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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Ter | 10.12.19

Isto de ter um cão

Gorda

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(foto tirada em dezembro de 2009...e sim, fui eu que tricotei os fatos. shhhhh, nem um pio sobre esse assunto)

 

 

Aviso desde já que é preciso paciência e fôlego para este texto. Está muito grande, mas foi escrito com o coração na ponta dos dedos (mesmo que isso seja biológica e fisicamente impossível, se o meu coração estivesse nas falangetas, eu teria patinado por desagregação cardíaca)

 

 

Adoro animais e quem me conhece sabe que sou aquilo a que se costuma chamar de dog lover (assim mesmo, em inglês, porque soa logo a uma coisa mais cara). Sempre adorei cães e esperei oito anos da minha vida para ter o meu primeiro canídeo.

Uma rafeira feia e negligenciada, a última de uma ninhada abandonada, que tinha sido deixada debaixo de andaimes de construção. Os bonitos tinham sido todos acolhidos, mas aquela, a feia, estava ali para ficar ao Deus dará.

Eu tinha oito anos e era capaz de trocar qualquer coisa por um cão. Pedi, implorei, esmifrei-me em argumentos, mas foi a minha avó já muito velhinha, mulher que nunca soube viver sem animais por perto, quem chegou ao coração dos meus pais e os convenceu a ficar com a bicharoca.

Foram duas horas "bem passadas" a perseguir a bicha e depois outras tantas a caçar as carraças e outras animalezas sanguessugas que ela trazia agarradas ao pêlo.

Foi a minha mais fiel amiga durante treze anos, deu-me a pata em todos os momentos mais difíceis e são poucas as minhas memórias de infância e adolescência que não têm uma pata desta desgraçada.

Um dia descobrimos que tinha cancro, eu decidi retribuir o que ela tinha feito por mim e gastei todas as economias que tinha para a faculdade para a tentar salvar. Não funcionou, mas se voltasse atrás faria tudo de novo.

Tive de tomar uma das decisões mais dolorosas da minha vida, acabar com o sofrimento dela. Passei três dias em casa a chorar, completamente desnorteada.

Os animais não são pessoas mas são família. Talvez seja por isso que para mim é completamente atroz pensar na ideia de que alguém considere razoável abandonar quem tanto o ama, ao frio, no escuro, com medo, depois de todo o amor investido.

Ela já não está por cá, mas ficam as memórias, especialmente aquela do dia em que eu fiquei a segurar-lhe na trela enquanto a minha mãe ia à retrosaria. Ela deu um puxão, atirou-me para dentro de uma vala e cavou para o café ao lado onde a encontrámos a comer tremoços com os tipos das obras.

Melhor do que isso, foi a minha mãe a sair da retrosaria sem encontrar a filha e a cadela, eu chamar pela minha mãe e a pobre a dar comigo enfiada numa vala. A minha mãe de saia travada e saltos agulha num jogo de pernas e braços a tentar tirar o meu então lombo gordo de dentro de um buraco mais fundo que a minha altura.

 

E toda esta conversa para quê? Para falarmos sobre esta coisa de ter um cão.

 

Estamos na altura mais quente do ano para arranjar um cãozinho. Os miúdos pedem, a namorada sempre sonhou, alguns estão em promoção no OLX e até há ninhadas tão fofinhas na Internet, com barretes de natal que uma pessoa mal pode resistir.

A noite de 24 é abençoada, a alegria das crianças filmada para pôr na Internet e tudo parece ter saído de um conto de fadas, até que a vida assenta e as pessoas percebem que não têm pachorra para esta merda de acordar de madrugada para levar o cão à rua. Porque o veterinário é caro e a vacina da raiva não chega. Porque nunca se pensou que o chão pudesse ter tantos pêlos. Porque o cabrão do cão decidiu roer as pernas das cadeiras da cozinha depois de ter sido deixado em casa sozinho por mais de doze horas, sem ser passeado e sem qualquer atenção. Se lhe deixámos água e comida qual é o problema do gajo?

