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Casa da Gorda

Casa da Gorda

13
Out18

Boas noticias, más noticias e preocupações meteorológicas que só me interessam a mim

Gorda

Há coisas que só acontecem porque tenho acesso a um computador.

Há outras que só acontecem porque tenho acesso a um computador, é fim de semana e me apetece dizer múltiplas coisas.

 

Não interessam a ninguém. Mas vai ser uma piada do caraças ler isto daqui a uns anos e perceber que eu de facto levo um jeito do catano para esta coisa de ser blogger (ou lá o que é!).

 

(com isto já disse coisa para cima de 4 vezes)

 

Boas noticias

Consegui adiantar mais trabalho em 4 horas do meu fim de semana do que uma das pessoas da minha equipa em 10 horas de escritório. Isto é mau porque a pessoa tem limitações e pouco serve de apoio, mas é bom porque tenho de trabalhar menos horas amanhã.

 

Más noticias

Porque não consegui acabar tudo, amanhã ainda vergo mola. Estou numa felicidade que só me apetece sair para a rua depois das 21h, ir passear à beira mar e ver se uma rajada de 200 km/h me leva para o raio que me parta.

 

Preocupações meteorológicas

O marido insiste em ir dar uma volta com os cães, eu acho que eles hoje podem arrear o calhau no quintal. O esposo não concorda. De maneiras que estou na duvida se o mando com uns calhaus nos bolsos ou não. Tenho ali umas pedras que apanhei na praia, é capaz de o manter por terra. Não me dava jeito nenhum ter de chamar os bombeiros para o tirar de cima de uma árvore.

 

09
Out18

Lamento, mas o humor hoje não pode vir

Gorda

Algo de muito errado se passa no mundo em geral, alastrando-se ostensivamente para o meu em particular.

Kim Jong Un é "dono" de um país onde as pessoas usam cortes de cabelo definidos num menu, não têm acesso ao mundo exterior e até pensam que ele é uma espécie de pessoa decente.

Contra todas as expectativas Trump tornou-se presidente da terra dos livres. Um país que devia servir como exemplo ao mundo, é agora gerido por um homem que acha que se deve construir um muro para delimitar fronteiras. Uma casta de pato bravo incontrolável que sofre de verborreia crónica.

Apesar das calamidades proferidas, Bolsonaro tem fortes possibilidades de se tornar presidente do Brasil. Que será do país irmão, que corre o risco de ter ao leme um ser vivo que ainda não evoluiu para babuíno (sequer).

Nesta linha de eleições mentecaptas, a administração da minha cabeça parece ter considerado, de forma unânime, que o Medo é o gajo mais competente da minha cabeça. Não sei se aconteceu dessa forma porque o discurso do Medo, de facto, arrebatou multidões, se os demais são excessivamente preguiçosos para se dar ao trabalho.

 

Sempre fui aquilo a que se pode chamar de caguinchas, mas a maternidade trouxe consigo um mar de medos que suplanta qualquer arrepiozito que antes se manifestasse. 

É incrível como o momento mais maravilhoso da minha vida conseguiu comportar em si o melhor do mundo e o mais assustador, como uma cesta de medos e receios. Como se ao mesmo tempo em que um bebé chega alguém traz uma daquelas alcofas rendadas e diz, ora aqui ficam todos os medos que agora passas a ter, esquece os que tinhas, estes até te ouriçam os ossos da espinha.

 

E temos medo que eles caiam, que não os eduquemos bem que chegue, que sofram de bullying na escola, que sejam bullys na escola, que se atormentem sem razão, que vivam insatisfeitos, que não estudem, que se deixem levar por opiniões duvidosas, que tenham um acidente de qualquer ordem (mesmo que só proporcione dois arranhões), que fiquem em casa de amigos (porque antigamente era diferente e agora a gente ouve tantas histórias, conhecemos lá as pessoas), que apareça um maluco no jardim, que corram para a estrada, que a vida não lhes dê o mar de sorte que queremos que tenham.

(é menos solicitário escrever no plurar, como se as dores fossem de uma comunidade)

Se ao menos houvesse um banco da sorte, ia agora levantar todas as fichas que lá tenho na minha conta e fazia um deposito massivo na conta dele. Quero lá saber da minha sorte. A minha depende da dele.

Em que dia é que a minha sorte deixou de ser independente?

Chegam depois os medos que são meus, parecem ser só meus, vêm mascarados de meus, mas afinal não estão sozinhos.

E se lhe falto? E se isto se me acaba e não vejo tudo? Se não comemoro a primária? Se não aconselho a área de estudo? E se não tem orgulho em mim? E se faço alguma coisa que o envergonhe? E se ralho demais? E se chamo à atenção de menos? E se sou excessivamente tolerante? E se não tenho paciência que chegue? Que raio, já puseram um homem na lua e ninguém sabe a medida certa de paciência (são 250 gramas, 1 quilo, quanto?). Se não consigo apoiar com o primeiro namoro? E quando entrar para faculdade? E se não mergulho em orgulho no fim de curso? E se decide casar? Quem vai estar lá para dizer à noiva que tem de o tratar bem? Para lhe dizer a ele que se não a trata bem ainda vai a tempo de uma boa sova? Então e quem vai tirar o pó dos álbuns de fotos digitais, garantindo a vergonha de qualquer homem adulto? E se tudo corre bem e ando aqui em ansiedades porque o medo é o chefe Tibura cá da mona?

E falta-me o ar, porque é muita incerteza para uma mãe só. Especialmente uma mãe que é gorda da cabeça.

 

Lamento mas hoje o humor não pode vir, o presidente do conselho de administração da cabeça decidiu arrecadar para si a escrita do texto desta terça-feira.

Esperemos que mais para o fim da semana a ordem já tenha sido reposta que isto com um chefe incompetente ninguém aguenta.

 

Assinado pelo presidente do conselho de administração da mona da Gorda,

Exmo. Medo