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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Ter | 20.08.19

Caligrafia* verbal

Gorda

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No passado dia 19 de agosto, vulgo ontem, foi chamada a minha atenção para a pertinente constatação de que as povoações a norte deste belo terreno à beira mar plantado, não dizem A+V, mas sim A+B.

Ora esta observação é verdadeira, contudo algum estudo por mim realizado no dia a dia contrapõe esta argumento.

É por isto mesmo e como forma de resposta devidamente fundamentada à minha querida leitora, que trago este tema fraturante da nossa pitoresca sociedade, para cima desta mesa tão bem ornamentada.

Desta feita, hoje, aos vinte dias do mês de agosto de dois mil e dezanove, decido debruçar-me sobre um assunto que tende a encanitar o leitor que mora a norte deste magnifico pequeno retângulo, empestado de turistas: a caligrafia verbal, que é como quem diz, o sotaque. Também conhecido como pronuncia do norte, como tão bem cantavam os Gê-Nê-Érre.
Em resultado de mais de uma década em contacto direto e diário com as gentes do Puorto e Bila Noba de Gaiía, chego à  conclusonwe de que há dois tipos de soutaque no nuorte:

a) temos malta que troca os bês pelos vês e vice-versa ou bice-bersa, tanto faz;

b) e temos a malta que alonga o fonema espetando-lhe com um wuuuuuwe pelo meio.

Ambas me encantam, as primeiras porque desafiam a construção dos fonemas, alterando a utilização das letras e levando a uma grande confusão que deve escangalhar a cabeça de um disléxico, não só o desgraçado se vê à rasca com a ordem das letras como agora, perante o desafio, tem de saber como escrever com bê o que deve levar vê. As segundas porque introduzem uma musicalidade fantástica a palavras completamente banais.

A expressão "Tás a beire!?", é uma relíquia que é engraçada e cativa, tudo ao mesmo tempo.

Assim, no caso do meu exemplo de ontem, temos pessoas que dizem de "A a Vê" e pessoas que dizem de "A a Biê". É interessante.

A caligrafia verbal nortenha é das coisas mais lindas que se podem ouvir, em mais lado nenhum do planeta uma pessoa escuta, ali bem dito: "onde ides?", "tendes dinheiro pa isso?", "ora deixa cá biere!".

É uma marabilha, é o que bos digon.

A minha avózinha que Deus tem, era de Viseu e tinha aquele assobio característico dos padres beatos, para ela não havia água, aquela matéria cristalina sempre foi Iáuga.

Enfim, coisas, só a modos que para o leitor e a leitora atentos possam compreender o nível de profundidade intelectual desta menina. Fundo como uma poça de água.

 

*reconheço que o uso da definição de caligrafia neste cenário é bastante imbecil, contudo soou-me bem ao ouvido, de maneiras que...

 

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