Então, mas afinal ter um cão não é só dar-lhe de comer e fazer-lhe uma festa quando nos apetece? Deviam estar agradecidos, porque podiam estar num canil a pisar a própria merda e há quem lhes dá de comer e o que é que eles fazem, os ingratos? Roem as mesas e os móveis da cozinha que tanto dinheiro custaram. 

Como se um cão conseguisse compreender a importância das rendas que a avó fez à mão em 1953.

É verdade.

E isso acontece porque os cães de verdade, aqueles que não estão em caixas nas prateleiras do supermercado, não têm botão de off, não funcionam só quando a gente quer, os gajos têm vontades próprias e por vezes ocorrem-lhe coisas tão produtivas como achar que o que os donos iam mesmo amar era que eles deixassem um cagalhão do tamanho de um chihuahua obeso no meio da carpete da sala.

Ter um cão é uma coisa absolutamente maravilhosa. Se tivermos o estofo para aguentar com o que de menos bom há nisso. Ter um cão é ter trabalho, preocupações e chatices. É andar à "bulha" com outros condóminos, é condicionar as férias e é decidir que não vale a pena investir em mobiliário muito bom.

É ter quem nos recebe como se fossemos o Cristiano Ronaldo ou a Jennifer Lopez todos os dias e a qualquer momento, mesmo que tenhamos apenas ido despejar o lixo. É ser amado de uma forma que nós não conseguimos retribuir nem em 50%. Porque nós valemos para eles a vida. Um cão, quando nos ama a sério, defende-nos até ao seu ultimo fôlego. E isso meus amigos e minha amigas, se não é absolutamente extraordinário, então eu não sei o que é.

 

É porque amo cães, porque acho que nem sempre as pessoas estão preparadas para ter um e porque às vezes as coisas se tornam demasiado assoberbantes, que eu quis escrever este texto. Não me quero focar nos atrasos de vida que abandonam os animais - porque eu não escrevo para montes de merda - mas gostaria de me focar nas pessoas que estão a pensar arranjar um cão e não sabem no que se podem estar a meter.

 

Não me interpretem mal, não vou demover ninguém de arranjar um quatro patas, mas correndo o risco de fazer uma comparação idiota, acho que com esta coisa de ter animais se passa o mesmo que com os filhos. Toda a gente conta o que é bom e deixam de parte toda a secção má como se ela não existisse. E ela está lá, se está. Tão certa como aquela caminhada de dez minutos com um saco cheio de bosta na mão.

 

 

Sem mais delongas, vamos ao que é bom.

 

Amor incondicional

Os cães amam a sua família humana como nenhum outro animal consegue. Adoram e idolatram até à última gota do seu sangue. Amam tanto que voltam sempre de cabeça baixa para pedir amor até àqueles que os tratam mal. Há tempos ouvia a história dos cães de raça beagle que são usados nos EUA para testes de cosmética. Eles são a raça mais escolhida porque são conhecidos por ser dos cães que mais facilmente perdoam. Tão depressa está um filho da puta a esguichar-lhes merda para os olhos (que os pode cegar), como a seguir eles lhes saltam para o colo à procura de uma festa, certos de que têm ali um grande comparsa.

São os melhores amigos dos nossos filhos e é vê-los ficar aflitos quando os putos não estão em casa.

Os meus cães já são velhos e só querem sopas e descanso. Não passam pevas de atenção ao meu filho porque já não têm pachorra para as brincadeiras dele. Contudo, se o puto vai dormir aos avós eles ficam perdidos. Sentam-se à porta do quarto dele e ficam à espera que ele chegue.

Comovente não é?!

Até eu que sou um bloco de gelo imune ao aquecimento global fico de lágrimas nos olhos.

 

Palhaçada à grande

O cão é aquele amigo que faz figura de otário e não se importa que a gente faça pouco dele. Se a gente se rir o cão acha que fez um feito do catano e volta à palermice. Se isto não é do caraças eu não sei o que é.

 

Defendem-nos até do seu reflexo no espelho

Até os meus mafiosos chihuahuas. É verdade. Há semanas andaram a pintar o meu prédio e aquilo estava pejado de andaimes por todo o lado. Só me ocorria que à noite ainda alguma gatuno aproveitava por gargar por ali acima. O que me descansava eram os meus cães. Se algum chico-esperto se lembrasse de meter um pé na minha casa eles iam fazer um chinfrim tal que a CIA aparecia.

