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Casa da Gorda

Casa da Gorda

10
Ago18

A qualquer canto e em qualquer momento

Gorda

A especulação imobiliária está no auge, até as casas sem telhado e condições mínimas de habitação saltam do mercado em semanas (ou assim dizem os vendedores das imobiliárias). As facilidades são muitas, é só comprar, os bancos já financiam (ou financiavam outra vez, não estou certa do tempo verbal correto). Depois vem mais uma lei, espeta com dificuldades na aquisição de casa do pobre, porque para o rico 10 % de um qualquer valor são menos umas malas da Gucci. Para o pobre a conversa é outra. Para vender tem de fazer dinheiro com a casa antiga (se for a primeira casa é bom que tenha quinado um familiar que tenha deixado alguma coisa em testamento), que é para dar entrada quando for comprar que é para o banco poder financiar que é para a pessoa ter para onde ir viver.

Raios. Porque é que eu não fui dar um passeio até Alfama? Vai na volta e até tropeçava num prédio velho da SS que comprava com o maço de notas que trago no bolso. Depois mandava uns familiares para arranjar aquilo e quando estivesse mesmo, mas mesmo para ir para lá viver, um consultor imobiliário de luxo obrigava-me a ficar com uns 6 milhões de Euros.

 

A quantidade de bolos e gomas que eu podia comprar.

A casa que eu podia comprar.

A lipoaspiração que eu podia fazer com esse tipo de dinheirinho.

 

Uma pessoa está a sair da sua humilde casa e calha a comentar que gostava de ter uma barraca com piscina, aparece logo uma criatura de casaco creme “quer vender a sua casa? Consulte-nos. Tiramos fotos profissionais, fazemos avaliações profissionais, damos um estudo de mercado profissional”. Ainda não compreendi porque raio é preciso dizer tanta vez que é profissional. Se é a profissão da pessoa é esperado que seja uma coisa em condições, afinal de contas comem a comissão. “Então e se eu vender a minha tem alguma coisa assim e assim para eu comprar?”, invariavelmente a resposta é “isso depois logo se vê, o mercado anda muito depressa!”. Portanto uma pessoa vende o teto que tem, calha a receber mais valias sobre as quais pode ser tributado se não investir entretanto numa barraca nova, e pode ver-se a braços com o problema de não ter para onde levar os tarecos.

São tantos mas tantos os vendedores, são tantas mas tantas equipas de excelência, estão em tantos lados que fazem lembrar os repórteres da CMTV, uma pessoa vai a sair de casa e comenta que viu uma galinha com um dente e aparece logo um a perguntar se sabemos como a família se sentiu e se conhecíamos a parteira da galinha.

Há tanto repórter da CMTV em Monchique que se calham a dar um balde de água a cada um não havia trabalho para os bombeiros.

Que raio faz tanta gente a comentar a desgraça dos outros na televisão? Se arregaçassem mas é as mangas e ajudassem as pessoas em vez de andarem para ali a perguntar como se sentem, como anda a vida, como é que não sei o quê, e o que é que perdeu. Devem estar a sentir-se uma maravilha, então têm a casa a arder! Até começavam a cantar o Follow the líder (the roof, the roof, the roof is on fire, we don’t need no wather let the motherfucker burn) se a aparelhagem não estivesse também a arder.

 

À parte este à parte alucinado. Tudo me parece excelente nos vendedores de noticias de desgraça e nos vendedores imobiliários. Afinal de contas ambos estão a fazer o seu trabalho.

 

Quando não há uma pessoa de casaco creme, há panfletos na caixa de correio. Mais ou menos como os panfletos que colocam nos carros que têm mais de cinco meses, onde alguém se oferece para comprar o nosso carro, seja lá em que estado for.

 

Parece que toda a gente quer as minhas coisas, corro o risco de até me sentir importante.

 

Depois uma pessoa cede à pressão e liga para uma das agências e ouve:

- Temos de ir com calma. Fazer as coisas por passos.

 

Atão mas ainda há 2 semanas era tudo sempre a abrir e agora já é por passos. Não se entende nada disto.

 

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