inferior das costas e tive de me barrar com aquela pomada que passa na televisão, mas aquilo não atua tão depressa como parece. Um gajo ainda compra a mais cara que é express - pra cima de 17 euros uma embalagem - e mesmo assim aquilo não vai lá. É meio mundo a enganar o outro, no reclame o velho fica a saltar à corda em menos de meio minuto, na vida real um gajo não se safa e vai todo escangalhado pa rua, sujeito a ficar ainda por. Mas é preciso trabalhar então lá fui. Quando um gajo trabalha por conta própria não pode meter baixa. Não trabalha, não recebe. É mesmo assim.

 

O que é que o Asdrúbal faz?

Eu transporto coisas e entrego aos clientes. Muitas vezes em mãos. Às vezes é como na Macro porque compram em quantidade outras vezes é em pacotes individuais.

 

E transporta de tudo?

Normalmente é de tudo, mas aposto mais em pó medicinal.

 

Então e nesse dia, estava a contar...

Olhe eu tinha uma encomenda de volume para entregar a um fornecedor e pus-me à estrada. Estava tempo de chuva, as estradas estão sempre como se sabe, os nabos não ajustam a condução ao estado do asfalto e há muito mais perigos. Não gosto de conduzir assim, mas um gajo tem de trabalhar, maneiras que…lá fui eu. A determinada altura o carro derrapa-se-me numa curva e aquilo escangalha-se tudo. Fiquei preso lá dentro e tudo.

 

E depois?

Para um carro para me ajudar e vem um tipo ter comigo. Todo amanhado, parecia assim um talhante do Pingo Doce e tudo. Foi aí que eu pensei “Ó Asdrúbal, a satisfação do cliente está em primeiro lugar, pelo que é preciso garantir o cuidado da encomenda”.

 

Foi aí que pediu a esta pessoa para lhe esconder um quilo de droga?

Foi aí que eu pedi à pessoa para encontrar um lugar seguro e adequado para guardar o material que o meu cliente tinha encomendado. Qual não é o meu espanto quando o talhante do Pingo Doce afinal é um bófia à paisana. Olhe só não me caiu tudo ao chão porque eu já estava todo esmifrado entre a porta do condutor e o banco, ali com a caixa torácica toda apertada contra volante.

 

Foi detido?

Pois, que é que um gajo havia de fazer. Esta gente havia de estar identificada para um gajo saber por onde é que eles andam. Assim à paisana é confuso, especialmente quando o gajo aparenta ser uma figura que a gente havia de encontrar numa grande superfície a cortar bifes ou coisa assim.

 

O material foi apreendido?

Foi confiscado e eu tenho o cliente muito insatisfeito. Já viu isto? Um gajo anda a fazer p’la vida, a trabalhar de forma honesta. A sujeitar-se à chuva. Tem um azar do caraças e tem um acidente quase mortal, hã. E depois aparece ainda gente que não se identifica logo pelo que é.

 

Queria que o policia tivesse feito o quê?

É pá que tivesse sido honesto. Chegava e dizia “olhe eu sei que pareço o gajo do talho mas eu presto serviço na PSP da Amadora, maneiras que lhe venho prestar apoio sendo que o melhor que o senhor tem a fazer é guardar para si algum material tendencialmente ilícito que esteja a transportar”.

 

A vida de traficante pode ser desgastante?

Pode. Quer dizer, calculo. Porque ainda não se provou que aquele material era meu.

 

Mas estava em sua posse?

Estava dentro da viatura que eu conduzia, mas pode, sem meu conhecimento ter sido colocado no meu carro.

 

O senhor Asdrúbal pediu especificamente para que o policia lhe guardasse um quilo de droga?

Alegadamente. Eu pedi à pessoa que até então não era do meu conhecimento ser um PSP que tomasse conta da minha encomenda. Não estou certo de que se tratasse de algum pó ilícito. Pelo que aguardo que os tribunais apurem os factos para depois me mudar para Inglaterra. Suspeito que eu e o despenteadinho podemos ser grande comparsas.

 

Obrigada Sr. Asdrúbal pelo seu tempo.

Ora essa, até 2023 estou disponivel no horário de visita. Apareça quando quiser.

