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Casa da Gorda

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Qua | 26.02.20

HISTÓRIAS QUASE POLITICAMENTE CORRETAS PARA ADULTOS DO SÉCULO XXI - Os três suininhos

Gorda

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Era uma vez três porcos que ainda viviam em casa da mãe. Um dia a cota disse-lhes:
- Vocês são uns conas preguiçosos, haviam de fazer como a vossa irmã que arranjou emprego, comprou casa e foi à vida dela.

Os porcos fizeram as malas e reuniram-se num jardim qualquer:
- Eu acho que deviamos comprar umas tendas grandes da Decathlon e monta-las à beira mar.
- Não pode ser estúpido, depois quando a maré subisse iamos com o caraças. Deviamos era construir uma casa com as nossas próprias mãos.
- Vocês para além de preguiçosos são burros. Foda-se! Um gajo tem de pensar em tudo. Nós vamos mas é a uma imobiliária, porque nós temos o sonho e eles têm a chave.

A agente explicou que o sonho só se concretiza para gente com emprego estável, rendimento razoável e uma boa maquia para dar de entrada. E arrematou dirigindo-se ao mais velho:
- Os seus irmãos estão na merda, mas a gente arranja-lhes qualquer coisa para arrendar.

O mais novo alugou um estúdio na Cova da Moura mas acabou a ir pedir abrigo ao porco do meio ao fim de uma semana porque tentou engatar a garina de um mitra vizinho.
Contudo, dormir na casa desse porco não era fácil porque as paredes eram finas, os vizinhos pinavam toda a noite e os desgraçados não dormiam.

Acabaram a bater à porta do porco mais velho que lhes disse:
- Aqui não há merdas. Arrumam, limpam e têm de arranjar emprego. Porque um gajo pode não gostar do que faz, mas pobre e sem cheta acaba no caralho.

Os suininhos viveram felizes juntos até o mais velho arranjar uma gaja que não estava para aturar os cunhados e os meteu a andar com a pintassilga da mãe às costas.

Moral: se és pobre vai mas é trabalhar.

Fim

Bom regresso ao trabalho

 

 

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Seg | 24.02.20

HISTÓRIAS QUASE POLITICAMENTE CORRETAS PARA ADULTOS DO SÉCULO XXI - Branca de Neve e os sete indivíduos de baixa estatura

Gorda

branca de neve.png

 

Era uma vez uma sonsa que tinha uma madrasta que era uma valente cabra. A madrasta tinha comprado um espelho caríssimo no IKEA, daqueles que, com quatro pilhas A+ dizem para cima de quarenta frases.

Às vezes a madrasta, já com os copos, perguntava ao espelho:

- Olha lá, há gaja mais boa que eu?

E ele respondia:

- A Branca.

Por causa das merdas a madrasta mandou um florista ir ao mato apanhar uma planta manhosa para dar um suicídio assistido à Branca, mas o jardineiro ficou embeiçado com a jeitosa, de maneiras que publicou no facebook a gaja encostada a dormir uma sorna, e fingiu que ela tinha patinado.

A Branca andava perdida no mato quando viu um placard da Century 21 e pensou “eu vou é ser empreendedora e vou vender casas que isto é mercado para estar a render”. Bateu à porta de uma casa velha e atenderam sete homens de estatura baixa.

- Boa tarde, o meu nome é Branca de Neve e queria angariar a vossa casa para a vender 25% acima do valor de mercado.

Os pequenotes ficaram interessados, então a Branca informou:

- Temos é de limpar porque os senhores são uns porcos do caralho.

Nisto apareceu a madrasta mal disfarçada a tentar dar uma maçã à Branca, mas a gaja não foi na cantiga:

- Eu não como fruta com casca porque isso está cheio de pesticidas. Fica para a próxima.

Com o stress do emprego a Branca descobriu que sofria de narcolepsia e de quando em vez adormecia sem razão.

Um dia apareceu um gajo para lhe dar um beijo, ela acordou e disse:

- Q’tás a fazer, meu cabrão?

