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Casa da Gorda

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13
Ago18

O dia anterior à dieta

Gorda

Toda a gente sabe que chega um momento na vida (ou vários) em que a pessoa chega à conclusão de que algo correu pelo pior e é preciso começar a fechar a boca com vista a estreitar o lombo.

Esse é o dia em que a pessoa compreende que vai começar a fazer uma dieta. Pode ser com apoio ou sem apoio (free style), mas representa sempre sacrifício e abstenção.

Para isso é preciso planear e escolher o dia para mudar.

Os dias para começar a fazer dieta são invariavelmente o dia 1 de um qualquer mês (60% vão para janeiro e 30% vão para abril, quando a pessoa percebe que o tempo está a aquecer e o biquíni não serve), ou, caso se encontre em processo de emagrecimento, a uma segunda feira (qualquer).

Isto porque começar o que quer que seja (que é para a vida, porque a pessoa acha que é sempre uma mudança para encontrar o seu novo eu), num dia 3 nem 4 é estúpido. E toda a gente sabe que não se recomeça a um domingo, esse dia de descanso repleto de tentações (menos para quem trabalha por turnos e que não têm o santo fim de semana ao seu dispor).

Assim foi quando decidi ir à nutricionista. Escolhi um principio de mês, a pessoa deu-me os conselhos e eu cumpri. Dei-me bem com o plano, perdi peso e centímetros e respeitei o que tinha para fazer. Mudei por mim? Não. Mudei pela roupa que gostava e não me servia, cumpria porque todas as semanas era pesada e medida como uma cabeça de gado e tinha medo de falhar no teste.

Só que agora a nutricionista foi de férias, e depois eu estive de férias, e como dizia a minha avozinha "patrão fora, dia santo na loja". E eu derrapei. Aí se derrapei, se pequei, se comi, se me alambazei. Nem sei como explicar a tentação e a fraqueza da carne.

A nutricionista está a voltar e impõe-se um regresso ao caminho da baixa caloria. Para isso é preciso um recomeço, um entrar nos eixos, uma segunda feira.

Mas, antes de um dia de mudança tem de haver uma despedida da vida velha, como uma despedida de solteira, mas aqui com um adeus aos hidratos, às gorduras e aos açúcares "até que a celulite se separe".

"O que é que queres de pequeno-almoço?"

É assim que começa, sabendo que a vida vai preencher-se de aipo, cenouras, saladas, sopas e bifinhos grelhados, é fundamental dizer adeus à pastelaria. Por isso a primeira refeição do dia faz-se com um croissant com fiambre e um palmier duplo com creme de manteiga. Abençoado seja. Antes de almoço uma talhada de melão e um pratinho de refeição que não condiz com a condição do dia. Bifinho grelhado com arroz e salada. Pede um gelado de sobremesa. Lancha-se outro palmier duplo com creme de manteiga "porque amanhã no más".

No fim da tarde espera-se pelo homem das bolas de berlim, onde se terá metido? Exige-se a sua presença na Praia da Sereia as soon as possible. É uma emergência alimentar, vou ter de acionar o desfibrilhador nos meus neurónios sedentos de açúcar e óleo ressequido de ser passeado ao sol.

Decide-se um jantar de caldo verde acompanhado de pães com chouriço e filhoses que deitam um pequeno fio de óleo (não é de qualidade, o que lhe dá um certo encanto).

No fim da refeição uma rodela de chouriço grita por clemencia e outra vocifera que está transito no esófago. Aparentemente o caminho para o estômago está congestionado. É preciso algum sucralfato para acalmar.

Este é um dia que antecede a dieta, que não é dieta, é uma mudança de vida porque jamais vamos querer voltar a pôr coisas gordas na nossa boca, pelo menos enquanto nos lembrarmos de quão indispostas ficámos naquela despedida.

 

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