Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Casa da Gorda

Casa da Gorda

Sab | 15.06.19

7 tipos de pessoas que podemos encontrar se formos de férias para um resort

Gorda

(eu não estive aqui, a imagem foi retirada do Google)

 

 

Antes de começar com a minha análise à fauna humana, importa esclarecer que a referência a resort feita no título é apenas uma tentativa de passar a ideia de que a minhas férias foram muito mais do que a ida para um hotel com tudo incluído no Algarve. É que uma coisa é dizer que fomos para um hotel onde nos puseram uma pulseira e nós pudemos comer como alarves, outra e explicar que estivemos num resort. Aliás, essa é a grande vantagem de fazer nove horas de voo para ir para Punta Cana, porque uma vez chegados lá pouco mais há para fazer que não seja usufruir de um bom hotel. Ou assim me contam, porque eu nunca estive tantas horas enfiada num pássaro mecânico.

No estrangeiro ou em terras lusas, assim que assentamos coutos em território "tudo incluído" aparece uma senhora simpática que nos questiona como pretendemos fazer o pagamento e, uma vez validada a condição financeira para o efeito, a mesma saca de um conjunto de pulseiras e marca-nos a todos, como fazem ao gado vacum após aquisição pelo novo novo latifundiário de estimação. A partir daí, tal como acontece com as vaquinhas felizes dos Açores, podemos comer e beber o que quisermos nos vários pontos de abastecimento que o hotel disponibiliza. Na fila temos bichesa de várias nacionalidades e rapidamente compreendemos que há gente que vai dar um prejuízo do catano. Como o par mãe e filho que, em conjunto, pesavam cerca de 250 quilos.

Malas pousadas, fatos vestidos, chapéus de palha postos, caminhamos lentamente ao som de uma música badass com destino ao primeiro lanche da tarde seguido de mergulhos na piscina. É aqui, neste momento de convivência familiar que podemos aproveitar para nos deleitar com as maravilhas da espécie humana.

 

1. Camores, avecs e ramsteins

Isto é malta que não teme o sol, o frio, a neve, as intempéries ou os tsunamis. Esta gente pagou para estar de férias num tudo incluído, pagaram para que estivesse sol e para usufruir das espreguiçadeiras. São os primeiros a chegar à piscina antes das nove da manhã, quando ainda está um vento frio que não se aguenta nem com uma malha grossa. Ali ficam resilientes à espera que o sol chegue, todos encarnados do escaldão, desafiadores das leis do cancro da pele.

Chegam aos buffets primeiro que todos os outros e consomem, pelo menos, três pratos cheios de alimento, mesmo antes de chegar à sobremesa. À beira da piscina viram bebidas coloridas a um ritmo de 7 por hora. 

 

2. Gente que não teme o sol

Compreendi com toda a certeza que eu tenho uma perspetiva desatualizada e retrograda da vida, por isso tendo a achar que há alturas em que o sol pode ser nocivo, especialmente para as crianças. E não, não acredito que hajam protetores solares que possam compensar tal coisa. Nada mais idiota. O sol só tem este comportamento mauzão no dia a dia, quando estamos de férias as coisas não são assim, o sol sabe que estamos a descansar e não nos causa cancro, aliás o sol, nesse período nem gosta de ouvir falar de melanomas. Chego a esta conclusão porque é comum ver chegar à praia, estrangeiros e portugueses, a horas de pico de calor. Com eles bebés de meses, sentados nos seus carrinhos, os mesmos que eles pousam à sombra, por baixo de uma rocha que assinala a possibilidade de derrocada. 

 

3. El canhon de la piscinia

Este ano não apanhei nenhum canhon nem nenhuma canhona, mas normalmente são espanhóis muito bronzeados, de calções arregaçados até as virilhas, que se pavoneiam à beira da piscina enquanto trauteiam músicas latinas e convidam a sua canhona para dançar. Vamonós dizem eles. Istá quietio dizemos nós, que já estamos fartos daquele lombo barrado de óleo a saracotear-se, até porque com o sol a bater tende a encadear-nos a vista.

 

5. Os portugueses que não gostam de encontrar portugueses

Há umas semanas uma senhora veio deixar-me um comentário dispensável numa publicação que fiz no Instagram na sequência de o Benfica ter ganho o campeonato. A única coisa que me encanitou no comentário foi o échetégue deixado pela amável senhora - que nem sequer acompanha o espaço, mas foi lá deixar a sua poia (deve ser uma espécie de síndrome de pombo, assim que vê um espelho retrovisor fica acometido de diarreia e tem de lá obrar em cima) - o qual dizia #somostodosiguais. Ora esta nota deixou-me perplexa porque eu não sou igual a nenhuma das pessoas que conheço, quanto mais igual a uma pessoa que nem sabe quem sou. Não contrapus porque ainda hoje não sei se é verdade, se sou ou não igual a esta senhora. Tenciono manter-me dessa forma. 