 

São família

Os irmãos podem ligar pouco, os tios aparecem no natal, os primos têm a vida deles. Os nossos cães estão connosco sempre. Se temos fome eles têm fome. Se não temos fome eles comem o que houver para que não haja aquela culpa de deitar comida fora.

Sentem quando estamos mal e sabem vir dar-nos aquele abraço que só os amigos mais especiais conhecem.

Lembro-me sempre de uma cena no Marley e eu (filme onde inevitavelmente choro como uma Madalena arrependida. Também li o livro, o meu marido foi dar comigo na sala em modo carpideira de tal forma que achava que era melhor chamar o INEM porque me estava a dar uma coisa) em que a personagem da Jennifer Aniston perde o bebé, quando chega a casa e se senta no sofá, o cão, que era sempre um estroinas, percebeu que ela só precisava de um abraço. Vejam essa cena, porque é uma imagem que vale mil palavras.

 

Nunca falam de volta

Os cães são os melhores ouvintes que a gente pode encontrar. Nunca contestam a merda que a gente diz, por mais idiota que seja. Por exemplo quando vou à rua com os meus cães às vezes vou a conversar com eles. Talvez seja por isso que os vizinhos me evitam. Agora que penso nisso.

Mas o que importa é que são os únicos durante todo o dia que não têm um argumento para rebater o que acabei de sentenciar. É precioso. 

 

Pode parecer pouco, mas estas linhas ocupam muito. Podia acrescentar aqui mais itens, mas depois um ou dois leitores apagava-se de desespero porque o texto não tinha fim, e como estamos em época de natal não quero que dê o peido mestre a ninguém.

Desta feita prossigamos para o lado negro da coisa.

 

 

Todos prontos para o menos bom?

 

Despesa do veterinário

Ter um animal é ter de o levar ao veterinário, mesmo que nós tenhamos a vacina do tetano caducada há dez anos. É rezar para que a despesa seja pequena e descobrir sempre mais uma coisa que não está a correr tão bem. É contar com a idade e com o facto de que as maleitas da velhice não se aplicam apenas às pessoas. Os animais contam como uma despesa significativa, se bem cuidados.

Por exemplo, eu tenho dois cães, um deles dá as despesas habituais de vacinação e, para além da castração, nada a apontar. Em compensação tenho uma cadela que tem mais doenças que eu sei lá. Ela tem os dois ouvidos carregados de quistos. Está quase surda. Tem um problema grave de pele e a medicação mais recente é tomar atarax (para além de não sei quantos medicamentos com cortisona). Já ficou sem uma parte dos dentes e tchanã, para o ano já sabemos que vai ficar sem mais uns quantos.

Aliás, em 2020 é esperado que ambos fiquem com uma dentição igual à do meu pai. Dentes zero.

 

Trelas, trelinhas e outras merdinhas

Para passear é preciso ter uma trela adequada, uma coleira ou um peitilho. É preciso uma cama (ou mais). Tudo isto parece pouco, mas não chega comprar. Depois é preciso limpar. A cama por exemplo começa facilmente a cheirar a cão, fica com pêlos encravados e a pessoa pensa em desistir da vida todos os fins de semana quando aspira aquela porra.

 

Passear

Os cães tem de ser passeados. Não importa o tamanho, a raça, o pêlo, a estação do ano, se está frio ou a fazer calor, os cães têm de ser passeados e só Deus sabe o que isso pode custar.

Esta é uma daquelas coisas que as pessoas tendem a idealizar, a vender como se fosse a maravilha das arábias. Não é. Veem umas fotografias da Rita Pereira com as cadelas na praia e pensam que giro que seria fazer o mesmo. E é. Só que não é só uma vez.

Os cães têm de ser passeados no mínimo duas vezes por dia. Para quem trabalha isso significa dar com o lombo ao relento às seis da manhã para que a bicharada arreie o calhau. "Ah mas eu tenho quintal", melhor, assim podes deixar que o bicho faça o presente na relvinha do quintal, mas não te livras de ter de apanhar a poia. Acresce que os cães não precisam de passear só para arrear o pastel, isso é uma ideia totalmente errada. Os cães precisam de passear porque também precisam de socializar e ver coisas diferentes para não serem reclusos dentro da sua própria casa.

