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Casa da Gorda

Casa da Gorda

18
Out18

Humor de cansaço

Gorda

Ontem tentei escrever o texto de hoje. Não consegui. Só me ocorriam larachas menores, sem piada final. Enfim, uma tristeza.

Hoje, sentada a olhar para uma folha branca pergunto-me: porque raio uma pessoa não consegue fazer com que isto brote ao toque de uma sineta. Em principio sabemos o que nos faz rir, sabemos escrever, gostamos de juntar as palavras, então porque é que não sai? Podia falar de puns, de pipis, da Maria Leal, da demissão do Azeredo, tanta coisa, mas não me dá para aí.

Não sai porque a cabeça está mais gasta que uma borracha em final de ano letivo. Por mais que eu a esfregue contra a folha só esborrato tudo com a ponta dos dedos.

Ocorre-me que me podia demitir e usar as histórias dos meus mais de 10 anos de casa para escrever textos. Tinha matéria de humor até 2099, altura em que estarei ou num lar ou no Pentilhão* Nacional.

 

Os últimos dias têm sido de stress total. No trabalho querem mais e mais, porque quando se pede um favor é importante ter bem presente que acabaremos a pagar por três. Mais ou menos como o crédito habitação. Compra um T2 na Amadora, paga um T6 no Restelo. Só que no caso dos favores laborais não há lugar a ajustes das taxas de juro e dos spreads. É sempre cotação máxima.

A empresa pede, pede, exige. O colaborador dá, dá e dá. Quando precisa de um favor o passado é passado, "então mas quem é que está a olhar para o passado?", é importante pôr os olhos no futuro e perceber como é que a empresa pode ser compensada por ser tãããão amiga do colaborador.

O passado não interessa para o que o colaborador deu, mas para a empresa perdura por 10 anos.

"Lembras-te quando precisaste daquela tarde em 1994? Lembras-te que a empresa compreendeu que tinhas o puto com 40º de febre? Pois, é preciso ter isto em mente. Amor à camisola, sabes?"

 

No fim a dedicação é paga com palmadas nas costas. Já tentei ir pagar a renda de casa com palmadas nas costas, fui ao banco, dirigi-me ao gestor de conta, preguei-lhe duas valentes arrochadas no lombo (uma coisa feita com vontade) e disse-lhe "então João, estamos este mês, não é?". Ao contrário do que eu pensaria o João disse que não, que por muito que ele quisesse aceitar o Banco só transaciona Euros, pelo que são três dígitos ou entregar a casa.

Mas no trabalho só me aumentam em palmadas nas costas. Depois de me esmifrar até ao tutano.

 

O stress faz com que todas as células do meu corpo entrem numa espécie de combustão frenética, como se todas fossem o Medo do Divertidamente e estivessem a gritar umas para as outras "então o que é que fazemos agora, diz-me, diz-me, diz-me?" tudo enquanto roem as unhas e puxam os pelos das sobrancelhas.

Tento então mandar umas tropas militares, componentes que exigem rigor e não estão para lamechices. Há uma certa guerra civil interior, entre o medo frenético e os militares sem dó.

Os militares têm estado a ganhar, mas estão tão fartos das condições miseráveis que estão quase a entregar os pontos. Parece que alguém roubou as munições que tinham lá para os paióis e escondeu na casa de uma avozinha. Suspeita-se que tenha sido o lobo mau.

 

Por isso vou ali acabar com a minha inconsistência interior e ver se daqui a uns dias já se me ocorre alguma coisa mais escorreita e menos escabrosa que este texto. Lido com atenção, parece o cubo de Rubik montado por um daltónico.

 

*Uma vez, estava eu a ir de comboio para casa e uma jovem diz para outra "olha, ali é o Pentilhão Nacional". Nunca mais me esqueci disso. Por um lado fiquei contente, porque para o Panteão não tenho hipótese, mas para o pentilhão ainda pode ser que me considerem as ossadas.

 

 

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