Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Casa da Gorda

Casa da Gorda

Qui | 02.05.19

O meu peso, o nome do blogue, enfim isto de ser “A Gorda”

Gorda

fat.png

 

 

Detesto a palavra fã, por isso terei de dizer que tenho uma admiração imensa pelos Gato Fedorento, em especial pelo Ricardo Araújo Pereira. Ele representa, para mim, o que de melhor há no humor português. Desde que criei este espaço houve duas vezes que me disseram que uma coisa que eu escrevi se parecia a algo que podia ter sido criado por ele, eu fiquei em êxtase apesar de compreender que se tratava de muita simpatia com uma pitada de exagero (tirei prints e guardei no meu mural do ego, se uma destas pessoas cair ao mar eu atiro-me par as salvar). É preciso escrever muito, muitos anos e deitar uma palete de matéria para o lixo para se chegar a um patamar daqueles. E mesmo assim…

Uma vénia para o Shôr Ricardo.

 

Posso apenas imaginar que as pessoas que gostam dos Gato Fedorento nunca tenham pensado que eles de facto eram gatos mal cheirosos, foi o nome que lhes ocorreu e só aquelas cabeças saberão o porquê. Ou seja, nem sempre o nome das coisas tem de ser um reflexo direto do que lá está atrás.

 

Não comparo o meu humor ao destes senhores, mas todos temos de olhar para qualquer coisa e aprender com alguém, eu gosto da forma deles. Gosto da forma e agrada-me a ideia do humor escrito, do humor em livro, do humor nas palavras que pode estar acessível para qualquer pessoa. Agrada-me escrever coisas que podem ter graça, esse trabalho e essa ginástica mental são para mim muito compensadores.

 

Sou péssima com nomes, sempre fui. De todas as vezes que me sentei para escrever uma história a maior angústia que senti foi sempre no momento de escolher o nome. O que chamar às coisas, às pessoas, aos lugares. Irrita-me porque me parece sempre que não me sai nada de jeito. Foi o que me aconteceu quando decidi criar o blogue, não tinha a menor ideia do que lhe chamar e ocorreu-me que esta podia ser uma espécie de casa virtual, e se era a minha casa virtual então podia ter a minha alcunha uma vez que eu não queria assinar com o meu nome.

 

Logo “Casa da Gorda”.

 

Nasci gorda, tive os problemas típicos de oscilação de peso na adolescência e acabei por estabilizar abaixo dos 60 quilos aos 18 anos de idade. Quando comecei a correr com o meu marido cheguei a pesar 50 quilos e num pico de stress fui aos 49. Parecia um cadáver com mobilidade.

 

A gravidez (que me ofereceu 20 quilos, dos quais perdi 15...e voltei a ganhar 2) e o corte drástico com o tabaco fizeram-me ficar na casa dos 56-58 quilos. Não me considero magra, mas também não sou gorda, só de alcunha. Queria pesar menos, queria uma cintura mais fina, queria mais ancas, queria menos celulite, queria umas mamas novas, queria uns braços mais finos, queria uma cara sem olheiras, queria cabelo liso, queria mais cabelo, queria um nariz mais redondo e curto, queria uma cara mais larga. Queria muita coisa que não tenho, mas já vou chegando à maturidade de conviver com o que sou sem estar sempre encostada ao que é mau.

Afinal de contas até estou bem casada e não me parece que o Bradley Cooper me virá bater à porta nos próximos tempos.

 

Como tudo o que publico (e muito mais) e tenho valentes acessos de necessidade de açúcar, não tiro fotografias a fazer de conta e nas ultimas 24 horas comi 5 taças de serradura, porque a minha sogra sabe como conquistar o meu estômago. Gosto de comer e uma das piores coisas que me aconteceu foi perder a capacidade de digerir alguns alimentos. Diz que uma úlcera acompanhada de uma bactéria têm o seu impacto sobre o sistema digestivo. Diz que 5 gastros seguidas no mesmo ano fazem a sua mossa.

 

Quando A mãe imperfeita apresentou o primeiro livro em Lisboa eu disse-lhe “vou lá estar para te dar um beijinho”, quando cheguei fiz-lhe sinal e ela disse-me simpaticamente “olá, eu não consigo cumprimentar toda a gente…eu sou a Carmen” e eu respondi “eu sou a gorda d’A Casa da Gorda”, ela abriu os olhos e disse “nããããããooo; eu pensava que tu eras uma bisarma!”. O mesmo aconteceu com a Susana do Ser super mãe é uma treta, ela estava lá nesse dia e acabamos por nos conhecer. Ela ria-se, não sei se a reajustar a imagem que tinha de mim, se ainda a tentar ligar a minha cara desenxabida às parvalheiras que comentei no espaço dela.

 

A minha ideia com este espaço não é nem nunca fazer com que as pessoas achassem que eu sou uma determinada personagem que tem uma aparência tal e coiso. Aliás eu não tinha qualquer intenção, tinha coisas para escrever e achava que era mais giro partilha-las num sitio qualquer do que guardar na gaveta. Acho que a única intensão que tenho com este espaço é rir-me quando escrevo e que alguém dé uma gargalhada, especialmente se estiver a ter um dia levado da breca.

É bom conseguir aliviar o fardo de alguém nem que seja por 1 minuto.

 

Não quero convencer ninguém a comer mais, nem a comer pior, nem a comer pevides, nem a fazer exercício, nem a deixar de o fazer. Não sou ninguém para ensinar os outros a viver. Para enfadonha já chega a vida e isto só me serve para rir, no dia em que perder esse propósito fecho as portas e sigo o meu rumo.

 

De maneiras que é isto, podem encontrar-me em qualquer sítio a correr borrada de medo de patinar de um momento para o outro, desejosa por acabar com aquilo, a comer um palmier coberto numa pastelaria ou a nadar uma piscina municipal. Provavelmente serei a parva que ri de gargalhada aberta.

 

Pode ser que eu um dia escreva um livro e saia detrás do ecrã.

 

Um dia, quem sabe.

 

 

Para mais conteúdos podem sempre acompanhar a Gorda no Instagram.

Ou ainda na conta de Facebook.

 

 

1 comentário

Comentar post