 

 

 

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Seg | 27.01.20

Sou mãe

Gorda

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Sou mãe.
 
Deixo queimar pizzas no forno. Esqueço-me de tarefas simples. Não conheço metade dos nomes estranhos que aparecem no material escolar. Detesto parques infantis. Fico em modo águia quando miúdos maiores andam à volta do meu. Grito. Fico frustrada. Perco a paciência. Mando vir. Faço ameaças que não cumpro. Fico a ferver com birras. Arrendo-me cinco minutos depois da maioria das minhas decisões. Questiono-me e sinto culpa por coisas que estão fora do meu controlo.
 
Sou mãe.
 
Faço panquecas ao fim de semana. Preparo qualquer coisa à parte quando ele não gosta do jantar. Fico babada quando me dá um desenho e diz que é ele com a mamã. Gosto de andar de mão dada. Fico a rebentar de satisfação quando conversamos nos nossos passeios. Gosto de o ver feliz a correr no parque. Leio todas as noite e gosto. Vou às aulas de Judo e acho que faz tudo bem. Assisto à natação como se ele fosse o Phelps. Babo-me quando me diz que me ama e tento encontrar universos que não conheço para dizer que o meu amor é maior.
 
Sou mãe.
 
Detesto reuniões de escola. Quase tanto quanto as reuniões de condomínio. Apetece-me pregar estalos noutros pais. Fico em pânico em parques de insufláveis e acabo sempre a apanhar um camadão de nervos. Engulo as asneiras quando apanho nabos da estrada e pareço um gato assanhado sempre a fazer ffffffffffffffffff......Faço bonecos horríveis de olhos tortos e membros desproporcionais.
 
Sou mãe
 
Viro o meu mundo do avesso para fazer o melhor para ele. Coloco-se em segundo, dou tudo de mim e nem sei quantas coisas faço ao mesmo tempo garantir que barco anda como deve ser. Mesmo que tantas vezes pareça encalhado.
 
Sou mãe.
 
Esqueço as datas. Preparo lanches de passeio como se ele fosse para alto mar duas semanas. Fico de coração nas mãos até saber que regressam à escola depois de uma excursão na mesma cidade. Fico branca quando o telefone toca de um número desconhecido mesmo que seja quase sempre marketing. Tenho medo de tudo e mais um par de botas.
 
Sou mãe.
 
Faço o melhor que posso. Uns dias são melhores do que estava à espera e outros são um esbardalhamento completo.

 

Qui | 23.01.20

O síndrome da sapiência masculina sobre a mestruação

Gorda

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(imagem do google)

 

Quando eu ouço homens a falar do período das mulheres como se perceberem alguma coisa da matéria sinto uma vontade assolapada de lhes dar um pontapé nos tomates.

 

Imagino-os ali dobradinhos com as mãozitas a agarrar no abono de família enquanto a mim não custa nada e estou mesmo ao lado. Afinal de contas é assim que os senhores tendem a gerir as prerrogativas da condição feminina: nunca passaram pelo fenómeno da menstruação, mas acham que é fácil. Como se as mulheres escolhessem ter período em vez de ser uma merda que lhes acontece.

No tempo da outra senhora, as gajas estavam sem nada para fazer, para lá sentadas numa montanha à espera que os seus machos acabassem de pastar as ovelhas e decidiram que uma vez por mês haviam de se pôr a sangrar. Foi uma moda tão forte que pegou até hoje.


As mulheres têm tanta vontade de ter o período quanto os homens têm de levar pontapés nos tomates. Capacitem-se disso, se faz favor. E depois de perceberem bem, fiquem caladinhos. Que a gente sabe que vocês metem as mãos nos bolsos para coçar o saco e não andamos a fazer conversa disso como se fosse justificação para não despejarem o lixo. “Ai o meu Manel Afonso nunca vai despejar o lixo porque tem as mãos ocupadas na tomatada” disse nenhuma mulher.

Há homens que se empertigam quando ouvem as mulheres a mandar postas de pescada sobre futebol porque acham que “elas” não percebem couves de bola (nota de exclusão para as gajas que sabem mais do desporto que o Mourinho). Mas depois acham-se uns entendidos em fluxo menstrual. Se não querem a nossa opinião sobre o passe do Coiso para o Choninhas, então não opinem sobre o que vai em útero alheio. O que é que vocês percebem de ovários pá? A menos que sejam ginecologistas não sabem pevas. Acham vocês que é lá aquilo que as gajas têm com “trombas” e de onde saem uns berlindes para as gajas poderem engravidar e andarem azedas todo o mês.