- Ia dar-te o beijo do amor.

- Sem consentimento não. Primeiro jantamos.

A Branca percebeu que ele era um menino da mamã que não tinha trabalho fixo. Cagou no gajo e investiu na carreira profissional. Hoje é a líder de vendas da floresta encantada.

 

Fim.

 

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Dom | 23.02.20

Numa qualquer reunião dos PAA (Pais Aflitos Anónimos)

Gorda

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Boa tarde. O meu nome é Judite Carla, tenho 36 anos e sou mãe há 5 anos.

(“Boa tarde Judite”. Diz toda a audiência.)

Venho aos PAA há dois anos e tenho várias medalhas, tem sido difícil, mas consegui ultrapassar as minhas dificuldades.

Há duas semanas que não grito para lavar os dentes. Suborno-o com duas histórias e a possibilidade de dar dez saltos na cama.

(A audiência acena que sim em aprovação, é uma ideia disruptiva)

Há três semanas que não grito para que coma a sopa. Falo calmamente com ele e quando continua a fazer ronha acabo a oferecer-lhe comas vegan.

(A audiência acena que sim e quer saber onde se compras as gomas vegan)

Mas...

(A audiência sustem a respiração)

...este fim de semana tive de ir a uma festa de aniversário num parque de insufláveis.

(A audiência reprova a situação e lamenta a vida desta mãe)

Fui confiante, acreditei que ia aguentar, mas eram muitos. Muitas crianças, mas pior do que isso muitos pais. Uma fauna de bicheza que o meu cérebro não aguentou. Quando chamaram para cantar os parabéns o meu olho esquerdo já estava a saltar à velocidade de três batidas por segundo.

(A audiência fica de lágrimas nos olhos)

Aguentei, fiz conversa de circunstância com os outros pais enquanto segurava o olho esquerdo, mas depois o miúdo lançou-se de um insuflável alto e eu fiquei com os dois olhos banzados. Já via tudo intermitente porque os olhos pareciam que estavam a ver sem Morse.

(“Pobre coitada” dizia a audiência em surdina)

A festa acabou finalmente. Fomos para casa e eu mantive uma abordagem positiva apesar de estar a receber informações visuais cortadas.

Quando chegámos o miúdo estava elétrico, pedi-lhe mil vezes que abrandasse. Ofereci mais açúcar. Prometi pizza e ele foi para o quarto dele.

Foi aí que ouvi a música. Era o cabrão do Panda a cantar e a dançar no meio do quarto naquela cantilena irritante.

Arranquei da cozinha em direção ao quarto do petiz, ganhei balanço no hall de entrada, à entrada da porta puxei o pé direito atrás como de fosse o Cristiano a marcar o livre e PUMBA! Arreei um biqueiro mesmo na mona do Panda. Foi contra a parede quando dizia “Vamos fazer uma banda, como a banda do Pan...” e saltaram-lhe as pilhas.

Com a força do pontapé os olhos pararam de saltar.

Mais aliviada disse “Vamos fazer uma banda é a porra, vamos é fazer o jantar, ó urso!”

O miúdo riu-se e perguntou se podíamos repetir outra vez.

O meu olho esquerdo voltou a ver em Morse.

 

(nenhum boneco de peluche foi agredido na sequência desta história ficcional)

 

 

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Qui | 20.02.20

Desfiles de carnaval dos miúdos, algumas notas

Gorda

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Todas as crianças vão lindas. Não vale a pena competir e comparar escolas nem salas.

Nem toda a gente tem a mesma vida, por isso seria agradável que não se fizessem comentários sobre quem vai e quem não pode ir. Em princípio todos os pais e mães querem lá estar e só não vão porque alguém tem de pagar a renda de casa e pôr comida na mesa, e infelizmente nem toda a gente tem a mesma sorte com os empregadores.

Saiam da frente. Pessoas saiam DA FRENTE, pelo amor da Santa! Se há um recinto delimitado ele deve ser respeitado e só lá devem estar as crianças, os profissionais das escolas e as pessoas complementares devidamente autorizadas.

