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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Dom | 19.01.20

Raramente grito com o meu filho.

Gorda

 

 

Aliás, acho que é seguro dizer que o nível de decibéis deste lar andam sempre abaixo de um mero ronronar de gato.

Gosto de lhe explicar as coisas com calma numa voz serena e apaziguadora. Gosto que compreenda os porquês e a regra passa por me repetir entre quatro vezes e a minha entrada para a insanidade.

Não vejo grandes razões para berrar com o meu filho a menos que ele insista em fazer merda e nesses casos então elevo a minha voz o suficiente para alarmar uma multidão. Mas isso apenas acontece porque procuro garantir que as noções básicas se lhe entram pelo cérebro e ele não me escangalha a casa toda. Ou a ele próprio.

Em qualquer dos casos procuro o bem dele, porque por um lado protejo a futura herança e por outro a sua integridade física.

Os gritos no meu lar apenas se ouvem em situações chave, como quando ele anda a espalhar brinquedos e eu acabei de os arrumar porque é hora de ir para a cama, porque insiste em não fazer xixi apesar de estar à rasca, porque não quer lavar as mãos, porque não quer lavar as mãos com sabonete, porque está a lavar as mãos há dez minutos, já gastou cinco litros de água e daqui a nada tenho a Greta à porta. Quando me espalha carrinhos atrás dos pés e eu estou a passar a ferro, sujeita a esbardalhar-me inteira com uma marca triangular no focinho. Quando eu estou a tentar fazer qualquer coisa minha e ele insiste em que eu vá fazer o que ele quer. Quando me pede a mesma coisa quinhentas vezes mesmo depois de eu já ter dito trezentas e noventa e nove “já vou!”. Quando não quer ir para o banho, quando não quer sair do banho, quando não para quieto para se vestir, quando anda aos saltos em cima da cama, quando fica a cantar em vez de se deitar para adormecer.

Nada de mais, só coisas de pormenor. Acontece pouquíssimo, nem cem vezes por dia.

Como quando não quer dar a mão em espaços apinhados de gente sujeito a perder-se. Quando me tenta gamar os utensílios de cozinha. Quando começa com a conversa do cocó e não intervala por mais que eu lhe diga. Quando só come as batatas do prato ou quando fica a fazer tempo a olhar para a sopa. Quando escangalha os mínimos tarecos que temos. Quando anda a arrastar carros de befe para o ar em riscos de bater de cremalheira no chão e ficar a falar fofo.

Enfim, como se vê não há quase situação nenhuma que me faça elevar a voz. Talvez agora, que ele está ali a martelar-me as portas enquanto eu escrevo.

 

 

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