Frases como "deve tar com o período" só mostram que não sabem um cu. A irritação que nós sentimos é antes da menstruação e essa só agudiza com a vossa ignorância acrescida da incapacidade de baixar o tampo da sanita ou de meter as merdas onde as encontraram.

Não mexam nas merdas de uma gaja. Especialmente na semana da ovulação, porque se arriscam a levar duas lambadas no focinho. Se uma gaja deixou a caixa das sombras na gaveta dos talheres ela vai encontra-la lá. Não toquem. No limite informem com modos meigos que os garfos já parecem drag queens.

 

A igualdade também passa por isto: a gente não fala dos vossos tomates e vocês não fazem conjeturas sobre o impacto do nosso ciclo menstrual no humor diário.

 

 

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Qua | 22.01.20

À rasca com a vida - podcast - Episódio 2 - Medo de andar de avião

Gorda

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Eu tenho medo de andar de avião. É verdade. Estamos em pleno século XXI, ainda há pessoas que não sabem que esta década só acaba em dezembro de 2020, há gente que desconhece a diferença entre resoluções e desejos, há quem nunca tenha visto um episódio das Kardashians e ainda há tinhosos com medo de andar de avião, quando numa viagem de doze horas e três pássaros marrecos depois nos pode deixar nas Maldivas por cinco dias e quatro noites em riscos de encontrar a Questina Ferreira.

Talvez seja porque uma pessoa consiga nadar e andar por próprios meios e o voo ainda só esteja dedicado aos bichos com asas.

De qualquer maneira o sono que eu tinha quando fiz o podcast arrastou-se para a canseira que carrego enquanto escrevo este texto, pelo que é aproximadamente o mesmo que ter um zombie muito parecido comigo a fazer uso do meu computador pessoal.

 

Podem aceder ao podcast em praticamente todas as plataformas de podcasts (pelo menos é o que me diz o aplicativo onde carrego esta bodega). Também ficará no i-tunes, mas demora mais a ficar disponível (deve ser porque vai lá acima perguntar ao Jobs primeiro e só depois é que aceita o upload, parecendo que não a viagem ainda é longa).

Para já podem encontrar no Spotify aqui e também no Youtube aqui.

Para quem está sedento e quer ouvir já sem mais demoras, podem clicar no play através do link abaixo.

 

 

 

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Dom | 19.01.20

Raramente grito com o meu filho.

Gorda

 

 

Aliás, acho que é seguro dizer que o nível de decibéis deste lar andam sempre abaixo de um mero ronronar de gato.

Gosto de lhe explicar as coisas com calma numa voz serena e apaziguadora. Gosto que compreenda os porquês e a regra passa por me repetir entre quatro vezes e a minha entrada para a insanidade.

Não vejo grandes razões para berrar com o meu filho a menos que ele insista em fazer merda e nesses casos então elevo a minha voz o suficiente para alarmar uma multidão. Mas isso apenas acontece porque procuro garantir que as noções básicas se lhe entram pelo cérebro e ele não me escangalha a casa toda. Ou a ele próprio.

Em qualquer dos casos procuro o bem dele, porque por um lado protejo a futura herança e por outro a sua integridade física.

Os gritos no meu lar apenas se ouvem em situações chave, como quando ele anda a espalhar brinquedos e eu acabei de os arrumar porque é hora de ir para a cama, porque insiste em não fazer xixi apesar de estar à rasca, porque não quer lavar as mãos, porque não quer lavar as mãos com sabonete, porque está a lavar as mãos há dez minutos, já gastou cinco litros de água e daqui a nada tenho a Greta à porta. Quando me espalha carrinhos atrás dos pés e eu estou a passar a ferro, sujeita a esbardalhar-me inteira com uma marca triangular no focinho. Quando eu estou a tentar fazer qualquer coisa minha e ele insiste em que eu vá fazer o que ele quer. Quando me pede a mesma coisa quinhentas vezes mesmo depois de eu já ter dito trezentas e noventa e nove “já vou!”. Quando não quer ir para o banho, quando não quer sair do banho, quando não para quieto para se vestir, quando anda aos saltos em cima da cama, quando fica a cantar em vez de se deitar para adormecer.