Deixem passar as crianças. O desfile não acontece se os avozinhos e os paizinhos se meterem a bloquear o caminho porque a Mara Madalena está linda, de arrasar, mascarada de uva.

Deixem as crianças desfilar sem andarem em cima delas. Não interrompam nem intervenham no circuito e organização das escolas. Aquelas pessoas já têm em mãos uma responsabilidade do catano.

Todos os pais querem ver os filhos, tal como os filhos querem ver os pais. Afinal de contas é uma alegria extraordinária quando sabem que os que mais amam os estão a ver. Dito isto, sejam mais amigos, desviem-se para os outros passarem, deem espaço.

Não ponham fotografias dos filhos dos outros nas redes sociais, a menos que tenham autorização expressa para isso. Toda a gente pode ficar a saber que a Valquíria estava linda de besugo em alto mar sem que mais dez crianças apareçam na imagem.


Dito isto, com vista a garantir o bom funcionamento das saídas e chegadas dos petizes e para que não tenham de haver mais funcionários a controlar adultos que crianças, gostaria de apresentar a minha proposta para a gestão dos desfiles de carnaval com vista a controlar de melhor forma aqueles que têm acessos temporários de irracionalidade.

Fazia-se assim: vedava-se a área onde o desfile iria decorrer com aquele fio que dá choques, o mesmo que se usa para garantir que as vacas não fogem do pasto onde devem estar, mas púnhamos mais voltagem. Ou seja, em vez de ser uma coisa suave que avisa “olha, volta para trás”, não. Punha-se o suficiente para apagar a pessoa ali por uns bons dez minutos. Até porque assim, encostada ao passeio, sempre desimpede a vista e nesses dez minutos não tinha de ser avisada outra vez. A par com isso, todos os agentes de autoridade seria dotados de taser guns com vista a controlar aqueles adultos mais resistentes e que encontram semore uma forma de contornar a primeira medida de defesa.

Ora digam lá que isto não é uma ideia extraordinária?

(No entanto, o desfile do puto foi um mimo, chorei e tudo porque eu no fundo, escavando bem, sou um coração de manteiga)

 

 

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Ter | 18.02.20

O vestido e colcha de 1989

Gorda

Rita e a colcha.png

 

 

Foi com profunda consternação que hoje abri a internet para dar com os glóbulos oculares esfregados na decoração de 1989 do quarto dos meus pais envergada por uma musa nacional. Já era arrepiante em formato manta com folhos e cortinado a condizer que assombrava o lar onde eu vivia, mas ganhou outra dimensão de terror quando envolvido em torno de um corpo humano, porque, parecendo que não, dá sempre aquele aspeto de crime que só não aconteceu porque a vítima não tinha tempo, até porque o Nuno Santos não está para brincadeiras com isto das audiências.

Estou a sentir sentimentos muito complexos a respeito do facto de a Rita Pereira ter aproveitado uma colcha antiga da minha mãe para fazer um vestido para a gala. Ainda por cima uma espécie de vestido que tem mais têxtil a varrer as pegadas da Rita do que a tapar as suas Marias Madalenas. Nada contra a seção mamária da Rita, mas já me chega a Jennifer Lopez a lembrar que isto vai mal pra minha idade.

Vejo que aproveitou os folhos que a minha mãe tinha usado para pôr nas almofadas que compunham o ramalhete, e que com isso fez uma espécie de amarfanhado na zona do pipi, criando assim como que uma teia de pipi, coisa que há muito em senhoras que não têm quem lhes apague o fogo…isto é, teias…de aranha…no pipi. Circunstância que não assiste à Rita que tem lá um fogoso enxuto em casa (Benzadeus).

O trapito marca a sua posição e pode ser usado por qualquer senhora que planeie limpar o sebo ao marido deixando o cadáver no mato, porque conforme vai andando a cauda vai varrendo o rasto e não há FBI, CIA ou PSP de Carqueja que resolva o caso.

