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Casa da Gorda

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20
Fev19

Esta coisa de escrever coisas

Gorda

criativo.jpg

 

 

(isto são títulos de uma pessoa que não tem qualquer competência para escolher títulos e que, a par disso, tem uma imensa preguiça de escolher alguma coisa para chamar ao que escreve)

 

Tenho uma curiosidade imensa pelo processo criativo por detrás do que quer que seja. O que leva um argumentista a escrever um filme, como o faz, como se processa, fá-lo sozinho ou em parceria, como escreve o documento para que seja percetível ao ator a emoção esperada? O que leva o autor a escrever um livro? É a vontade imensa de escrever ou de contar uma história? Por que caminhos recônditos da mente desponta o elencar de palavras que permite, numa trança de letras e expressões, misturar palavras banais de uma forma ainda não pensada. Trechos de texto que nos marcam e definem passagens que nos fazem repensar a vida e percecionar acontecimentos de uma forma, até para nós, inesperada.

O ano passado li o livro “Aqui estou” do Jonathan Safran Foyer”, fiquei tão apaixonada pela forma como está escrito - pela simplicidade das palavras que descrevem questões existenciais pelas quais me deparo nos momentos mais mundanos da minha vida - que quis saber como é que aquele homem tinha conseguido escrever um livro tão…tão…

Tinha sido num sopro? Tinha custados noites sem dormir? Drogas?

Encontrei a explicação num vídeo filmado numa das sessões de apresentação do livro. Um processo com 3 anos. De manhã o autor pensava em algo que lhe tivesse ficado presente do dia anterior ou dessa manhã, alguma coisa que por uma certa razão inexplicada se tivesse mantido a pendular pela sua mente. Escrevia toda a manhã sobre isso. De tarde seguia o fio condutor da ideia que tinha inicialmente pensado. No princípio a maior parte dos textos da manhã eram desconexos e não tinham qualquer serventia para a livro em questão. Mas ao fim de algum tempo começaram a ser mais e mais os textos da manhã que se enquadravam na história que queria contar. A determinada altura o seu processo criativo estava embrenhado na história de tal forma que a maneira como pensava os temas ia ao encontro dos seus personagens e da emoções que pretendia transmitir.

 

Criei este blog por acaso. Meti-me a fazer uma gracinha e dei comigo a criar textos e pequenas palermices que não tinham nada que ver com a gracinha inicial, pareceu-me uma ideia supimpa arranjar um blog para as pôr lá, por alguma razão, apesar do seu valor inexistente, custava-me deitar forma a minha própria palermice. Olhava para ela ali, amachucada no lixo e dava-me pena.

Depois do blog veio relutantemente a conta de Facebook, porque não percebo nada da poda e ainda ando às apalpadelas. Como se não bastasse “ora quem tem Facebook, tem Estagrã” e lá está a conta aberta. Palermices por toda a parte.

Há dias em que dou por mim a pensar “e se as ideias se me secarem”, como fica? Se um dia acordar e a cabeça pensar “epá já não estou para isto! Não me apetece!” e fico ali, a olhar para o cursor a piscar, à espera que eu tenha palavras para escrever e eu engasgada, sem piu para deitar cá para fora.

 

Tenho cadernos, caderninhos, blocos e um notepad digital que está sempre a ganir com falta de memória. Os cadernos e caderninhos estão espalhados pela casa, uns no escritório, outros na mesa de cabeceira. Para não falar nos que andam na mala. Ocorre-me qualquer coisa e lá vou eu escrevinhar uma frase ou duas numa tentativa de apanhar a ideia que começa a querer bater asas mal aparece. Compro sempre cadernos baratos, as minhas ideias não têm valor para que eu gaste mais de 2 ou 3 Euros num caderno. Tenho alguns bem bonitos, que me foram oferecidos, mas sempre que penso em escrever lá assalta-me uma tristeza terrível pelas folhas tão bonitas de papel que vão ficar estragadas com as minhas ideias parvas, não merecem que lhes faça isso, se é para ficarem escritas que seja com alguma coisa que valha a pena.

 

E isto a propósito do quê? Na verdade a propósito de nada. A desproposito talvez do simples facto que escrever me acalma, me serena, me faz ficar concentrada no jogo de palavras e consigo manter os problemas e as ansiedadezinhas do dia a dia à distância, nem que seja por alguns segundos.

Descansa-me saber que ninguém paga para ler isto, de outra forma seria uma vergonha, material de tão fraca qualidade, mal é revisto, escrito assim numa lufada de ar, e as pessoas a gastar dinheiro para ler. Gastam tempo, que também é caro.

 

Hoje é isto. Podia ser pior, podia ter-vos passado a gripe.

 

 

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