Nada de mais, só coisas de pormenor. Acontece pouquíssimo, nem cem vezes por dia.

Como quando não quer dar a mão em espaços apinhados de gente sujeito a perder-se. Quando me tenta gamar os utensílios de cozinha. Quando começa com a conversa do cocó e não intervala por mais que eu lhe diga. Quando só come as batatas do prato ou quando fica a fazer tempo a olhar para a sopa. Quando escangalha os mínimos tarecos que temos. Quando anda a arrastar carros de befe para o ar em riscos de bater de cremalheira no chão e ficar a falar fofo.

Enfim, como se vê não há quase situação nenhuma que me faça elevar a voz. Talvez agora, que ele está ali a martelar-me as portas enquanto eu escrevo.

 

 

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Qua | 15.01.20

CêRê7 e o óó

Gorda

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(imagem retirada do Google com comentário e estudo feito nos mais credenciados labiratórios de um país de nome estranho lá para o norte e coise)

 

 

De acordo com informações noticiosas da mais elevada envergadura CêRê7 papa cinco refeições por dia, onde come muito frango (chiquén, para quem mora na Madeira), peixe-espada (sword-fish para os mais leigos), bacalhau (bácálhô para os franceses) e muito abacate (ingrediente primordial das influencers fit). Para além disto o craque luso opta também por descansar bastante (eu também “optava” se me deixassem) fazendo por vezes cerca de 5 sestas por dia. Ora uma pessoa comum só bate uma sorna 5 vezes se tiver uma credencial médica a atestar que sofre de narcolepsia em estado grave.

Depois de sabermos estes detalhes da vida do português com mais bolas no planeta podemos todos voltar à nossa vida normal onde ganhamos por mês o que ele recebe por menos de 10 minutos.

 

Olha, tivessem nascido com os pés direitos.

 

 

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Sex | 10.01.20

Desafio de escrita dos pássaros #16 - "O fim..."

Gorda

 

Tema da semana: Sombra e luz

 

 

- Então Custódia o que tens achado disto mulher?

- Aí eu tenho apreciaide imense este rega bofie – tu saibes que eu goste d’um rega boife – semanal de históiras e coisas c’agente nunca sabe coméque vão acabar. E tu m’lhér tás contente? Ficaste milionária com compotas e tudo!

- Eu achei esta ideia magnifica, se não fosse este desafio das avestruzes nunca teríamos visto a luz do dia.

- Pois não m’lhér, nem a luz, nem a sombra, nem a escuridão da noite que se encandeia com as estrelas.

- Aí que frase tão erudita. Não esperava isso de ti.

- Sabes c’agente tem de usar lá os temas da bicheza, maneiras que eu fintei à esquerda e esmifrei à direita pa meter esta constatalação. Só não gostei que m’ofendesses tá bem!

- Eu não te ofendi. Ser erudito é uma coisa boa, a menos que sejas o Chagas Freitas.

- Quem é esse? Não me digas que é o morenaço do talhe? Ai eu queria cá dar um abafo ao morenaço do talhe. Ele afinfa-lhe com energia nos bifes de tal maneira que eu até se ma fique cheia de caloires.

- O Pedro Chagas Freitas é um escritor que vende muitos livros.

- Deve tar carregadinhe de carcanhol é o q’ué. Mas eu sou uma m’lhér bem casada não quero mais homens na minha vida.

- Tirando o moreno do talho.

- Isse é o Belzabutre a falar p’la nha boquinha santa.

- Santíssima. Devia ter um altar essa matraca.

- Ai podes crer que sim.

- Queres dizer mais alguma coisa?

- Quere d’zer que gostei muite de participar nesta história, sem mim iste não tinha a mesma alegria, o mesme movimente, o mesme suspense. Foi bom e agora tenhe de ir engatar o morene no talhe a ver s’ele m’arranja descontes. E tu, gostastes diste?

- Eu gostei bastante, fiquei a parecer muito mais inteligente que tu, o que não é difícil. Sou milionária por causa de umas compotas e pude assistir às tuas palermices estando sempre de fora.