Eu já tirei um print screen, guardei e vou mandar fazer uma farpela igual e uma colcha a condizer, porque parecendo que não aquilo ainda assusta e pode ser que dessa forma o puto queira ir para a cama dele. O vestido vai dar-me um jeito do catano para ir apanhando os pelos dos cães quando chego a casa.

 

 

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Sex | 14.02.20

Duas ou três notas sobre a eutanásia

Gorda

 

A eutanásia está em debate para que seja aprovada para pessoas que, estando em fase terminal e/ou em condições francamente debilitadas possam exercer o seu direito de terminar a sua vida de forma assistida, controlada, com acesso à medicação mínima, o que permitirá a aplicação deste direito com o maior nível de conforto possível e de forma indolor.
Se a pessoa podia antes mandar-se para a linha do comboio em vez de arranjar este sarilho todo? É pá talvez, se estiver paralisada numa cama torna-se complicado ir até à linha do metro escangalhar os horários de quem vai trabalhar.
O que está em debate não é a implementação da eutanásia, mas sim a despenalização da mesma, permitindo a quem queira justificadamente exercer esse direito levá-lo a cabo.
Não estamos a falar de uma obrigação imposta aos cidadãos portugueses.
Os médicos não vão passar a prescrever eutanásia de 8 em 8 horas em caso de uma gripe tramada. Os médicos não vão sequer poder prescrever eutanásia àquela malta que lá vai ao consultório dar-lhe uns sopapos.
Por mais que um familiar queira não pode ir ao médico e dizer “ó doutor o meu Francisco mija a sanita toda e não baixa o tampo, prescreva-lhe aqui uma eutanásia a ver se passa”.
Os desígnios do Senhor servem para ser cumpridos e respeitados por quem acredita neles, pelo que trazer crenças religiosas para um debate desta natureza é parvo. Se a pessoa acredita que não deve recorrer à eutanásia caso esteja entrevado numa cama, em dor excruciante, não pede e espera que o Senhor lhe mande uma mensagem a dizer que pode subir.
A eutanásia não serve para se substituir aos cuidados paliativos, serve como alternativa para quem não quer continuar à espera que a natureza faça o seu trabalho. Gente choninhas, como eu, dificilmente solicitará tal serviço, mas não é porque eu não quero usufruir, que me sinto no direito de retirar essa possibilidade aos outros.
Hoje lia numa caixa de comentários qualquer coisa como “eu sou contra porque não podemos decidir pela vida dos outros”. O que é uma contradição, mas representa o pensamento de muitas pessoas que são pelo não. Acham mesmo que despenalizar é mandar pessoas para o matadouro à seringada. Não querem decidir pela vida dos outros, já decidindo.
Os médicos não vão passar a dizer “ó Judite guarde o bisturi, a rotula deste gajo já me está a chatear, vamos eutanasiar o bicho”.
Por isso, em caso de referendo usemos a cabeça para pensar, deixemos a religião à porta e lembremo-nos que os direitos devem assistir a todos e lá porque nós não queremos, não quer dizer que os outros não possam ter. É o que eu faço com o sushi, não como, não quero comer, mas não é por isso que digo que deve ser proibido.

 

 

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Qua | 12.02.20

Conheçam as bodas de casamento para os primeiros 10 anos

Gorda

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Como estamos mesmo a chegar ao dia dos namorados e como o dia dos namorados é invariavelmente um dia que acaba em ajuntamentos de pecado, parentalidade não programada ou casamentos mal pensados, pareceu-me adequado celebrar o amor com uma visão disruptiva sobre os dez primeiros anos de casamento.

É fácil encontrar online o significado das bodas de cada ano de casamento, eu julgava que eram apenas os 25 ou os 50, mas afinal há bodas todos os anos sobre merdas que uma pessoa jamais conseguirá entender.

Assim sendo, decidi reescrever as bodas para os primeiros dez anos. Espero que vos apoie para que o amor e a perseverança nunca vos faltem.

