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Casa da Gorda

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Ter | 08.01.19

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com Ser Super Mãe é uma Treta

Gorda

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Eu sei que anseiam por esta rubrica todo o mês, sei que mal respiram a pensar no que será que vem para aí, sei que ficam com transtornos de ansiedade gravíssimos. Sei de tudo isso e é por essa mesma razão que procuro e escarafuncho como uma doida para encontrar os melhores entrevistados.

Começamos 2019 da melhor forma com uma convidada que dispensa apresentações no mundo da maternidade, hoje falamos com Susana, a autora do blogFacebookInstagram "Ser Super Mãe é uma treta". Tem um humor fora de serie e, tal como já lhe disse mais do que uma vez, o "Foda-se!" dela devia ser patenteado, porque aquilo é qualquer coisa de particularmente engraçado.

Não me vou arrastar com mais apresentações, porque de mim já está toda a gente farta. Por isso deixo-vos com a entrevista palerma de que foi vitima está mãe do car...car...carvalho.

Cá vai disto:

 

CG - Gostaria de começar com uma pergunta que já foi feita, mas que eu sei que surpreende sempre e que gera alegria. Não te esqueças de que estás num espaço seguro e que aqui não há lugar a julgamentos. Então diz-me, se ser mãe é cansativo e descobriste isso com a primeira, porque raio foste ao segundo?

SSMT - Foda-se, tu não me andas a ler pois não? Já escrevi sobre isso. O meu filho era uma virose, andei quinze dias a morrer devagarinho, fui ao hospital para saber o que é que me estava a matar e depois de umas análises disseram-me alegremente "Parabéns está grávida!" Eu pensei que a médica tinha estado a beber enquanto eu estive à espera, mas perante a minha negação e vontade de fugir dali fizeram-me uma ecografia para confirmar. Lá estava ele um saquinho bem redondinho a gozar comigo. Chorei muito, a vida trocou-me as voltas e berrou-me aos ouvidos que quem mandava era ela, eu acatei e acabei por ficar feliz. Depois fodi-me, porque durmo mal há mais de três anos e só não dou o meu filho para adopção porque já me habituei a ele. 

 

CG - Depois da primeira pergunta calculo que um copo de vinho venha mesmo a calhar, pelo que te quero apresentar uma ideia disruptiva que se abateu sobre mim. Estou a pensar apresentar uma proposta à Quinta da Bacalhoa para que criem um cartão de fidelização designado “mãe”. Assim, as pessoas com esta subscrição pagariam uma mensalidade fixa e teriam acesso ilimitado a caixas e caixas de garrafas de vinho. É alegria e apoio social. Gostarias de aderir? Se sim contribui com 3 argumentos para apresentar ao Conselho de Administração da Bacalhoa.

SSMT - Isso é lá pergunta de jeito que se faça a uma mãe que não passa sem um copo de vinho depois de os miúdos estarem finalmente a dormir? Até fico sem ar. É para assinar uma petição? Onde? Conta-me tudo. Três argumentos? És muito exigente e eu só tenho um neurónio a funcionar. As mães estão todas fodidas e à beira de um ataque de nervos, verdade? Vamos concordar que esta merda não é boa para o aumento da taxa de natalidade e vamos concordar também que precisamos de aumentar a taxa de natalidade ou não vai haver dinheiro para pagar as nossas reformas. As mães estão cansadas, às vezes têm vontade de atirar os filhos pela janela e só de pensarem em mudar fraldas outra vez começam a bater com a cabeça na parede. Então, mãe que bebe um copo de vinho é uma mãe que por momentos se esquece que os filhos lhe rebentam os nervos, que os vai espreitar enquanto estão a dormir e só vê uns anjinhos que não espalham legos pelo chão e que não fazem birras porque não querem tomar banho e pumba decide procriar. Acho que este argumento vale por três.

 

CG - Vamos olhar para o futuro. O teu filho cresce e aparece-te em casa com uma namorada que diz ser para casar. Descobres que a tipa é da cena positiva (pensamento positivo, reforço positivo, biló positivo, tudo positivo). Acabas de rastos no casamento e ao fim de um ano és presenteada com o primeiro neto. Os pombinhos, recentemente pais, decidem ir de férias pela primeira vez sozinhos e deixam o puto a teu cargo. Com ele um livro de instruções escrito pela mãe para que saibas como gerir o príncipe. Certo dia o desgraçado faz uma birra descomunal no elevador e tens de decidir se segues as instruções da parentalidade positiva ou a tua linha de gestão. O que decides fazer e porquê?

SSMT - Só me fodes. Isso não vai acontecer e agora vou beber um copo de vinho para tirar essa imagem da minha cabeça e já acabo de responder a este questionário que já me está a enervar.

 

CG - Vejo nas redes sociais que levas os putos àquele antro do demónio que vende “refeições felizes” (esse mesmo, o dos arcos dourados). Não receias um dia vir a ser castigada pelos deuses, tendo o mesmo fim que Prometeu, mas com um periquito a comer alpista do teu baço?

SSMT - Não! O Mac Donald's é do bem, vende comida saudável com imensa alface e coisas verdes tipo espinafres. Não acompanhas as mommy bloggers, influencers e o caralhinho? Devias. Porque desde que elas levam lá os filhos eu deixei de ter esses medos. Agora se me perguntas se tenho medo que os deuses descubram que deixo os meus filhos comer açúcar a resposta também é não. 

 

CG - Imagina o seguinte cenário: o teu marido está fora em trabalho e tu ficas sozinha com os miúdos, há uma greve na escola e decides leva-los contigo para o teu emprego. Dá o badagaio ao barco e naufraga, só para quando chega a uma ilha perto de África. Quando sais do barco (sozinha porque naquele dia ias só mesmo tu e os miúdos) encontras uma tribo indígena que está passada dos cornos, porque duas semanas antes tinha naufragado um cacilheiro com destino ao Cais do Sodré e foi lá parar uma defensora da parentalidade positiva que lhes está a rebentar com o juízo. Dizem-te que, para que não te sacrifiquem lá para os deuses deles, tens de fazer uma de duas coisas: a) apanhar cocos para toda a gente todos os dias; b) ficas encarregue de tomar conta da defensora positiva durante um dia (inteiro) da semana à tua escolha. O que escolhes? Porque optas por apanhar cocos?

SSMT - Tens uma imaginação muito fértil não tens? Não é que eu seja uma pessoa violenta, mas para não arriscar, eu apanhava uns quatro ou cinco cocos para atirar à cabeça dessa defensora da parentalidade positiva. É que eu tenho uma pontaria fraquinha. 

 

CG - Não podemos ir embora sem que completes esta frase: “Quando os miúdos estão nos avós eu…”

SSMT - Durmo!

 

CG - O que diz a tua carteira?

SSMT - Diz que sou desorganizada, que tenho papéis a mais, que as fotografias dos miúdos estão desactualizadas e que preciso de levantar dinheiro porque ando sempre a contar as moedas. 

 

Era isto? Se não era que se foda, que eu não aceito reclamações. 

 

 

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