Lembrem-se disso.

O passeio pode ser um momento muito giro, onde um tipo até pode engatar uma garina e servir para que os vizinhos consigam algum convívio, ou pode servir para a pessoa apanhar um camadão de nervos, como acontece comigo. Eu adoro passear cães, mas os meus são como dois mafiosos mexicanos do mais perigoso dos cartéis. Os gajos não querem ninguém na rua onde moram, incluindo as próprias sombras. E isso traz alguma dificuldade à minha integração social agravando aquele sentimento de desconfiança que as pessoas já têm por ver alguém a falar com os cães.

 

Vão comer o que vos pertence

Os bichos não gostam de estar sozinhos e, até que percebam e ultrapassem a ansiedade de separação vão roer coisas. Dependendo do tamanho estamos a falar de: portas, mesas, móveis de cozinha, sofás, roupas, sapatos e pequenos domésticos (estejam ou não ligados à corrente).

É verdade.

O labrador do meu irmão comeu-lhe um banco de jardim. O labrador antes desse comeu-lhe todos os pinheiros que ele tentou plantar.

A pit-bull da minha prima comeu-lhe o centro de uma porta de casa porque gostava de estar a olhar para ela. Também lhe comeu o chão do carro comercial. Isso mesmo, deixou a roda exposta dentro do carro.

Os meus comeram uma prateleira dos móveis da cozinha. E tinham um total de 2 quilos (os dois cães) quando vieram cá para casa. Agora pensem nisto.

 

Pêlos e mais pêlos

Às vezes chego ao trabalho e quando retiro o meu tupperware de almoço da mala dou com um pêlo da minha cadela dentro da lancheira. Isso é para vocês terem uma ideia do que esperar. Os cães deitam pêlo e nunca mais teremos uma peça de roupa que não esteja contaminada.

Isto cá em casa é tão grave que o meu cão tem pêlos da minha cadela agarrados aos dele.

É preciso decidir se sobem para o sofá e para a cama e perceber que quando permitimos que se apropriem de um móvel de descanso esse espaço nunca mais será nosso, a menos que estejamos disponíveis para ficar com um cu igual do do Chewbacca quando nos levantamos.

É preciso aspirar e saber que, quando terminamos, a casa está apta a ser aspirada novamente.

 

Nunca cagam onde dá mais jeito

Ter um cão é viver momentos de incomodo. É ter o vizinho da papelaria a arrumar os jornais lá fora e o nosso cão parar para arrear o calhau no lancil, mesmo ao lado do sinal que diz "venha jogar connosco". O senhor a arrumar as coisas e nós com um saco enfiado na mão a rezar que o animal acabe a poia depressa para nós podermos apanhar e cavar dali o mais rápido possível. O vizinho a perguntar "então como vai isso?" e nós a balouçar os joelhos num "cá andamos", o cão como imagem de fundo, naquela posição cómica de bicho em fuga enquanto luta contra a prisão de ventre.

Ter um cão é querer que o gajo se despache de manhã e ele estar ali a engonhar, a olhar para nós de lado como quem diz "calma, eu cago quando quiser, quero lá saber se chegas atrasado". É levar o sacripanda a passear à noite e, de todas as árvores do jardim, o gajo decidir arrear o calhau debaixo daquela que está ao lado de um candeeiro com a lâmpada fundida, obrigando a pessoa a fazer de mineiro, quando puxa da lanterna do telemóvel e anda à caça da bosta. Ou então respira fundo e faz como diz o livro "que se foda".

 

Apanhar mijas e cagadelas em casa

Todos os cães fazem disparates em casa. Uns mais do que outros, mas não me venham com tretas. Toda a gente passa por isto, nem que seja quando são bebés. A menos que nunca tenham estado dentro de casa. Há bichos que, caso tenham a possibilidade de ir à rua duas ou três vezes por dia não fazem uma pinga em casa e depois há aqueles que vão à rua para ir à bica, mas as necessidades são feitas no seio do lar. Agora é tudo como no kinder, a gente só sabe depois de já ter a prenda em casa.