- E agora?

- Agora voltamos para a gaveta e pode ser que um dia a gente dê uma espreitadela cá para fora.

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

Tema 2

Tema 3

Tema 4

Tema 5

Tema 6

Tema 7

Tema 8

Tema 9

Tema 10

Tema 11

Tema 12

Tema 13

Tema 14

Tema 15

Tema 16

 

 

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Qui | 09.01.20

Questina a presidenta

Gorda

Uma antevisão do futuro:

 

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Seg | 06.01.20

À rasca com a vida - podcast - Episódio 1 - Révélhóne e Passagens de ano

Gorda

À rasca com a vida_foto.png

 

 

Prometido é devido e eu tardo mas, a menos que haja trânsito ou coisas melhores para estar a fazer, eu não falho.

E como tal, aqui está o primeiríssimo episódio do podcast "À rasca com a vida", porque isto uma pessoa quanto mais apalpa o cu ao mundo, mais percebe que isto não caminha para sítio nenhum de jeito.

Começamos a saga no dia de reis, porque a bem da verdade esta menina é a rainha da galhofa, para libertar o primeiro episódio que estava preso no meu interior há tanto tempo.

(façamos 10 segundos de silêncio por esta frase de merda)

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Sex | 03.01.20

Desafio de escrita dos pássaros #16 - "Custódia, a poetisa

Gorda

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(tirei esta fotografia no carnaval passado quando um dos meus cães se mascarou de gato, o outro quis ser a Elsa do Frozen....brincadeira, é do Google)

 

Tema da semana: Sobre a vida adulta, ainda não entendi o que é para fazer

 

 

- Bom dia meninos e meninas. Espero que tenham todos completado os vossos trabalhos de casa como vos pedi, porque hoje vão vir todos ao quadro ler a poesia que escreveram. Custódia, queres começar?

- Querer nem per’isse, mas s’a professora insiste, cá vai chourice.

 

 

Sobre a vida adulta muito gostaria de saber

Mas ainda nã entendi o q’uê pa fazer

A nha mãe diz que um homem rico tenhe d’arranjar

Mas eu preferia um borracho encontrar

 

“Os borrachos são todos uns pelintras” diz a mãezinha

O que deixa às voltas a minha cabecinha

Queria tanto um gaije fogoso

Que viesse direite a mim tode guloso

 

Em vez disso um gordinhe hei de arranjar

Um palerma para as minhas contas pagar

Uma amiga lerda vou encontrar

Para sua linda cabeça azucrinar

 

No sábado fui à pichina municipal com a Bernardina

E lá encontramos a Clementina

Não era fruta suculenta

Era a vizinha do quarto esquerdo que tem uma verruga na venta

 

Dei valentes mergulhos e apanhei um escaldão

Que me deixou a parecer um cagalhão

A minha mãe deu-me cabo da cabeça

Porque não há meio que eu lhe obedeça

 

Depois sentei-me a fazer os trabalhos de casa

E dei com o piriquite com pulgas na asa

Fiquei logo cheia de comichões

Tava capaz de comer um prato de mexilhões

 

Este trabalho parece-me muito cansativo

Até se me começa a apitar o ouvido

Otites eu preferia não arranjar

Mas é difícil para caraças arranjar merdas para rimar

 

Só que a professora queria poesia sobre a vida

E eu não quis ficar comprometida

Por isso estes versos enjorquei

Que as voltas todas lhe troquei

 

 

- Obrigada Custódia, és uma verdadeira poetisa.

- Sei que não está grande pastel, mas não precisa d’ofender.

- Poetisa é uma mulher que escreve poemas muito bonitos.

- Bom nesse caso mun’t’óbrigade, mas deixe-me que lhe diga c’a professora tem um gosto de bosta.

- Bom, eu não diria isso…

- Deixe lá professora, tudo na vida tem uma categoria p’a estar e o meu talente para as letras está na categoria de trampa.

 

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

Tema 2

Tema 3

Tema 4

Tema 5

Tema 6

Tema 7

Tema 8

Tema 9

Tema 10

Tema 11

Tema 12

Tema 13

Tema 14

Tema 15

 

 

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