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Casa da Gorda

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14
Ago18

Literatura nacional (e TOP de vendas)

Gorda

Existem 3 tipos de literatura nacional que vende em barda neste querido Portugal:

 

  1. Literatura de encher chouriços, como o Chagas Freitas e o Minh'alma (ou lá o que é). Textos desconexos que redundam sempre no mesmo, em promessas que não interessam a ninguém e a coisas que fariam qualquer gaja arroxar de sono se acontecessem na vida real.
  2. Literatura de encher chouriços mas com pau, onde se enquadra o Noite-Luar. Primeiro que tudo como é que alguém compra um livro de uma pessoa que escolheu dar a si mesmo o nome de Noite-Luar? A sério. Eu tenho que viver com um nome horroroso mas a culpa é dos meus pais, esta pessoa escolheu ela própria, senhores! Isto é literatura igual à identificada no ponto 1, mas aqui a gaja leva com o pau noite e dia. Dá-me a ideia que a pessoa nem trabalha que é para levar com o pau a torto e a direito. Se um gajo me viesse engatar com a conversa de que tinha um grande pau eu dava-lhe era uma arroxada com uma cadeira pelas costas. Se o meu marido, que já me conhece de ginjeira a um nível de estar farto de mim, me viesse com a conversa do pau, era bom que ele estivesse a falar de um pau para prender um móvel ou para segurar a portada da varanda. De outra maneira ia era com a da mãe às costas que eu não tenho pachorra para conversa de pau.
  3. Literatura escrita por encomenda a pseudo-celebridades. Toda a minha gente tem uma solução para a vida, uma história para contar, um apreço ínfimo pela escrita, receitas, vida saudável, exercícios. O mal não está na escrita dos livros, o assustador é que as pessoas, em vez de gastarem o dinheiro com um livro em condições (que há tantos), compram estas...coisas. Depois não é de admirar que as editoras em vez de editar livros à séria prefiram estas cácas com folhas, afinal de contas têm de ganhar a vida e o que o comprador quer saber é como é que a Rita Pereira ficou com aquele cu, agora cá Hemingways e tretas parecidas.
  4. Depois temos a literatura estrangeira, porque o Tuga respeita o que o estrangeiro diz e não se cansa da saga do Cinzento (contada por ela, agora contada por ele, a próxima vai ser o cão a contar, e por aí em diante).

A parte que não bate a bota com a perdigota ocorre quando alguém decide inquirir uma resma de pessoas sobre os seus hábitos de leitura. É extraordinário compreender que num país onde o TOP de vendas está sempre repleto dos mamarrachos referidos nos pontos 1, 2 e 3 tenha, invariavelmente, como autores favoritos: Saramago e Lobo Antunes. Mas noto que referi apenas os apelidos e fi-lo por uma razão: é que a maior parte das pessoas não tem a certeza se o Saramago é José ou João (sabem que começa por J), e a maior parte não tem a certeza se, dos manos Lobo Antunes, é o António, o Nuno ou o João que escreve. Assim não há como enganar, é dizer o apelido.

A pergunta que normalmente se segue ao autor favorito é o indicar do nome de um livro que tenham lido do mesmo. Para os adeptos de Saramago é, claro está, o Ensaio Sobre a Cegueira, porque, afinal de contas, é o único que tem um filme e desta forma, se vier mais alguma pergunta sobre o livro já não se "entalam". Quem se quer mais intelectual, desvinculando-se do Nobel e seguindo para o Lobo Antunes, provavelmente indicará que não tem memória do nome "já leu muitos". Eu não me acredito que uma pessoa que tenha passado um pedaço de tempo a ler Lobo Antunes - que carece de algum empenho, sejamos francos - não tenha ficado com o nome do livro gravado a ferro quente no lombo.

Esta é a mesma pessoa que partilha excertos dos livros de Chagas Freitas no seu mural de Facebook e que acha que é tremendamente erudito por isso.

Tenho duvidas que alguém que preze ler Lobo Antunes, não sinta náuseas ao ler Chagas Freitas. Mas isso pode ter só acontecido comigo porque tinha comido 2 cachorros quentes de empreitada antes de me ter sentado na FNAC a ler um trecho para ver se valia ou não o investimento.

 

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