Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Casa da Gorda

Casa da Gorda

Ter | 05.02.19

Se a Gorda fosse jornalista: entrevista com Diário de um pai solteiro

Gorda

Entrevista Pai Panda.png

 

 

Na entrevista deste mês temos um bicharoco que as más línguas dizem estar em vias de extinção. Os chineses bem que tentam fazer as crias vingar, mas é em Portugal, neste retângulo à beira mar plantado, que vivem dois dos exemplares mais cool que alguma vez se viu.

Se os asiáticos dão nota disto levam-nos daqui. Não lhes chega a EDP…

 

Ora pois que o nosso convidado de hoje é nada mais nada menos que o Pai Panda, autor da página da Facebook “Diário de um pai solteiro”. Como o próprio nome indica é um moço livre que conta as experiências desta coisa da parentalidade pelos olhos de um pai cheio de humor que vem provar que aquela coisa do “mãe é sempre mãe” só vale quando o “pai nem sempre é pai”.

 

Conheci este espaço através da minha primeira convidada, a ilustre “Mãe Imperfeita” e achei que o que estava a fazer falta a este ursito preto e branco não era uma namorada, mas uma entrevista que colocaria à prova a sua capacidade de segurar o sistema nervoso e não me mandar para o raio que me parta.

 

Sem mais delongas deixo-vos com mais uma entrevista parva:

(já sabem, faz de conta que aconteceu aquela coisa do "Bom dia, como está?" e tudo o que a educação manda)

 

CG - É o Pai Panda, tem uma filha panda, a sua ex. é a Pata Hidrofóbica. Seria justo dizer que o seu animal preferido é o canguru? Por favor explique o seu sentimento depois da profundidade desta pergunta.

Pai Panda (PP) - Não seria justo dizer isso. Só conheci dois cangurus na vida e mal. Um foi de passagem, em Tóquio, num bar onde só iam estrangeiros. Falámos pouco. O outro trabalha na Uber Eats e já me veio trazer alguns pedidos. É má ideia pedir comida que não possa ser chocalhada, já agora. Por acaso o meu animal preferido é o cão.

 

CG - Tem por hábito colocar roupa escura e branca a lavar em simultâneo? Se sim, compreende que isso pode ser a razão para ainda estar sem uma Gansa fabulosa? Aliás, se calhar devíamos ter começado por uma questão menos difícil: sabe colocar a máquina de roupa a trabalhar? (esta questão é aquela a que eu gosto de chamar: pergunta kinder).

PP - Não preciso, porque evito ao máximo roupa branca. A excepção são as camisas das reuniões. Tendo a lavá-las todas ao mesmo tempo. E sabe uma coisa? São frequentemente azuis e têm pequenos apontamentos brancos ou riscas, quadrados… E isso leva-me a acreditar que se fabricam uma peça de roupa masculina que tem branco e azul, e que portanto tem de ser lavada na mesma lavagem, é porque essa história é um mito das mulheres. No caso da Panda não há problema porque ela cresce tão rápido e dão-nos tanta roupa que se chego a lavar a mesma peça duas vezes é uma sorte. Quanto à máquina, vivo sozinho desde os 18 anos e a minha mãe é nórdica… Não sei o que é isso da mulher portuguesa. A única que coloco num pedestal é a minha ‘senhora lá de casa’ que lá vai uma vez por semana e a deixa num estado de hotel de 5* em apenas 4 horas. Acho que um homem com empregada não precisa de mulher por lá a tempo inteiro.

 

CG - A maioria das mulheres, quando vê um homem divorciado que é um pai carinhoso, pensa: “Ohhhh, que fofinho!”; eu normalmente penso “deve ter posto as peúgas pretas a lavar com as camisas brancas mais de 20 vezes ou então queixou-se outra vez das almofadas decorativas da cama, são coisas que lixam a cabeça às gajas!”. Depois desta introdução indique quantas vezes fez douradinhos para o jantar da piquena no último mês?

