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Casa da Gorda

Casa da Gorda

30
Out18

Casados à primeira vista

Gorda

 

 

Já sei que esta semana o tema é o Bolsonaro e o Bolsonaro e o Brasil e a indignação sobre como é que o povo foi capaz de eleger uma criatura destas. Mas, como eu não sou brasileira, não vivo no Brasil e não me deparo com a difícil condição de ter de escolher entre os dois maus candidatos que há à disposição, vou agarrar e ficar sossegadita aqui no meu canto, porque se calham a perguntar-me se eu queria para presidente o Bruno de Carvalho ou o José Sócrates, a votar, sei que não tinha outra escolha que não fosse fazer merda.

Olha, que Deus e os Pais de Santo e as Mães de Santo e todas as mezinhas estejam com aquela gente, coitados. Porque ou aquilo foi muito bluff ou vêm lá nortadas muito difíceis para aquela gente.

 

 

Dito isto - e sabendo que escrevo sem ter a totalidade de material visionado - optei por um tema mais fofinho e que me tem agradado de sobremaneira, trata-se do novo programa da SIC: Casados à primeira vista.

Ora aqui está uma coisa que entretém, intriga e surpreende. Entretém porque a pessoa passa ali bem umas horas a ver aquilo que é um regalo, para quem está cansado então é um petisco para a massa cinzenta. Intriga porque uma pessoa passou anos para decidir casar com alguém com quem já vivia em pecado há anos e agora vê pessoas a contrair matrimonio com desconhecidos. Surpreende porque, por mais espantoso que seja, a maioria dos candidatos tem uma aparência normal e podiam até – na loucura – ser gente que nós conhecemos. Estão a anos luz do cliché habitual dos reality shows pejados de patos bravos e de dançarinas do varão falhadas.

 

Eis que peguei em mim e, durante a hora da refeição, decidi que havia de me entreter (e sujeitar a família ao mesmo entretenimento porque lá em casa quem manda no comando sou eu, pelo menos quando o puto está de costas para a televisão) a ver o Casados à primeira vista.

 

É preciso começar por dizer que sodona Diana Chaves se apresenta gira até aos ossos. Com cada vestido que uma pessoa até sente que leva uma lambada da realidade (jamais uma Gorda conseguirá apresentar-se assim seja lá em que fórum da vida for). Há momentos em que quase desejo profundamente que lhe nasça um pinheiro robusto num sitio obscuro, assim só a modos que para a castigar por ter aquela graça toda, mas depois a moça parece-me ser tão boa gente que desisto do desejo num ápice.

 

Importa então explicar aos mais distraídos o que é isto do Casados à primeira vista: ora bem, trata-se de um programa de televisão para o qual concorrem pessoas que se disponibilizam para casar com alguém que nunca viram antes. Os candidatos são sujeitos a várias avaliações psicológicas, neurologias e de coach's de vida (seja lá o que isso for); culminando na identificação de uma pessoa com a qual têm um match de 100%. De acordo com o descrito pela maioria dos participantes, como não conseguiam encontrar a pessoa perfeita da “forma convencional”, decidiram entrar para o programa porque assim iam encontrar-lhes a pessoa que fazia match com elas (ou seja a pessoa que combina com eles, a outra bota do mesmo numero, o pé de Cinderela onde cabe o sapato, essas coisas). Só ficou a desejar aquela coisa da componente fisica. Aparentemente tiveram pouco em conta a luxuria e o desejo carnal, mas já lá vamos, porque dois ficaram desagradados com o presente que lhes calhou.

 

Na semana que passou foi possível ver 3 casamentos e meio, para três vimos tudo: estudos, casório, família e o diabo a quatro, mas para uns ainda falta ver o que acontece quando se conhecem e o matrimónio se contrai. Este domingo já houve novidades, mas a Gorda que vos escreve só vê coisas com atraso de 7 dias, pelo que apenas na próxima semana – apetecendo-me escrever mais sobre isto – é que posso acrescentar mais alguma achega.

 

Das combinações feitas fiquei com a impressão de que concorreram meia dúzia de pessoas, mesmo à conta para os acasalar uns com os outros. Depois entrou o factor sorte, uns tiveram mais estrelinha do que os outros.

 

Assim - e sem mais delongas que já vamos com muitas notas iniciais e é preciso arrepiar caminho - temos:

 

Os cotas

Um casal na casa dos 50 anos. Ela é empresária e ele antiquário. O senhor tem uma pinta do caraças e uma mãe da qual me tornei fã. Nem imaginam o que me ri com as saídas da senhora. Ele tem um amigo pintas que é o padrinho, ela tem 3 ou 4 amigas doidonas que ficaram ensandecidas para saltar para a espinha do marido novo da amiga (a candidata). Ficou claro que a senhora não vai poder deixar o marido sozinho com ajamigas porque elas não se aguentam, vale que o senhor faz box e pode sempre arrear um marmelo mesmo em cheio numa das atrevidas. A candidata nem se quer acreditar no que a sorte lhe trouxe.

