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Casa da Gorda

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Qua | 27.02.19

Cinco micro contos que, se fossem verdade, faziam o mundo melhor

Gorda

(importa desde já esclarecer que a personagem que escreve isto não tem personalidade jurídica, não podendo assim ser processada, acresce ainda que as micro histórias abaixo não pretendem refletir a realidade e resultam completamente da imaginação da personagem que na verdade não existe)

 

Um

Era uma vez uma mulher que vestia saias curtas e usava decotes. Essa mulher, cujo nome não vale a pena criar porque pode ser qualquer uma de nós e não interessa nada para o que aqui se quer transmitir, passeava na rua sem ser bombardeada com comentários de neandertais. Essa mesma mulher seguia para o emprego sem ser avaliada como fácil por todos os homens e não era alvo de julgamento fácil das que mais a deviam defender, as suas “colegas de equipa”, aquelas que devem gozar dos mesmos direitos. Outras mulheres. Essa mulher, a quem, se quisermos mesmo muito dar um nome, podemos chamar de Amélia, é responsável de uma equipa porque é a pessoa mais competente para a função. Ninguém ponderou se tinha um pénis ou uma vagina para levar a cabo a sua função. Ninguém acha que se deitou com um diretor para conseguir chegar a tal cargo e é respeitada por todos.

Fim

 

Dois

Era uma vez uma mulher que foi mãe. Não sabia tudo e não tinha tempo para ser perfeita. Não perdeu todo o peso nos primeiros 15 dias do pós-parto, não dançou porque tinha dores e negou a amamentação por convicções suas. Ninguém questionou porque é o seu corpo e é uma decisão sua. Essa mesma mulher, mãe, nem sempre faz as melhores escolhas, faz o melhor que pode e ama os filhos incondicionalmente. Chega a casa cansada do trabalho, nem sempre brinca, faz um esparguete com salsichas e toda a gente acha normal. Tem o apoio das outras mães que lhe conhecem as dificuldades. Ninguém a pressionou sobre a amamentação e nunca foi um tema falar da cesariana.

Vive cansada como a maioria das mães, mas sem pressão por aquelas que mais a deviam compreender.

Vive com o stress de tentar chegar a todo o lado, mas a família não a critica a cada oportunidade.

Fim.

 

Três

Era uma vez uma mulher que dizia o que pensava, podemos chama-la de Margarida, já que é sempre agradável ter um nome. Dizia o que pensava e não se sentia pressionada para ser uma senhora. Nunca ouviu a expressão “comporta-se como uma senhora” associada ao seu discurso, à sua forma de vestir, à sua essência. Afinal de contas o que é isso de “ser uma senhora?”.

Fim.

 

Quatro

Era uma vez um tipo que ia dar um soco na mulher. Não havia mais nenhum motivo para além do facto de este ser um Neandertal incapaz de raciocínio que, dotado de maior força física, considerou que podia impor força sobre outro ser humano porque o vê como sua propriedade, um ser inferior, um objeto sobre o qual pode pôr e dispor a seu bel prazer. Um dia esse tipo entrou em casa, fechou a mão num punho o puxou o braço para ganhar balanço. Nesse dia a mulher pegou numa faca e encostou-lha ao pescoço, ameaçou que o havia de cortar. Apresentou queixa e o criminoso foi preso. Ficou preso. Foi controlado num sistema que efetivamente trabalha para defender as vitimas. A vizinhança ajudou. A família não virou a cara sob a alçada do “entre marido e mulher não se mete a colher”, a mãe dele não defendeu o filho só porque o trouxe ao mundo e a nora tem de ser uma vaca, a mãe da mulher não achou que ela talvez se tivesse demorado a cumprimentar o vizinho do 4º direito.

Fim.

 

Cinco

Era uma vez um juiz que ninguém compreende como algum dia foi autorizado a exercer funções, uma pessoa retrograda e incapaz de tomar uma decisão adequada, justa e convenientemente sustentada na lei. Um tipo que, aparentemente tem uma visão deturpada da mulher e que a define como um ser inferior, como se esta fosse um objeto conquistado pelo homem. Um dia este juiz decide tirar a pulseira eletrónica a um homem que estava em prisão domiciliaria por ter agredido violentamente uma mulher, uma mulher que julgava ser tão sua como a camisa que trazia no corpo. Este homem estava mentalmente instável e por razões que a razão compreende tão bem como as decisões deste juiz, entrou num camião e esperou que o juiz saísse do tribunal. Passou-lhe por cima sem dó nem piedade.

O juiz, ao contrário do que a bíblia o fazia acreditar, não foi para o céu, uma vez que este nunca tinha entendido a mensagem de amor do seu autor.

Este juiz teve bilhete direto para o inferno onde é agraciado duas vezes ao dia com 20 arremessos com uma moca com pregos.

O juiz foi substituído por um profissional competente que conhecia o código penal e que voltou a encarcerar o homem desequilibrado, mantendo contudo uma ressalva de que o mesmo poderia sair em liberdade, se um juiz voltasse a tomar decisões tantãs.

Fim

 

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