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Casa da Gorda

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30
Ago18

Nasceu uma nova estirpe de emigrante

Gorda

Já todos conhecemos o emigrante que volta a Portugal esquecido da sua língua materna, apesar de estar a viver nos arredores de Londres há menos de 12 meses. Já todos conhecemos as histórias de chamarem os filhos pelo sobejamente conhecido vien ici, proferido o número de vezes bastante para que o emigrante liberte do seu "eu" mais animal um "anda cá seu cabrão senão levas uma lamparina no focinho". Já todos conhecemos o emigrante que volta para contar as maravilhas do país onde agora vive, de como tudo é tão melhor do que em Portugal, as pessoas são melhores, a gestão nem se aproxima, a pessoa quando está de baixa recebe beaucoup de dinheiro (porque "ai" já não se lembram como se diz muito). É extraordinário o poder do vernáculo da nossa língua, esse nunca se esquece. Já todos conhecemos as histódias do emigrante que tem um Mercedes todo polido, fechado numa garagem 11 meses do ano, o mesmo que é usado nos primeiros dias de agosto, na auto route em direção a Portugal, carregado de mantas e croquetes e pasteis de bacalhau e sandes de panado; o mesmo que vai impressionar as pessoas da terra, que, ao ver aquele belo material de 4 rodas, perceberá de forma inquestionável, que aquela gente vive num conforto tremendo lá na terra dos estrangeiros. Tudo se torna mais credível.

Pois que com a evolução dos tempos nasce uma nova estirpe de emigrante, o que, já não se conseguindo valer do Mercedes de garagem - porque hoje em dia qualquer cão e qualquer gato têm um Mercedes, basta fazer um crédito por 10 anos - vêm acompanhados da tecnologia que não sabem usar e dão largas à idiotice, querendo fazer crer que vão levar provas do que por cá se vê, para mostrar aos amigos estrangeiros que isto ainda é uma selvajaria. Ou seja, acreditam, mais uma vez, que se conseguem colocar num patamar superior ao pobre tuga que não teve os testículos para emigrar e fazer no estrangeiro o trabalho que os nativos de correspondente país se recusam a fazer.

Vai daí e encontro o vídeo do emigrante que, não tendo mais que fazer, passa os dias a observar o comportamento dos policias que andam de bina e atravessam a passadeira montados na mesma. Ou seja, falamos de um tipo que conduziu mais de 3000 km sob calor intenso, para vir para Portugal fechar-se no T1 que tem com vista para a estrada, onde se põe à janela a ver o comportamento das pessoas na estrada e afins. Diz uma serie de bacoradas respeitantes à documentação que tem ou não de ter e acaba na esquadra para esclarecimentos.

Como se não bastasse há outro que se lembra de se pôr a filmar um policia a multar carros. 

Confesso que não sei qual é a ideia de se meterem com os agentes de autoridade, mas pelos vistos devem achar que porque passam o ano a servir o Francês e a aturar o Inglês, isso lhes confere algum tipo de supremacia da cidadania ou lá o que for.

Eu cá gosto de ver os pategos em ação, mas só quando estamos perante vídeos nas redes sociais, onde me posso rir e o comportamento não me aleija.

Tudo muda quando a nova estirpe se me aparece à frente.

Fui dar uma corrida. Puxar por mim, gastar as calorias, mexer as nalgas, essas coisas.

Chego a uma estrada que precisava de atravessar - a mesma que, de setembro a julho não tem um único carro a passar - e paro naquela corrida ridícula em que a pessoa saltita no mesmo sitio mas está parada. Passa um carro, passam dois, passam três e quando chega o quarto o tipo trava mesmo à minha frente, ocupando o espaço por onde eu podia passar, um velho abre o vidro e diz (li os lábios porque a Jennifer estava a dar forte nos meus phones) "PASSE LÁ PÁ!". Eu, acenei que não com a cabeça e contornei o carro por trás, momento em que vi que o velho "esperto" vinha da Suíça. Ou seja, não tendo nada para fazer, isto é gente que não sabe "ir à sua vida", tem de defecar postas de pescada para a dos outros. Eu estava parada, civilizadamente à espera do momento em que não houvesse carros para passar, mas como isto não são férias sem identificarem selvagens à solta, pessoas de quem falar à hora de jantar dizendo coisas como "isto não muda nada, vejam só que se ia mandando para cima do carro!", há que arranjar sarna.

Nestes momentos penso porque é que tanta gente boa e nova falece e estas pessoas continuam a povoar o planeta? Rapidamente chego à razão: Deus tenta, manda vagas de calor e tudo, mas a morte chega e quando ouve as primeiras reclamações do visado diz para Deus "eu não ganho pa isto, pá!", e vai fazer quinar outro. 

 

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