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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Ter | 16.07.19

A vida vai normal em julho

Gorda

 

 

Gostava de poder dizer que estou a trabalhar num livro, que tenho a capacidade criativa para aí virada e que com a vida atribulada que tenho não me tem chegado tema para decompor por aqui. Mas a verdade é mais crua e tão terra a terra que se sente o cheiro a lama seca do calor que São Pedro tem enviado. O trabalho é muito, o filho é só um mas precisa de espaço na vida da mãe, naturalmente; e a casa anda em pantanas vai para três meses. Os ciclistas perderam o pódio da tipologia de pessoas coiso que menos gosto, o qual passou a ser ocupado pelos pintores. Os de paredes, por enquanto as "obras de arte" que compro em quadro são impressas, de maneiras que a danar-me com calos alheios tinha de me virar contra a impressora.

Seria magnifico poder falar de umas férias nas Maldivas ou na Polinésia Francesa, mas por aqui houve banhos no velho Algarve e a ocasional visita à Costa da Caparica, lançando-me ao matagal de gente que se saratoteia pouco pela praia, que daqui a nada há mais massa humana que grãos de areia. Até se me arrepiam as peles com medo de agosto quando os camones e os avecs e os ramesteins para aí me aparecerem, de fogareiro na bagageira, carro com dez anos e poucos quilómetros, porque na garagem diz que anda pouco e a velha tatuagem com dedicatória de amor à Cruz de Pau.

E não me lixem com o estereótipo do emigrante, respeito toda a gente e faço pouco de todos, especialmente de mim, que sou meio palerma, primo em ideias de merda e hoje ainda não se me lançou um pente à guedelha. Euzinha que escrevo esta treta com o PC pousado na mesa de brincar do meu filho enquanto o meu bofe fica achatado numa cadeira mini do IKEA e as minhas costas gritam com bicos de papagaio e torcicolos.

Por falar em torcicolos e coisas da camada geriátrica, já não há pachorra para a porra da aplicação dos velhos. Anda-me tudo a espetar a tromba com filtros durante anos, a ver se o povo morcão não percebe que ninguém acorda livre de ramelas, e agora estão por um fanico a querer saber como é que estará a fronha daqui a quarenta anos. Ai filhos, daqui a quarenta anos metade dos habitantes do planeta já levou com uma trotineta elétrica focinho adentro, deixem-se de palermices e vão mazé pá praia comer bolas de Berlim pessoas.

Gostava de poder dizer que vejo a casa quase pronta e que até sinto um vislumbre do copo meio cheio, mas a cristaleira está empacotada e eu só quero dar duas demão na cremalheira dos pintores.

Maneiras que é isto, pobre continua pobre, ao lado do pobre e evitando estar no meio da confusão, porque gente a mais dá-me afrontamentos e eu sou pessoa que sofre com ansiedade.

 

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