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Casa da Gorda

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16
Out18

TPM – natureza ou conspiração corporal contra o bem estar mental da mulher

Gorda

Qualquer mulher entre os 11 e os 50 anos compreenderá este texto. As com menos de 11 não deveriam estar a ler isto porque pode conspurcar a sua mente (pais onde estão?), as que tenham mais já se vangloriam de não ter uma visita mensal, tudo enquanto se abanam por conta dos afrontamentos.

Ou assim me dizem porque ainda não lá cheguei.

 

A mulher não tem os seus humores ajustados pelas vitorias e perdas do seu clube de futebol. Os homens fazem isso. As mulheres não precisam de 11 mamarrachos a falhar uma baliza para estar com neura e com uma profunda vontade de partir a cara a alguém apenas porque essa pessoa existe.

A mulher vive permanentemente em ciclo. E quando o ciclo a abandona a mulher passa a abanar-se sem parar. Mesmo no inverno, mesmo no ponto mais alto da Serra da Estrela e enquanto neva. Há um calor interior que não se acalma e a pessoa abana, abana.

Ou assim me dizem porque ainda não lá cheguei.

 

Espantam-me as velhotas que se sentam à janela a falar mal do mundo. Já não têm ciclos e por isso o humor já só depende de si. Uma mulher que fala mal do mundo 4 dias antes do período é uma mulher em estado normal. Uma velhota devia já ver o mundo cor de rosa porque nada anda às voltas dentro de si.

Só se comeu demasiado grão e aí a tripalhada tende a dar mais algum trabalho.

 

A mulher está bem, está sossegada, ainda ontem gostava do marido, enternecia-se com as palermices do cão, tinha visto um vestido cheio de rendas que lhe iria ficar a matar. Tudo para, 24 horas depois, o mundo estar do avesso. Mais valia que a pessoa conseguisse dar uma daquelas voltas de 360 graus. Mas o ciclo é mais esperto que a mente e sabe que, para ficar de lua, tem de ser de 180.

Vai daí e a pessoa fica agitada, os cheiros incomodam, o açúcar torna-se ainda mais sedutor, uma carência. O marido é um estupor que lhe entrava a vida, tem vontade de lhe bater por deixar as chaves em cima da mesa do hall. Há dez anos que ele deixa lá as chaves. Discute, a principio achando-se com razão, depois presa por um fio para não a perder. O cão não passa de um cagão que tem de estar sempre a ir à rua e lambe demasiado a pessoa. Mais valia ter arranjado um a pilhas. Afinal de contas esses sempre dão cambalhotas e este só sabe lamber os tomates. Experimenta o vestido mas parece que fica muito apertado na barriga, as rendas espetam e sente-se uma chouriça enfeitada para a feira festa do Continente. Pousa o vestido a contragosto e fica com vontade de dar um banano ao manequim, afinal de contas foi a porra do boneco que passou a ideia errada.

Arrastam-se alguns dias de horror à flor da pele. Gritos no trânsito, ameaças de abalroamento de outras viaturas, o pão da padaria agora tem demasiada farinha.

Depois, uma manhã, a pessoa percebe que não dá jeito ir à natação ao final do dia. Mas está uma manhã esplendorosa e a vida voltou a sorrir. Está tudo bem.

As hormonas comentam baixinho: voltamos a falar no mês que vem.

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