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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Seg | 08.07.19

Carta aos papás e às mamãs que não tomam conta dos seus filhinhos

Gorda

 

 

Caros pais e mães de outras criaturas pequenas que não são o meu filho. Dirijo-vos esta carta porque já tenho um filho para criar e não tenho de facto disponibilidade (nem pachorra) para ter de tomar conta dos vossos também. Eu sei que ser pai ou mãe de uma criança dá trabalho, se dá, e que esta coisa de trazer uma criança ao mundo, apesar de nos dar as maiores alegrias da vida, nos rebenta com a mona em três tempos. Reconheço a necessidade de descansar dos filhos por momentos e que é fundamental ter de os manter entretidos para que possamos estar sentados a pensar em nada.

Juro que compreendo.

No entanto, já que os trouxemos ao mundo e por mais divertido que tenha sido faze-los e por mais fofinhos que sejam grande parte do tempo, cabe a cada pai e cada mãe educar o ser vivo que introduziu no mundo, procurando dota-lo de regras básicas de convivência para que não cresça para ser um traste que faz mal aos mais fracos, mal educado e sem respeito pelo outro. Cabe aos papás e às mamãs dar conta do que os seus belos rebentos andam a fazer quando estão no parque infantil ou nas aulas de atividades extra curriculares, essas mesmo, as que gostam de vangloriar nos jantares de amigos a dizer que o Zézinho é muito bom e já faz três piruetas no ar e coiso e tal.

Ricos paizinhos anoréticos de descanso, também eu me sinto tentada em deixar o sacripanta no parque e ir virar umas jolas acompanhadas de tremoços, a ver se me esqueço das noites mal dormidas, das birras e dos finais de dia de bradar aos céus, depois de uma estafante maratona de trabalho e trânsito. Mas eu tenho de garantir que o querubim que produzi se comporta em condições, que não bate em ninguém, que não tira brinquedos que não são seus, que sabe socializar com os seus pares.

Depois dou comigo mais preocupada com quem o rodeia do que com ele, a ter de me preocupar com quem lhe quer bater ou tirar as coisas que levou para brincar, e ele olha para mim porque os pais daquele que levanta a mão a todos não dão as caras para chamar a atenção ao filho como a mãe faz com ele. Pode-vos parecer estranho, mas para uma criança que tem regras, esta circunstância pode parecer injusta e uma pessoa dá consigo numa situação complicada, porque tem de ser minimamente correta, quando a vontade que tem é de explicar ao filho “sabes, a mamã está a criar-te para seres uma pessoa civilizada, os pais desta criança estão a tentar garantir um selvagem, pelo que não podes comparar”. A seguir há outro que chora ao canto porque o seu exemplar lhe tirou os brinquedos, também ele olha em volta a ver se aparecem os pais do ladrão porque o balde e a pá lhe fazem falta. A mãe cruza o olhar com as outras e todas encolhem os ombros.

Queridos papás e queridas mamãs, tomem conta dos vossos filhos. Do meu cuido eu.

Lembrem-se que é importante garantir que ele não leva umas lambadas de ninguém maior, porque a verdade é que, quando chora, vocês aparecem a correr a ver onde se encontram os culpados. O horror porque o pequeno se queixa de ter comido um aconchego de outra criança, mas enquanto é o vosso a arrear bojarda nos outros, lá se deixam estar, sentados a ver como vão as redes sociais. Afinal de contas quando é o vosso a bater nos mais pequenos vem sempre a velha máxima ao de cima “eles têm de se entender entre eles”.

Queridos camaradas da parentalidade que faltaram as aulas de regras básicas, educar uma criança é estar presente para lhes ensinar valores, mesmo quando já lá está a alguém a explicar o mesmo, porque aos nossos filhos cabe-nos a nós fazer passar a mensagem. Ninguém tem pachorra para ter de mandar vir com os filhos dos outros porque estes não se sabem comportar.

A agressividade, o bullying, o fazer pouco dos mais fracos, a violência doméstica, por mais rebuscado que vos possa parecer, começam na educação que passamos em casa, nos valores que persistimos para que lhes fiquem gravados na mente, para que saibam sempre que tirar da mão dos outros é feio, aproveitar-se dos mais fracos é cobardia, bater nunca é solução e impor-se aos mais pequenos é inaceitável.

Mas lá está, a menos que sejam os calcanhares dos vossos anjos, vocês não querem saber.

Os filhos podem sempre crecer para ser algo que nunca imaginámos, por exemplo, o vosso até pode crescer para ser um cidadão exemplar, apesar dos papás e mamãs de deixa andar.

Desejo profundamente que este Natal uma rena perca o GPS e acabe com um chifre enfiado no vosso recto, deixando-vos a cagar lâmpadas multicolor até ao ano novo.

Sei que ainda falta, mas as melhores prendas demoram a chegar.

 

Beijinhos e que os putos vos arreiam com o Homem-Aranha até à exaustão.

 

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