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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Seg | 23.12.19

A evolução do meu estatuo de mãe em época de Natal

Gorda

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O meu filho é doce como só ele consegue ser. É bruto como só os genes da mãe dele conseguiriam programar. Tem resposta para tudo como quem passou nove meses em formação intensiva com sua rica progenitora que tem uma boca mais rápida que o vento em plena tempestade.

 

No outro dia, depois de lhe dizer um bilião de vezes que acabasse de comer a sopa respondeu-me, enfastiado, querendo verdadeiramente transmitir o transtorno de ouvir a minha voz:

- Mãe, tu és a maior chata cá de casa.

 

Não refuto a verdade. Factos são factos, por isso rematei com um simples:

- Isso é certo, mas não é por isso que não tens de acabar a sopa. Por isso: ACABA A SOPA!

 

As boas, carinhosas, dengosas e pacientes mães de catálogo nunca gritariam. Mas a minha sorte é que eu sou um ser humano pejado de defeitos por isso berro e faço má cara quando considero que as circunstâncias a isso pedem. Amém.

 

 

No inicio da semana passada andava-me o safado de cuecas e calças pelo joelho quando comecei com a lenga-lenga do “vou contar até três para puxares as calças para cima e ires lavar as mãos”, vai daí e o maltrapilho, enquanto preguiçosamente puxava as suas vestes, diz-me:

- Ai mãe, eu até mando as mãos à cabeça com as coisas que tu me dizes.

 

É neste momento que eu paro o que tenho para fazer e me encosto à ombreira da porta da casa de banho. Esta é uma conversa que tem a minha atenção:

- Ai sim, então porquê?

- Tu até me fazes mandar as mãos à cabeça.

- Porque te estou a dizer para puxares as calças?

- Sabes mãe, vou sair desta casa. Vou sair desta casa e da tua vida para sempre.

- Ai é?! Então e vais para onde?

- Vou para a África do Sul.

- Para a África do Sul? O que é que tu vais fazer para a África do Sul?

- Vou ter com a Torre Eiffel.

 

A Torre Eiffel na África do Sul só se for o nome de uma stripper, porque de resto não estou bem a ver.

 

- Filho, a Torre Eiffel não é uma pessoa, é um edifício, um monumento, uma coisa inanimada.

- Não me interessa.

- E não fica na África do Sul.

- Fica onde?

- Fica em Paris.

- Então é para lá que eu vou.

- E depois dormes onde? Na rua?

- Nãããããooooo......Ora, durmo num hotel!

- Com que dinheiro?

- Com o meu.

- Tu não tens dinheiro.

- Tenho, tenho!

- Onde?

- Na minha coisa.

 

Nesta altura eu só já me conseguia rir, por isso não disse mais nada.

 

 

Ontem estava na cozinha a preparar as coisas para o jantar quando o mafioso me entra por ali adentro:

- Mãe, é hoje o Natal?

- Não.

- É quando?

- É terça-feira. Depois de amanhã.

 

Ficou a pensar, saiu e voltou uns cinco minutos depois.

 

- Ó mãe, então quer dizer que falta mais ou menos um dia para o Natal?

- Sim é isso.

 

Voltou a ir-se embora, claramente a fazer contas de cabeça.

 

Quando ao final do dia entro no quarto dele vem ter comigo, caloroso e diz-me:

- Mãe, obrigada por me amares.

 

E deu-me um abraço apertado.

 

 

Faltavam menos de 48 horas para o dia de Natal, altura de abrir prendas, por isso, não vá o velho ser tanga dos cotas, mais vale dar graxa à trambolha que tem poder sobre o cartão multibanco.

 

 

Feliz Natal para todos

 

 

 

 

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