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Casa da Gorda

Casa da Gorda

31
Ago18

Digamos que vou falar de odores

Gorda

Na passagem de uma estação para outra há sempre uma qualquer blusa que fica guardada mesmo no fundo do armário, vai sendo empurrada, empurrada, empurrada, até ser a última peça de roupa, aquela que, quando voltamos ao verão nunca sabemos onde raio a enfiamos.

Um dia, já no fim de agosto, depois de revolver tudo à procura daquela peça que ainda não envergámos, lá a encontramos, estrafegada debaixo de camisolas de lã.

 

Vestimos a blusa que nos assenta até bastante bem em resultado dos quilos que ser perderam na dieta de fome com dentes. Sentimos a confiança a subir e a descer “sim sinhores! Até está melhor que no ano passado”.

 

Mas depois ocorre aquele momento em que nos chega um cheiro estranho ao nariz, uma mistura de mofo com muito mofo, não sabemos a que se deve, os outros não o sentem e a nossa cabeça acaba por perceber: somos nós, cheiramos a gaveta. A camisola desaparecida absorveu todo o cheiro a contraplacado da cómoda. Foi demasiado tempo de convívio entre o material têxtil e a madeira falsa.

 

Corremos para a casa de banho, vamos banhar-nos em perfume. Mas acabou. Já acabou na segunda-feira. Carregamos desenfreadamente no pulverizador, mas não funciona, as moléculas de perfume não se multiplicam a pedido, nem em cenário de desespero.

 

Hoje cheiro a gaveta.

 

Fim.

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