De todo o modo o que interessa este tema para aqui é que, no que respeita a encontrar outros tugas nas férias, eu de facto prefiro estar no meio da estrangeirada. Nada contra os portugueses, até porque gosto muito da minha nação, mas há três coisas que eu não consigo ultrapassar:

1. No meio de estrangeiros posso dizer as baboseiras que quiser que ninguém entende. Por exemplo se eu disser "aquela camona já vai na quarta jola, vai lá vai" e sorrir, a inglesa vai achar que eu estou a ser simpática e sorrir de volta.

2. Os estrangeiros não entram em competição para ver quem tem os filhos mais educados. Parecem estar-se a borrifar para isso. Isto porque aparentemente no estrangeiro, as pessoas sabem que as crianças não se comportam como adultos, pelo que não há que estranhar que sejam infantis.

3. A tendência incontornável do tuga para se sentir inferiorizado quando encontra outro nativo, tentando compensar a aparente equivalência de estatuto esclarecendo que já correu o mundo todo.

O ano passado estivemos no mesmo hotel e encontrámos um casal que, perante a existência de tantos portugueses passou o tempo todo que esteve à volta da piscina das crianças a elencar os países onde já tinham estado "essas bóias já não usamos, comprámos em Cabo verde...essas bisnaga foi no Brasil...esses chinelos foi em cascos de rolha". Ao que indicaram (por diversas vezes, saliente-se), ir para o Algarve era algo que faziam apenas por uns diazinhos, como escapadinha; não era para as férias grandes como os outros pelintras que ali estavam.

 

6. Ingleses das barracas

É verdade que nunca dei conta de estar na presença de talibãs ou membros da Al-Kaheda nos espaços que escolho para descanso, contudo, dos restantes hospedes com os quais já partilhei hotel em território nacional, os ingleses de faixa etária equivalente à minha ou inferior, são o pior que se pode encontrar. Ao contrário da versão romantizada do povo inglês que as pessoas querem acreditar, recheada de princesas Dianas e Hugh Grants, com sotaque que os dá arrepios na espinha, a verdade é que uma boa parte dos ingleses, especialmente os das cidades de interior, com sotaques macarronicos, são os pobretanas da terra deles, são burgessos e brutos. Vêm para Portugal acreditando que isto é uma espécie de Paraíso espanhol em barato, comem que nem animais, estragam coisas, fazem barulho, sujam e, mais do que qualquer outra coisa, bebem como se estivessem no deserto. À semelhança do antigo tuga emigrante, acreditam mesmo que todo o povo português é ignorante e dizem barbaridades porque pensam que ninguém os entende, isto quando uma boa parte dos portugueses fala inglês com um léxico mais correto que o deles.

 

7. Progenitores cocós que são mega espertalhões

Chegam envergando roupa a condizer, cria e progenitores, para cima de três dígitos por peça, os olhinhos da cara penhorados em cartões de credito para alimentar o parecer. É fácil saber porque é preciso ser teso para ir de férias para o mesmo barraco que o pobre. A cria vai para a piscina e leva consigo as mãos carregadinhas de ar, na água, bom mesmo é chapinhar. A princípio pensamos que são minimalistas mas rapidamente compreendemos que a criança tem um saco cheio de brinquedos ao pé da toalha, mas os paizinhos, espertalhaços que são, assim que bateram olho nos arruaceiros que estavam a mandar bisnagadas na piscina, perceberam que estavam perante mini meliantes capazes do atroz furto da pazinha verde, por isso o futuro príncipe de Santa Comba Dão, preserva os seus pertences com o maior dos cuidados. Enquanto isso, o pequeno príncipe que é apenas uma criança, atira-se com unhas e dentes aos brinquedos dos mini meliantes, ávido por ter com que entreter. Os rufias começam a reclamar porque querem as suas coisas, é nesse momento que os Condes de Santa Comba Dão decidem mandar larachas como "deixe lá, o menino não gosta de partilhar...", como quem dá a dica que os filhos dos outros são egoístas. É fácil dizer que os filhos dos outros são egoístas quando os nossos não tem nada para emprestar. Ou seja, o querubim não pode emprestar a pá verde que deve estar cravejada de cristais, mas os meliantes têm de se transformar em mini madres Teresas e despojar-se de todos os seus entreténs para ver os outros divertir-se com o que lhes pertence.

O que é que eu tenho a dizer a esta gente? Barda-merda.

Espero que o João Artur cresça para ser melhor que os palermas dos pais.

 

Para quem aproveitou estes dias, espero que tenham tido umas boas férias, para quem ainda vai, votos de um bom descanso.

 

Para mais conteúdos podem sempre acompanhar a Gorda no Instagram.

Ou ainda na conta de Facebook.