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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Seg | 31.12.18

Se calhar é melhor fazer uma espécie de balanço não é?

Gorda

(tava mesmo para cá vir só em 2019, mas depois abateu-se-me que isto não é blog não é nada sem um balançozito, maneiras que vamos a isto sim?!)

 

Não gosto de balanços, parece que estou a tirar contas à vida numa de ver quanto me deu, quanto me esfalfei e quanto é que eu acho que merecia e não me calhou.

Acabo sempre a achar que “pronto, estamos aqui todos, o miúdo tem saúde e está rijo, eu tenho saúde apesar da mona feita em bosta, o marido caminha pa velho, mas por aqui anda e tirando as maleitas dos 40 lá se vai aguentando. Por isso olha, tá bom, venha outro!”

Uma espécie de: "eu tô bem, tu também tá bem, tudo mundo aqui tá bem!"

 

É o possível quando a pessoa tem 35 e filhos para criar. Queria mais? Queria. Mas estar vivo, ter saúde e estar junto dos que amo, por mais cliché que possa ser, é um prémio do caraças.

 

Ainda assim (porque sou chata como a porra) e sabendo que para balanços não tenho jeito, se calhar posso fazer duas ou três notas sobre este ano (tudo coisas de uma relevância...):

 

1. Não me mascarei e não mascarei o miúdo. Ele ainda nem sabe que o Carnaval existe.

 

2. Não me patinou ninguém este ano. Graças a Deus o call center do Senhor (esta frase é redundante ou sou só eu que acho?) está com pouca gente, de maneira que não contactou ninguém que eu goste com a última chamada. Que assim se mantenha por mais uma porrada de anos. Se há chamadas que uma pessoa não quer é do Senhor e das Finanças.

 

3. Tinha um blog (esta é nova para vocês) onde eu até dizia o meu nome. Fartei-me, porque a identidade rouba-me a liberdade criativa, por isso acabei com ele.

 

4. Fiz 35 anos. Porra 35 anos!

 

5. Todos os dias em que me olhei ao espelho e me dei a liberdade de pensar outra coisa que não fosse “despacha-te”, dei comigo incrédula “esta és tu!? Foda-se, como é que raio é que deste contigo com 35 anos na peida!?”. Duas quase rugas de expressão na testa e nem 1 único cabelo branco. Deve ser do açúcar, as células já estão em ponto de rebuçado, caramelizaram e nem respiram a cabronas.

 

6. O Bucha Marido entrou nos entas, agora já ninguém o tira de lá, coitado.

 

7. O puto fez 3 anos e eu nem me quis acreditar. Nem quero. Já me constrói frases e tudo, qualquer dia tem namorada.

 

8. Fui de férias para o Algarve.

 

9. Fui de férias para o Fundão.

 

10. Fui à Serra da Estrela ao fim de mais de 10 anos.

 

11. Tive um colapso nervoso com a lei da solvabilidade. Eu que quero tanto mudar de casa, agora tenho o processo dificultado. É preciso ganhar bem, ter paizinhos que patrocinem, receber uma herança ou endividar-nos ainda mais para comprar uma barraca. Cá me deixo pela que tenho.

 

12. Tive uma ideia para escrever um livro de humor. Voltei a escrever depois de estar parada meses. As ideias são como os gajos e quando veem que uma pessoa já está ocupada a matutar em alguma coisa começam a cirandar. Por isso tinha de arranjar o que fazer com as ideias parvas que me apareciam.

 

13. Criei o “Casa da Gorda”, cujo nome nasce da minha alcunha de infância.

 

14. Conheci gente muito engraçada e que me diverte a rodos. Nunca andei à volta do tema da maternidade por si só, é uma parte de mim não é o todo que me define, mas a verdade é que foi com umas mães cheias de pinta que acabei a rir à gargalhada. Sinto-me bem quando estou junto delas, mesmo que seja apenas virtual. Penso "OK, esta gente percebe...".

 

15. Como hipocondríaca que sou normalmente penso que tenho doenças, em 2017 acho que pensei ter 7272572725 doenças, este ano estive bem melhor porque só pensei ter 656366 doenças diferentes, embora tenha julgado ter algumas em simultâneo.

 

16. Fiz birras e aprendi a lidar com elas melhor que o ano anterior. Aposto que em 2019 estarei uma guru.

 

17. Li mais de 10 livros, o que eu acho que é uma vitória do caraças considerando a falta de tempo que tenho e os anos de sono que tenho em atraso.

 

18. Relaxei mais.

 

19. Dei mais dois passinhos de bebé para aceitar quem sou, estou a ficar velha e começa a chegar a hora de perceber que isto é o que há.

 

20. Fiz exercício, mas não tanto quanto devia.

 

21. Fui à nutricionista e pela primeira vez na vida segui o plano. Resultou e perdi o peso que queria.

 

22. Não reencontrei pessoas na vida real e dou Graças ao Senhor porque quando as encontro nas redes sociais penso “Foda-se!”.

 

Em resumo foram mais trezentos e tal dias, qualquer coisa como 8760 horas, vividas de forma muito parecida entre elas. Trabalho, casa, casa trabalho, filhos, roupa passada, roupa lavada, trânsito, passear cães, apanhar poias, etc. Umas resenhas de final de dia desconstruindo a vida e arranjando forma de me rir disto tudo.

A vida pode ser sempre igual, o que muda é a forma como escolhemos vê-la (Caralho! Leram esta frase? Até me ficou a doer a cabeça).

 

Porque rir pode não ser o melhor remédio, mas às vezes é o único analgésico.

 

Bom Ano minhas taças de serradura.

 

Venha de lá esse 2019

 

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