 

Aumentam a probabilidade de irmos contra uma árvore

Ou de batermos com as trombas no chão. Os meus cães vão à rua com uma flexi-leash, que são aquelas trelas que esticam. Todos os dias eu dou comigo embrulhada nas cordas daquilo e capaz de ir de dentes ao chão.

A minha cunhada foi duas vezes contra uma árvore. O cão tinha uma fixação com coelhos e arrancou antes de ela ter tempo de largar a trela, quando deu conta já estava a abraçar a natureza.

Em bom rigor até pode ser bonito.

 

Vão pinar as pernas dos nossos amigos

Depende muito dos animais, mas não raras vezes está um amigo nosso sentado no sofá e o nosso cão, do nada, só porque sim, lá aparece, salta para cima da perna do pobre e da-lhe uma lição de sodomia como ele nunca tinha experimentado.

 

Vão patinar

E até nessa altura dão despesa.

Feita a piada parva vem a parte mais triste. Os animais têm um tempo de vida menor que o nosso e o expectável é que nós acabemos por vê-los partir. Dói, dói mesmo muito e sentimos a perda como se de um familiar se tratasse. Custa pôr a chave à porta sem sentir alguém a esgravatar do outro lado. Custa ouvir barulhos e pensar "olha já vai começar a ladrar" e depois ocorre-nos que isso já não vai acontecer. Chamamos por eles quando há trovoada, porque nos habituámos a ter de os acalmar para que não acordassem a vizinhança de madrugada.

Continuamos a por a torrada afastada da berma da mesa para que não a roubem e ainda lhes ouvimos os passos.

Dizemos que nunca mais vamos ter outro. E se o fizermos não podemos estar mais errados.

Os nossos cães não querem ser os únicos, querem ser amados enquanto estão connosco e se isso acontecer no dia que partem vão em paz. De barriga cheia daquilo que sempre desejaram: uma casa, um lar, uma família, muito amor e os ocasionais bifes roubados da bancada.

Os animais são mais simples que nós.

 

 

Ter um cão é aprender a mais pura forma de amor, mas como qualquer relação de amizade é preciso aceitar o mau com o bom e trabalhar para isso. Se não estivermos dispostos, não faz mal, pode ser que mais tarde a vida mude e a coisa se proporcione. Mas não vale a pena forçar.

É custoso ver um animal que não está feliz. Ver famílias que depois da fase do brinquedo espetam como o cão numa varanda de dois metros quadrados 23 horas por dia. Que não o incluem no dia a dia. Para não falar nos que ficam acorrentados em casotas, ou naqueles que vivem em grandes casas com jardim, mas depois estão numa gaiola que tem um nome chique para dizer que é a zona dos cães. É um canil. É uma gaiola, e os cães estão lá como os brinquedos nas prateleiras, para brincar só quando apetece.

 

Ter um animal é saber que ele é família e que, mesmo que casa passe de 300 metros quadrados para 60, a família fica junta e tudo se vai arranjar.

 

Se pensar em adotar um cão este natal faça-o na consciência de que ele vai estar nos próximos vinte natais, mesmo que ele mije nas pernas do velho de barbas, mesmo que ele coma os cabos da playstation nova do João Miguel, mesmo que ele coma a cabeça da Barbie da Clarinha, mesmo que ele tenha o hábito de mamar as rabanadas que a avó faz com tanto carinho, mesmo que a cunhada seja alérgica, mesmo que a sogra se arrelie com os pêlos. Adotar um cão é aumentar a família e como diria a menina do filme Stitch "Ohana é família, e na família ninguém fica para trás".

 

 

Em jeito de conclusão deixo aqui em baixo as mensagens (publicadas) de algumas pessoas que acompanham o blog nas redes sociais. Eu pedi que me dissessem as coisas boas e más de ter um cão. E estas foram as palavras que deixaram:

 

Mensagem a quem quer ter um cão: Não basta querer! Tem de haver o bom senso de saber que é um "filho que nasce" e, por isso, é para sempre! É para cuidar, mimar, compreender, satisfazer as necessidades mais básicas como a vacinação e, sobretudo, amar! Se não podemos ter filhos mas queremos muito, muito, adotamos. Com o cão, deverá ser igual! Não compramos, adotamos e amamos incondicionalmente! Depois, é só receber o maior amor, como aquele que a nossa mãe tem por nós, mas sem críticas e julgamentos! É habituarmo-nos a ser olhados como se fossemos deuses!