E eu devo dizer que, caso ande à procura de companhia com cinquenta e tal anos, também ficarei toda alegre se alguém me aparecer com um espécime daqueles.

 

Os mai novos

Uma pessoa fica sempre um pedaço suspeita porque isto é malta nova que ainda tem tempo para conhecer muita gente e manda-se para ali desta maneira, logo a casar com uma pessoa que nunca viu. Então não era de ficar de pé atrás, a pessoa olhando para outra consegue ser enganada, não fazendo ideia de quem se trata, pior. Ou não?

Ele tem trinta e tal anos, é professor de surf, deve estar cansado de comer alunas e tem a cara com a pele queimada do sol. Sem camisa causa muito boa impressão porque o moço está mesmo nos trinques. Ela é novinha e estrelicadinha, fuma e estava com medo de contar ao novo marido. Pelos vistos tem um filho com nove anos, mas estava era com medo que o Marlboro deixasse o rapaz assim a modos de receoso.

O surfista parece ser um tipo às direitas, é amoroso e um dos meus candidatos favoritos. Eu gostava que a moça gostasse dele só mesmo porque ele parece gostar dela. Por seu lado a rapariguita parece ser alguém que já passou por um mau bocado e, se for meio-esperta, agarra-se ao rapaz com unhas e dentes a ver se se orienta com uma criatura decente e que cuide dela e do miúdo. O surfista gostou de tudo na noiva, já ela diz que ele não faz o seu género de homem, o padrinho dela diz que ela ia gostar era do cunhado e fez cara de quem não se ensaiava nada para dar umas nalgadas no noivo. Pelo que, tudo a correr bem.

 

Os Ãh, quem é que fez este match?

Não sei quem é que achou que estes dois podiam ser um casal, mas fiquei com a impressão que alguém lançou as fotografias ao ar e apanhou a destes dois. Ele é arquitecto, caladinho e parece que deve ter visto cerca de 2 mulheres nuas na vida e uma delas era a mãe pouco depois do parto. Ela é divorciada de um gajo bueda à frente, pessoa com a qual ainda mantém uma grande relação de “amizade”. Quando foi escolher o vestido de casamento ligou ao buéda cool para saber se ele gostava da farpela, ele respondeu como quem se estava bueda a cagar para ela.

Deu-me muitos nerves quando a tipa começou a apertar com a mãe, coitada da velhota. Pelos vistos até à data já: casou com um ser estranho, abriu uma empresa, vendeu a empresa que tinha, bazou para a Índia dois anos e varreu o guito todo porque tinha de viver a vida. Agora é formadora.

“Atão, mãe, até parece que é grave!” Não é, amor, mas com a leque de disparates uma pessoa teme pelos filhos, sabes?! Faz-me lembrar uma pessoa com quem trabalhei que era incompetente à quinta casa e metida a esperta, sempre cheia de razão e direitos. Obrigações é que era do caraças.

Quando chegou ao altar disse logo que ele não era o tipo de homem que ele gostava, estava à espera que fosse mais velho e mais alto. Pelos vistos com tanto teste que fizeram ninguém percebeu que faltavam centímetros ao moço.

Não é o tipo de esposa que imagino para o meu filho, sendo que se ele me arranjar uma catatua daquelas é provável que eu ainda vá presa por lhe arrear umas porradas com vontade.

Aqui a volátil diz ser muito frontal e esteve numa espécie de flirt com o padrinho do noivo, no casamento. Já a madrinha da noiva estava vestida como quem ia ao pão num domingo ventoso. O (agora) marido mal abre a boca. Cá para mim ele havia era de fazer uma pós graduação com assistência do professor Taveira, que ela ia ver como é que era amansar o bicho.

 

Os Oliveira da Serra

Ele já está na casa dos quarenta, ela já lá está a bater à porta. Ele é motorista de semirreboques, que é como quem diz camionista e foi passar um ano a um retiro budista…em Sintra. Ela é professora de fitness, não-sei-o-quê-de-circo-que-cospe-fogo-em-festas, tem um filho de 3 anos e uma amiga com um par de mamas que até a mim serviam de aconchego (valha-me Deus!).

Os pais de ambos ficaram em choque com a noticia, mas o rapaz disse que ia correr tudo bem e que era um super-homem que queria areia demais para a camineta dele. Não se sabe bem o desfecho porque a moça ia a subir ao altar no ultimo episodio que eu vi.

 

Resumindo, as minhas apostas de desistência vão para:

 

1º Os Ãh, quem é que fez este match?

2º Os Oliveira da Serra.

 

Já sei que este domingo apareceu uma chalupa, mal posso esperar para ver a criatura. Não há nada como um choné para trazer alegria à vida de uma pessoa, especialmente se estiver longe de nós e dentro da televisão, assim, quando está demais, a gente desliga.

 

 

Para mais chalaças e coisas sem designação podem seguir-me no Instagram (só não esperem boas fotos que esta que vos escreve tem pouca competência para a lente).

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