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Casa da Gorda

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Ter | 11.12.18

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com o Pai Natal

Gorda

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(imagem retirada do Google)

 

 

Meti todos os meus conhecimentos em ação, falei com uma pessoa que conhece uma pessoa que é amiga de outra pessoa, meti impressos, esperei em filas, liguei para uma linha dedicada e fui passada por 4 serviços diferentes; tentaram vender-me 2 seguros de saúde e 1 seguro de vida, tentaram marcar uma visita a minha casa para fazerem uma demonstração de aspiradores caros. Penei. Sofri, mas consegui chegar à fala com o Pai Natal.

É uma pessoa que está revoltada com a vida, não consegue ver o copo meio cheio e deixa uma pessoa com a cabeça feita em água com aquela mania de começar as frases sempre por HOHOHO.

 

Maneiras que vamos diretos ao assunto:

 

CG: Boa noite Pai Natal.

PN: HOHOHO. Boa noite.

 

CG: Conte-nos, como é a vida de Pai Natal?

PN: HOHOHO. Antes de mais deixe-me dizer às pessoas que estão a ler que, se nas próximas duas semanas usarem o código PANÇADOVELHO10, na compra de 10 manteigas de amendoim da Prozis, têm um desconto de 23% do IVA. É só irem ao site e fazerem a encomenda até dia 24 de Dezembro.

É que isto da distribuição de presentes está pela hora da morte e um gajo tem de fazer pela vida. Há a Popota, a pássara grande - que eu nem sei bem o nome dela - há os descontos astronómicos dos hipermercados e a porra dos saldos antes de dia 25 só me vieram entalar ainda mais. É fodido. É mesmo assim, a Gorda desculpe a linguagem, mas eu estou velho e ando cansado. A reforma é baixa porque um gajo passou anos que não descontou para o Estado. Sabe como é? E agora a situação é complicada. Tentei aqui há uns anos comprar uma carrinha, uma Vito, para me ajudar com a distribuição dos presentes, é que pensando que não o trenó lixa os rins a um gajo e eu já não estou novo. Não consegui crédito porque não tinha rendimentos suficientes. E é complicado, porque as renas estão a ficar velhas e dão despesas que se farta no veterinário. Para não falar que cagam que se farta e eu estou há 5 anos para ser chamado para uma operação a uma hérnia e vejo-me à rasca para andar de cócoras a limpar aquilo tudo. Os bichos já têm muita idade e por isso quando galopam em direção a não-sei-bem-o-quê pelo ar vão-se largando e, parecendo que não, dão cabo da camada do ozono, e eu chego zonzo ao destino. Afinal de contas sou eu que vou lá atrás. Veja que em 2014 fui mandado parar por um bófia ali na Avenida da Liberdade, diz que o trenó já não podia circular ali derivado da idade. Depois ainda paguei mais 60€ à EMEL para me desbloquear uma rena porque aquela cabra em vez de se mandar às ervas comeu a merda do ticket.

Foi um ano para esquecer, 2014.

 

CG: O Natal são as crianças. Acredito que seja uma satisfação fazer tantas crianças felizes. Tem netos?

PN: HOHOHO. Se não se importa, deixe-me só dizer aos leitores que, se forem fazer um tratamento de spa ou body treatment no salão CUTCHI-CUTCHI do Saldanha têm 10 % de desconto se indicarem que foram por recomendação do Pai Natal. É válido até dia 25 de Dezembro.

Crianças, perguntou? Detesto. Não me podia estar mais a cagar para os putos. Choram, fazem birras, pedem coisas caras, não se contentam com nada, duvidam que eu existo e, nos últimos anos, nem sequer me deixam nada para eu comer; sempre com aquela puta daquela ideia fixa de que eu desço sempre pela chaminé, mais o saco e os presentes. São crianças e tal, mas tenham dó de mim, há casas que não têm chaminés!

Tenho 4 filhos e 2 netos. Nos meus temos áureos casei 4 vezes e tive um filho de cada uma dessas mulheres. Amei muito todas elas, mas nunca tive pachorra para ser pai de família. Os meus filhos estão todos emigrados, formaram-se, mas não havia oportunidades no Polo Norte, pelo que tiveram de ir para países de primeiro mundo. Os meus netos estão com eles. Nem pelo Natal os vejo, porque é o dia de maior atividade da empresa.

 

CG: Noto que atrás de si está uma planta "diferente" enfeitada de árvore de Natal. Não gosta do tradicional pinheiro de Natal?

PN: HOHOHO. Eu gostar até gosto, mas aquilo não serve para nada o ano todo e eu tenho de ganhar a vida. Aqui há uns anos vieram cá uns rapazes colombianos que me derem isto de presente, investiguei e fiquei a saber que esta planta é medicinal, há muita gente que fuma...hunhunhurhuhn (limpa a garganta), perdão, administra, este composto para melhorar sintomatologias diversas. Maneiras que durante a maioria do ano a minha empresa está no negócio das medicinas alternativas. Exportamos maioritariamente para a Holanda, mas já começamos a crescer noutros países. O mal é que já muito pouca gente acredita no Pai Natal e por isso acham que o produto é ficção. Mas não é.

 

CG: O que faz para não ter piolhos na barba? Até porque convive maioritariamente com animais.

PN: HOHOHO. Ao contrário do que possa pensar convivo com muito mais gente do que julga. Gosto de dar um salto ao casino, de jogar umas slots e de tentar a minha sorte a ver se me sai a taluda porque estou desesperado para deixar esta profissão de merda de uma vez por todas. Viver de biscates é muito cansativo. De quando em vez lá engato uma velha, mas já devia ter aprendido que as velhas que andam pelos casinos estão todas lisas, são umas viciadas do catano e já rebentaram com o dinheiro que os maridos lhes deixaram.

 

CG: O que pensa desta nova moda dos barbudos, tanta gente a emita-lo (a si e ao Eça)?

PN: HOHOHO. É normal. Eu sou um influencer, tenho para cima de 300M seguidores no Polostagram. Primeiro copiaram a barriga, agora é a barba, sabe que a moda é uma coisa cíclica.

 

CG: Vamos à pergunta da praxe. Quando as renas estão a dormir eu...

PN: HOHOHO. Estou a beber, a limpar caganitas das renas, a regar as plantas medicinais, a beber...são rotinas.

 

CG: O que diz a sua carteira?

PN: HOHOHO. Diz que tenho uma reforma de miséria, que não me pagam para isto e que me dava jeito que comprassem manteigas de amendoim a ver faço umas massas para comprar um fato novo que este já está todo remendado.

 

Obrigada Pai Natal pela sua disponibilidade, espero que não se esqueça de pôr uma prenda em condições no meu sapatinho (ou meia, ou lá o que é que se usa agora).

 

 

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