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Casa da Gorda

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Qua | 26.06.19

Gostava que o meu filho tivesse um irmão

Gorda

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São muitas as vezes em que olho o meu filho embrenhado nas suas brincadeiras sozinho em casa e penso que talvez fosse uma ideia estupenda dar-lhe um irmão. Também me ocorre quando ele me interpela sistematicamente para que participe nas suas brincadeiras, sei que gosta que eu brinque com ele, mas também sei que o faz porque se sente sozinho e procura aquele que mais se assemelha a uma criança. Penso muitas vezes que gostava de dar um irmão ao meu filho, o problema é que, para que eu dê um irmão ao meu filho, eu tenho de ter outro filho. De outra maneira já tinha tratado disso.

Agrada-me a ideia de ter um bebé nos braços, de reviver as fases bonitas, o primeiro palrar, o primeiro sorriso, a primeira palavra, o êxtase dos primeiros passos, o ser chamada de mamã outra vez pela primeira vez. Mas o bom nunca vem desacompanhado e para que haja equilíbrio no Universo o mesmo ser que proporciona tamanha alegria também se borra até às costas, chora noites a fio, enfia-se na minha cama, vomita de forma projetada, risca os móveis, anda à lambada com o irmão enquanto grita “foi ele” ou “ele começou primeiro”, faz birras e deixa qualquer ser humano aterrorizado com o silêncio, porque toda a gente sabe que quando há silêncio a probabilidade de haver merda é astronómica. Pensar em estar grávida outra vez deixa-me em estado de terror; pança dilatada a andar como uma pata com defeito nas cruzes, sem forma para estar deitada, com a alegria do movimento do bebé acompanhada de pontapés em órgãos fundamentais que estão cada vez mais velhos e menos disponíveis para este tipo de cambalachos.

O puto já vai com 4 anos, daqui a pouco vai para a escola primária e uma pessoa começa a fazer contas à vida, onde é que já se sente confortável para ir porque ele já tem idade para isso, quantos anos faltam para ele ir para a universidade e ser mais independente, em cima desses quantos anos faltam até ele sair de casa e fazermos aquelas chamadas sempre iguais. São as melhores, as chamadas sempre iguais, pode não acontecer muita coisa, mas pelo menos não aconteceu nada de mal e isso, por si só, é um descanso tremendo.

O miúdo tendo a vida dele também nos possibilita mais independência, se arranjássemos outra criança agora significava que, quando este chegasse à adolescência, o faroeste da parentalidade, ainda o outro estaria na fase do cocó-xixi-pum-bufa e o mais velho já só iria querer saber da vida dele. Nós, os pais, agarrados ao cocó-xixi-pum-bufa e a um adolescente que “é pá ó mãe coise, ó mãe, ó mãe, não sei, não vi, não coise, mesada, dados móveis, amigos, os pais são bueda borings”. Um cenário idílico, como bem se compreende.

No outro dia o meu filho perguntou-me se ele um dia ia ter um mano na barriga dele. Ri-me e expliquei-lhe que só as mães é que têm bebés nas barrigas, as crianças não têm bebés nas barrigas e os homens (os pais) também não. Ele perguntou-me se eu ia ter um mano na barriga. Eu disse-lhe que não me parecia. Ele não insistiu, mas eu pensei: e se tivesse? Depois ocorreu-me que se tivesse provavelmente me estaria a vomitar a toda a hora como na gravidez anterior, sempre cansada e sem fôlego, provavelmente encafuada no meu apartamento sem possibilidade de fazer a vida de dia a dia normal.

Eu sei, sou aquele tipo de pessoa inspiradora que nem vê o copo meio cheio nem meio vazio, irrito-me porque ainda não trouxeram a garrafa de água para a mesa que eu assim bebia logo do gargalo.

 

 

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