 

1 ano – Bodas de caramelo

Não se largam, acham que o amor é para sempre. Todos os motivos e nenhuns são bons para dar uma pinocada. Elas têm a certeza que eles nunca vão papar outra e eles reconhecem que elas só têm olhos para eles. Ninguém se esquece das datas especiais, onde se inclui o dia em que se conheceram, o dia em que perceberam que ele tinha interesse nela, o dia em que ela percebeu que tinha interesse nele, o dia em que saíram juntos pela primeira vez, o primeiro beijo, o primeiro pinanço, o assumir da relação, quando ela conheceu os sogros (e a sogra ainda gostava dela porque era passageiro), quando ele conheceu os sogros (e o sogro ainda achava que ela era um bom rapaz), quando compraram casa, quando foram morar juntos, quando casaram. A vida está toda pela frente e vão construir uma família linda em cor de rosa algodão e azul céu em dia de primavera.

 

2 anos – Bodas de Muffin com creme de avelãs

O amor ainda existe mas ele já quer ter um dia da semana para ir jogar à bola com os amigos, quando está com os comparsas vem com a ideia que não tem de baixar o tampo da sanita, mas como o amor ainda é grande acabam por resolver o mal entendido com uma queca. Ela vai jantar com as amigas e há sempre uma delas que está numa aventura amorosa tremendamente emocionante. Sexo escaldante e viagens surpresa. Ainda não há monotonia mas já não há tanto desejo. Viajam e voltam revigorados.

 

3 anos – Bodas de bolo de chocolate

O amor resiste e a casa já está toda decorada, a melhor amiga dela vai ser mãe e começa a nascer o desejo de ter uma semente naquele ventre cheio de vigor. Os pais têm saúde e estão sedentos de ter netinhos a correr pela casa, por isso vão poder ajudar para que as carreiras de cada um não se esmoreçam. Ele não tem bem a certeza porque um dos amigos teve um puto no ano anterior e agora só acha alguma coisa lá de mês a mês. Mas ela quer e o amor é lindo e sem filhos não há quartos em cores fofinhas. Aquilo são lá coisas da vida do amigo que não orientou a mulher certa.

Ficam entusiasmados com a coisa e desatam às berlaitadas em todas as ocasiões para pôr um descendente naquela barriga.

Ainda se lembram das datas principais, celebram o dia de aniversário e compram prendas com significado para celebrar o aniversário de casamento.

 

4 anos – Bodas de beberão

Nasceu o querubim. Ela ainda está com peso a mais e não se maquilha vai para seis meses. Tem vontade de lhe dar umas lambadas sempre que ele quer ia jogar à bola com os amigos, mas reconhece que ele tem de ter tempo para descansar a cabeça. Ele fica com o puto enquanto ela se tenta arranjar para ir jantar com as amigas, mas as outras falam de noites soberbas enquanto ela só põe as mamas de fora para alimentar a prole.

A sogra tornou-se numa velhaca que sabe criar melhor o puto que ela e o sogro quer mais é que o gajo se escavaque num acidente de viação grave por ter engravidado a filha que ia ser a maior não-sei-o-quê do país.

Os jantares de família são passados com trocas de bujardas de todos os lados e já não fazem as pazes ao chegar a casa com uma boa tourada porque o puto tem cólicas e é preciso atender ao que precisa.

Ainda comemoram o dia de aniversário de casamento porque a mãe dela fica com o puto. O dia dos namorados é regado a chocolates e estão demasiado ocupados a decorar as datas das consultas e das vacinas para se lembrar quem é que deu em cima de quem.

A ultima discussão foi de bradar aos céus porque ela insiste que ele é que andava atrás dela e ele diz que acabou a envolver-se porque ela não passava sem ele.

 

5 anos – Bodas de bosta na fralda

As coisas acalmaram e o amor fraterno fala mais alto. Começam a pensar que o querubim precisa de uma maninha para crescer feliz, afinal de contas todos os amigos têm dois e dizem que, apesar de dar trabalho pode ser uma boa ideia. Motivados desatam a pinar como doidos. Agora já têm mais algum tempo e o puto já está na cama dele.

