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Casa da Gorda

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15
Ago18

Minimalismo

Gorda

No outro dia descobri uma nova corrente ideológica para a boa construção da criança enquanto ser humano: o minimalismo. A ideia assenta essencialmente na lógica de que quanto menos brinquedos a criança tiver melhor, porque assim usa a imaginação em vez de deixar que os bonecos a preencham na totalidade.

Enquanto isso os pais vão guardando as massas e impingindo aos putos de que eles não precisam de mais um carro, mais uma Barbie, mais um Lego.

Provavelmente devem gerir aquela situação típica de quando a criança chega a casa e diz que todos os amigos têm montes de brinquedos, explicando que os outros eventualmente crescerão para ser criaturas egocêntricas e desprovidas de sentido criativo, enquanto elas (as crianças filhas dos minimalistas) vão crescer para ser o próximo Elon Musk.

Tenho muita pena de não ter descoberto esta corrente antes de ter empurrado para o mundo as pestes que tenho em casa, dessa forma ter-me-ia poupado a duas hérnias discais e um bico de papagaio, todos contraídos por andar de befe para o ar a apanhar peças de Legos.

Por falar em Legos, sendo que é um brinquedo com múltiplas peças, como funciona para o filho de um minimalista? Tem duas peças e deve improvisar com essas. Assim aprende cedo a fazer omeletes sem ovos e a resolver os maiores desafios da vida.

Pergunto-me se os filhos dos minimalistas crescerão para ser minimalistas como os pais. Um dia, quando os pais forem velhos vão ser minimalistas com eles e nem TV lhes põem no quarto, para se entreterem a ver os programas da tarde. Não fazem isso porque querem que os pais mantenham a criatividade a borbulhar, enquanto olham para a janela e babam um pouco do canto direito da boca nos dias em que não põem a placa.

Sim, porque antigamente é que as coisas eram boas: os miúdos não tinham muitos brinquedos e eram mais felizes; os velhos quinavam cedo e não precisavam de ir para o lar. Ninguém interferia com a criatividade efervescente das novas gerações, e a esperança média de vida estava na merda.

Enfim, menos é mais.

É cortar-lhes o açúcar.

É cortar-lhes a comida processada (dão o primeiro beijo aos 11 e comem a primeira batata frita aos 21).

É cortar-lhe com os ecrãs (mesmo que nós estejamos sempre agarrados a eles).

É cortar nos brinquedos (porque a mais lhes faz mal à mona).

É pedir-lhes que vistam um fato e uma gravata na segunda-feira, que há trabalho para fazer e é preciso saber como investir as ações que compramos com o dinheiro que poupamos dos brinquedos.

Será que alguém se pergunta o mal que lhes fará à tola cortar-lhes com a infância?

Cá da minha parte já sei que da próxima vez que os meus me pedirem PJ Masks vou-lhes comprar uns certificados de aforro. Pode ser que quando eu tiver 80 anos eles trabalhem no sentido de preservar os meus valores e a minha criatividade e me estacionem em frente a uma parede em branco, o dia pode ser o que eu quiser, até unicórnios lá posso espetar.

 

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