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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Sex | 21.06.19

O abatimento do drone americano é o bidé da minha casa de banho

Gorda

 

 

Tenho a casa em obras e ando já farta de tudo, o clima está tenso e a qualquer coisa que corre mal estou capaz de me descabelar, digo uma mão cheia de barbaridades e até agarro no telefone para ligar para o engenheiro e para o encarregado para dizer que não pago isto e que acho inadmissível aquilo. Mas depois páro, refreio os ânimos, falo com as pessoas, reavalio e compreendo que mais vale não piar muito alto, não vá haver azares e eu ter de ficar ainda mais tempo fora de casa.

Este fim de semana fui ver como andavam as coisas e percebi que se esqueceram dos canos de ligação do bidé do lado de fora, ou seja, eu tinha pedido para tirarem o bidé e as pessoas que estão a fazer a obra deixaram lá tudo. Gritei, descabelei-me, disse que a minha casa de banho não podia ficar assim, que estava a gastar um dinheirão para ficar com a casa de uma forma que não era a que tinha idealizado, ameacei que alguém ia pagar aquilo, tudo e mais um par de botas. Isto enquanto falava apenas com o meu marido, que tem como responsabilidade última aturar-me e deixar que a neura passe. Hoje de manhã falei com o encarregado, mais calma e serena, “isto tem solução?”, questionei, ao que ele respondeu que é rápido e é só mudar duas pedras. Regaladinha que fiquei, continuei com o meu dia como se nada se tivesse passado. Cancelei a chamada para o dono da empresa e até rejeitei a dele quando me ligou. Mero engano. Foi só alguma falta de comunicação e não vem mal maior ao mundo.

 

É o mesmo com o drone americano. O Trump quis identificar os responsáveis, ordenou ataques militares, fez ameaças nas redes sociais - o terreno de todos os indignados - mas depois mandou cancelar à última da hora. Até porque, segundo o próprio indica, se estivesse alguém a bordo do drone seria uma conversa diferente. Corrijam-me se estou errada, mas todo o conceito de drone pressupõe que o aparelhometro voe sozinho, de outra forma seria mais uma espécie de avioneta. Certo? No fim já se podia relativizar, teria certamente sido um erro de alguém sem controlo e estúpido. Claro, uma pessoa estúpida que manda abater objetos voadores. Tal como uma pessoa estúpida de penteado estranho e cor meio alaranjada que vomita coisas e depois logo se vê. Coisas como ameaças de ataques militares contra um país.

 

No fim só me fico a sentir mal com isto porque sou uma espécie de Trump das obras, vou PASSAR-ME DOS CARRETOS, mas depois quando aparece o senhor com o martelo a perguntar o que se passa só pergunto se a pedra fica mesmo assim ou não. E baixinho, para não fazer alarido para o vizinho de baixo.

 

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