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Casa da Gorda

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Sex | 18.10.19

Desafio de escrita dos pássaros #6 - "Custódianic"

Gorda

 

Tema da semana: Escreve uma história romântica baseada no clássico "O Amor, uma cabana… e um frigorífico"

 

 

O amor tinha-se-me acertado como a rolha descontrolada de uma garrafa de espumante fatela na noite de ano novo.

Tinha dezoito anos, estava fresca como uma alface e arrebitada como um nabo.

A ‘nha tia Graciete convidou-nos para almeçar em casa dela no Bairre do Passarote Amarelo e nós quisemos aproveitar a tarde para laurear a pevide pela Baixa, por isso apanhámes o cacilheire. Maravilhoso, o Tejo todo cagado com lixo e duas ratazanas a nadar bruces em família. Imaginei-nos aos dois, na piscina Municipal de Lavacolhos, a nadar com os nosses patinhes.

Foi então que óvimes um estronde, eu sobressaltei-me e disse pro Adalberto:

- Isto vai ao fundo, de certeza que bateu no ceberg.

- Tás parva?!

Não estava, o cacilheire ia ao fundo e eu não podia deixar que nos afogássemes com todo o amor que tinhames para viver. Empurrei o Adalberto para um barco salva vidas e lancei-nos ao rio. Suspirei de alivio.

- Já viste a merda que fizeste, Custódia!? Tu não vês que o barco só tinha um problema de motor? O que é que a gente faz agora?

Remámes e remámes ainda mais. Fomos dar uma ilha com vista para Lisboa. Olhei à volta e percebi que o meu sonho se realizava.

- Olha Adalberto, estames sós. Amor, uma cabana e...um frigorific.

- Aquele monte de paus que arranjaste não é uma cabana e não sei onde raio estás a ver um frigorífico.

Apontei ao fundo, era azul e até tinha uma alça.

- Aquilo é uma geleira com a merenda de algum pescador que para aí anda.

- Não Adalberto, é um frigorífic. Atira-me contra ele e vais ver como o meu hímen lá fica pespegado. Até pareço uma lembrança do Pragal.

O Adalberto papou-me com força e vontade. Papou-me forte.

Depois começou a anoitecer e percebemos que não íamos sair dali.

- A guarda costeira nunca mais aparece pá!

Exasperava-se o Adalberto. Eu, sempre rata a maquinar construi uma embarcação com uns pedaços de madeira. Convenci o Adalberto a pôr-se lá em cima e fomos Tejo afora. Mas o Adalberto era pesado e eu acabei por lhe dizer que tirasse o cu gordo de cima da jangada. Homem que é cavalheiro afoga-se pela sua gaja.

Quando a guarda costeira apareceu o Adalberto tinha um tampão usado no ouvido esquerdo e uma tainha a mamar-lhe da boca.

Não nos voltámes a ver.

 

 

Podem consultar os restantes textos do desafio nos links abaixo

Tema 1

Tema 2

Tema 3

Tema 4

Tema 5

 

 

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