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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Qua | 15.05.19

A minha familia é como eu quiser

Gorda

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Neste que é o dia da família eu gostava de falar da importância de respeitar a diversidade das famílias. Não só as família de duas mães, de dois pais, de mães solteiras com pais que bateram à sola, de pais que são sozinhos porque as mães não quiseram ficar, de mãe e de pais que perderam os seus companheiros de viagem e agora enfrentam a empreitada sozinhos.

 

Todas as famílias devem ser respeitadas e, desde que haja amor, devem ser aceites e integradas na sociedade com a naturalidade do tradicional pai e mãe.

 

Mas para além destas famílias eu gostava de falar da aceitação pela normalidade do outro. A normalidade das famílias que fazem escolhas diferentes das nossas nos temas mais triviais, mas que apenas lhes dizem respeito. Que se celebrem as famílias que levam os filhos a múltiplos workshops, as famílias que não levam os filhos a workshops nenhuns, as famílias que apostam na escola publica e as famílias que fazem um esforço porque acreditam no privado. Que se aceitem os pais que emprestam o telemóvel e que se conviva com a convicção de quem acha que o telemóvel não é para os seus filhos. Que as famílias com escolhas ultra saudáveis não critiquem as que compram um chupa aos miúdos. Que não haja competição com as idades em que os filhos andam, com a capacidade intelectual de cada um, com as escolhas de minimalismos ou de acumuladores de tarecos.

 

Que olhemos para a nossa família e estejamos felizes com as nossas escolhas, conscientes de que estamos a fazer o melhor que conseguimos para que este núcleo viva aquilo que, para aquele tão especifico grupo de pessoas, faz sentido. Que nos abstenhamos de opinar sobre a forma como os outros decidem gerir a sua vida. Que retiremos os olhos da janela para a casa dos outros e que nos concentremos na nossa mesa de jantar, aquela que tantas vezes serve para comparação.

 

Que nos deixemos de generalizações bacocas baseadas em crenças infundadas que resultam apenas de ideias pré concebidas que germinamos nas nossas cabeças e que agora, queremos à força de tudo, fazer acreditar ser a única forma de viver. Que se acabem as frases “porque os miúdos depois ficam assim” ou “porque os miúdos depois ficam assado”, cada um tem a sua realidade e as escolhas que fazemos devem servir para balizar o que acreditamos ser melhor para nós e para os nossos, não para avaliar genericamente o que acontece na casa dos outros.

 

Neste dia que celebra a família, que podia ser hoje ou noutro dia qualquer, alguém me dizia “eu não concordo nada com o emprestar o telemóvel aos miúdos porque depois os miúdos ficam viciados e não querem outra coisa”. Isto depois de eu dizer que empresto o meu telemóvel ao meu filho. A minha resposta seca e certeira foi óbvia “cada pai e cada mãe deve fazer o que acha que é melhor para os seus filhos, da minha casa sei eu e da casa dos outros os outros saberão”. Ponto final.

O meu filho vê vídeos no telemóvel quando pede, quando eu cedo e acho que se justifica. Hoje em dia o telemóvel e os gadgets são a mesmíssima coisa que eram outros brinquedos no nosso tempo, eu acredito que é assim. O meu filho não deixa de passar horas no jardim a brincar com outras crianças, não deixa de inventar as histórias mais mirabolantes do mundo com a imaginação dele, não deixa de fazer as atividades dele, de ir à escola e de ler uma história todos os dias ao deitar.

 

O fruto proibido é e sempre foi o mais apetecido e é com base nessa premissa que eu nunca quis fazer dos gadgets um bicho de sete cabeças. Talvez seja por isso ou por mera sorte que o meu filho prefira passear, ir ao jardim ou fazer um jogo de corrida a ter o telemóvel na mão. O que é certo é que não é certamente um geek e não é o facto de ver meia dúzia de vídeos no meu telemóvel que tem feito qualquer diferença,

 

Não me interessa se os outros o fazem com os filhos deles, interessa-me apenas que deixem de lado a generalização, porque da minha casa ninguém sabe e o meu filho conheço eu.

 

Feliz dia da família e que falemos da nossa e deixemos a dos outros com os outros.

 

 

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