Ela organizou a agenda e lembra-se de como foi quando se beijaram pela primeira vez e prepara-lhe uma surpresa picante para o dia dos namorados. Ele gostou mas pergunta-se se com 5 anos e casamento ainda faz sentido comemorarem o dia dos namorados. Não lhe tinha comprado nada.

Comemoram o aniversário de casamento e publicam nas redes sociais aquele amor verdadeiro que é para sempre.

 

6 anos - Bodas do "vais lá tu desta vez"

Ela deu o grito do ipiranga e já não está para se levantar sempre que a criançada berra, até porque acabou por perceber que ele também tem responsabilidades enquanto progenitor e pode levantar o cu da cama.

Ele anda mais cansado porque também não dorme uma noite seguida.

Ela oferece-lhe um pack de seis cuecas sem buracos e ele dá-lhe um aspirador daqueles que anda pela casa a aspirar sozinho.

O gato gosta porque anda montado naquilo, o que até é bom porque ela partiu um incisivo depois de ter tropeçado naquela merda porque se esqueceu que o aspirador era silencioso e estava programado para aspirar à noite, a luz estava apagada e ela chegou com os dentes à pia antes de lá pousar o pipi.

 

7 anos - Bodas do "tás aqui tás na tua mãe"

Este é o ano da crise conjugal. Há tanto mistério com a crise dos 7 que qualquer merda que acontece é sempre culpa dos anos de casados, mesmo que já vivam juntos há mais de 10.

Ela ainda o culpa por ter partido um incisivo no pia e lamenta nunca mais poder dar numa gargalhada numa discoteca sem que se saiba que ela não tem um dente na fronha.

As discussões são frequentes porque ele não aspira tão bem quanto ela queria e ele não escuta porque aprendeu a entrar em modo meditação-relato sempre que ela fala por mais de 5 minutos seguidos, o suficiente para fixar um recado simples. Por este motivo quando ela lhe pede que ele vá comprar 3 itens ele deixa de fora um deles porque já não estava a ouvir quando ela o disse.

 

8 anos - Bodas de lixo por despejar

Ele insiste em não baixar o tampo da sanita e ela já acha que a incapacidade de aprender coisas simples é uma deficiência que devia estar declarada em IRS. Ela já não tem ciumes que ele vá à bola com os amigos e até prefere esses serões para pôr em dia as leituras de livro erótico. Ele está confinado a tarefas simples e que não careçam de pareceres de estéticos nem decisões com raciocínio de conjugação de padrões, pelo que é responsável por despejar o lixo dia sim, dia não, merda que nunca cumpre porque se está sempre a esquecer.

 

9 anos - Bodas de Chanfana

Ela não perdeu o peso que ganhou com a última gravidez e ele aproveitou para engordar como um porco para lhe fazer companhia. Alegou gravidez psicológica.

Ela começa a meter na cabeça que quer ser boa apesar de mãe e esposa e ele começa a ficar preocupado que isso lhe custe umas boas chanfanas e todos os jantares com sobremesas de embalagens.

Já não vão jantar fora, com sorte dão uma pinadela se for véspera de dia de folga, porque durante a semana não dá para isso, até porque a pessoa toma banho antes de se deitar e isso implicava um segundo duche pela manhã e o corpo não está habituado.

Não compraram nada um ao outro e vão com os putos ao Mcdonald's comer Happy Meals para ganharem vários brindes.

 

10 anos - Bodas de aperta as nalgas

Ela começa a fazer contas de cabeça e fica frustrada quando vê o gordo sentado no sofá a coçar o cu enquanto dá liberdade ao circuito intestinal. Ela queria melhor.

Olha para o espelho e vê umas marufas caídas e mal amparadas. Sabe que as cuecas estão gastas e com buracos, não usa saltos há mais de 2 anos e tem umas olheiras tão castanhas que parece ter levado dois bananos.

Nenhum se lembrou da data e ela pensa que apesar de ser véspera de feriado ele adormeceu depois de ver a Guerra dos Tronos.

