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Casa da Gorda

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Qui | 29.08.19

Diário da mãe positiva - o demónio do açúcar

Gorda

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Bom dia caros leitores, caras leitoras e quaisquer outras espécies alienígenas que possam estar a ler este meu diário num planeta distante, o tema que vos trago hoje é: o demónio do açúcar.

Muito se tem escrito sobre o impacto deste componente alimentar, que sorrateiramente entra pela nossa despensa adentro poluindo o bem-estar dos nossos pratos. São inúmeros os estudos levados a cabo por uma vastíssima gama de cientistas que têm comprimidos de curcuma e canela para nos vender. Esqueçam a canela pulverizada no pastel de Belém, essa é usada como um isco para granjear a atenção do cliente inocente que acaba infestado com moléculas agressoras que comerão a sua saúde, uma célula de cada vez.

O açúcar é o Belzebu perneta das nossas cozinhas.

Quando engravidei do meu Luís Alfredo informei-me em todos os sites e em vários grupos de mães sobre os métodos mais adequados para alimentar o meu filho, para que este crescesse para ser uma criança inteligente, desportiva, bonita e com um nível de saúde que nem uma alergia a picada de abelha pode perfurar.

A amamentação esteve no topo das recomendações e logo de seguida apresentaram-me os malefícios do açúcar. Há crianças que ficam com uma perna mais pequena do que a outra porque as mães lhes dão papas comerciais. Casos horríveis. Aliás, eu sou totalmente a favor de que, nas caixas destas papas nefastas passem a constar imagens de crianças borradas de papa, a saltarem em cima dos sofás e a partirem os bibelots da tetravó; porque as crianças ficam possuídas pelo diabo marreco e ninguém as consegue controlar.

É por isso mesmo que em minha casa não entra um único pacote de açúcar e não autorizo alimentos que levem esse ingrediente; fiz um workshop de 36 horas para aprender a ler rótulos e neste momento não há uma marca que me consiga enganar. Até vos posso dizer que a semana passada foi ao supermercado, vi no código de barras de uma courgette que ela tinha 10 gramas de açúcar e disse ao vegetal, em plena secção de frescos "não me enganas, porca!". Se ela ficou ofendida ou não, eu não sei, nem quero saber.

O meu João Carlos - um marido amoroso - às vezes aparece-me lá com os bolos sortidos que traz da pastelaria onde trabalha, eu digo-lhe "Ò João, que me trabalhes com o demónio eu entendo, mas que o tragas para casa não pode ser" e ele responde-me com amor "bardamerda mais essa conversa, Judite!", eu respondo "mas o meu nome não é Judite.", e ele, de tão carinhoso, ao virar as contas atira-me com um "tanto faz, pá". Uma casa com harmonia é outra coisa.

Os meus filhos comem bolos feitos por mim, com ingredientes alternativos e aceites no grupo de mães "Natureza ao Comando". Por vezes eles não acham muita graça, mas eu tenho de ser forte e ter pulso firme para que eles compreendam que a mãe quer o melhor para eles.

Certa tarde fui com a minha cunhada e uma prima dela passar umas horas à Fonte da Telha, estava um lindo dia de sol e eu levava a cesta de verga com a marmita. A determinada altura passa um daqueles dealers do Belzebu a gritar "olha a boooooolaaaaaaa!", e os miúdos todos eufóricos, afinal de contas é uma espécie de canto das sereias vociferado por um idoso anafado.

Eu disse logo ao meu Luís Alfredo e à minha Alexandra Vanessa "vocês comem as cenourinhas baby que a mamã trouxe para vocês, que no vosso corpinho não entra açúcar!". O meu Luís Alfredo, que começa já a ouvir muitas alarvidades lá na escola - ele anda numa escola publica, já se sabe que faz muito pela integração social, mas há de um tudo - e diz-me "ó mãe, deixa-te de merdas, o pai quando vem connosco compra sempre". Eu pensei que depois tinha de falar com o João Carlos, mas acima de tudo tinha de me focar em resolver aquela situação com positividade e amor. Disse-lhe então "vão à mala e tira de lá folhas e lápis de cor, só voltas para a toalha quando tiveres pintado sete unicórnios, um de cada cor para que sejas inclusivo". Ele estava quase a ir buscar as folhas quando a filha-de-um-pacote-de-bolachas-industriais da minha cunhada, aparece ao pé do miúdo empunhando uma bola gordurenta. Diz ela para a criança "deixa lá a tua mãe que ela só diz baboseiras, toma filho, vai-te sentar ao pé dos primos antes que a bola fiquei cheia de areia".

Eu fiz má cara - porque tenho de manifestar a minha insatisfação - ao que a minha cunha disse "vai à água e vê se nadas para lá da rebentação, aqui não há vigilância, era um descanso!".

Já estava possuída pelo açúcar e teríamos de esperar que o ingrediente processado lhe libertasse o corpo.

Ao jantar, nesse dia, fiz batidos verdes com pepino, espinafres e curcuma, para que conseguisse limpar o organismo da minha família. Eu sou muito dedicada. Eles foram jantar fora e eu estive a ver um documentário sobre pessoas que comem demais num canal por cabo.

Enfim, meu caros e minhas caras, a mensagem a reter é que o açúcar nos matará, sem ele podemos viver muito para lá da esperança média de vida, cheios de saúde e com o mínimo de rugas possível.

Cuidem dos vossos bem mais preciosos que são os vossos órgãos, cuidem dos que amam (mais tarde ou mais cedo eles vão agradecer), e se tiverem questões que queiram ver explanadas por mim, não hesitem em contactar-me, estou cá para vos ajudar. Sempre positiva.

Beijos nos vossos corações orgânicos.

Até para a semana, com mais um tema fundamental

 

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