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Casa da Gorda

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Sex | 14.02.20

Duas ou três notas sobre a eutanásia

Gorda

 

A eutanásia está em debate para que seja aprovada para pessoas que, estando em fase terminal e/ou em condições francamente debilitadas possam exercer o seu direito de terminar a sua vida de forma assistida, controlada, com acesso à medicação mínima, o que permitirá a aplicação deste direito com o maior nível de conforto possível e de forma indolor.
Se a pessoa podia antes mandar-se para a linha do comboio em vez de arranjar este sarilho todo? É pá talvez, se estiver paralisada numa cama torna-se complicado ir até à linha do metro escangalhar os horários de quem vai trabalhar.
O que está em debate não é a implementação da eutanásia, mas sim a despenalização da mesma, permitindo a quem queira justificadamente exercer esse direito levá-lo a cabo.
Não estamos a falar de uma obrigação imposta aos cidadãos portugueses.
Os médicos não vão passar a prescrever eutanásia de 8 em 8 horas em caso de uma gripe tramada. Os médicos não vão sequer poder prescrever eutanásia àquela malta que lá vai ao consultório dar-lhe uns sopapos.
Por mais que um familiar queira não pode ir ao médico e dizer “ó doutor o meu Francisco mija a sanita toda e não baixa o tampo, prescreva-lhe aqui uma eutanásia a ver se passa”.
Os desígnios do Senhor servem para ser cumpridos e respeitados por quem acredita neles, pelo que trazer crenças religiosas para um debate desta natureza é parvo. Se a pessoa acredita que não deve recorrer à eutanásia caso esteja entrevado numa cama, em dor excruciante, não pede e espera que o Senhor lhe mande uma mensagem a dizer que pode subir.
A eutanásia não serve para se substituir aos cuidados paliativos, serve como alternativa para quem não quer continuar à espera que a natureza faça o seu trabalho. Gente choninhas, como eu, dificilmente solicitará tal serviço, mas não é porque eu não quero usufruir, que me sinto no direito de retirar essa possibilidade aos outros.
Hoje lia numa caixa de comentários qualquer coisa como “eu sou contra porque não podemos decidir pela vida dos outros”. O que é uma contradição, mas representa o pensamento de muitas pessoas que são pelo não. Acham mesmo que despenalizar é mandar pessoas para o matadouro à seringada. Não querem decidir pela vida dos outros, já decidindo.
Os médicos não vão passar a dizer “ó Judite guarde o bisturi, a rotula deste gajo já me está a chatear, vamos eutanasiar o bicho”.
Por isso, em caso de referendo usemos a cabeça para pensar, deixemos a religião à porta e lembremo-nos que os direitos devem assistir a todos e lá porque nós não queremos, não quer dizer que os outros não possam ter. É o que eu faço com o sushi, não como, não quero comer, mas não é por isso que digo que deve ser proibido.

 

 

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