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Casa da Gorda

Casa da Gorda

12
Nov18

Apresentação da rubrica "Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com..."

Gorda

 (imagem retirada da Google)

 

 

A maioria das ideias que tenho ocorre-me quando estou na casa de banho, será provavelmente por isso que tenho tantas ideias de merda.

(pareceu-me uma boa frase para captar a vossa atenção)

 

Foi num dia solarengo de Outono, quando fui buscar o meu filho ao jardim de infância, que vivenciei o momento idiota que fez despontar esta iluminação. O meu miúdo tem 3 anos e chucha no dedo. Dizem as más línguas que é muito difícil que deixe de o fazer e que é uma calamidade face aos querubins que usam chucha. Ao que parece os pais conseguem convencer os putos a ir pendurar a maldita numa árvore ali para os lados da Amareleja, mas com o dedo não se pode fazer nada. Eu, que acho que cada um é como cada qual (essa máxima brilhante) e que os tempos e ritmos de cada criança (que afinal de contas é uma pessoa) devem ser respeitados, vou fazer o mesmo que tenho feito para tudo o resto: aguardar que seja altura para ele, por vontade própria, largar este habito. Defecando-me, como seria de esperar, para o que os outros pensam.

 

Então saíamos do jardim de infância, o miúdo carregado de sono - porque ainda anda a ajustar-se aos horários novos e sente falta da sesta depois da hora de almoço (dorme nos avós quando acaba a “escolinha”) – pôs o dedo na boca. Nessa altura passamos por uma senhora que olha para o puto com um pesar tremendo e faz um “Ohhhhhhh” que lhe saiu das entranhas. Sorri e segui em frente, no entanto a senhora não se deu por satisfeita e continuou “conheci um miúdo que também chuchava no dedo” (que é como quem diz que conheceu outra criança com um corno no meio da testa que galopava em direcção ao firmamento de cor violeta, enquanto dava peidos que libertavam purpurinas para o Universo) “morreu com 22 anos num acidente de viação”. Como podem calcular esta informação é de tremenda utilidade e tem mais ou menos a mesma importância que a história de que não devemos comer laranjas à noite*.

 

À conta desta experiência ocorreu-me uma ideia parva. Para a maior parte das pessoas isto é algo que dá algum trabalho, mas para mim é o dia-a-dia, o meu cérebro produz muito lixo e eu tenho de ter um neurónio Almeida que faz a separação da tralha por categorias para que se possa aproveitar alguma coisa.

 

Nunca me imaginei jornalista, tenho pouco jeito para fazer questões às pessoas, mas se pensar em mim como uma pessoa que faz perguntas parvas a outra, então acho que encontro uma versão falhada do Daniel Oliveira e isso, parecendo que não, até pode ser alguma coisa.

 

É que toda a gente tenta fazer entrevistas disruptivas e inovadoras, cheias de sentimento; eu acho que fazem falta entrevistas em que alguém ponha o dedo na ferida e pergunte aquilo que mais ninguém quer perguntar, porque é estúpido demais.

 

Desta feita pus-me a magicar sobre o que poderia fazer juntando esta minha capacidade de produzir coisas parvas, a vontade de me desafiar para ultrapassar os meus receios (como fazer perguntas às pessoas) e criar uma espécie de uma rubrica que permitisse entreter-me e moer a cabeça a outra pessoa que eu nunca vi na vida.

 

Assim nasceu o “Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com…”. Uma vez por mês vou convidar alguém a responder a um conjunto de 7 perguntas: 5 em função da “investigação” que levo a cabo e 2 sempre iguais (ou quase iguais).

 

As perguntas, quando me ocorrem, são parvas e eu esforço-me para as aparvalhar ainda mais até sentir que atingiram um ponto de rebuçado, que é aquele momento em que a pessoa fica ali mesmo a achar que me havia de mandar à fava, mas não o faz porque percebe que pode ser uma questão de isto não dar para mais. Os entrevistados são informados sobre aquilo ao que vão e a ideia é convidar pessoas com sentido de humor que gostem – como eu – de se rir de tudo e mais alguma coisa (até porque de outra forma teria mais probabilidades de que me mandassem bugiar do que respondessem ao que quer que fosse).

 

A entrevista deste mês já cá canta e sai já amanhã de manhã. Posso apenas dizer-vos que é completamente imperfeita.

 

Espero que gostem e se assim for que comentem e que partilhem. Acima de tudo que vos proporcione 10 minutinhos de gáudio.

 

Aviso: pessoas sensíveis e politicamente corretas devem evitar esta rubrica, não necessariamente porque eu esteja preocupada com sentimentos alheios, mas porque as pessoas sensíveis tendem a indignar-se e eu não tenho pachorra.

 

*Dizia a minha avozinha que a laranja “de manhã é ouro, à tarde é prata e à noite mata”.

 

 

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