PP - Tecnicamente não sou divorciado, sou só separado. E se uma mulher entrar no meu quarto, quero acreditar que as almofadas decorativas não estão no topo das preocupações naquele momento. Talvez seja mais importante ela não tropeçar no cabo da extensão do aquecedor e dar um tralho monumental em cima da mesa de cabeceira. Douradinhos, ora bem.. uma vez.

 

CG - Por falar em douradinhos, vamos a uma pergunta mais séria: se uma mãe fizer douradinhos para os filhos 1 vez por semana é má mãe, mas se for um pai solteiro a fazer nuggets todos os dias é fofo, porque se está a esforçar rodos. O que acha desta diferenciação?

PP - Estou com o feeling que isto dos douradinhos é um tema que lhe é pessoal… Em qualquer caso acho as mães são sempre más mães não importa o que façam. E elas sabem disso. Por isso é que sentem culpa. É uma boa forma da natureza as capacitar para criar filhos e de se esforçarem. É nosso dever perpetuar essa culpa. Não sei que espécie de mau pai faria nuggets todos os dias quando pode encomendá-los no McDonald’s já feitos. A Panda gosta.

 

CG - Ficou sério, por isso, vamos avacalhar outra vez tá bem? (Nunca antes na história das entrevistas alguém disse a um entrevistado que ia avacalhar…sou uma jornalista brutal!). Vamos imaginar que apanhou um avião com destino a Nova York, mas a coisa corre mal e o avião despenha numa ilha quase deserta. O piloto e a tripulação de bordo patinam, mas o Panda sobrevive (é o único passageiro porque não me apetece matar mais gente nesta entrevista). Depois de dar uma volta à ilha e de perceber que vai ter de viver de cocos e pregados até que o encontrem (uma alimentação PALEO, fique contente!), dá de caras com duas moças. Uma é linda de morrer, qual Jennifer Lopez, qual Gisele Bunchen (por favor diga-me que sabe quem são estas pessoas…), mas burra como uma pedra; a outra é igualzinha à Maria Leal mas têm a massa intelectual de uma cientista conceituada. Qual escolheria? E porquê? Já agora estamos todos curiosos.

PP - Se estão as duas sozinhas na ilha deserta acho que poderíamos chegar a um entendimento qualquer e dar-nos todos bem. Não sou possessivo. Se não fosse possível, escolhia a inteligente porque precisaria mais da companhia dela. Na condição dela dar explicações à mais burrinha e de lhe fazer coaching ou mentoring ou algo assim. Quando a Gisele Bunchen fosse minimamente esperta, ficava antes com ela. Já agora, fui googlar porque de facto não sabia como era a Maria Leal. Devo dizer-lhe que é impossível uma mulher com um intelecto elevado ter aquele aspecto. Todas as mulheres muito inteligentes que conheci eram no mínimo bonitas. Além disso na ilha deserta não deve haver creme cor de laranja para a cara aqueles químicos para o cabelo.

 

CG - Como já vem a ser apanágio desta entrevista, não podemos ir embora sem que complete esta frase: quando a Panda não está em casa eu…

PP - … contemplo o vazio da existência humana numa solidão tão intensa que é quase palpável no ar cristalizado da noite fria. E jogo playstation à vontade sem ter de usar os headphones.

 

CG - O que diz o seu frigorífico?

(normalmente pergunto pela carteira, mas no caso de um homem divorciado confesso que estou deserta de curiosidade para saber quantas prateleiras tem vazias).

PP - Que gosto de cerveja? Que uso pouco a manteiga que comprei em 2011. Que tenho boas intenções quando compro aqueles pacotes de saladas no supermercado, mas não passam disso. Que não devia mesmo comprar mostarda dijon e coisas assim porque nunca termino um frasco. Não percebo mesmo que tipo de pessoa consegue gastar a mostarda toda antes dela se estragar.

 

E é muito isto, os entrevistados ficam sempre num estado de júbilo tal, que estão capazes de hibernar meses a fio.

 

 

Para mais conteúdos podem sempre acompanhar a Gorda no Instagram.

Ou ainda na conta de Facebook.

 

 

1 comentário

Comentar post