Ela decide investir umas massas no personal trainer e vai ao ginásio 3 vezes por semana. Os putos ficam com os avós. Ele fica com medo porque ela começa a adelgaçar e decide meter-se nas corridas. Ao fim de 6 meses já ninguém pode com eles porque são daqueles casais gordos que agora têm a mania que são fits. Programam comemorar o 11º aniversario numa corrida de 10 km.

 

 

 

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Dom | 09.02.20

À rasca com a vida - podcast - Episódio 3 - Privação de sono

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A privação de sono é fodida. É fodida assim, sem arrobas e asteriscos porque as palavras servem para ser escritas com todas as letras, tal como no dicionário.

Estar em privação de sono é o mesmo que ter um melão no lugar da cabeça. Um melão daqueles ocos em que as sinapses são feitas por passas. 

A privação de sono constitui uma reconhecida técnica de tortura, e só isso deveria ser um sinal de alerta para uma pessoa estar com a cabeça em água quando passa dias, semanas, meses ou mesmo anos, sem dormir uma noite seguida.

Neste podcast curto falo mesmo disso: da privação de sono e do que implica para mim.

 

Podem aceder ao podcast em praticamente todas as plataformas de podcasts (pelo menos é o que me diz o aplicativo onde carrego esta bodega). Também ficará no i-tunes, mas demora mais a ficar disponível (deve ser porque vai lá acima perguntar ao Jobs primeiro e só depois é que aceita o upload, parecendo que não a viagem ainda é longa).

Para já podem encontrar no Spotify aqui e também no Youtube aqui.

Para quem está sedento e quer ouvir já sem mais demoras, podem clicar no play através do link abaixo.

 

 

 

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Qua | 05.02.20

Os pássaros, a Custódia e a desnaturada que a inventou

Gorda

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No ano passado - se a minha memória carregadinha de Alzheimer não me atrapalha – algures em setembro, recebo uma mensagem pelo facebook de uma moça que para além de estar a rebentar pelas costuras neste momento larga gosma enquanto anda. Dizia esta simpática criatura que ia haver um desafio de escrita criativa organizado por umas mentes (meio chonés) iluminadas da aldeia anfíbia e que eu era capaz de gostar. Que a coisa ia durar dezassete - repito - dezassete semanas, e que podia ser divertido porque havia temas pré definidos e todos tínhamos de enjorcar qualquer coisa num limite de quatrocentas palavras para escrever sobre a maluqueira que alguém tinha inventado.

A principio pensei “esta bacana está maluca, dezassete semanas!?”, depois “tá grávida e eu não consigo dizer que não a grávidas”, depois calculei “mais coisa menos coisa se há de arranjar e seja o que o Senhor quiser”.

Inscrevi-me.

Na primeira semana a única coisa que me ocorreu foi escrever um diálogo entre duas amigas da aldeia que estavam sentadas num café, de um local com nome caricato e que falavam de coisas palermas. Uma amiga era uma parva convencida, a outra uma pessoa comedida e tolerante. Assim nasceram a Custódia e a Clotilde.

Ora tal como acontece com o Pelé e o Maradona, a melhor fica apagada pela cabeça de vento da mais estouvada e assim se criou um publico que recebeu de braços abertos esta estranha criatura que é a Custódia.

A Custódia é um produto do desafio dos pássaros e um subproduto da minha mente enrascada porque não sabia sobre o que raio havia de escrever.

Depois de acabar a última palavra do primeiro texto eu já sabia que ia escrever sempre sobre estas duas, porque gostei delas e porque toda a gente gosta de uma tipa que sonha ter encontrado o cão da vizinha no purgatório e que o pobre se chama Hitler.

Para mim, o desafio dos pássaros deixou de ser um desafio sobre temas para ser uma novela a pedido. Eu não esperava pelo tema para saber do que é que ia escrever, eu esperava pelo tema para saber o que raio eu ia pôr as duas amigas a fazer.

E foi um exercício muito divertido para mim.

