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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Ter | 04.06.19

Publicidade nos blogs (e nas contas de Instagram e nessas porras todas)

Gorda

(imagem retirada do Google)

 

 

Quando eu era miúda a publicidade era uma coisa inatingível para alguém como eu, reservada para mulheres lindas e homens charmosos da televisão. Pessoas com todos os destes na boca, mesmo que se tratassem de crianças em idade de troca de dentição. Quando eu era miúda as meninas da publicidade eram loiras de olhos claros, magras e estrangeiras. Quando eu era miúda só havia publicidade na TV, na rádio e nos jornais.

Hoje a publicidade está por toda a parte e toda a gente tem alguma coisa para vender. Gradualmente perdem o sentido investimentos elevados em spots publicitários quando umas centenas de euros geram fidelização às marcas e aos produtos, crescendo com os nichos de mercado que, para além de fidelizar conferem credibilidade à marca. É aqui que entram os bloggers, os youtubers, os Instagramers e toda essa malta. É aqui que entram os acordos para que toda a gente fique a ganhar e os códigos PAPALÀMAISISTO10.

Eu não me incomodo nada com publicidade, mas há um conjunto de coisas que me parece importante esclarecer:

 

1. Não sou contra a publicidade. Aliás, não só não tenho nada contra, como fico bastante contente pela pessoa porque isso é sinal que o trabalho que tem está a ser compensado.

 

2. E sim, manter um blogue e uma conta (de...coisas várias) dá trabalho. Pode ser mais, pode ser menos, mas trabalho. Encontrar temas para escrever, perceber se funcionam, dedicar o tempo que podia ser usado a ver um filme ou a dormir a sesta para criar um conteúdo que é, em mais de 90% das vezes gratuito; trabalho.

 

3. É parvo deixar de ver os conteúdos de um site, blogue, conta (o que for) porque essa pessoa começou a fazer publicidade. (desde que seja só por essa razão)

 

4. É normal que as contas que passam publicidade mais de 50% das vezes que publicam alguma coisa se tornam entediantes e que deixem de ter interesse.

 

5. Também é verdade que quem se sente farto deve deixar de acompanhar e ir à sua vida. Cabe à pessoa que é dona do espaço fazer dele o que quiser.

 

6. Gosto de ver uma publicidade bem feita, mas a maior parte das vezes passo à frente porque não não quero saber. Já encontrei dicas boas de férias à conta deste tipo de publicidade, mas por outro lado já não posso ouvir falar de sumos detox. Não sou melhor que ninguém mas acho que é isto que se deve fazer: não se gosta de comer numa malga, é passar à frente sem cuspir no prato onde se andou a chafurdar.

 

7. A blogger/youtuber/Instagramer (seja lá o que for) que melhor fez publicidade foi a Bumba na Fofinha. Criou um conteúdo humorístico adaptado, fez um vídeo hilariante e no fim esclareceu que aquele pedaço de entretenimento tinha sido patrocinado por marca “tal e tal”. Gostei bastante e pensei “olha aqui está uma forma de fazer publicidade que não defrauda expectativas”. Ainda assim não comprei o cheirinho para a sanita.

 

8. Tudo o que é devidamente claro não me arrelia de todo.

 

9. Não gosto de publicidade encapotada, daquela em que a pessoa diz que está a adorar consumir não sei o quê e que é fantástico e o mundo e o outro. No fim tem o código para comprarmos.

 

10. Não gosto de uma coisa como a que vi ainda há uns dias: várias publicações da mesma pessoa em que numa havia dieta, noutra já havia comida de pastelaria, noutra não sei o quê. Alegadamente a pessoa estava a fazer todas. Calhando em ter uma abordagem diferente, ou seja, explicando à cabeça que tinha uma parceria com a marcas, já me tinha parecido melhor. Lá está, não gosto, mas abstenho-me de comentários porque a pessoa lá sabe da vida dela, eu tenho cabecinha para pensar e não compro só porque alguém me diz que é bom. Até porque não temos de (NEM DEVEMOS) fazer tudo o que os outros dizem, de outra forma somos umas Marias vão cazotras.

 

11. Ao contrário do que alegam, a publicidades das contas particulares de celebridades e seus derivados não é a mesma coisa que a publicidade na TV. A publicidade da TV está anunciada como tal e o expectador sabe que está a assistir a reclames. Nestes espaços tendencialmente privados o consumidor do conteúdo está a contar com dicas pessoais do dia a dia, dicas isentas de quaisquer rabos presos, informações desprovidas de interesses porque se "a pessoa não tem nada a ganhar, vai dizer se não prestar...". Convenhamos que uma marca não está para pagar a alguém para assinalar os pontos negativos do produto que tem para vender, pelo que…

 

12. Por isso importa ter presente que há muitas pessoas que seguem os conselhos destes espaços e é natural que se sintam defraudados quando percebem que afinal não era um conselho “de coração” mas um riacho de elogios pagos.

 

13. Discordo da ideia de que quem segue tenha o direito de dizer o que lhe apetece e de se indignar sobre a premissa que já li tantas vezes “se não fossem os seguidores isto não era nada”. Os seguidores, ou leitores, ou o que for são importantes mas foram lá parar aos magotes porque quiseram e tiveram interesse nos conteúdos. Ninguém os obrigou. Uns foram porque gostaram, outros foram porque não-sei-quem foi, outros foram porque toda a gentes segue. Se o telejornal fosse forte no Instagram toda a gente andava a par com as noticias.

 

14. Gosto de publicidade que faz sentido e que é honesta. Publicidade que esclarece que é publicidade. Eu, se tiver interesse, vou consumir na mesma.

 

15. Já não há cu que aguente a publicidade em massa. Correr páginas e contas e blogues e dar com a mesma pomada porque toda a gente tem o filho com o befe assado; toda a gente aconselha a mesma bebida; toda a gente compra na mesma loja e por aí em diante até cansar e terminar na Prozis que faz uma pessoa querer vomitar complexos proteicos pelozólhinhos.

 

Em resumo, a publicidade pode ser boa para todos se houver duas coisas: respeito e honestidade. Respeito para com o leitor porque há publicidades que dão aquela ideia de que quem criou o conteúdo já pensa “ah qualquer porra serve, estes já papam tudo o que eu ponho aqui”; respeito por quem cria o conteúdo, porque aquilo dá trabalho e a pessoa tem de ganhar a vida. Todos fazemos coisas que gostamos menos porque são "ossos do ofício". Honestidade porque sim, porque é bonito em qualquer situação.

 

 

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