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Casa da Gorda

Casa da Gorda

28
Set18

"Pa mim, olhe, pá mim, pa mim era pena de morte"

Gorda

Boa tarde, estamos aqui hoje à porta do tribunal à espera da chegada dos arguidos que são responsáveis de serem suspeitos do crime que foi assassinarem o shôr...o shôr...ó Gaspar como é que se chamava o homem? Não sabes?! Tá bem, bom ahhh, o shôr que foi assassinado.

Vamos aproveitar para falar com alguns populares.

 

Jornalista - Boa tarde, está aqui para ver a chegada dos arguidos?

 

Popular 1 - CRIMINOSOS, PENA DE MORTE! Havia de haver pena de morte. Eu sempre soube que tinha sido ela. Logo no primeiro dia, vi logo, a gente olha para ela e sabe. ASSASSINA. Olhe era pena de morte. Pena de morte pa esta gente. Anda uma pessoa a trabalhar e a descontar para esta gente ir comer e beber à nossa conta. Era pena de morte. Alguém havia de rever isto porque pa esta gente havia de haver pena de morte. O problema é o Estado que deixa esta gente andar pr'aí, sabe?

 

Jornalista - Obrigada pelo seu contributo, vamos agora falar com outro popular. E a senhora, está cá desde cedo. Veio ver a chegada dos arguidos?

 

Popular 2 - Eu já sabera que foi ela. Atão uma pessoa vê logo. Eu primeiro desconfiei e depois ao fim do primeiro dia disse logo comigo "ó Lurdes isto foi a mulher dele". E foi. Havia de haver pena de morte para esta gente. A ser confirmado que foi ela, havia de ser pena de morte.

 

Jornalista - Mas a senhora ainda agora tinha a certeza que foi a mulher a assassina...

 

Popular 2 - Pois, e foi. A confirmar-se eu tenho a certeza. Faltei ao trabalho pa vir aqui dizer que ela havia de morrer em vez de andar a comer com os meus descontos.

 

Jornalista - Muito obrigada. Vamos falar com mais um popular. Boa tarde, o senhor o que acha deste caso?

 

Popular 3 - jhgyashdbkh khjduhwk khuhdjd o pior são os juízes khhd kuhiudh khaduh são a pior escumalha kuhidewb keudew khuedh a gente não pode ter medo kjhiudh khiudh atão estão aqui estes policias a ganhar uma ninharia para os juízes estarem lá dentro no bem bom.

 

Jornalista - Porra que não se entende nada. Ó Gapar tu percebeste o que homem disse? Não? Porra. Continuo? Tá bem. Mas e sobre o caso o que é que o senhor acha?

 

Popular 3 - khyide khiueh khiuhd haviam era de ver o que os agentes passam kdiweh nhdiewhd como aquele GNR que kjh nihiue sabia lá ele que o gajo levava kjhiuew khiuhde. Este país, o mal é este país kjhiewhhb. Mas a gaja é culpada, soube logo no primeiro dia.

 

Jornalista - Muito obrigada, vamos passar a mais uma popular. Boa tarde minha senhora, o que acha deste caso?

 

Popular 4 - Pena de morte. Olhe pa mim, pa mim, era pena de morte. Havera de haver pena de morte pa estes casos. Eu trabalho noite e dia pa isto. Vi logo que tinha sido ela, porque uma pessoa olha e vê que não é flor que se cheire. Havia de ir presa e ficar numa caixa sem ver sol nem lua. Olhe, sem sol nem lua. Pena de morte. Era isso. Pena de morte sem sol nem lua. Anda aqui uma pessoa a descontar pa isto. Tenho uma grande tristeza de viver neste país. Uma grande tristeza. Só neste país é que coisas destas acontecem e os criminosos saem impunes...

 

Jornalista - Mas estão agora a ser julgados...

 

Popular 4 - Pois, mas mesmo assim. É muito triste viver neste país, eu se pudesse ia-me embora. O Estado não faz nada. Isto era pena de morte, pa mim era pena de morte. Isto temos um ordenado pequeno, não dá pa nada, é uma miséria. Depois acontecem estes casos. É uma tristeza, este Estado, eu não sei, é uma vergonha viver neste país.

 

Jornalista - Mas a senhora trabalha?

 

Popular 4 - Trabalho sim, por conta própria que é a única forma de a gente fazer uma rabeta ao Estado, essa cambada de ladrões. Mas hoje tirei o dia, desmarquei as minhas clientes e vim exigir justiça.

 

Jornalista - Vai-se embora só depois de saber as medidas de coação?

 

Popular 4 - Ah? Nem sei o que é isso. Vim exigir justiça. Pena de morte, pa mim era pena de morte. Entreguem os gajos ao povo.

 

Jornalista - Obrigada pelo seu contributo. Vamos falar com mais um popular. Boa tarde, a senhora o que acha de tudo isto?

 

Popular 5 - Está a filmar-me? Porque se está eu não quero dizer nada. OK, então tá bem. Olhe eu moro aqui desde que nasci vai pa cima de 60 ianos, nunca vi coisa assim, mas é que nunca ouvi falar.

 

Jornalista - E o que acha dos suspeitos?

 

Popular 5 - Eu sabia que era ela. Com certeza que sabia, basta uma pessoa olhar que vê logo. Ao fim do primeiro dia eu pensei logo comigo "ó Lucinda, foi a gaja". E foi. Foi ela. Havia de haver pena de morte. Era um tiro, logo, ali.

 

Jornalista - Obrigada. Vamos só falar com mais este senhor. Boa tarde, veio aqui para ver os suspeitos?

 

Popular 6 - Sim. Ainda não os tinha visto, agora já vi.

 

Jornalista - Então não conhecia o rosto dos suspeitos.

 

Popular 6 - Não.

 

Jornalista - E o que é que acha deste caso?

 

Popular 6 - Foi ela. Eu soube logo, assim que olhei para a cara dela vi logo. É que ao fim do primeiro dia eu pensei para comigo "hum, ó Aníbal, isto foi ela".

 

Jornalista - Mas pensei que tinha dito que só os viu agora pela primeira vez...

 

Popular 6 - E é verdade. Mas estas coisas uma pessoa sente. Agora tenho ainda mais certeza.

 

Jornalista - E o que sente relativamente a isto.

 

Popular 6 - Olhe, não é hómano. De maneira nenhuma que não é hómano. É o que as outras pessoas dizem.

 

Jornalista - E o que é que as outras pessoas dizem?

 

Popular 6 - Mas ainda não falou com mais ninguém? Havia de falar com a minha vizinha Lurdes, ela acerta sempre.

 

Um pouco de cultura

Popular - Pessoa que se abeira de tribunais e outras circunstância onde há repórteres, que grita impropérios e pede justiça sem conhecer a lei. Queixa-se sobejamente do Estado e diz que o Governo tem culpa até dos seus joanetes. Faz observações que não vêm ao caso. Pessoa que gosta de falar com jornais sensacionalistas, que, por sua vez deviam ser condenados por maltrato da língua de Camões. São, geralmente pessoas sem nada que fazer que, em vez de estarem a ver novelas em loop, vão para o meio do regabofe, mesmo que isso não melhore em nada a sua vida quotidiana.

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