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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Qui | 03.01.19

Just doing the best I can

Gorda

100%.png

 

 
 
O que é esperado de mim?
 
Que seja uma mãe ideal, bem vestida e aprumada mesmo quando o miúdo acabou de se vomitar todo, a que leva biscoitos caseiros para os aniversários da escola, que não ralha e sabe sempre as palavras certas para resolver qualquer frustração. Aquela que nunca se queixa e vê unicórnios que dão bufas de alecrim quando pensa na alegria da maternidade.
 
Que seja uma mulher bonita, arranjada, composta, uma senhora que fala de forma eloquente e não usa vernáculo. Um cabelo sedoso que acompanha as unhas arranjadas. Quais lascas de lavar a loiça e fazer o jantar. Pejada de desejo permanente pelo Ken que a desposou, também ele carregado de sorrisos confiantes e sem dúvidas existenciais.
 
Que seja a profissional arrebatadoramente competente, que sabe tudo da sua profissão de trás para a frente, que acabou o curso com 20, que não erra, que está presente em reuniões complexas e só abre a boca para dizer coisas acertadas, demonstrativas da sua inteligência superior.
 
Que seja a dona de casa, paranóica das limpezas e das arrumações. Que tenha a capacidade de treinar Legos para saber o caminho para a caixa, que não deixa a comida queimar, que não faz douradinhos e não têm 3 pêlos no chão. Qual conversa de ter cães em casa, os cabrões que aspirem quando passam.
 
Que seja uma atleta de alta competição na esfera do fitness, desportos de grupo, acrobática e artes marciais. Que arranje maneira para ir ao ginásio múltiplas vezes por semana, que não “arranje” desculpas, que enfie treinos intensos de 15 minutos, que salte muros, que corra meias maratonas, que me esfalfe por tempos, que me inscreva no Kickboxing, que tenha os abdominais trabalhados, que partilhe nas redes sociais o percurso da minha corrida. Que o faça mesmo sem tempo, mesmo roubando ao sono, mesmo sem forças. Porque nós “nunca conhecemos os nossos limites”.
 
Que seja a filha, a irmã, a tia, a sobrinha, a cunhada e a nora delicodoce, que sabe receber em casa e se lembra dos gostos de todos para agradar a gregos e a troianos. Que seja o suspiro dos familiares e o rubi da família.
 
Que seja uma porra de uma Barbie que nem a Mattel conseguiu inventar.
 
 
O que sou?
 
Um ser humano que tenta ser a melhor pessoa que consegue nos papeis que lhe competem.
 
 
Poucochinho, bem sei.
 
 

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