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Casa da Gorda

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20
Ago18

Malas de gaja

Gorda

Antes de mais começo por dizer que “mala de mulher” é uma certa redundância, uma vez que os homens – por regra – não usam malas. Há aqueles espécimes que deviam ser extintos do planeta Terra por andarem de fanny pack à volta da cintura (até o primeiro ministro padeceu deste mal), mas isso não conta como mala (já alguém arranjava uma vacina p'a isto faxavore!).

Mala que é mala e mala que é de senhora (vulgo gaja) é aquela coisa que se carrega ao ombro desequilibrando o ying e o yang da espinha e causando múltiplas lesões dorsais a somar a uma chusma de idas ao homeopata.

 

Quando uma gaja compra uma mala procura alguma coisa que possa usar com todas as peças de roupa, que fique bem com a maioria dos seus sapatos, uma mala não muito grande a ponto de parecer uma sacola, nem muito pequena ao ponto de não caber a pequena pochete onde guarda o seu estojo de socorros (com o baton, uma lima, um rimel, essas coisas, emergências estéticas portanto).

No entanto, o que na verdade acaba sempre por acontecer é que a gaja passa pela montra e vê uma mala que lhe parece perfeita mas que não tem nada que ver com as características que havia listado para a sua próxima mala. Invariavelmente a pessoa que é gaja tem o seu subconsciente toldado pela mala que uma qualquer celebridade usava e que ficava mesmo in com aquele outfit.

Resultando assim em uma seguintes compras:

 

Uma mala pindericamente pequena onde nem a carteira cabe.

Só depois de ter pago, já em casa, é que a pessoa se dá conta de que nem a carteira lá cabe dentro. Isto demonstra uma incapacidade de raciocínio total, uma vez que no momento de aquisição a pessoa tinha a carteira em sua posse e podia perfeitamente ter experimentado para ver se cabia na pseudo-mala.

 

Uma mala anormalmente grande.

Onde já cabe a mala e, em caso de homicídio de um anão, também terá espaço para esconder o corpo. A pessoa compra a pensar que assim pode colocar todos os snacks do dia, mais as garrafas de água, mais os sumos detox e o camandro, mas a verdade é que acaba com uma saca vazia e quando vai às compras o segurança está sempre a dar nota de onde a pessoa anda, porque dá ar de quem vai preencher o cesto e bazar sem pagar.

 

No momento de aquisição é possível visualizar a futura organização da mala. A gaja sabe que vai colocar sempre a carteira geometricamente alinhada com a agenda, que vai ter uma bolsa própria para os lenços de papel, que o telemóvel vai estar alinhado com a bolsa dos óculos de sol. Não vão coabitar com restos de comida nem lenços ranhosos. Vai parecer o sistema solar, mas em modo que o comum mortal compreende. Ou seja, por dentro, a mala parece uma loja da Staples.

 

Esta organização dura cerca de 48 horas.

 

Depois, quando já houver restos de snacks espalhados no fundo da mala (daqueles que se metem debaixo das unhas quando se procuram as putas das chaves que se refundem sempre nas frestas de qualquer parte da mala – até se me arrepiam os cabelos dos braços de pensar nisso), quando os óculos já andarem sempre fora da caixa, de maneira a que apanham riscos que uma pessoa nem sabe de onde vieram. Quando as chaves aparecerem envoltas em lenços de papel ranhosos e ressequidos. A vida já voltou ao normal e a gaja já chegou à conclusão de que devia era comprar outra mala porque esta tem problemas.

Não dá claramente para a pessoa se orientar.

 

Isto a menos que seja uma Michael Kors comprada com metade do subsidio de férias (upa! Até parece pele a saltar do lombo), ou paga com visa – logo estará verdadeiramente paga lá para novembro do ano que vem; nessa circunstância a pessoa tem mais cuidado, porque aí não comprou uma mala, é um estilo de vida.

 

Mas bom, bom, é quando uma pessoa descobre 10 € perdidos na mala velha. Isso é que é de valor.

 

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