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Casa da Gorda

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Ter | 10.09.19

Diário de uma adolescente no regresso às aulas #2019

Gorda

 

 

Querido diário,

Há um ano que não nos falávamos e eu já tinha saudades. Como sabes nasci com o dom da escrita, mas com esse prodigio veio também a necessidade de todas as condições necessárias para que eu possa assentar-me a colocar por palavras os meus sentimentos. Tenho contado à Sheila os pequenos acontecimentos da minha vida pq por Whatsapp é mais fácil pq a gente pode abreviar as palavras e toda a gente entende k é mesmo assim.

Volto a este formato para te contar as minhas espetativas para este novo ano que se avisinha. Estou certa de que vai ser um ano mangnifico porque a minha mãe passousse dos cornos com a diretora de turma e decidiu pôr-me num colegio privado. Ouve algumas dificuldades de inicio porque chumbei nas provas de amissão de dois, mas depois a minha mãe ofereceu uma viagem às Balamas ao diretor do terceiro e eu entrei com honras apesar de nunca lá ter estudado. Agora que já não estou dependente de professores do Estado, pagos por um gajo que se chama Alfredo Costa, a minha vida vai ser mais fácil. A minha mãe diz-me sempre que os profs ficam frutados com a merda da reforma ou lá o que é, porque querem mamar mais e depois ensinam mal os miudos e os pais têm de gastar pipas de maça em explicações. Que foi o que a minha mãe teve de fazer comigo por conta dos meus erros de escrita, a prof (que era uma bitch do pior) estava sempre a dizer que eu tinha de escrever mais sem ser no tlm, tsipo EU, que nasci com o bixinho da escrita. Dizia que eu tinha de ler mais, mais uma sena que tsipo, nada a ver, eu leiu todas as revistas que a minha mãe traz do salão. Os livros evito porque me causam dispepsia, que é aquela coisa em que os olhos, por conta da quantidade de palavras, acabam a baralhar as letras. É muito stressante. Mesmo, tsipo, mega.

O que vale é que a minha mãe me pagou explicações e agora está mega melhor.

Vou ter pena de deixar alguns colegas pra traz, e de deixar o meu namorado que me adorava. Ele deu-me bué forças, mas eu sei que lhe custou orrores pq ele passou o ano todo agarrado à Lili por contas de estar carente e precisar de ultrapaçar este meu afastamento.

Acho que a minha mãe teve a decisão certa pq eu passei para o secundário e vou iniciar uma nova vida. Escolhi a área de ciencias porque tenho um dom para os numeros e faço equasões completas só de cabeça. Como a minha mãe diz, Deus deu-lhe um prodigio, que sou eu. Tenho um dom para os numeros e para as palavras, posso ser o que quiser. É por isso que a minha aposta vai para medicina, quero ser médica e descobrir a cura para uma coisa importante, tsipo, o pé de atleta. Uma vez a minha mãe apanhou isso na casa de banho de um namorado antigo e deu-lhe cabo dos pés que andavam sempre arranjados. Depois quero escrever, sei que quero ganhar um Mobel, aquele premio que o Jorge Sarampaio uma vez ganhou, mas eu quero ganhar antes de ser velhinha, para ainda ir a tempo de retocar os meus seios e a minha barriga.

É isso, estas férias pensei muito e agora que tenho idade para ser uma jovem adulta tenho de ter planos para o futuro. Vou ser médica neurologista daquelas que operam as cabeças das pessoas, vou ser escritora e ganhar um Mobel e vou ser uma mulher sensual ainda com mais seguidores que a Rita Pereira.

A minha mãe leu um livro de um gajo que é tsipo mega inspirador e decidiu criar o clube das 9 da manhã, que é malta que acorda tarde porque gosta de dormir e acaba apenas o que consegue, o que não dá que se foda. A minha mãe é o meu maior exemplo.

Neste novo colégio vou conseguir isso, tenho a certeza, os profs não são ressabiados, deixam os miudos estarem nas aulas com os tlms e têm grupos de Whatsapps onde avisam as perguntas dos testes antes do dia, a modos que a fazer com que os testes sejam justos.

Querido diário, contei à Sheila e ela disse que eu era maluca da mona, que só tinha ido para este colégio cheio de merdinhas porque a minha mãe tinha gasto bago e que eu de burra não ia passar. Acho que a Sheila está a passar um momento dificil porque não está a ter o mesmo apoio que eu. Um dia, quando ela for empregada de mesa e eu médica, tentarei ir almoçar todos os dias ao sitio onde ela trabalha para lhe deixar um euro de gorjeta. Faço questão de lhe dar um livro meu autografado que depois vai valer bué dinheiro e ela até vai poder comprar uma blusa bonita ou isso.

Sou um coração mole.

Acho que é isto, meu fiel e ombro amigo, a vida está toda à minha frente e eu tenho muito que fazer, tenho de comprar roupa a condizer para não ficar mal vista com as minhas colegas e tenho de comprar material caro, mas não vou plastificar os livros porque isso é de pobre, as pessoas com dinheiro rasgam as capas e escrevem nos livros, como se fosse arte. Estão a cagarsse artisticamente.

Vou tentar regressar mais vezes, mas se não conseguir uma coisa prometo, volto para o ano para te contar cada detalhe deste passo jigante na minha vida. Como disse o Luis Arvestrong "um passo numero 35 para mim, mas um 46 se fosse o Osvaldo".

 

Se tiverem interesse em ler a primeira entrada deste diário, podem ler aqui (tem exatamente 1 ano).

 

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