Confesso que em algumas semanas me vi mais à rasca, porque uma pessoa tem uma vida de responsabilidades e vem para aqui esquecer que a vida é a sério, com tarefas e contas para pagar e projetos que se adiam e resoluções que morrem em janeiro e percalços que azucrinam a cabeça do mais zen dos praticantes de meditação.

Quando o desafio terminou eu já sabia que ia fazer uma pausa. Tinha (e tenho) alguns planos para levar a cabo (como o podcast) e não há tempo para tudo, infelizmente.

 

Só tenho coisas boas para dizer deste desafio, já o recomendei pessoalmente a alguém e acho que é muito bom para quem quer começar a escrever, para quem gosta de escrever ou para quem já tem um espaço há muito tempo e de debate tantas vezes com a falta de tema para o que terá de abordar. Têm aqui uma forma de ter um texto por semana, com tema escolhido, restando apenas pôr as tolas a carborar para engendrar a melhor forma de contornar o tema que vos é dado. Poesia, prosa, romance, humor, guião. Tudo vale. Acho que até formulas matemáticas se por aí quiserem enveredar.

Como desnaturada que sou e com tanta coisas a querer fazer em simultâneo fui deixando este texto para amanhã, para o amanhã do amanhã e para o amanhã do amanhã do amanhã, que chegou hoje.

Se ainda não conhecem o desafio dos pássaros vejam aqui o que é. Se já conhecem não se esqueçam de acompanhar, se não todos, pelo menos uma parte dos textos. Se gostam de escrever participem, é um exercício muito bom de levar a cabo.

A todos os tontos que esgalharam esta ideia, um obrigada pela iniciativa, a todos os que participaram que voltaram a participar, parabéns e força nisso.

 

Quanto à Custódia digamos que está a descansar. Tenho coisas planeadas para ela.

Mais dia menos dia, vão ter noticias dela.

 

 

 

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Ter | 04.02.20

Bem-vindos à era do estúpido

Gorda

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Poucas coisas ou situações dão mais trabalho e dores de cabeça do que os estúpidos. Causam assim uma espécie de urticária crânio encefálica que uma pessoa sente que só consegue resolver à pedrada.
Eles entopem o trânsito com manobras de Fittipaldi de Venda da Porca, porque têm acesso aos apontamentos Sr. Palerma do código da estrada e estão sempre mais atrasados que os outros. Com o que eu até concordo em parte, só não apostaria no mesmo verbo, trocaria o “estar” pelo “ser”, mas isso são cá coisas minhas. Arranjam sarilhos nas filas de supermercado porque não entendem o conceito de fila única, única para o estúpido podem ser múltiplas, desde que dessa forma consiga passar à frente de três ou quatro. Dizem merda em barda e são capazes das interpretações mais estapafúrdias, raciocínios que podem deixar um chimpanzé de pelos eriçados .

Uma pessoa normal gasta em média, por semana - valor estatístico calculado por mim da forma que me apeteceu -, o equivalente à produção de energia do parque eólico Viking só a atender a estúpidos e para tentar acautelar as suas sensibilidades também elas estúpidas.

Antes de falar é preciso garantir o tom e a conjugação de palavras que menos irá irritar o estúpido. O estúpido é, afinal de contas, um animal sensível. Antes de escrever é preciso reler e antecipar todas as interpretações possíveis para garantir que o estúpido irá entender. É fundamental - e isto carece de uma elevada carga de paciência - colocarmo-nos no lugar do estúpido e pensar que tipo de ilações de merda se podem tirar de uma observação simples, objetiva e inócua.
O estúpido complica o incomplicável.

 

O estúpido anda sempre ao contrário dos outros, coloca nuances no que é objetivo e factual contrapondo com a sua opinião, como se achamentos pudessem contestar evidências, e depois assimila de forma literal o que devia ser interpretado. É desgastante.


E nós estamos lamentavelmente na era dos estúpidos, são tantos que uma pessoa já não sabe para que lado se virar. 

 

 

 

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