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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Seg | 29.07.19

O Strada e a cambada de 27 anõezinhos

Gorda

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Era uma vez um senhor com trinta e seis anos, de calções com bolsos, t-shirt bueda dread e um boné virado ao contrário, que, munido da sua pilosidade facial um tanto ou quanto duvidosa, decidiu criar uma escola para influencers. Esta escola servia para muitas coisas úteis, dotando os pupilos de ensinamentos cruciais para a vida, ajudando-os a criar o seu próprio sustento e quem sabe até luxo e fama por via de enjorcamento de vídeos néscios que têm como propósito principal influenciar crianças e adolescentes a serem também eles palermas. Esta escola deitava para trás a necessidade de ler os entediantes Maias ou o Aparição (que valente vomito projetado), tratando-se de um estabelecimento de ensino, ou espaço de aprendizagem, ou fórum de encher de merdum a cabecinha vazia de miúdos, esses sim, tremendamente influenciáveis; que visava temas disruptivos como os testículos dos atores dos vídeos ou a “brincadeira” hilariante de “ensinar” uma miúda a limpar a cenaita. Produtos de entretenimento de aglomeram instrução, divertimento e profunda estupidez, tudo num só vídeo, qual Kinder da liberdade digital.

Mas um dia alguém achou estranho que um homem com quase quarenta anos no pandeiro andasse sempre cercado de miúdos com idade para ser seus filhos, comportando-se de forma duvidosa perante os mesmos, então, comportando-se como outro cavaleiro online atreveu-se a denunciar tamanhas patifarias.

Todo o povo pôs os olhos neste acontecimento e achou estranho, pela primeira vez. Até lá, a "Team" já tinha até sido convidada para programas de televisão, onde devem estar adultos responsáveis, competentes e com sentido cívico que não encontraram nada de anormal num adulto com quase quarenta anos nas nalgas andar aos beijos na boca e a fazer vídeos absurdos com menores.

As redes sociais incendeiam-se, as pessoas irritam-se e insurgem-se, perguntam onde andam os pais destes adolescentes? Será que não sabem disto?

Esta realidade só causará estranheza aos membros do povo que nunca assistiram a uma gala de um reality show, onde pais, mães, tios, tias, primos, amigos e todo o bairro aparecem para apoiar a Justina Kátia que acabou de fazer dezoito anos e está a ser “ela mesma” numa casa. Ali a viver sem fazer nada, como um hamster numa gaiola, mas com uma piscina no lugar da roda. Ou a envolver-se com o Cláudio Guilherme porque é amor "de verdade" e "eles têm sentimentos a sério", dando largas a intimidade escaldante para todo o país se entreter. Os pais dos concorrentes dos reality shows orgulham-se da prestação dos filhos, apesar de estes não estarem a fazer nada que tenha qualquer valor, estão numa casa a existir e quem sabe um dia vão arranjar maneira de ser conhecidos e ter "gostos" nas redes sociais, serão acompanhados por uma carneirada de pessoas que as admiram apenas porque existem, permitindo-lhes ganhar a vida sem nunca ter feito nada de útil à sociedade.

Os gaiatos visados insurgem-se porque os adultos conscientes que os querem ajudar a não ser macaquinhos de circo de um crescido que não parece ter tudo completo ao nível do intelecto, estão raivosos. Querem proteger o seu mentor, até porque acham que é ali que está a chave para poderem continuar na sua demanda para uma vida sem instrução mas com algum dinheiro para poderem ir à praia e fazerem penteados duvidosos dando o nome do salão na conta de Instagraine.

Resta saber se estes miúdos alguma vez vão perceber que na sua vontade cega de influenciar os outros foram sempre os maiores influenciados, que se deixaram levar por um tipo de boné para trás e calções de quem vai passear o cão e precisa de bolsos para guardar os sacos do cocó.

 

(decidi escrever aqui no blog este texto por dois motivos, sendo o primeiro porque já não publico há algum tempo e o segundo porque os miúdos nasceram todos depois de 2005, pelo que não sabem bem o que é um blog e muito menos um blogue, maneiras que não devem vir bater aqui com os costados)

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