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Casa da Gorda

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18
Dez18

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com o Rodolfo (extra de Natal)

Gorda

Rudolfo.jpg

 

 

Como sabem a semana passada fui até ao Polo Norte para entrevistar o Pai Natal, foi uma tarefa que me deu algum trabalho, porque logisticamente é complicado uma vez que não há transportes convencionais para lá chegar. Tive de apanhar 2 unicórnios e 4 dragões e ainda por cima, como a sorte que tenho, os unicórnios azuis estavam a fazer manifestações dos coletes pirilim, pelo que demorei uma eternidade para dar comigo no destino pretendido.

Apanhei um barbeiro fora de serie e fiquei toda atacada dos pulmões, razão pela qual estou atracada a uns comprimidos de propólis. Podia tomar medicação a sério, mas isso impedia-me de beber e esse é um luxo que não posso suportar nesta altura.

Maneiras que estava a fazer o meu caminho de regresso e passei por uma taberna para beber qualquer coisa, encostada ao balcão, com olhar deprimido, estava uma rena cujo nariz acendia com uma luz vermelha intermitente. Quase parecia o letreiro luminoso da casa de alterne que havia na praceta ao lado daquela em que cresci. O proprietário teve dinheiro para investir no início, mas depois borrifou-se naquilo e nunca mais trocou lâmpadas. Não demorei muito tempo para perceber que era o Rodolfo. Abordei-o e estivemos um pouco à conversa. Para rena a vida não vai mal, mas no fundo está a passar por um mau bocado, afinal de contas o nosso querido Pai Natal não é o velhote evoluído que todos pensamos.

 

CG – Então Rodolfo, não estava à espera de encontra-lo aqui. Como está a sua vida nesta época de azáfama?

R – Importa-se que fume? Estou cansado e agora não podemos fumar nas instalações porque houve um idiota que adormeceu com o cigarro acesso e ateou fogo aquela porra toda.

 

CG – Ora essa, eu é que vim incomoda-lo no seu tempo de descanso. Por favor esteja à vontade.

R – Obrigada. Olhe a minha vida é o que se vê. Não tenho condições de trabalho. No início havia dinheiro, o velho dava-nos prémios por cumprirmos objetivos, tínhamos seguro de saúde e agora nada. Aquele cabrão de barbas é um fuinha da pior espécie. Já estive para ligar para o PAN a ver se o lixava, mas o problema é sempre o mesmo, ninguém acredita na rena que fala, acham que eu sou meio palhaço por causa da merda do nariz e o velho construiu muita credibilidade ao longo dos anos. Agora é difícil fazer as pessoas acreditar que o gajo quer é fazer crescer o negócio das medicinas alternativas. Tenho o nariz por arranjar vai para 3 meses e não tenho previsão para que fique resolvido. Tenho estado a trocar algumas cartas com a esposa do triatleta, porque ela tem umas dicas porreiras e vai dar-me o contacto de 2 angolanos que são excelentes profissionais.

 

CG – Mas não têm sistema de saúde?

R – Epá ter até temos, mas esperamos anos para uma cirurgia que não seja de vida ou morte. Veja que um dos meus colegas tinha um dos cornos rachados, estava à espera para ser operado há 3 anos, depois um dia caiu-lhe um trenó em cima e quando o operaram trataram de tudo. Eu não posso estar eternamente a aguardar que uma porra de uma charrete me caia no lombo, entende?!

 

CG – Compreendo, lá em Portugal temos um problema parecido. Mas diga-me, a sua tristeza é mesmo só por causa disso: questões de saúde e problemas profissionais?

(perde-se em lágrimas)

R – Desculpe mas vejo que conseguiu perscrutar-me a alma, a Gorda é mesmo muito boa entrevistadora, digo-lhe que põe a um canto aquele moço, como é que ele se chama? O Daniel qualquer-coisa. A verdade é que estou apaixonado. Estou a viver um amor proibido. Tenho de fazer escolhas e não estou a aguentar. A caminho de cá deve ter apanhado um unicórnio cor-de-rosa com um triângulo multicolor desenhado na peida, não foi? É o Asdrúbal. Amamo-nos muito. Queremos constituir uma família e assumir a nossa relação, mas o barbudo diz que se assim for tem de me despedir, que as pessoas não estão preparadas para aceitar que um unicórnio anda a papar uma rena, muito menos o Rodolfo. Afinal de contas tenho um papel de destaque nesta história, compreende?

 

CG – Mas eu pensava que os unicórnios eram fruto da nossa imaginação, tudo fantasia…

R – Ai sim, então como é que chegou cá? Não veio montada num? É esse o mal, as pessoas não aceitam o que têm à frente dos olhos, não compreendem a diferença, resistem a tudo. E eu aqui ando, a beber, a ver o meu amor passar fingindo que não me conhece, balouçando a crina colorida de um lado para o outro, porque se eu não assumir a nossa relação ele não quer continuar comigo. E eu tenho de entender.

 

CG – Percebo que está a passar por um momento difícil, mas eu tenho de apanhar o Asdrúbal para não chegar atrasada. Assim, arrepiando caminho, a única coisa que posso fazer é dar-lhe um cupão de desconto no AKI para ver se vai arranjar a lâmpada e deixar-lhe a dica que há um autor de renome em Portugal ,que tem livros que ensinam a pessoa a amar-se, em principio deve funcionar também para as renas. Dito isto, complete-me esta frase “Quando o velho não está eu…”

R - …corro para as patas do meu amor.

 

CG – O que diz a sua penca?

R – Diz que a vida já foi melhor. Que eu gostava que nascesse um pinheiro na peida do velho. Diz que me falta dinheiro para mandar arranjar a minha luz. Diz que pista mais forte quando o meu Asdrúbal está por perto a dar bufas de alecrim com purpurinas douradas.

 

Obrigada por este momento Rodolfo. Obrigada também pelas bebidas que deixei na sua conta, para pomada imaginaria não está nada mal.

 

Boa noite e votos que um Natal santinho e descansadinho para todos.

 

 

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