 

Ter Amor Incondicional todas as vezes que entramos em casa nem que tenhamos saído à 2 minutos para levar o lixo 🚮
Mau: Acaba por ser uma "prisão" se não tivermos € para o hotel quando vamos de férias ou de fim de semana (há que saber "cravar" a família para fazer de hotel 😂)

 

Ter um cão é ter um poço de mimos junto à nós até quando vamos à sanita. Nunca estamos sós.
A minha cadela confortou-me na gravidez do meu filho sempre eu ia deitar fora as entranhas. 

 

👍 Amor INCONDICIONAL mesmo quando não tomamos banho e parecemos o Grinch.
👎Quando partem e levam um pedaço de nós...

 

Bom: entre muitas coisas, deitam-se ao nosso lado quando ninguém percebe que estamos tristes. Mau? A conta de veterinário e o seguro que fiz. Cómico? Bom, quem é que nos recebe à porta de casa a sorrir e dar ao rabo de alegria, com a nossa bota preferida estraçalhada na boca? Mau, depois de pagar uma fortuna em vacinas e desparasitação de manhã, teres que voltar ao veterinário ao fim da tarde, porque a cadela fez alergia e tem o focinho a inchar e o corpo cheio de borbulhas... e tens de pagar outra vez!

 

O bom é sem dúvida o amor incondicional! O mau é viverem tão pouco ❤️

 

A minha cadela era super protetora, ninguém se aproximava num raio de 20 metros na praia que ela "ralhava".

 

Ninguém vos vai receber com o mesmo entusiasmo quando se ausentarem, mesmo que por pouco tempo, mas se essa ausência for prolongada, por exemplo em férias, arranjar uma solução para ele (ir ou onde ficar) nem sempre é fácil. Só adotem (não comprem) um animal se realmente estiverem dispostos a aceitar todas as partes más, porque as boas é fácil e são muitas.

 

Xixi em cima da almofada. Vomitam na cama quando estão mal dispostos porque acham que se vomitarem ao pé de nós ficam melhores mais depressa.

 

Roem portas e paredes. Roubam comida de cima da mesa. Roubam coisas do lixo...

 

Mas são fofinhos e dormem encostados ao nosso pescoço e olham para nós como se fossemos a primeira maravilha deste mundo. Para eles só existimos nós... e o saco da ração e o biscoito da praxe. Aqueles olhinhos confiantes em nós quando algo se passa de errado com eles. Isto vale todas as asneiras que estão sempre a inventar.

 

São adoráveis! Adoro os meus 3 patudos, adoro quando ficam todos mimalhos quando lhes dou mimos! Não gosto assim tanto quando me mijam na salamandra, no caixote do gato, no móvel de madeira como se não soubessem onde devem fazer xixi... Consequências do tempo quando chove, vão a rua arejar e quando voltam sacodem-se (como se não houvesse amanhã) onde? Na cozinha, que depois eu tenho que limpar.... pesadelo... mas eu continuo a gostar imenso deles!

 

Há muitos anos que conheço e vivo o doglovers😍 e não o troco por nada.. se alguém me conhece e sabe se estou bem ou mal.. são eles 🐶 , o que menos gosto é quando tenho de sair e lhes digo, ficas aqui eu já volto... 💔 A expressão dos olhos tristes... O olhar na janela quando chego a rua 😭🙌 ❤️

 

Coisa boa - carinho / Coisa menos boa - morte

 

A coisa boa é sem dúvida a alegria com que te recebem, mesmo se estiveres fora de casa 2 minutos (que às vezes até irrita e tenho que dar um berro para ele estar quieto 😁). A má é mesmo quando estão doentes e tu não sabes o que se passa porque os bichinhos não falam onde dói 😔 boa sorte com o canito. ❤️😉

 

 

 

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