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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Qua | 18.12.19

Gorda chamada ao nº 1 do pódio

Gorda

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Estávamos em 1995 e decorria o torneio de futebol na C+S do Feijó. O 6º A contra o 6º D num dérbi renhido pelo pódio tantas vezes treinado nos intervalos das aulas de duas horas.

Eu estava no banco de pau. Se jogasse a médio ou avançado tropeçava na bola, se jogasse a defesa agredia os adversários e também os colegas de equipa porque não os sabia destingir bem, se ficasse à baliza fugia da bola. Pelo que fui uma estupenda contratação como suplente, uma vez que as inscrições tinham numero mínimo de jogadores e sem a minha assinatura não entrávamos como equipa.

O jogo foi renhido. Empatámos. Fomos a prolongamento. Empatámos. 

Tudo se iria resolver nos penáltis. A mais ingrata das formas para vencer uma partida.

Quase todos jogadores de ambas as equipas tentaram a sua sorte e ainda assim mantínhamos o empate. Faltava uma jogadora do 6º A. Eu.

O Filipe, um puto loiro de olhos azuis, cujos dentes da frente não tinha crescido em igual proporção e que mantinha um tique tremendamente cómico de cerrar o olho direito enquanto falava, olhou para mim (com o olho disponível) e disse em profundo lamento: "Gorda, vais ter de ir marcar".

Ele entregou os pontos.

A turma sabia que íamos perder.

Eu tinha a certeza que ia fazer merda.

Ainda assim ganhei a maior distância que pude daquela bola, lancei-me com tudo o que tinha e investi com o pé direito.

Chutei.

E ninguém sabia da bola. A sacana tinha desaparecido. Ou eu lhe tinha arreado com força a mais ou tinha falhado por cima porque aquela porra não dava sinal de forma nenhuma. Com a embalagem que eu tinha dado só podia ter chegado força a mais e feito aquela porra desaparecer na estratosfera.

O 6º D largou-se em gritos de vitória, o guarda-redes estava eufórico e enquanto festejavam de pura alegria a bola que eu tinha chutado seguia lenta e rasteiramente eô-eô-eô pelo chão, acabando por entrar no canto direito da baliza.

Foi o Filipe zarolho que, com o seu olho aberto, micou o paradeiro da bola e deu o grito da vitória com um golo que ninguém estava à espera. Particularmente eu, que continuava à procura da bola.

Ganhámos. 

Eu nunca tinha sido aclamada para nada na puta da vida e soube-me a pato. 

 

Vinte e quatro anos depois sou a vencedora da edição dos Sapos do Ano para a categoria de humor aqui da "turma" da Sapo. Não tem nada que ver com o tema com que comecei, mas não queria escrever só quatro linhas.

Não fiquei com nenhum troféu, o que é bom porque é menos um pingarelho para limpar o pó e porque assim passo o Natal de bem com a Greta. Mas fico com a certeza de que trago alguma alegria ao dia a dia de quem lê, o que me dá uma valente satisfação (já que dinheiro nem gota...e agora que penso nisso, acho que vou começar a cobrar por clique).

 

Obrigada a todos os que votaram nesta palerma. Obrigada a todos os que leem. Obrigada aos dois chonés que enjorcaram estes prémios. 

Que o próximo ano nos traga muitos temas para fazer pouco, que saibamos todos relativizar o que nos rodeia, que tenhamos a capacidade de rir no nosso próprio umbigo e que nos deixemos de indignações e ofensas fáceis porque para séria já chega a vida.

 

Parabéns a todos os outros participantes e que mantenhamos a vontade de nos entreter uns aos outros.

 

 

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